Benja Moraña: “neste país é mui complicado viver da música e umha cousa leva à outra”



benjaBenja Moraña é um dos 10 finalistas do Musicando Carvalho Calero, participa com o tema “Calquer lugar é bom para morrer” levado a melodias escuras: Carvalho em versom metal.

Podes apresentar-nos brevemente a tua carreira musical?
A minha carreira musical foi sempre totalmente amateur. Entre umhas cousas e outras nunca tivem oportunidade de que os projetos musicais em que estivem chegassem a muito mais. Apesar de tê-lo tentado e gravado cançons profissionais nunca houvo sorte.

Como vês o panorama musical galego?
Dependendo do estilo musical que tenhas, pode ser mais fácil ou mais complicado. No meu caso, com este estilo de música, o metal, é difícil tocar já que nom há muitas facilidades. Se som honesto, nom creio que se poda viver da música nestes momentos na Galiza. E menos se é música própria, já que se leva muito que a gente toque versons e dam-se mais facilidades a esse tipo de bandas.

Porquê te animastes a participar no concurso “musicando Carvalho Calero”?
Um amigo dixo-me que havia um concurso que consistia em musicar um poema de Carvalho Calero. Tinha algumha ideia que se podia adaptar ao poema “Calquer lugar é bom para morrer”. Já levava tempo parado e com ganas de fazer algo e isto serviu para animar-me de novo a compor.
Gostei da experiência de musicar poemas. Quem sabe? Igual cai algum outro.

Tinha algumha ideia que se podia adaptar ao poema “Calquer lugar é bom para morrer”. Já levava tempo parado e com ganas de fazer algo e isto serviu para animar-me de novo a compor.
Gostei da experiência de musicar poemas. Quem sabe? Igual cai algum outro.

Que opinas de que se lhe dedique o dia das letras a Carvalho Calero?
Tem um grande poemário e era um grande defensor da língua. Ademais este ano cumprem-se 110 anos do seu nascimento. Era bom momento para voltar dedicar-lhe o dia das letras.

Sabes que Carvalho defendia umha grafia convergente com o português e nom a espanhola… A AGAL hoje defende umha soluçom binormativista para que se podam usar ambas normas ortográficas. O que achas desta possibilidade?
Sim, e é membro de honra da AGAL. Veria bem que se pudessem usar as duas. Nom som historiador para responder como tal, mas claramente acho que há umha grafia parecida entre as duas línguas. Provavelmente isto se foi perdendo com o tempo até chegar ao que utilizamos agora. De facto, eu nom estou acostumado a falar com a grafia portuguesa. Creio que daria para um debate longo (risadas aqui).

Que potencial pensas que poderia haver de abrir a produçom musical galega para os países lusófonos?
Pois algo acho que já há. Muitos grupos galegos vam tocar a Portugal e viceversa. Quizais se houvesse mais facilidades se veria mais. Mas é o de antes, neste país é mui complicado viver da música e umha cousa leva à outra. Se as bandas tivessem mais facilidades seguro que chegariam nom só ao país vizinho, senom a outros países também.

Queres comentar algo mais?
Extra: há que apoiar mais os projetos musicais originais e nom tanto de versons, que muitas bandas o fam mui ben, mas muitas outras som clones. Ao final perde-se a essência da música original.


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  • Ernesto Vazquez Souza

    Muito, muito interessante, diria mais, fundamental ouvir toda esta gente nova de fora do mundo Linguístico/filológico/profe de língua…