ALDEIAS DE ORDES

As aldeias das leitoras (IX) : Reboredo



José Antonio Couselo García, vizinho de Reboredo (Santaia de Gorgulhos), pedia que falássemos deste topónimo que também nomeia outros lugares nas freguesias de Galegos, Ordes, Vitre e Xanceda. O seu, o de Gorgulhos, é destacável polo folklore associado à mámoa de Reboredo, cuja origem foi atribuída aos árabes e mesmo aos índios!1

Reboredo de Santaia de Gorgulhos

Reboredo de Santaia de Gorgulhos.

Em todos estes Reboredo ecoa um antigo bosque abundante em carvalhos, árvore chamada polos romanos robur e que na Gallaecia se continuou a nomear ao jeito celta: carvalho, face à forma latinizada escolhida no castelhano, roble. Dito de outra maneira, Reboredo é o sinónimo mais latinizado de Carvalhedo, abundancial também presente na toponímia ordense, em sendos lugares de Vila Maior e Buscás2.

Rebordelos, em Parada, pode ser um diminutivo de Reboredo, se é que nom se refere a uns rebordos orográficos3. Também na Reboira de Ardemil se acha representado o Quercus robur, sendo bem conhecida entre os celtófilos a possibilidade de a mui cristianizada Ribeira Sacra ter sido, em origem, umha pagá reboira sacrata ou carvalheira sagrada. Como apelido, Reboiras ficará por sempre associado ao nome de Moncho, o militante da UPG ametralhado pola polícia em Ferrol.

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Reboredo foi um dos panxoleiros de Gorgulhos que junto com Manuel Fraga Seoane ‘Torres’ recuperou as panxolinhas de Natal e cantos de Reis4. Talvez o próprio José Antonio nos pode dizer se este panxoleiro é vizinho de Reboredo ou se só levava a aldeia no apelido. No Reboredo de Ordes um dos cenários principais do romance de M.ª Carme Caramés Gorgal, A Madriña5 – Couto de Reboredo foi um destacado gaiteiro, e Valentín de Reboredo um artista na elaboraçom de cestos e injertos de frutais, mui querido em Loureda. Quanto ao Carvalhedo de Buscás, nom esquecemos os músicos Pedreira de Carvalhedo (gaiteiro), Jesús da Cancelada(clarinetista) e Vicente de Cancelada (bombo)6.

1 María del Pilar Llinares, Mouros, ánimas, demonios. El imaginario popular gallego, Madird, Akal, 1990, p. 71 e p. 77 nº1. Ver também: César Llana Rodríguez et. al., “Catalogación de castros no concello de Tordoia (A Coruña). Avance da carta arqueolóxica de Tordoia”, Brigantium, 5, 1984-1985, pp. 7-40.

2 Cabeza Quiles, 1992, p. 498; 2000, p. 215.

3 Cabeza Quiles, 2000, p. 535.

4 Manuel Viqueira Noya, Vilaverde, 2017, p. 21 e Manuel Pazos Gómez, Manuel Fraga Seoane (tríptico), Ordes, A.C. Obradoiro da História, 2018.

5 M.ª Carme Caramés Gorgal, A Madriña, Edicións Fervenza, 2018.

6 Manuel Viqueira Noya, op. cit., p. 49.

Carlos C. Varela

Carlos C. Varela

Carlos Calvo Varela (Ordes, 1988) colaborou e colabora com diveros meios de comunicaçom, entre os quais Novas da Galiza, Praza Pública e o Portal Galego da Língua. Estudante de Antropologia e investigador, tem publicado numerosos artigos em portais web, revistas e livros, além de realizar um reconhecido labor como dinamizador social e cultural em coletivos de Compostela e Ordes.
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