Alba María: “As pessoas novas começamos a normalizar que se utilizem várias normativas, já nom temos o conflito ortográfico tam presente”



Jesús Andrés Tejada

Jesús Andrés Tejada

Neste ano 2021 há 40 anos que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisarmos este período, estamos a realizar ao longo de todo o ano umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para nos darem a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom para o futuro.
Desta volta entrevistamos a música e professora de galego, Alba María.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?
Creio muito nas açons tácitas que utilizam o galego e já está, sem ter que explicitar o slogan “fale galego” ou “o galego mola”. Assim que diria que o Xabarín Clube e cada umha das iniciativas individuais de adolescentes que um dia passárom a falar galego no recreio do seu instituto, alentades polas equipas de normalizaçom linguística dos centros educativos, as associaçons vizinhais…

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situaçom na atualidade fosse melhor?
Eliminaria o decreto do plurilinguismo, e promoveria algo mais o uso da língua na cultura popular urbana. Se temos umha língua pop, temos umha língua viva, que nos chista e que queremos usar. Se o galego se vincula por um lado à ideia de incultura e, por outro lado, às elites culturais, a maior parte da sociedade que está no meio nom se identifica e abandona as boas atitudes em relaçom à língua.

Eliminaria o decreto do plurilinguismo, e promoveria algo mais o uso da língua na cultura popular urbana. Se temos umha língua pop, temos umha língua viva, que nos chista e que queremos usar. Se o galego se vincula por um lado à ideia de incultura e, por outro lado, às elites culturais, a maior parte da sociedade que está no meio nom se identifica e abandona as boas atitudes em relaçom à língua.

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Coido que deveríamos continuar a apoiar a criaçom de bons referentes galegofalantes para as pessoas mais novas. Se há referentes, funciona a normalizaçom. Quando se comecem a fazer fanfiction ou room tours na nossa língua que tenham um número significativo de apoios e divulgaçom, sem necessidade de insistir em “há que apoiar o galego”, talvez podamos ganhar-lhe um pouquinho a batalha aos decretos linguicidas.

Que papel pode ter a música, e nomeadamente a regueifa, para melhorar a saúde da língua?

Ana Mª Rodríguez

Ana Mª Rodríguez

A regueifa é um diálogo cantado e improvisado, que pode ajudar a dar a mao, desde a tradiçom, às linguagens da modernidade como o rap ou o roast. É pura criatividade e num contexto de improvisaçom é muito mais fácil que venham à luz os preconceitos para transformá-los. A música em galego é, basicamente, um mecanismo para abrir os olhos à realidade, aprofundar e parar, num contexto atual que tem umha preferência por ficar na côdea do sentido crítico, sem ir mais ao fundo. O galego tem que ter menos “postureo” e mais áudios nos grupos de whatsapp.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, umha similar à atual e outra ligada às suas variedades internacionais?
Penso que seria possível, e que de facto já está a acontecer. Na realidade as pessoas novas começamos a normalizar que se utilizem várias normativas, já nom temos o conflito ortográfico tam presente. Considero-o nom só possível, mas necessário. O repto que me parece mais complicado talvez seja a sua instauraçom em mecanismos oficiais como a Administraçom ou o ensino. Como professora de galego veria-o complicado, ainda que a maior presença da matéria de português no ensino médio, que já está a acontecer, pode ser umha primeira via para nos abrirmos a este binormativismo.


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