AS AULAS NO CINEMA

ANTERO DE QUENTAL, IMPORTANTE LITERATO DAS ILHAS AÇORES



Dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 134 da série geral que iniciei com Sócrates, a um grande literato natural das ilhas Açores, Antero de Quental (1842-1891), pertencente à geração de 70 do século XIX. Com este depoimento, a ele dedicado, completo o número vinte e dous da série lusófona.

PEQUENA BIOGRAFIA

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A brasileira Dilva Frazão escreveu no seu dia uma interessante biografia de Antero de Quental, que temos por bem reproduzir no presente depoimento. Antero de Quental (1842-1891) foi um poeta e filósofo português. Foi um verdadeiro líder intelectual do Realismo em Portugal. Dedicou-se à reflexão dos grandes problemas filosóficos e sociais de seu tempo, contribuindo para a implantação das ideias renovadoras da geração de 1870.

Antero Tarquínio de Quental nasceu na localidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, Portugal, no dia 18 de abril de 1842. Filho do combatente Fernando de Quental e de Ana Guilhermina da Maia iniciou seus estudos em Ponta Delgada. Em 1858, com 16 anos, Antero de Quental ingressou no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Tornando-se o líder dos acadêmicos, graças à sua marcante personalidade. Em Coimbra, Antero de Quental organizou a Sociedade do Raio, que pretendia renovar o país pela literatura. Em 1861 publicou alguns versos que lhe abriram o caminho para as glórias futuras.

Ainda estudante de Coimbra, Antero de Quental liderou um grupo de estudantes, que repudiava as velhas ideias do Romantismo, causando uma polêmica entre a velha e a nova geração de poetas. Em 1864, Teófilo Braga publica dous volumes de versos: Visão dos Tempos e Tempestades sonoras. No ano seguinte, Antero edita a sua obra Odes Modernas. Na mesma Antero rompe com toda a poesia tradicional portuguesa, onde são banidos o romantismo, o sentimentalismo e a religiosidade lírica, e surgem, com força, as ideias de liberdade e justiça. Os poemas foram criticados pelo poeta romântico Antônio Feliciano de Castilho, que acusa a Antero de exibicionismo, obscuridade e de abordar temas que nada tinham a ver com a poesia. Antero de Quental responde a crítica em uma carta aberta a Castilho, intitulada Bom senso e bom gosto, na qual Castilho é acusado de obscurantismo. Antero defende a liberdade de pensamento e a independência dos novos escritores. Ataca o academismo e a decadente literatura romântica e prega a renovação. Nascia assim a “Questão Coimbrã”, como ficou conhecida essa polêmica que passou a ser o marco divisor entre o Romantismo e o Realismo.

Após intensa polêmica entre os conservadores e os que, como ele, se opunham às correntes filosóficas então em voga – o determinismo e o positivismo, Antero de Quental resolve viver como operário. Embarcou para Paris, decidido a aprender tipografia. Trabalhou durante dous anos como tipógrafo, mas com a saúde debilitada, regressou a Lisboa em 1868 e iniciou uma fase de intensa militância. Antero foi um dos fundadores do Partido Socialista Português e aderiu a “Iª Internacional”. Em 1869 fundou o jornal A República, junto com Oliveira Martins.

Em 1871, Antero de Quental, Eça de Queirós, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão, organizam uma série de “Conferências Democráticas”, que foram realizadas no Cassino Lisbonense, com o intuito de realizar uma reforma na sociedade portuguesa. Com um extenso programa, foram realizadas quatro conferências: a primeira foi feita por Antero de Quental, com o tema: “Causas da decadência dos povos peninsulares”. Quando estava para ser realizada a quinta Conferência, o ministro do reino proibiu-a, acusando os conferencistas de terem intenções subversivas. Apesar da crítica severa das autoridades, o grupo conquista seu objetivo e solidifica as raízes artísticas do Realismo português. Em 1872 passou a editar, em colaboração com José Fontana, a revista O Pensamento Social. Essa geração, também chamada “Geração de 70”, se dispersou após a repressão às conferências do cassino.

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A carreira poética de Antero de Quental apresenta três fases, de acordo com as modificações operadas em seu espírito: Fortemente influenciadas pelo idealismo hegeliano e o socialismo de Proudhon, Antero publicou Odes Modernas (1865). A obra está impregnada de realismo radical. Nela o poeta compõe poesias como reflexo da Revolução. Entretanto, sua excessiva sentimentalidade impede a realização de uma poética totalmente reformista. Com uma atitude paradoxal, ora se prende à tradição religiosa, ora se dedica à ação social.

Portador de distúrbio bipolar, com uma grande e permanente depressão, em junho de 1891 desde Lisboa regressou a Ponta Delgada, cometendo suicídio no dia 11 de setembro de esse mesmo ano, com dous tiros, num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, onde está na parede a palavra “Esperança”, no Campo de São Francisco, quando eram as 8 da tarde. Os seus restos mortais encontram-se sepultados no Cemitério de São Joaquim em Ponta Delgada, ilha de São Miguel dos Açores.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

  1. Antero de Quental.

     Duração: 16 minutos. Ano 2014.

     

  1. Antero de Quental: Poesia Portuguesa.

     Duração: 7 minutos. Ano 2019.

     

  1. Antero de Quental e Cesário Verde.

     Duração: 6 minutos. Ano 2015.

     

  1. Poeta Antero de Quental.

     Duração: 5 minutos. Ano 2017.

     

  1. Quem foi Antero de Quental?

     Duração: 4 minutos. Ano 2018.

     Ver aqui.

  1. Antero de Quental.

     Duração: 7 minutos. Ano 2018.

     

  1. Poema sinfónico de Antero de Quental (1908).

     Música por Luís de Freitas Branco.

     Duração: 13 minutos. Ano 2016.

     

  1. Sonetos (parte 1ª) de Antero de Quental. Audiolivro.

     Duração: 69 minutos. Ano 2013.

     

A OBRA LITERÁRIA DE ANTERO de QUENTAL

Recolho do Dicionário Histórico de Portugal o seguinte depoimento:

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Antero de Quental foi bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra; publicista, homem político, filósofo e poeta. Nasceu em Ponta Delgada a 18 de abril de 1842, onde também faleceu a 11 de setembro de 1891. Era descendente duma das mais antigas famílias das ilhas dos Açores, sendo filho de Fernando do Quental. Depois de estudar as primeiras letras na sua terra natal, veio para Lisboa e cursou as aulas do estabelecimento de ensino fundado e dirigido por António Feliciano de Castilho. Em 1856 foi matricular-se em direito na Universidade de Coimbra, tomando o grau de bacharel em 1864. Desde 1860 que o jovem poeta se tornara conhecido no mundo literário, com a publicação em opúsculo anónimo, segundo Raimundo Capella, da poesia À historia, cujas estrofes são as que abrem a primeira edição das Odes modernas. Desde esse ano apareceram também várias poesias e artigos de prosa nos jornais Académico, Prelúdios literários, Estreia literária, Fósforo, publicados em Coimbra. Em 1861 saiu dos prelos da Imprensa Literária da mesma cidade, um folheto intitulado Sonetos de Antero. Em 1863 publicou-se o poemeto Beatrice, e a poesia Fiat lux, que se tornou raríssima, por ter o seu autor inutilizado quase todos os exemplares, poucos dias depois de impressos. Mas em 1865 é que se publicou, também em Coimbra, o volume das Odes modernas, que marcou a Antero do Quental um lugar de destaque nas letras portuguesas. Deste livro se fez segunda edição no Porto em 1875, contendo varias composições inéditas. No Porto também saiu, em 1871, o volume das Primaveras românticas, com o subtítulo de Versos dos vinte anos. A série das suas publicações em prosa, encetou-a Antero do Quental em Coimbra, em 1865, com a sua Defesa da Carta encíclica de Sua Santidade Pio IX contra a chamada opinião liberal; este opúsculo tem esta dedicatória: “A todos os católicos sinceros e convictos. A todos os hereges sinceros e convictos. Testemunho de boa-fé”.

Outro opúsculo, publicado no mesmo ano de 1865, e que provocou uma verdadeira tempestade literária, denominada A questão coimbrã. Intitulava-se Bom senso e bom gosto; carta ao ex.mo Sr. António Feliciano de Castilho; reimprimiu-se primeira e segunda vez, contando ao todo três edições. A virulenta e prolongada polémica literária que derivou daquele opúsculo, chegou ao extremo de redundar num duelo à espada entre Quental e Ramalho Ortigão, autor do opúsculo Literatura de hoje. O duelo efectuou-se no Porto, no sítio chamado da Arca de Água, ficando Ramalho Ortigão levemente ferido num pulso. Ainda em 1865 publicou Antero do Quental em Lisboa, um outro opúsculo A dignidade das letras e as literaturas oficiais, em que atenuou alguns dos exageros da sua apreciação no opúsculo que provocara a questão coimbrã. Volvidas depois as publicas atenções para os factos político-sociais, interveio Antero do Quental nos debates do momento com a publicação dos opúsculos de combate: Portugal perante a revolução de Espanha, considerações sobre o futuro da política portuguesa. O ponto de vista da democracia ibérica, em 1868; e O que é a Internacional; o socialismo contemporâneo, o programa da Internacional; a organização da Internacional; as conclusões, em 1871, este sem o nome do autor.

Desenho para poéticas, Antero de Quental.

Desenho para poéticas, Antero de Quental.

Entretanto, promoviam-se em Lisboa, no salão do Casino Lisbonense, as Conferencias democráticas, cujo programa tem a data de 16. de maio de 1871, e é assinado além de Antero do Quental, por Adolfo Coelho, Augusto Soromenho, Augusto Fuschini, Eça de Queiroz, Germano Vieira de Meireles, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, J. P. Oliveira Martins, Manuel de Arriaga, Salomão Saragga e Teófilo Braga. As Conferencias democráticas foram inauguradas por Antero do Quental, que também fez a segunda conferência, a qual teve por tema as Causas da decadência dos povos peninsulares nos três últimos séculos. Este notável discurso foi publicado no Porto no mesmo ano de 1871; nele dá Antero do Quental como causas da decadência de Portugal a monarquia e o catolicismo. Proibidas as Conferencias democráticas por uma portaria do então presidente do conselho de ministros, o marquês de Ávila e Bolama, Antero do Quental publicou a sua Carta ao Ex.mo Sr. António José de Ávila, marquês de Ávila, presidente do conselho de ministros, que está escrita com veemência e enérgica indignação.

Afastando-se por essa época da vida pública, após uma viagem aos Estados Unidos, dedicou-se mais especialmente Antero do Quental às preocupações literárias entrando na nova polémica literária suscitada pela versão do Fausto, de Goethe, pelo visconde de Castilho, desta vez do lado deste e seus amigos e admiradores; dessa época é também o seu opúsculo Considerações sobre a filosofia da história literária portuguesa, em 1872, onde aprecia o livro de Oliveira Martins sobre Camões e os Lusíadas e a Teoria da história da literatura de Teófilo Braga. Em prosa há dispersos por jornais e revistas, muitos artigos dignos de leitura e meditação, como acerca de Lopes de Mendonça, nas colunas duma folha operária do Porto. Deve-se também mencionar os seus manifestos políticos, quando o Partido Socialista, em 1880, lhe indicou o nome aos eleitores como candidato a deputado por um círculo de Lisboa. Em 1892, o livreiro Gomes, de Lisboa, editou o volume Raios de extinta luz, poesias inéditas de Antero de Quental, com outras pela primeira vez coligidas, precedidas de um esboço biográfico por Teófilo Braga.

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Das suas obras poéticas, além da imitação dum soneto por Manuel del Palacio, traduções em espanhol por Frederico Balart, segundo comunicação de Sanchez Moguel, havendo a Illustracion Española y Americana apresentado já especímenes desta versão; de Manuel Curros Enriquez; e de Baldomero Escobar. Em francês, além de Fernando Leal, traduziram Antero do Quental o autor de Epines et roses, em Gouttes d’Ame, Paris; Achille Millien, em suas Fleurs de poesie, morceaux des poétes étrangers contemporains, traduits en vers; Maxime Formont no capítulo III da sua obra Le Mouvement poétique contemporain en Portugal, Lyon, 1892; e H. Faure. Em italiano, contam-se as versões de Marco Antonio Canini, Giuseppe Cellini, Domenico Milelli, E. Teza, G. Zuppone-Strani, com quem colaborou o autor das Fiori d’Oltralpe, onde, além da tradução de várias poesias insere igualmente a versão siciliana Zara, traduzida outrossim em dialeto corso por A. P. Fioravanti; esta poesia, bem como os sonetos A Virgem Santíssima e Quia aeternus, em italiano, foi traduzida outrossim por Prospero Peragallo e Clelia Bertily; desta versão se encontra uma reprodução no livro de António Padula, I nuovi poeti portoghesi, onde também se vê uma tradução Dos Cativos em prosa. Do epitáfio Zara, há também uma tradução em italiano por Francisco Accineili. A edição poliglota Zara (Lisboa, Imprensa Nacional, 1894) compreende traduções em latim, italiano, siciliano, calabrês, napolitano, bolonhês, romanhol, veneziano, veronês, milanês, genovês, romanche, francês, valão, bearnês, delfinês, provençal, e catalão, maiorquino, castelhano, asturiano, mirandês, galego, romeno, polaco, boémio, russo, esloveno, eslovaco, croata, grego, albanês, inglês, sueco, dinamarquês, norueguês, neerlandês, alemão; daco saxónico, bretão, irlandês, daco-cigano, hebraico, árabe, finlandês, húngaro e basco. A estas versões cumpre aditar as posteriores em russo, em eslavo de Montenegro e em arménio antigo e moderno. Das outras obras poéticas de Antero do Quental resta registrar as traduções em inglês pelo Dr. Richard Garnett e por Edgar Prestage, benemérito das letras lusitanas. Em alemão outro benemérito de nossa literatura, Wilhelm Storck, publicou uma versão dos Sonetos de Quental. Em sueco os traduziu Goran Bjorkman, como em dinamarquês recentemente Karl Larsen, professor da Universidade de Copenhaga. Dos escritos em prosa de Antero do Quental há da Carta autobiográfica a Storck, versões em alemão e em inglês; e desde 1882 uma tradução espanhola do estudo crítico A poesia na actualidade, traslado devido a Ricardo Caruncho, e impresso na Corunha.

O péssimo estado de saúde de Antero de Quental, a que debalde buscava remédio no conselho das sumidades da ciência médica, como Charcot em Paris, acabara por o obrigar ao retiro de um isolamento completo, em Vila do Conde, onde em 1890, quando se deu o Ultimato inglês, o entusiasmo da mocidade académica portuense o foi buscar, oferecendo-lhe a presidência da Liga Patriótica do Norte, agremiação oriunda dum comício popular. A Liga Patriótica do Norte, porém, fracassou; e na sequência dos sucessos, veio Antero de Quental a regressar à sua terra natal, onde inesperadamente o público culto foi alarmado pela surpresa da terrível notícia do suicídio do grande poeta. No ano de 1896 apareceu no Porto, editado por Mathieu Lugan, um volume In memoriam, de Antero de Quental, colaborado por alguns dos seus mais íntimos amigos pessoais, trazendo dois apêndices, um de Ernesto do Canto, outro a excelente bibliografia Anteriana, de Joaquim de Araújo.

A este estudo se ligam os opúsculos seguintes: do mesmo Joaquim de Araújo, Bibliografia Anteriana, resposta a alguns reparos do Sr. Delfim Gomes, Coimbra, 1896, e Bibliografia Anteriana, resposta aos Srs. Delfim Gomes e José Pereira Sampaio, Génova, 1897; de Delfim Gomes, Bibliografia Anteriana, notas ao ensaio do Sr. Joaquim de Araújo, Coimbra, 1896; Biblioteca Anteriana, defesa de algumas notas impugnadas pelo Sr. Joaquim de Araújo, Coimbra, 1896, e Bibliografia Anteriana, a propósito da «Resposta» do Sr. Joaquim de Araújo aos Srs. Delfim Gomes e José Pereira de Sampaio, por José de Azevedo e Meneses, Barcelos, 1897.

PRINCIPAIS OBRAS DE ANTERO DE QUENTAL

Dono de uma obra essencialmente filosófica, social, política, metafísica e lírica, Antero de Quental é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa. Algumas de suas obras:

  • Sonetos de Antero (1861)
  • Beatrice e Fiat Lux (1863)
  • Odes Modernas (1865)
  • Bom Senso e Bom Gosto (1865)
  • A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais (1865)
  • Defesa da Carta Encíclica de Sua Santidade Pio IX (1865)
  • Portugal perante a Revolução de Espanha (1868)
  • Primaveras Românticas (1872)
  • Considerações sobre a Filosofia da História Literária Portuguesa (1872)
  • A Poesia na Actualidade (1881)
  • A Filosofia da Natureza dos Naturalistas (1884)
  • Sonetos Completos (1886)
  • A Filosofia da Natureza dos Naturistas (1886)
  • Tendências Gerais da filosofia na Segunda Metade do Século XIX (1890)
  • Raios de extinta luz (1892)

LINDOS POEMAS DE ANTERO de QUENTAL

Apresento a seguir uma antologia dos seus poemas, escolhendo os mais formosos e significativos.

O poeta espelha o conteúdo revolucionário e social no seu poema:

    Mais Luz!

    Amem a noite os magros crapulosos,
e os que sonham com virgens impossíveis,
e os que se inclinam, mudos e impassíveis
a borda dos abismos silenciosos…

    Tu, Lua, com teus raios vaporosos,
cobre-se, tapa-os e torna-os insensíveis,
tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis,
como aos longos cuidados dolorosos!

    Eu amarei a santa madrugada,
e o meio-dia, em vida refervendo,
e a tarde rumorosa e repousada.

    Viva e trabalhe em plena luz: depois,
seja-me dado ainda ver, morrendo,
o claro Sol, amigo dos heróis!

    Nirvana

    Viver assim sem ciúmes, sem saudade,
sem amor, sem anseios, sem carinhos,
livre de angústias e felicidades,
deixando pelo chão, rosas e espinhos.

    Poder viver em todas as idades,
poder andar por todos os caminhos,
indiferente ao bem a às falsidades,
confundindo chacais e passarinhos…

    O que a morte diz

    Deixai-os vir a mim, os que lideram,
deixai-os vir a mim, os que padecem,
e os que cheios de mágoa e tédio encaram
as próprias obras vãs, de que escarnecem…

    Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da dor, que nunca param,
como num mar, em mim desaparecem…

    Assim a morte diz. Verbo velado,
silencioso intérprete sagrado
das coisas invisíveis, muda e fria…

    Soneto

    Conheci a beleza que não morre
e fiquei triste. Como quem da serra
mais alta que haja, olhando aos pés a terra
e o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,

    minguar, fundir-se, sob a luz que jorre;
assim eu vi o mundo e o que ele encerra
perder a cor, bem como a nuvem que erra
ao pôr-do-sol e sobre o mar discorre.

    Pedindo à forma, em vão, a ideia pura,
tropeço em sombras, na matéria dura,
e encontro a imperfeição de quanto existe.

    Recebi o batismo dos poetas,
e assentado entre as formas incompletas
para sempre fiquei pálido e triste.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Antero de Quental, um literato açoriano que destacou especialmente no campo da poesia, e teve um papel importante no movimento da denominada “Geração de 70” do século XIX. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, em que participem estudantes e docentes. Da produção literária de Antero de Quental podemos escolher para ler por todos, pelo seu interesse, alguma das suas seguintes obras: Sonetos completos, da editora Verbo (ano 2006), Prosas sociopolíticas, publicadas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 1982 ou a Fotobiografia, editada em 2008 por esta mesma editora oficial portuguesa.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.


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