Resumo 2020

Através Editora lançou onze livros e duas terceiras edições em 2020



atraves-2020Acabou o estranho ano 2020, mas a Através continuou com o seu projeto e deu ao prelo ao longo destes doze meses onze livros e duas terceiras edições. A seguir, podem ver a listagem de títulos publicados.

  1. José Luís Rodríguez, nos trilhos da língua. A primeira publicação da Através neste 2020 foi um livro de homenagem ao professor José Luís Rodríguez feito pelos docentes de Língua Portuguesa da Faculdade de Filologia da USC. Nele, encontramos documentos, imagens e depoimentos do docente, nos quais se mencionam outros membros centrais da nossa cultura, como Carvalho Calero, Guerra da Cal ou Rodrigues Lapa. Como é que se desenvolveram os estudos portugueses e a universidade galega, quais foras as figuras mais marcantes no percurso acadêmico do professor ou a sua visão do reintegracionismo são elementos chave deste livro que abriu as publicações do 2020.

  1. Português do Brasil, o galego tropical? Diego Bernal publica um ensaio prologado por Joán Lagares onde se defende que o português do Brasil, longe de ser uma variante do galego afastada e sem ligação extensa com a nossa fala, é uma variedade diversa por motivos geográficos e sociais, mas também familiar e com muitas conexões coa Galiza. O autor faz um repasso pela morfologia, o léxico, a onomástica ou a fonética brasileiros após uma longa estadia no país tropical.

  1. Antologia de textos para pensarmos a língua. Uma proposta didática. Neste ensaio, Diego Bernal e Xoán Lagares (coord.) partem dos textos de Ricardo Carvalho Calero sobre questões relativamente à língua, à ortografia e à sociolinguística para, com base neles, proporem atividades de pré-leitura —pensadas para ativarem os conhecimentos prévios dos e das leitoras—, de leitura —onde oferecem elementos para que as pessoas leitoras construam sentidos a partir dos textos— e de pós-leitura —onde se fazem sugestões de leitura e pesquisa co propósito de estimular a reflexão sobre as questões abordadas nos textos. Um livro pensado para qualquer tipo de leitora e ótimo para conhecer a figura do autor homenageado neste 2020 no que diz respeito à língua galega.

  1. Entrecontar. Este livro de relatos da autoria de Iolanda Aldrei apresenta-se-nos como um tecido de textos onde cada história expõe uma personagem que destaca dentre a multidão. Todas as histórias são, em palavras da autora, janelas abertas que uma voz central vai desvelando e que uma história transversal vai possibilitando. Histórias de dor, de morte, de tenrura, de emigração… Todas as personagens que se aqui se entrecruzam, que sentem e que importam… contam.

  1. verkami_carvalho-calero

    Ricardo Carvalho Calero, coraçom de terra. A segunda banda desenhada da Através, publicada em parceria com Demo Editorial, desenhada por Iván Suárez e roteirizada por Xico Paradelo, Irene Veiga e Iván Suárez narra a vida de Carvalho Calero baseada em vários itens da biografia do autor: infância, estudos universitários, a Guerra, docência em Fingoi, USC, reintegracionismo, linguística e política do país ao longo do século xx— mas com uma particularidade: o texto começa com uma ucronia na qual o futuro do galego está em mãos dos reintegracionistas e a Galiza é membro da CPLP. 

  1. Tempo Tardade. Raquel Miragaia, autora de textos como Diario Comboio (AGAL – Laiovento, 2002) ou Em trânsito (Difusora, 2007), publica o seu primeiro romance na Através Editora. Nele encontramos uma história familiar dura e cheia de sombras e de aquilo que não se diz. A narradora principal deste texto, Branca, volta à casa familiar após a morte da mãe, agora vazia. Devagar vai descobrindo coisas que aconteceram lá há muitos anos com o seu tio Serafim e que foram apagadas da memória familiar, mas também começará uma viagem de autoconhecimento.

  1. Nós, xs inadaptadxs. Representações, desejos e histórias LGBTIQ na Galiza. Com este volume colaborativo coordenado por Daniel Amarelo, a Através publica um ensaio polifónico com vozes como as de Antón Lopo, Iria Veiga, Xácia Ceive ou Andrea Nunes, o primeiro em abordar dum jeito tão atual com tão diferentes olhares questões LGBTIQ+ da cultura galega. Podem encontrar cá temas como a despatologização da diversidade sexual, as experiências trans ou dramaturgia queer.

  1. Sete dias com Elisa. Depois de Dixie em Wanderland, Óscar Senra apresenta-nos o seu segundo romance. Elisa e Amália, duas vizinhas idosas que moram na aldeia, passam uma aloucada semana de aventuras onde não faltarão delitos, complots, riscos, separações, encontros e mesmo santas roubadas. Um texto pouco comum e dinâmico que faz rir e enternece em iguais partes.

  1. Quando grupos vulneráveis são feridos. A figura jurídica dos crimes de ódio. O advogado e professor Xoán-Antón Pérez Lema publica na coleção coordenada pela professora e escritora Teresa Moure —Alicerce— um ensaio divulgativo conciso e esclarecedor sobre o que é que são os crimes de ódio e como é que eles estão legislados no Estado espanhol, em Portugal e outros lugares. Um texto de muita atualidade devido ao novo ascenso do fascismo dentro da própria legalidade ou de movimentos negacionistas.

  1. A tribo que conserva o lume. Tomas Dinger, um linguista ainda novo perito na língua potawátomi, aparece morto na sua casa no Michigan. Embora acontecesse em estranhas circunstâncias, a polícia não dá demasiada importância ao acontecido até que, por acaso, começam a morrer, devagar, outros linguistas em todo o mundo. Lia, ex-namorada do Thomas e Marlene, a sua ex-professora, começam a investigar o que é que pôde acontecer.

  1. A evolução histórica dos limites da Galiza. O historiador José Manuel Barbosa indaga neste ensaio na evolução da extensão, literal ou social, da Galiza desde os Kalláikoi até a Idade Média e como um conjunto de fatores sociais, políticos, econômicos, religiosos se entrecruzaram para expandir ou limitar o território, oferecendo saberes e reflexões que nunca tinham sido abordados no seu conjunto. Um segundo volume em 2021 prolongará esta pesquisa até os tempos atuais.

  1. Galiza, um povo sentimental? (3ª edição) e Scórpio (3ª edição ). Neste 2020, a Através publicou, aliás, as terceiras edições de Scórpio, texto fundamental dentro da obra de Ricardo Carvalho Calero, e de Galiza, um povo sentimental? Género, política e cultura no imaginário nacional galego da professora Helena Miguélez-Carballeira, um dos melhores ensaios da cultura galega donde se aborda como se construiu o mito da Galiza como um país sentimental e “feminino”.


PUBLICIDADE