CARTAS MEXICAS

A América no Inicio do Novo Ciclo



“É preciso agora, para alcançar o lugar

mais secreto do Palácio das ciências sublimes,

que tu percorras todos os desvios…”

do livro “A Santíssima Trinosofia” atribuído ao Conde de Saint Germain

 

Continua é a Mudança

Na mudança de ciclo, se impõe também uma forte mudança interior: da habitual mente habilidosa – (própria do desenvolvimento mercantil), teremos de iniciar a transmutação  em caminho da mente global ética (mas adaptada a novo ciclo dos cidadãos). Aplicação no nível político, social e cultural, dos bons propósitos, bons princípios afeitos a Ajuda Mútua (aquela da que falou Piotr Alexeyevich Kropotkin) e da práxis social do escutar antes de falar, compreender aos demais, como norma da boa convivência. Da honra no acordo, no compromisso à palavra dada e no dialogo aberto, depende: a paz pela sinceridade. Os interesses a defender e os interesses alheios a compreender, como formula primordial para a resolução de conflitos. O novo relacionamento tem de ser feito por novos lideres com renovada visão para entender a interação holística. Com capacidade de sentir o bem, pertinência no ver, coragem para fazer e sabedoria para manter aquele silêncio: assimilado na preciosa ética, de guardar no coração o importante. Lideres criados no amor a seus povos, e na capacidade de manter o juramento, de governar para, por e com os cidadãos.

É preciso um renascimento coletivo, entendido como uma passagem do velho, em dissolução, para o novo, em construção. Isso significa deixar as limitações, próprias dum sistema em decadência, para procurar as amplificações, inerentes a um novo sistema em tímido, mas firme avanço (tal como corresponde a todo inicio de mudança: onde as novas placas tectónicas, vão provocando corrimentos na velha areia, já petrificada – inerte, mas persistente na sua imobilidade)

Mudança em favor dum Sistema novo, que permita solucionar as problemáticas, que ficaram irresolúveis com as velhas ferramentas (agora enferrujadas), do anterior sistema (ainda em vigor, mas moribundo). Mudança para permitir resolver estes entraves, com novas, engenhosas, idealizadas soluções (ainda em fase de experimentação), mas que já são mais adequadas, para encarar, os novos retos e as novas realidades.

O velho sistema, ainda dominante, tornou-se anti-sistema e como tal, ruma a auto-destruição (fora já da dimensão da realidade); com sua espiral involutiva, em contração, auto-diluindo-se no buraco obscuro, que sua ação negativa vai, aos poucos, criando (mantendo-se, cada vez mais, no ilusório amarre psicológico, fora das novas provações e falto das novas capacidades). O novo sistema, ainda por surgir, abre agora sua espiral clara, por meio dos novos avanços cientifico-tecnológicos, que estão a modelar e mudar a nova psique humana, e que possibilitam o passo da inevitável mudança, rumo a completa renovação (criando novas dimensões dentro duma nova realidade).

Os velhos centros de poder – adscritos ao velho Paradigma dominante, tendem a minguar, criando em seu interior – seio ainda primordial do avanço cientifico-tecnológico anterior, as contradições precisas, para agitar a entropia necessária, disposta a mudar a anterior grandeza termodinâmica: geradora do antigo vigor, agora no desordem abalado. Gerando, no interior do já caduco centro geográfico mundial, a desorganização lógica, que vai permitir abrolhar o novo como semente. Nova semente, criada entre as fertilizantes achegas do velho, mas que a sua vez, precisa deslocar-se para germinar a uma terra mais fertil. Um novo Centro Dominante, em favor dum novo ponto geográfico, mais virgem, preparando-se agora para engravidar, em breve, do novo fluxo dinâmico.

Isso é, o que, em este momento, está a acontecer no velho Império Ocidental, ate hoje dominante. E dentro da América, o Norte decadente, em contração – procurando contenção, criando barreiras – olha com receio para o Sul em formação.

Esse Sul Americano expandindo-se, por meio duma demografia em procura de assentamento e alimento – e, fertilizando a terra, por meio de continuas revoltas, na procura dum novo ordem, que permita a chegada, o arribar, aportar da nova incubada semente, fortalecida com as velhas experiências.

O novo paradigma, assim cria seu germolo: dos restos mais nutritivos do velho sistema e do pensamento inovador – detonando dentro do futuro centro. Assim prepara seu útero, taça, para germinar, nas novas terras de futuro proveito, agora em precisa e primorosa agitação, removendo e preparando a terra mãe, ainda donzela, para receber o futuro elixir: tornar possível a futura gravidez, na calma que oculta, a guarida selvagem dum novo paradigma…

Eis que o Norte da América, em contração, vai assim dar passo, ao Sul da América, em procura de criar este centro. Ponto axial para afiançar, no tempo esta expansão, que começa como sempre, de maneira impercetível, com pequenos movimentos, que mudam as velhas dinâmicas, agora deprimentes – dependentes dum paradigma já morto, que ameaça – em esse ainda periférico local, (atrelado ainda o centro dominante), com matar a esperança das suas gentes. Isto provoca que as populações se revoltem, por que de seguir aguentando a contração, que no Norte acontece, essa força em comunicação torna-se esmagar misérias pelo Sul do continente. De não atuar, estes povos sabem, que a morte tomaria em este futuro campo de assentamento, corpo definitivo.

Assim que as revoltas da América do Sul, são as revoltas da nobre gente, em procura dum novo sistema que substitua o velho decadente. Maquiavélico, ainda atual, sistema financeiro imperial, no que estas populações são vassalos permanentes.

Revoltas na inercia de mudar esta escravatura da dívida continua, em favor dum poder bancário privado, em face dum novo sistema ecológico – sustentável, onde estas populações passem a ser o Eixo, sobre o que gravite a nova caminhada, dos seres humanos sobre a Terra.

Eixo humano – natureza, considerando ser humano como guardião da terra. O ser humano vira do ter, para o ser (como bem falou Erich Fromm, no seu nomeado livro) – olhando como um ser vivo a respeitar e cuidar a nossa viva – espiritual Gaia: a amada mãe natureza.

Manter o Ciclo – mudando o sistema

Hoje uma parte o poder Ocidental, já entendeu perfeitamente – depois de fracassada tentativa Norte-Americana de unipolaridade (após a queda sistémica de 2007-2008, com implosão do pulmão global financeiro de Wall Street), que para manter ainda em pé o ciclo mercantil – faz-se preciso uma mudança sistémica, deixando de lado o patrão dólar e voltando ao patrão ouro (hipótese mais possível) ou tentando caminhar para uma cripto – divisa, sem necessidade de comando com banco central, pelo momento (hipótese mais arriscada).  Essa parte do poder, esta em combate com o poder que ainda se apega a velha visão de Império Global financeiro.

Sabe, esse poder, que toda esta caminha não pode ser feita, sem um dialogo permanente, com os novos atores emergentes (hoje já consagrados) como China, Rússia e Índia. Assim como contando, com atores regionais, bem assentes como o Irão, Arábia SauditaEmirados Árabes, Cátar, Israel, ou África do Sul, Japão e as duas Coreias

Infelizmente o nosso gigante irmão Brasil atual, de momento, é nesse plano irrelevante.

Assim a aparente crise no Oriente Médio- Intervenção Turca, no Curdistão sírio, guerra do Iemen, pode mesmo ter um acomodo pactuado, por trás do palco, entre o Presidente Trump e o presidente russo Vladimir Putin. Rússia, tem mostrado sua capacidade para dialogar, com todas as partes, respeitando os interesses de cada uma, e tentando acomoda-las num difícil cenário. O que converte ao país euro-asiático num locutor inevitável.

A sua vez a anterior estratégia Norte-americana de Runsfeld – Cendrosky, condizente com os EEUU como poder hegemónico único, foi definitivamente enterrada, pelo momento, em Síria.

De todo rumar, no certo, mesmo poderíamos ficar surpresos, com um acomodo global: intervenção  da Turquia na Síria, com certa permissão para criar um corredor de segurança, mudança necessária nos curdos – de independência a ampla autonomia – com chegada do exército sírio, para demarcar os limites ate onde os turcos podem chegar sem confronto… Acomodo no Iêmem – que poderia ser um principio de longa conversa entre o mundo xiita e sunita (abertura lenta de dialogo entre Irão e Arábia Saudita?) Apesar da guerra interna dentro de casa o presidente Trump é um homem de força e de apostas fortes. Desde sua eleição quer fazer possível a sua promesa, de retorno das tropas, e final das intermináveis guerras, dos Tio Sam, pelo mundo.

Mudando as armas pela política comercial, exempldo disso a tentativa de Aliança India – EEUU, que contrabalance o poder Chinês – no corredor da Ásia. India, tem começado diversificar sua compra de petroleo, incluído os EEUU, como fornecedores, mas ela não vai abandonar seu bom relacionamento com a Rússia. China pela sua parte, alem da boa amizade com o Paquistão (de longa data), está a chamar a porta do Nepal, com boas e renovadas conversas….

Infelizmente, para o mundo galego–português e mesmo Hispano, o Brasil, neste momento esta fora de estas dinâmicas. E seu governo ao invés de trabalhar na criação dum centro geográfico sul-americano, está trabalhar a favor do centro material Norte-Americano e do centro espiritual israeliano (tal vez com a construção do III templo, como tinha em mente Netanyahu?)

Brasil ainda é um país novo, pode de novo rumar em procura da independência económica, que permita, com o tempo, expandir suas potencialidades ainda adormecidas. Mas precisa preparar um novo centro geográfico, em inicio regional, que se prepare para comandar e dirigir a futura independência total da América do Sul. E para isso será preciso criar um novo modelo civilizacional, que já não poderá ser nem de dependência económica, com livre mercado, sem justiça social; nem também não de independência economia, com programas sociais, sem liberdade e doutrinantes normativas para controlar a cidadania.  Terá que percorrer o caminho do meio, não do centro político, senão da neutralidade, com aceitação da diversidade cultural, de culto e política, própria da miscigenação, motor da energia espiritual do país. Um governo do bem estar cívico, com controle dos sectores estratégicos (que por certo agora estão a livre venda, como a Embraer, ativos da Petrobrás, tal vez também Eletrobras?…) mas também espaço para a participação do livre empreendedorismo; com uma ação tributaria decida em favor da justiça social, mantendo programas de inserção (como melhor forma de prevenção da violência, combinadas com políticas de repressão, quando o caso precisar). E dizer um novo Estado Providencia, com justiça social, tolerância e liberdade. Mas também com rigor na lei. Rigor aplicado com amor, não com ressentimento…

Necessária visão holística ecológica humanista, potenciando o grande capital humano, que possui o país, evitando afogar as instituições que formam as futuras mentes brilhantes do mesmo (como hoje se verifica). Desde esse centro, pode irradiar-se esse novo modelo ao resto da América do Sul. A tradicional diplomacia da paz brasileira, deve de novo ativar-se, pois é uma joia preciosa para os retos presentes e futuros desta região e do mundo…

Mas pelo de agora o gigante sul-americano está muito longe de concretizar, este marco, que somente pode ser viável, com a participação de todos os setores políticos, sociais, culturais e económicos, em um grande dialogo nacional. Ao invés da triste divisão e guerra politico ideologica que agora vive o país da Amazónia. Confronto que somente pode beneficiar a potencias estrangeiras, que preferem não ter muita competência, nos acomodos regionais e globais do mundo.

Os Estados Unidos

Com a queda paulatina do poder imperial britânico, debilitamento da libra, que criou necessidade de  procurar um traslado de centro (como no seu dia se efetuou com o Florin Holandes e antes com o ducado espanhol), os Estados Unidos, começam a afiançar seu sistema poder no dólar.

Foi em 1913, com a toma do controlo da FED, pelo poder financeiro global, durante a presidência de Woodrow Wilson –que esse começo de desloque hegemónico da Europa ao Norte da América teve seu inicio. O coronel Edward Mandel House, conselheiro de Wilson, foi o encarregado de criar o novo centro geográfico material, a inicios do anterior século. Sendo Edward Bernays (sobrinho de Sigmund Froid) o encarregue de criar o poder social – cultural dos EEUU, a meados desse mesmo século. De este último são as famosas 10 estratégias de manipulação de massas… Finalmente, a partir dos anos 70, o assessor presidencial, Zbigniew Brzenski, criador do visão de poder unilateral americano – demarcado dentro duma nova Era Tecnotrónica, onde o poder financeiro global guiar ia os destinos do mundo, desenhou a nova folha de rota, que se manteva ate finais do século XX

Dai começou a tomar corpo a ideia da globalização financeira. Lentamente trabalhada, desde fins da II Guerra Mundial, com o poder entre outros do Clube de Roma (1968), Comissão Trilateral (1973) Conselho de Relações Exteriores (1921), Grupo Bilderberg (1954)– muitos deles relacionados com o magnata David Rockeffeller. Junto ao Conselho do Atlântico Norte, vinculado a OTAN, o poder militar incontestável – sobre tudo a raiz da queda da União Soviética – delineava um mundo baixo o centro Ocidental, sem contestação possível. O Banco de Pagamentos Internacional, com sede em Basileia –Suiça– centralizava o controle sobre o resto de Bancos Centrais (onde a família Rothschild, tinha grande influência). Junto ao FMI e ao Banco Mundial, formavam a tríade de controlo bancário global – permitindo Ocidente tomar a iniciativa em todo Mundo. Tudo ate a chegada do poder económico chinês, e a reabilitação  miraculosa do poder militar russo, baixo o mando de do novo Czar Putin – algo que não seria tão  rápido de contretizar se o poder financeiro de Wall Street e a City Londrina, não tiver atingido seu limite – em 2007, com a conseguinte queda de 2008.

E em esta era, que entra em cena o presidente Donald Trump – apoiado pelo grupo de patriotas norte-americanos de direita, mas também por parte do poder financeiro global como a mesma família Rockeffeller ou figuras com poder mediático global como Rupert Murdoch, magnata da cadeia FOX . Travar o avanço chinês, que se tem mostrado mais vigoroso em mercados abertos, tinha que por força que trazer consigo o fim da globalização; quanto menos como era concebida ate o de agora – assim como o recuo norte-americano, e a volta do capital industrial deslocado.

A renovação do armamento russo, junto ao excesso de endividamento de anteriores governos norte-americanos desde a era Reagan (entre outras variantes), trouxe consigo, a necessidade de ré-organização, do basto aparato militar americano… As novas armas russas, mesmo podem fazer obsoleto o desenho de policiamento global do exercito americano, alicerçado no principio do poder naval e as bases militares deslocadas por todo o planeta. A maiores as potencias emergentes, estão a trabalhar num plano conjunto de debilitamento do dólar (que mesmo ainda que possa interessar ao novo poder norte-americano, para facilitar sua nova maquinaria industrial exportadora), confirma um realinhamento novo na política interior do Império Ocidental, comandada pelos Estados Unidos, que mesmo põe em risco sua firme aliança com Europa.

Tudo pode suceder – e assim dentro da guerra interna que confronta no interior do país, supostos globalistas contra supostos patriotas, o bando do presidente Trump aparenta mais vigoroso. Tudo pode suceder, mas o que ninguém já duvida é que os EEUU passam de um estado expansão em

finais do século passado, à contração atual, de inícios deste novo século. Enquanto a China, trabalhando em seu grande plano para recuperar o poder comercial que tinha a principios do século XIX, antes que os britânicos a travaram com as guerras do ópio, está, sem dúvida a experimentar um período de expansão, em parte relativizado agora pelo embate da Administração Trump.

A revolta

Foi herança do poder financeiro global, e da perspicaz visão do Coronel House, transformar a velha doutrina Monroe (criada para libertar os povos da América do jugo da Europa), de uma doutrina anti-colonial numa nova doutrina neo-colonial, em favor de Washington. Convertendo os povos do sul no Pátio das Traseiras do EEUU.

A meado do século passado, a ré-colonização toma matiz de controlo financeiro. Por meio do poder do endividamento perpetuo, os povos do sul da América eram obrigados a entregar grande parte dos seus ativos economicos e patrimónios políticos, convertendo-se em exportadores de comodites para o mesmo mercado americano, mas sobre a guia e custodia das Corporações do gigante do Norte. Uma parte das burguesias locais se beneficiava destes desajustados intercâmbios, sendo em muitos casos gerentes locais das citadas Corporações. Este tipo de politicas somente podia levar a encadear estes países a uma dívida perpetua, controlada pelo poder financeiro ocidental.

Finalmente com a crise dos anos oitenta, os EEUU, já não podiam importar tanto excedente latino-americano, e isso contraiu mais já de por si contraídas, balanças de pagamento das periféricas economias Latino-americanas. Em essa altura o Institute for Internacional Economics, fazia uma reunião com 8 destes países americanos, onde eram orientadas suas economias em favor de ações de disciplina fiscal, reorientação do gasto público – em favor do pago da dívida;  reforma tributaria em favor do grande capital inversor, taxas de câmbio de acordo com as leis de mercado (aquelas leis criadas no centro de poder financeiro global, e dotadas de valor universal por meio das academias e universidades a ele associadas); liberalização do comércio, fim das restrições as inversões estrangeiras, acompanhado de massivas privatizações e redução da, já de por si precária, agenda social. Garantido o direito de propriedade por cima do bem coletivo. Passando estas economias a depender diretamente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, criado em 1959, com sede em Washington – apoiado pelas ações do FMI, na região . O poder financeiro dos EEUU, estava a frente do continente, quase sem nenhum outro poder com capacidade de reação na contra.  Apesar da sociedade civil ter-se organizado, durante décadas em todo o século XX, as tentativas de mudança não se concretizaram como era devido. Muitas foram as revoltas, por toda a América Latina, contra o controlo exercido pelos EEUU, mas quase nenhuma chegou a materializar-se em forma de criar um marco de novo relacionamento com o gigante do norte.

Em inícios do século XXI, tivemos a impressão, de que a América Latina finalmente se encaminhava a libertar-se do poder imperial norte-americano, que a países como México lhe custaram o 55% do seu território. Território preciso para afiançar um espaço geopolítico vital, para criar o futuro poder financeiro que comandaria e controlaria todo o continente americano (salvo alguma pontual exceção) ate os nossos dias. Outros tiveram que perder todo sonho de autonomia económica. Outros todo sonho de capacitar-se cientifico-tecnologicamente com plena suficiência. Outros perderam seu poder de resposta militar – passando a depender da defensa e coordenação com o exercito norte-americano. Em inícios deste século aparentava América Latina, começar a rumar por um caminho próprio, com tropeços, falhas, mas criado por eles mesmos; no entanto, os EEUU, uma vez superada a queda das guerras no Oriente, e fragilidade do estouro da bolha financeira de 2008, voltavam a ganhar corpo em todo o continente, com uma decidida política de Trump, de voltar a situar América Latina, dentro do esquema de poder Norte-Americano.

Mesmo, a pesar desta firmeça da Administração Trump, nem todo o aparente é facil. As revoltas, contra qualquer forma de domínio externo, nunca cessaram, e as populações da América Latina, têm demonstrado uma capacidade de persistência na luta, como poucas vezes temos observado na historia da humanidade.

Os ciclos Evolutivos dos Povos Latino-americanos

Esta resistência continua desde os tempos da colonização obedece também a uma marcha cíclica, na qual a balança típica da polaridade, se tem alterado e ainda oscila de um lado a outro, ate que em algum momento alcance a necessária neutralidade entre esses aparentes contrários polos.

Assim o século XVI, foi o século das Descobertas ou a chegada do impulso – ou marcha civilizacional – de Europa a América (continuando a velha marcha civilizacional – desde o longínquo Oriente ate o Ocidente). O século XVII, de imersão na colonização- tentativa de imposição e substituição das velhas culturas americanas, pelas novas europeias.  Século XVIII, extensão paulatina do poder colonial, iniciando o processo de constituição duma nova idiossincrasia, fruto dum mestiçagem necessário, para a continuação do projeto dominador. Século XIX, inicio da formação duma independência política, conseguida em trocas duma dependência económica favorável ao império britânico – que tinha ajudado aos revolucionários a continuar sua  luta, nomeadamente contra a Espanha – Alem da inseminação no imaginário coletivo, por parte das grandes figuras libertadoras deste século, da luta pela soberania total. Século XX, troca da dependência britânica pela norte-americana, com o aprofundamento, a causa das novas achegas de novos nobres pensadores, da necessidade de atingir a soberania total. E, finalmente, gostem ou não, o século XXI, corresponde a essa inercia evolutiva – que prepara, já a mente coletiva latino-americana para conseguir a total Emancipação de seus povos (seguindo o guião dessa tríade emancipadora iniciada no século XIX).

O velho engano, das velhas burguesias aliadas do poder financeiro norte-americano, de passar por antipatriota, qualquer tipo de dissidência, que não se acomode nos seus interesses económicos e políticos, cada dia está mas debilitado.

O sentimento dos povos da América do Sul, de compartilhar um mesmo destino, é a cada dia, mas forte. Revoltas como as do Equador, com capacidade de reverter os planos do FMI, podem chegar a tornar-se frequentes, dado povoações como as indígenas, não podem seguir carregando, baixo suas costas, o peso duma tributação – direta ou indireta – do qual as grandes fortunas estão isentas… Isso é injusto.

Os povos do Sul da América, foram preparados durante séculos, para nova caminhada, em favor duma nova humanidade: pagaram o peso das teocracias, antes da colonização; o sangue derramado diante da espada do colonizador; o engano e escravidão moderna dos novos mercadores e gigantes corporações, a avareza dos banqueiros a serviço do poder global; a falta de liberdade em modelos totalitários de todas as cores… E depois de tanto sacrifício, agora estão, já preparados para tomar, nas suas mãos, seus destinos.

Ainda terão muitos decénios de sofrimento, lógico, enquanto não encontrar o caminho, o ajuste perfeito, para alicerçar seu novo modelo civilizacional, mas não há espaço para o retrocesso.

Da península Celtibérica partiram as naus, que contornaram as rotas, que abriram as portas à navegação total do mundo. Esse foi início do novo ciclo, que nos levará finalmente, a um conhecimento completo entre todos os povos.

E serão precisamente os herdeiros desses povos celtibéricos, indígenas americanos e sementes chegadas, a este continente de todo o mundo, aqueles que criaram as bases materiais, sobre as que será assente, a nova civilização, que devagar permitirá transitar do período mercantil ao novo ciclo cívico. Onde o ser humano, abandona o ter, como bem estudou Erich Fromm, para irmanar-se com a Mãe Cósmica, e seus reflexos primordiais, na exuberância da nossa amada Mãe Natureza. Aquela, que de continuar o ciclo financeiro, podia mesmo perder sua capacidade de renovação contínua – dado a terrível agressão, no fim deste ciclo, pelo capital, que centrado no ter, dissociado do Ser, estava as nossas florestas provocando.

Eles iniciaram, esta nova marcha. Ainda com muito sofrimento dor, erros nas escolhas, mas sem abandonar nunca o caminho. Pois estes povos, não perdem, nunca perderam, a fé em quebrar todas as suas cadeias…

Durante este século, iremos, aos poucos, assistir a esta bela, difícil, mas esperançada luta. Para ajudar aos nossos irmãos e irmãs alem mar, nada melhor que desde aqui sonhar e trabalhar com eles…

As pessoas começarão a compreender, o verdadeiro significado, que encerra, aquele nomeado, popular dizer, de ser América, o anunciado Novo Continente.

“Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta”  (Chico Xavier) –

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
Artur Alonso Novelhe

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  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Todas as referências anteriores desaparecem. Os que estavam condenados ao pelourinho trunfam enquanto os que governavam são precipitados nos infernos. Claramente, as declarações oficiais e as interpretações dadas pelos jornalistas já não mais correspondem aos acontecimentos que se sucedem. O sistema internacional construído após a segunda guerra mundial está ruindo, os tratados internacionales estão deixando de vigorar por todo lado, o capitalismo está no seu final, a taxa de ganho tende a zero de jeito acelerado….Antes do que pensamos o neofeudalismo vai ser o nosso sistema, e a Galiza, mais uma vez, prepara-se de jeito bem calaceiro para ser nada da nada, mentres as malras são jogadas contra o seu corpo e cabeça.