CARTAS MEXICAS

América Latina dentro da viragem global



A queda do Ocidente

 

Na década de 90, do século passado, o Império financeiro Ocidental, rumava – por meio da globalização – por ele ocidental idealiza, a toma do controlo de todo o planeta. O centro geográfico britânico, criado pelo conselheiro da rainha Isabel I, John Dee – juntara-se ao centro geográfico veneziano (que já tinha penetrado anteriomente na Holanda), dando pulo financeiro ao futuro modelo do Império Britânico, quando em 1694 o escocês William Paterson, criava o banco da Inglaterra. Em 1913 o coronel Edward Mandel House, finalizaria a labor, criando o novo centro geográfico norte-americano – ao tempo que era formado o poder financeiro de Wall Street, através da Reserva Federal Americana ou FED.

House tinha desenhado as linhas mestras, para este Império Global, apoiado nas finanças ocidentais: toma do México, mudança da doutrina anticolonial Monroe, numa nova doutrina neocolonial de “pátio traseiro”, mediante a qual os EEUU, se arrogavam o direito de exploração da América Latina, em seu beneficio – Transferindo os ativos dos latinos a favor do seu novo centro no Norte… Na Europa, House, ia mais alem da doutrina tradicional britânica de contenção da Rússia, em favor duma nova doutrina de pressão, asfixia e final divisão do Império Russo… Todo parecia rumar no certo, com a chegada do BCE (Banco Central Europeu, 1 Junho 1998) com a anterior queda da URSS (26 dezembro 1991), as novas guerras dos Balcãs (partição da Jugoslávia), entrada na União Europeia dos antigos territórios dominados pelos soviéticos; e nascimento do Euro (a 16 dezembro 1995). Assim como a possível queda da Nova Rússia, que tentava levantar Vladimir Putin, quando a Ucrânia mudava de bando (com as revoltas do Euromaidan em 2014). Sabido como era, que já para o Czares russos, a perda da Ucrânia significava o início da queda do poder russo; pois foi em Quieve, capital da Ucrânia, onde a tradição indica a chegada de Santo André e, foi Vladimir I, Grão Duque de Quieve, quem instaura o cristianismo, com o episódio conhecido como o “Bautismo de Rus” – Sem uma Ucrânia de mãos dadas com Rússia, a história do poder eslavo e ortodoxo, Moscovo, perde pesso. Ocidente, pois tomava vantagem…

O novo Império do Ocidente, tinha integrado em seu seiom de algum modo, velhos inimigos: celtas, romanos e germanos; protestantes e católicos; judeus e muçulmanos e, ortodoxos da Grécia, Chipre, Romenia e agora Ucrânia?… E estava a ponto, na sua expansão de incluir em seu poder os restos ortodoxia espalhada desde Império de Bizâncio – agora assente em Moscovo.

Em época de expansão, a harmonização dos contrários faz-se possível. E o novo Poder Ocidental, aparentava não poder ser travado. Tentativas de resistência no mundo, iam ficando enfraquecidas… Mas, toda onda expansiva tem seu máximo a atingir, dependendo do seu impulso, e em 2007-2008, a espiral ocidental atingiu seu limite biológico: com a implosão do pulmão financeiro de Wall Street e Londres, este pulo começa a declinar… A partir dai a aliança Chino – Russa, ia começar ditar suas pautas ao mundo, devagar – ate confrontar nos nossos dias, com um novo Estados Unidos…

Foi Devido a isto, que uma parte da elite ocidental, deu por finalizado o modelo globalista – centrando-se num novo modelo, de contenção do expansionismo comercial chinês e de nova forma de travar o iminente poder militar russo. Esta elite, tomaria vantagem sobre o resto da elite ocidental (que ainda mantinha a visão de ser possível a globalização e o modelo tecnotronico ideado por Zgigniew Brzenzinski, a dêcada de 1970), ao eleger em 2016 a Donald Trump, como presidente dos EEUU…

A equipa que impulsionou o trunfo do Presidente Trump, tenta agora paralisar a estratégia de Aleksandr Dugin, da criação dum pólo anti-globalista pardo-vermelho (verdadeira manobra, que junto a quebra financeira, tirou para a caixa da historia a Sociedade Tecnotronica de Brzenzinski). Ao retirar a direita anti-globalista do anel de poder russo. Assim partidos como Frente Nacional de Jean Marie Le Pen, agora, com sua filha, passa de novo a ser neoliberal, resistindo-se apenas (a esse alinhamento neo-liberal em favor dos EEUU) Viktor Orbán na Hungria. Todos os partidos de direita anti globalistas; desde Bolsonaro, no Brasil, ate Mateo Salvini, na Itália, mantêm um programa que combina o neoliberalismo, com o autoritarismo conservador… De um lado dando a razão a China, no sentido do modelo comercial liberal misturado com controlo social, funcionar melhor na prática; por outro lado, se reordenam com Washington, no sentido da primazia desse impulso comercial, deve ser dirigido pelas corporações privadas e não pelos Estamentos do Estado…

Assim, que China, já ganhou a guerra enquanto ao novo modelo, que está vigorizando, ainda neste declínio do ciclo mercantil ocidental e alça do ciclo mercantil oriental – ambos, em transição final ao novo ciclo dos Cidadãos… No entanto, agora a guerra se desenvolve, entre poder comercial totalitário privado ou poder comercial totalitário estatal…

Resurge o Império Chines

 

A inícios do século XIX, China, conservava seu cetro Imperial, sendo o centro económico e comercial mais poderoso do mundo. Para reverter esse processo, o Império Britânico, fabricou as duas guerras do ópio, que alem de tornar a China uma sociedade virada no vicio, quebrantou para sempre a possibilidade de consolidação, do poder mercantil chinês, seguir comando num mundo, onde as dinâmicas de modernidade as marcava o Ocidente. Finalmente a China foi ocupada e repartida, pelas potencias ocidentais (com o Tratado de Pequim, firmado em 1860), abrirndo-se  11 portos ao comércio ocidental, com oferecimento forçado de vantagens as potencias da época. Cedeu-se Vietname aos franceses e aos japoneses Formosa e Coreia. Em inícios do século XX, os nacionalistas de Sun Yixian, tomaram certa efémera relevância, após a dimisao em 1911 do último imperador manchu. Mas a instabilidade e a perda de poder do gigante asiático seguia a ser o referente: em 1916, junto as guerras internas, Japão ocupa as anteriores poses alemãs de Shandong e Qingdao. Sun Yixian teve de mudar alianças e olhar para União Soviética (como contrapeso ao asfixiante e predador poder ocidental e a pressão do novo poder imperial japonês). Mas os soviéticos obrigam a ampliar as parcerias nacionalistas com o recém fundado Partido Comunista de Chen Duxiu e Mao Zedong. Finalmente em 1925 Chiang Kai-Shek, rompe com os comunistas; iniciando-se uma política de concessões ao império nipónico, que culmina em 1936, com a toma de Pequin, junto muitas outras cidades. Chiang Kai-Shek, tem de dar uma viragem e de novo apoiar-se nos comunistas, para tentar expulsar aos Japoneses. Mas no final da II Guerra Mundial e trás a  rendição do Japão, Chiang Kai-Shek apoiado pelos norte-americanos, começa sua ofensiva contra o crescente poder comunista dirigido por Mao Zedong…No entanto os norte-americanos já tinham, anteriomente, colonizado a China, junto o resto do poder ocidental, pelo que muitas elites somente bem uma solução para uma independência real da China (sem neo-colonialismo económico): apoiar aos comunistas, que em 1949, depois de várias vitorias militares, instauram definitivamente a República Popular China.

Mao Zedong começa assim uma árdua tarefa de reconstrução do velho poder chinês, com o apoio praticamente de toda a população. No entanto o carácter ególatra do líder, sua excessiva mentalidade ideológica e sua falta de pragmatismo, fariam cair a China uma e outra vez (com milhões de mortos pelas fomes), no abismo da quebra – do qual somente – a inteligência, habilidade e capacidade pragmática de Deng Xioping (em contraposição ao Mao) voltam, uma e outra vez, a restaurá-la. Assim foi ao final do “Grande Salto Adiante”, da “Matança dos Pardais” ou da “Revolução Cultural”, Deng que era afastado a cada nova loucura megalómana do Dirigente único, que cumulava na sua figura todo o Poder político, militar e económico; tinha de ser de novo chamado a dirigir a nau a deriva – para de novo reencaminhá-la a porto…

Deng tinha uma capacidade incrível de suportar qualquer pressão, algo que outros dirigentes, como o magnifico Liu Shaoqi (morto ao não suportar a vergonha de ser afastado de todos seus cargos e expulso do Partido em 1968) não eram capazes de resistir.

Finalmente, como todos bem sabemos, a morte de Mao Zedong, Deng Xioping, tornou-se no dirigente incontestável o qual lhe permitiu (uma vez encarcerada a viúva e os poucos seguidores de Mao) planificar o futuro, hoje presente da Potencia Global Chinesa – cimentando os alicerces que lhe deram consistência a este projeto… Assim, que a pesar, de ser a fotografia de Mao a que figura de honra, presidindo a praça de Tiananmen, foi verdadeiramente Deng Xioping a grande figura da próspera sociedade chinesa de hoje. Tendo como macula em sua trajetória, precisamente a matança propiciada, em esta mesma praça, em 1989. Mas Deng, ante a evidência de abrir um processo democrático, com perda do poder absoluto do partido comunista; e possibilidade de cessão na construção do centro geográfico chinês e, volta a uma possível ré-colonização do Ocidente (por meio duma aplicação dum programa neoliberal, fora do controle do Estado, a realizar pelas Corporações e bancos Ocidentais), não duvidou de baixar sobre os estudantes sua mão terrível de ferro. E não o duvidemos a maior parte das elites chinesas apoiou e aprovou a brutal repressão.

Estas elites, que sempre sonharam com um novo Poder Imperial, que aprendendo de seus erros (como o encerramento sobre si mesmos), pudesse elevar de novo a China, a ser primeira potencia económica do mundo, teve de aguardar amargamente, quase 200 anos. E somente visionou poder realizar esse salto quântico, resguardadas baixo a direção do Partido Comunista Chinês – no qual pelo momento seguem confiando – e apoiando.

Assim, que agora nos será mais fácil relativizar, essa velha divisão, própria dum período de Guerra Fria, entre socialistas e capitalistas.

De algum modo o efeito do ressurgir chinês, já mudou uma partida – em estes inícios do século XXI – fazendo-nos rumar, pelo de agora, a um totalitarismo de mercado. Agora o embate entre EEUU e a China, vai dilucidar, se esse totalitarismo vai ser comandado pelo Estado ou pelas Corporações Privadas… Qualquer dos dous Gigantes que perder a partida, vai ter muito difícil manter em pé sua estrutura de poder, tanto interior como exterior, e a dificultosa coesão das suas sociedades: diversos interesses, diversos atores em luta pelo protagonismo, em diversos campos… Já se sabe que onde não há farinha tudo é rinha.

Pelo de pronto os EEUU, estão em contração, procurando alinhar-se para travar a máquina de expansão comercial chinesa, pelas suas 3 rotas… Enquanto a China sabe que precisa do poder militar russo, para minorar o impulso americano, que pudera derivar em aproveitar Washington sua superioridade no campo da guerra… E a Rússia precisa da China, para contornar as sanções económicas norte-americanas, que a pesar de tudo, ainda comanda o centro de poder financeiro, mantendo ao dólar, com mais problemas que no passado, no centro ainda dos intercâmbios globais…

A ave Fenix da Rússia

 

Foi Aleksandr Dugin, com sua nova teoria geopolítica – da Aliança Pardo Vermelha – quem construiu o imaginário coletivo do novo centro geográfico Russo. Assim direta e esquerda anti-globalista, poderiam unir-se em torno dum projeto mundial, onde o centro Euro-asiático da Rússia servir-ia de catalisador da nova dinâmica. Com a chegada de Donald Trump, Ocidente, pode reverter em parte este processo, ao ganhar a direita anti-globalista ocidental, de novo para as filas do neoliberalismo, que favorece o centro financeiro de Londres e Wall Street. No entanto a visão do Poder Euro-asiático de Dugin, permitiu, as elites russas, sair dos anéis de anaconda, que Ocidente contornou pelas fronteiras russas, a ponto de asfixiar e dividir a mesma, como sonhava o Coronel Ernest M. House. Putin, reverteu, tomando em base parte dos postulados de Dugin, este processo de dissolução do grande poder eslavo.

Desta visão cresceu uma nova focagem eslava, que abriu passo, devagar, a nova achegas como as do matemático Antoli Fomenko, que recompõe a história, pondo em dúvida a mesma cronologia de Scalinger e Petavius – para criar uma nova cronologia, que ponha foco no novo centro russo, situando os eslavos em relação aos etruscos (dado o etrusco só poder ser traduzido a partir das línguas eslavas), e a herança romana – mais ao oriente, aproximando-a a Rússia herdeira de Bizâncio.

 

Este novo poder russo é focado no seu desenvolvimento cientifico – tecnológico – militar, seu poder energético geoestratégico e sua aliança económica com a China.

Seu bom fazer diplomático, evidenciado na guerra da Síria, e na tentativa de reorganizar Oriente, tendo em conta todos os interesses de toda a região, retirando a mesma do perigo de guerra regional, e possível detonante de guerra global; assim o demonstra.

Alem da sua boa arte diplomática, e tentativa de expansão, dando apoio, no mundo a qualquer poder, que possa ajudar a consolidar, sua posição hegemónica. Assim também intervindo um tanto, de maneira subtil, igual na Europa que na América Latina. E essas alianças com a Rússia, também em Latino América são interessantes, mesmo para aliados incondicionais dos Estados Unidos, como a mesma Colômbia. Sendo que no Continente Americano Rússia, quer, reforças a visão dos três Poderes Equilibradores do atual mundo, em detrimento do anterior Unilateralismo Ocidental de finais dos 90 inícios deste século.

 

 

America Latina – Procurando a Estrada

 

Em Estados Unidos segue a desenvolver-se uma forte luta de poderes, entre supremacistas brancos e globalistas – onde os primeiros apoiados por Trump e pela maior parte do movimento evangelista (a favor do centro geográfico material norte-americano e espiritual israelense), parecem tomar vantagem. Aqueles que sonhavam ver em Trump uma espécie de novo Andrew Jackson, em luta com os banqueiros internacionais, ficaram num sonho. Ao já inicial apoio da família Rockefeller, podemos já acrescentar a Jamie Dimon, do JP Morgan Chaise entre outros… Trump, agora mesmo, está tentar, neste embate com a China – Rússia, por um lado evitar um confronto global, que ninguém pode garantir ganhar, como, por outro lado, ir centrando-se em assegurar territórios que permitam todavia a primazia do dólar, e uma posição de vantagem, para quando chegar o momento da substituição do mesmo – tal vez pelo patrão ouro ou pelas cripto divisas – os EEUU, tenham a primeira palavra a dizer acima da mesa.

Em esse sentido, manter Latino América, no comando das Corporações Norte-americanas deve ser assegurado. Isso, levou, a Trump a fomentar governos em favor desta dependência relativa – nada é linear – com ajuda do poder evangelista, começando pelo Brasil do Presidente Bolsonaro.

Bolsonaro menos a favor duma agenda de integração Latino-americana e duma primacia de inversões chinesas e alianças BRICS; apesar de em temas como a soja, não poder prescindir do mercado da China.

A utilização duma guerra de 5ª geração, com fomento de descontentes e toma do poder por meio de golpes moles, como no caso da Bolívia, modifica a velha forma de intervencionismo, com protagonismo direto das forças armadas. No caso da Bolívia, além de todos as críticas legítimas que se lhe possam fazer ao ex-presidente Evo Morales (como seu apego ao poder, ou o reparto privilegiado de benefícios em favor de seus seguidores, entre outras) o mercado do Lítio em favor de contratos com a China e do gas (de onde por certo foi afastado o maior promotor das revoltas opositoras Luis Camacho) parece ser o motivo principal da queda.

México, mantém-se agora como pólo primordial da visão Latino-americana de integração e trabalho comum, em procura da Independência económica – da basta região.

Dai aparentar  ser o seguinte peão a derrubar. No entanto, não parece tarefa fácil. Alem de uma boa relação Trump – López Obrador, o Presidente atual do México, asemelha ter concretizado o apoio das forças armadas. E além de tentar realizar a 4ª Transformação no seu país, em favor também de um centro regional latino-americano, com independência económica e energética (agora que Brasilia cedeu seu centro a Washington), um 70% da população apoia seus projetos. Nos equilíbrios internacionais, AMLO (Andrés Manuel Lopez Obrador) além da ajuda direta de Vladimir Putin e o bom relacionamento com a China – tem uma visão nacionalista que o aproxima de Trump.

Embora o Presidente mexicano seja um declarado Keynesianista e Trump um exaltado neoliberal. Por outro lado, o governo mexicano, fomenta uma boa relação também com setores globalistas, a pesar da sua visão anti-poder financeiro global. Também de um lado mantêm uma excelente colaboração com o vaticano e o Papa Francisco, mas o mesmo tempo não deixa de lado o crescente, ainda que em México pequeno, pujante movimento evangelista. Tentando não esquecer a necessidade de contar com apoio dentro do poderoso setor judeu do país…

Finalmente sabendo que o 80% do comércio do país, está virado para os Estados Unidos – e que si Trump, quiser, premendo esse comando – a económica do gigante asteca abalaria – AMLO, precisa, ser útil a Trump (para evitar que setores na Casa Branca, passem de tentar executar um golpe de baixa intensidade a um golpe duro). Trump, pela sua parte sabe que o Presidente do México, é um parceiro de fiar, na política migratória, mas também que a posição do governo mexicano poderia virar (em este e outros assuntos), caso de tentativa de asfixia económica…

Se bem a acolhida de asilo do ex-presidente boliviano Evo Morales, e a liberdade que este tem, dentro dos Estados Unidos Mexicanos, para seguir promovendo, uma solução – que não exclua a seu partido o MAS, no futuro da Bolívia, tem irritado a Administração Norte-americana, o governo mexicano não tinha outra saída. México, se quiser manter-se firme como novo polo da nova Latino América Integrada, teve de seguir com sua histórica diplomacia de acolhimento e apoio aos setores em favor da integração regional.

No entanto México, não contar com os fatores de extensão geográfica, demográfica, desenvolvimento tecnológico e industrial – e afastamento de fronteiras com os EEUU, que tem o Brasil; conta com algumas mais valias, que o atual governo, pode utilizar – se manter esses equilíbrios, entre os diversos poderes em pugna no interior e exterior do país. E a confiança pelo de agora da sua cidadania no novo projeto, confiança que foi referendada na praça do Zocalo, este passado domingo dia 1 de Dezembro, é uma força motriz importante.

México, precisa ter mais governos amigos dentro da América Latina, e, em este sentido a nova presidência argentina, pode ajudar e muito. As revoltas em Chile, podem também, dar um volta em favor dessa política mexicana, que procura tomar distancia, entre os extremos, e favorecer uma agenda Latino Americana, de independência que não seja muito lesiva para os interesses norte-americanos. Uma tentativa difícil, mas que de resultar, pode abrir um caminho interessante, para uma região muito polarizada – vítima todavia dum polaridade própria de Guerra Fria – e o confronto entre duas visões totalitárias em combate: por um lado o Poder Corporativo, que exacerba o individualismo e asfixia a ajuda comunitária e os programas sociais e, por outro o excessivo poder estatal, que asfixia a Livre Empresa, a reduz o indivíduo a obediência governamental, em muitos casos.

A sociedade mexicana, é eminentemente comunitária, e tem uma raiz cultural muito forte – tanto que assemelha a contrabalança ocidental do forte raiz oriental representado, hoje, pela Índia. Daí, apesar das tentativas de aculturação, levadas a cabo desde meados do século passado, desde o Norte, pela orientação de House, a raiz cultural mexicana se reafirma.

O governo mexicano, no entanto, precisa de apoio dentro do continente, e governos amigos, como os da futura presidência da Argentina, serão de muita valia – Assim como a toma de mando, em 2020 da CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e das Caraibas). Por outro lado as revoltas do Chile, podem pôr um relativo travão, dentro da região, às politicas neoliberais, que trabalham sempre em favor do centro geográfico material Norte-Americano, e da já falada ideia criada pelo Coronel House, de transformar Latino-América num fornecedor de matéria prima para a Grande Industria do Norte – sem poder sobre seus recursos e sobre as suas riquezas.

O povo de Chile, além de clamar pelo fim do período neoliberal, também esta a lutar, por uma via do meio – que liberte a América Latina, do beco sem saída, herdado da Guerra Fria, com dous extremos totalitários em luta.

Se esta nova visão finalmente triunfar, pode ate mesmo influênciar ao grande gigante Sul Americano, o Brasil, país sem o qual, qualquer tentativa de mudança se faz impossível. Se Brasil, voltar rumar a políticas de independência económica e energética – este modelo poderia ser mesmo expandido a todo o Hemisfério Sul. Voltando a abrir um eixo, que todavia não pode concretizar-se, onde Brasil – Sul África (com Angola e Moçambique também presentes) e a Índia, puderam concretizar o triângulo equilátero, de um 3º Polo de Poder Mundial – que abriria passo a uma verdadeira transformação para uma nova humanidade.

Um gigante como Brasil, pode mudar a geopolítica global, ao tempo que o México, somente pode mudar inércias, dentro da região – contando com a relativa amizade dos Estados Unidos, e uma certa tolerancia, real ou obrigada por pragmatismo de Washington.

O Estado deve ter um peso relativo, em esta nova visão, pois as grandes industrias energéticas e geoestratégicas para os países latino americanos, somente podem garantir manter-se ao serviço da sua cidadania sendo estatais. Dado que os centros de Poder Privado, estão situados no Norte do Hemisfério. Não  entender isso, condena as elites latino americanas, a depender sempre do Norte. Claro que estás elites não tiveram nunca um centro geográfico material, que lhes fornecesse uma experiência histórica de poder, como a China, Índia, Rússia ou a mesma Sul-África (não esqueçamos que o Apartheid foi em parte demolido por isso: concretizar um poder hemogónico no Sul)… Mas esta falta de herança histórica, pode ser boa também, pois estas elites sociais, culturais e económicas, podem apostarem por um novo modelo, sem apegar-se a malas práxis herdadas do passado. Modelo intermediário de serviço a cidadão, sem poder asfixiante do estado e, com permissão dum livre emprendimento, que não remate controlando o governo à sombra. Assim poderiam, nossos irmãos da América,  rumar a uma sociedade do Bem Estar – da qual a Europa ao perder seu referente de centralidade na guerra fria – foi afastada (por Thatcher e Reagan), quebrando seu esplendor civilizacional. E, assim, poder reviver no Continente do Futuro, a sociedade livre, justa e com valores – que toda à humanidade sonha… Para o qual, o despertar do Brasil é tão preciso como justo e necessário… Mas de momento México, pode, abrir o primeiro rego, a caminho do novo rio do acordar das consciências, no Nobre Continente. A espera dum futuro triângulo de luz, que também irradie alianças entre Brasil – México e a Península Celto-Ibérica…

 

O Caminho certo para Era da Fraternidade

Faz-se então evidente que a América Latina, ainda, tem de descobrir o formidável potencial que guarda no seu seio, como Novo Centro Geográfico, duma nova humanidade: futuro início dum novo paradigma da Fraternidade, onde todos os povos do mundo (que já estão representados em seu basto território) possam conviver, por cima de rivalidades culturais, religiosas, políticas.

Esse novo acordar, somente poderá ser realizado criando um novo centro civilizacional – que por força deve estar assente numa nova proposta cultural integradora. América Latina, tem que a abandonar a visão ainda dominante de matriz europeia. Deverá rumar para uma nova raiz cultural, sustentadora das relações sociais, onde o melhor da raiz indígena, seja misturado com o melhor das achegas da Europa (antiga potencia colonizadora), assim com as posterior achegas, algumas forçadas pela escravidão – como as da África, outras pela emigração como as judaicas, orientais, dos povos árabes e a volta de mais europeus, que fugiam das dificuldades económicas em seus, respetivos, países. Pois América sempre foi Terra de Oportunidades.

Esse novo paradigma inclusivo, permitirá verdadeiramente ultrapassar os resíduos e prejuízos racistas, que em certos círculos, ainda perduram, mais ou menos encobertos, no Grande Continente.

Um novo modelo baseado num verdadeiro equilíbrio homem – mulher, onde as lutas feministas não sejam extrapoladas até o ponto de visionar ao homem como inimigo a bater – dentro da falsa visão das dinâmicas de guerra. Rumando do necessário anterior confronto, entre mulher, dominada, contra homem dominador – por um mais amplo conceito, de mulher e homem integrados, como gémeos, que dentro do descobrimento da natureza de cada um, achegua seu melhor ao outro. A esta nova sociedade nossa amada América pode e deve aspirar: o coragem guerreiro das suas gentes, deve ser transformado em torrente de luz, paz, amor e sabedoria. Por isso presidentes de caracter gandhista como AMLO, em México, são tão necessários.

Essa meritocracia verdadeira, estará também facilitada, com integração de todas as visões, de todas as comunidades, de todas as religiões, dentro dum amplo paradigma holístico – onde as partes achegam ao todo e o todo, modifica, evolui, e, a sua vez, influencia de novo às partes…

América foi longamente preparada, para ser o continente do futuro – A Terra de Promissão… E todos os tristes, forçados, sofridos, duros avatares – que ate nossos dias – em estas terras sacralizadas, pela sangue dos bons e generosos (como diz nosso hino galego) em elas derramada, tem preparado o terreno – para o abrolhar as boas sementes, durante séculos e milénios, em elas plantadas.

Será um Longo Acordar daquela “Longa Noite de Pedra” (da que falou o poeta galego Celso Emílio Ferreiro), uma longa caminhada em procura da nova esperança. As línguas castelhana e galego – portuguesa, junto a outras, fundiram-se num novo matriz linguístico. E outra vez, a pequena Galiza, como mãe anónima (que amorosamente deixou seus filhos tomar o protagonismo), toma aqui relevância – como útero, taça, de onde partiu o Portugal dos navegadores – dando voz ao Brasil; de onde nasceu a raça celta, que iria prendar com seu arte, força mística e poder físico dos seus filhos (assim como conceito igualitário do caminho conjunto homem-mulher, mulher-homem)… E finalmente, como centro onde foi o criado o Proto-Galaíco, como bem estudou o ilustre catedrático Carvalho Calero, que seria a matriz dos atuais idiomas galego-português e castelhano, que outra vez, tendem a dar-se a mão no Sul do Continente Americano.

Os combates de extrema polaridade, que agora estão a desenvolver-se, no continente, herdeiros da já superada Guerra Fria, somente irão aprofundar América do Sul, numa espiral de destruição e maior dependência do exterior – que ira a sua vez fomentar mais revoltas no seu, já cansado e sofrido povo… Esses combates, somente pararam, quando uma parte da Elite cultural, económica e social deste território seja ciente, que somente na unidade pela independência económica e na unidade de todos os atores, pode surgir um verdadeiro novo modelo, que tire estes povos do subdesenvolvimento. E esse modelo, será sem dúvida criado, desde o diálogo permanente. Cada nova mesa de diálogo, a pesar mesmo de todavia não ser frutífera – em qualquer país do continente – ajuda a criar esta semente… Os tempos são chegados, como diz nosso hino iniciático galego: e o tempo da Nova América – já iniciou seu impulso evolutivo: não haverá retrocesso, sim provações a ultrapassar, certamente, mas por muito negra que seja a noite, ela não pode impedir a chegada da Alvorada…

Como bem afirmava o grande mestre brasileiro Henrique José de Souza: “O cristianismo impõe a igualdade de todos os homens perante Deus. Acabava-se, assim  o privilégio de uma classe; as famílias nobres perdiam as suas  régias significações, as suas posições especialíssimas, já que todos os homens eram irmãos e iguais perante a suprema divindade. O trabalho seria dignificado, não cabendo mais exclusividades a uma classe deserdada e infeliz; a dos escravos. Para as antigas religiões o trabalho era indigno do homem, devendo ser executado por seres inferiores, pelos escravos”

Assim os ensinamentos da fraternidade crista, que foram decepados na Europa, como aqueles dos cátaros, hussitas, gnósticos herdeiros da essência das comunidades igualitárias de essénios ou nazaritas (onde se praticava o verdadeiro comunismo social e espiritual, cujo centro é a mudança da consciência de competitiva em colaboradora); junto aos ideias da “Ajuda Mútua” estudados por Piotr Kropotkin, foram transportados ao continente Americano – e uma vez derrotados, pelo mercantilismo focado no ter – nos EEUU- de novo semeados na América do Sul.

Juntando-se a sabedoria cabalista judaica, a matriz sufi muçulmana, ao budismo e hinduismo…

Dai, esse novo caldo, essência de todo bom amor no ser humano, está a frutificar nestas novas terras de Promissão. Resta, somente, com esforço, separar a palha do trigo. E estes processos de revoltas, voltas, avanços, quedas, por muito difíceis que aparentem, vão em este caminho

Que a luz da paz, no amor a Mãe Terra, a todos nos ilumine.

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
Artur Alonso Novelhe

Latest posts by Artur Alonso Novelhe (see all)


PUBLICIDADE

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Artur, texto denso demais pede-se um
    esquema de fluxo, que o acompanhe.
    A globalização acabou.
    O capitalismo está no final, a taxa de ganho não se recupera por nenhures.
    O neoliberalismo e ao liberalismo o mesmo que o comunismo é.
    O futuro…O neo feudalismo

    Recomendo que leias a Gilles Lipovetsky.

    Ele o que olha é um enfraquecemento do pessoal adscrito a classe meia, nos estados centrais do sistema. Na Europa essa classe vai-se reduzir de jeito muito significativo…com todas as implicações wue isso tem.