Binormativismo ou liberdade de normativas?



Numha opiniom recente solicitada ao diretor geral de Galaxia, Francisco Castro, este editor mostra-se contrário à aplicaçom de umha política binormativista, já que, por um lado, daria mais elementos para o ataque às pessoas contrárias ao galego e, por outro, pensa que nos levaria a umha situaçom confusa no ensino. Porém, Eduardo Maragoto defende neste vídeo que nom se deve confundir binormativismo com liberdade de normativas.

As objeções ao binormativismo expostas por Francisco Castro coincidem em parte com as assinaladas polo presidente da RAG Vítor Freixanes numha entrevista recente no Sermos Galiza ou com as reservas mostradas por Manuel Bragado, ex-diretor de Xerais, na sequência das II Jornadas do CEIP Paraixal de Teis, em Vigo. O principal temor que existe nestes autores (unidos polo seu vínculo ao mundo editorial) parece residir em que se cheguem a gerar situações confusas que abalem o status do galego, nomeadamente no âmbito educativo. Porém, todos parecem concordar na necessidade de levar o português ao ensino, de maneira que há muita margem para chegar a acordos.


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  • Ernesto V. Souza

    A cousa é que simplesmente estão à contra de normalizar o Português, na Galiza. Dão razões e argumentos teóricos complicados… mas no fundo simplesmente ao que se negam é a assumir eles qualquer prática ou apoiar qualquer iniciativa diferente.

    Mas, por outra banda não se importam de ir à feira do Livro de Madrid, assinarem exemplares das suas obras… publicadas em castelhano…

    Porque esse é o sucesso que importa… esse é o esquema: Galiza-Madrid…

    Até tal ponto está assumido que os surpreende e reconhecem que “o Sucesso”… em Madrid… de Susana Arins é um reconhecimento de facto da qualidade do reintegracionismo… e que talvez, por isto, havia que repensar… enfim…

    Triunfem em Madrid que depois os aplaudirão na Galiza…

  • Miro Moman

    Sem animo de ofender, o que aprendi na universidade é que as elites culturais e académicas galegas dançam ao ritmo dos subsídios. Portanto, sempre vão evitar dizer ou fazer qualquer cousa que pudesse remotamente anojar o bwana em Madrid. Em uma situação tal, o caminho mais direto é sermos cordiais e pedagógicos com todos mas falar diretamente com o bwana. Neste caso haveria que fazer um breve relatório descrevendo os modelos possíveis com referencias diretas aos países onde estes modelos foram implementados e um outro relatório com as projeções económicas derivadas de uma hipotética inclusão da Galiza na lusofonia e na CPLP. E possível que economistas tenham já quantificado o valor económico do multilinguismo em Luxemburgo ou noutros contextos. Com esses argumentos na mão haveria que ir falar com o Feijóo e tentar convence-lo de que seria uma magoa estar a perder de ganhar por meras questões políticas e ideológicas. Se ele acha que o risco para a sua carreira política não e demasiado grande, poderia tentar convencer a caverna de deixa-lo fazer sem mexer-se muito.

    Se a via diplomática, que vai ser longa e escabrosa, não funcionasse em absoluto, sempre ficaria a opção de que os falantes de português da Galiza se declarassem minoria étnica e levassem o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Com o galego não e possível porque, ao ser uma língua regional espanhola, as instituições internacionais vão evitar mexer-se em assuntos internos da Espanha. Porem, o português confere uma dimensão internacional ao assunto. O facto é que o português escrito emprega-se com relativa normalidade na Galiza desde há décadas (o oral desde sempre). Na universidade, na Internet, na imprensa, na empresa e em muitos outros âmbitos (no Parlamento Europeu, por exemplo). Existem diversos coletivos e associações que o empregam habitualmente e até tem aparecido em jornais e contextos mainstream sem que se passasse nada. Existem editoras especializadas em obras em português e muitas outras que publicam ou publicaram obras em português. Entre os seus utentes encontramos escritores, jornalistas, linguistas, artistas, professores universitários e de liceu, cientistas, etc. Até se as instâncias internacionais evitassem pronunciar-se ia ser difícil para a imprensa e as instituições espanholas evitar o debate e justificar-se.