As raposeiras, editora de livros temáticos que aposta no binormativismo

A editora, que nasceu durante a pandemia mundial, começou com umha campanha de pré-venda para financiar o lançamento.



foto_equipo_raposeirasAs Raposeiras é umha editora que nasce no contexto da pandemia para oferecer material especializado para crianças. Oferece coleções temáticas em diferentes línguas: inglês, castelhano e galego nas duas normativas:  “Apostamos polo binormativismo e temos um compromisso com o nosso idioma. Defendemos a possibilidade de encontrar material didático e cultural nas diferentes normas do galego, em castelhano e em inglês”, sinalam da editora.
O primeiro livro da coleçom, pensado para público infantil Eu nas vanguardas achega a obra de 12 artistas de forma didática. E, segundo as suas criadoras, o seu objetivo é “contribuir para a educaçom das novas geraçons, fortalecer os seus conhecimentos sobre referentes culturais e estimular a sua curiosidade.”

A equipa editora está formada por três mulheres: Wendy Carolina, desenhadora gráfica, fotógrafa e editora e a encarregada de dirigir o projeto, Carla Areán ilustradora, professora de inglês e a responsável de lhe dar vida e personalidade ao conteúdo através das suas ilustraçons e Paloma Fernández, historiadora da arte e quem se ocupa da criaçom do conteúdo e da redaçom dos textos.

Como vedes o panorama editorial galego?
Complexo. Nom é fácil e menos nestes tempos tam revoltos  e cheios de incerteza. É verdade que cada vez temos mais oferta de conteúdo editorial para crianças em galego, sobretudo de literatura infantil, mas a oferta em livros de atividades já som muito mais reduzidas, umha das razons polas quais nasceu Raposeiras Editorial. E porque os livros de atividades som mui divertidos!
Apesar dos tempos que correm, apostamos por um projeto novo, fresco e como dinamizador da língua e de referentes culturais.

Que papel queredes desenvolver nel?
Gostaríamos de ter umha maior presença no panorama editorial galego, sem dúvida. Trabalhar para podermos ser um referente em ediçons de livros de atividades em galego, sem complexos!

O que vos fez pensar em editardes apostando polo binormativismo?
O nosso interesse pola ediçom em diferentes línguas está baseado no atual contexto de diglossia. Temos um compromisso com o nosso idioma, e defendemos a possibilidade de encontrar material didático e cultural nas diferentes normas do galego, assim como em castelhano e em inglês.
Apostamos polo binormativismo porque acreditamos na necessidade de normalizar umha situaçom que é umha realidade hoje em dia. Cremos que o galego internacional e o galego RAG devem conviver em igualdade, para isso é preciso a formaçom e a divulgaçom da norma AGAL, assim como a sua oficialidade.

Cremos que o galego internacional e o galego RAG devem conviver em igualdade, para isso é preciso a formaçom e a divulgaçom da norma AGAL, assim como a sua oficialidade.

Sabemos que com iniciativas como a nossa contribuímos para a normalizaçom de algo que é cada vez mais comum. A convivência das duas normas já é umha realidade em muitos âmbitos e a sociedade galega entende cada dia mais que a proposta do reintegracionismo é umha proposta de futuro que nom se isola e que nos ajuda a compreender a riqueza do nosso idioma.

Conhecedes as escolas semente? Forom um aliciante ou referência para vós?
Sim, conhecemo-las e queremos poder achegar a elas os nossos livros, oferecer-lhes material didático para as crianças na normativa AGAL. O projeto das escolas semente parece-nos mui interessante e necessário hoje em dia, por ser o único projeto de imersom linguística em galego. Sabemos que é um êxito e achamos que tem futuro.

Como imaginades o panorama linguístico na Galiza dentro de 30 anos?

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O último livro da editora, sobre o pintor Vincent Van Gogh.

Achamos que cada vez a sociedade valoriza mais a sua língua, somos optimistas e isso é algo mui positivo, mas falta oferta, divulgaçom e apoio institucional. Através da ediçom de diferentes tipos de conteúdos em galego afiançamos esses valores nas novas geraçons e, enchemos esse vazio.
Nom temos umha bola de cristal para saber como vai ser a situaçom, mas estamos convencidas de que vai ser melhor. Cada vez somos mais e cada vez estamos mais presentes!

Sodes umha equipa conformada por mulheres; pensastes em como no vosso projeto nom perpetuar a hegemonia masculina?
Sim, a nossa equipa é principalmente formada por mulheres, podemos dizer que foi umha questom de causalidade baseada nas nossas inquietaçons. Também é certo que as nossas experiências no mundo laboral nom têm sido completamente satisfatórias, apesar de que muitas cousas estam a mudar, continuam a existir dinâmicas em que as mulheres temos que demonstrar muito mais as nossas capacidades que qualquer homem.
Com o nosso projeto demonstramos que as mulheres também podemos ter iniciativa e liderar equipas, nom nos para ninguém! Confiamos no nosso trabalho, sabemos o que fazemos e tiramos para adiante.


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