Coletivo Ardora : “No anarquismo a questom linguística (também a escolha ortográfica) tivo um espaço de debate relativamente marginal na Galiza, mas há também umha memória libertária que é conscientemente reintegracionista”



Equipa da Ardora

Equipa da Ardora. Foto: Charo Lopes.

O PGL entrevistou o Coletivo Anarquista Ardora, fundado em 2017, que esta fim de semana participa no primeiro  Encontro Anarquista do Livro, em Compostela.

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-Quando e como nasce Ardora?

Ardora nasce no verao de 2017 com a ideia de criar um coletivo anarquista na Galiza. Nasce também da necessidade de organizar-se e procurarmos um ponto de encontro aberto com quem partilha esses mesmos interesses. Hoje Ardora somos cinco pessoas, envolvidas em diferentes pontos do território galego, e aguardamos seguir crescendo aos poucos.

-Ardora é um ponto de referência para o anarquismo na Galiza, e fez uma escolha ciente para publicar os seus textos em reintegrado. Como foi essa reflexom coletiva?

Bom, achamos que ainda resta muito para sermos umha referência mas se calhar sim levamos umha temporada muito ativa, visibilizando muito as nossas atividades, tentando tocar diferentes temas e organizar encontros abertos em diferentes espaços. Também tentamos estar presentes em muitos dos atos onde nos deixem montar a nossa banca com livros e fanzines.

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A respeito da na escolha ortográfica nom tivemos muito debate dentro do coletivo. É certo que nos últimos tempos o castelhano está-se a utilizar como língua vincular nalguns espaços e grupos vinculados com o protesto e confronto políticos, umha situaçom que dez anos atrás dificilmente poderíamos ver. No anarquismo a questom linguística (também a escolha ortográfica) tivo um espaço de debate relativamente marginal na Galiza, mas há também umha memória  libertária que é conscientemente reintegracionista, do Ateneu Libertário de Compostela na década de 90 até o CSO Escárnio e Maldizer.

-O projeto tira proveito de sinérgias e colaborações com outras iniciativas como A Irmandade da Costa. Com que outros coletivos estais a trabalhar?

Junto com  A Irmandade da Costa levamos desde abril de 2018 o projeto de Nordês, um pequeno periódico mensal onde difundimos textos de atualidade, artigos de opiniom, resenhas de livros, ou informaçom de interesse relacionada com a ideologia anarquista ou em geral com o antagonismo político internacionalista. É um material que distribuímos de forma gratuita e que animamos a imprimir e espalhar.

A respeito doutros coletivos nom realizamos um trabalho regular concreto com ninguém, senom que tentamos fazer rede e coletivizar projetos na medida do possível. O Encontro Anarquista do Livro, por exemplo, organizou-se a partir de conversaçons informais prévias e de aí decidimos trabalhar conjuntamente com outro coletivo e pessoas vinculadas a ele.

-Esta fim de semana celebrais o primeiro  Encontro Anarquista do Livro em Compostela. Quais são os vossos objetivos para este evento? Que achais que é mais atraente do programa?

O objetivo o Encontro é basicamente dar-nos a oportunidade de encontrar-nos, de conhecer-nos e estabelecermos relaçons entre distintos coletivos e pessoas organizadas. Um encontro que seja autogestionado arredor da leitura, do livro, do fanzine, do debate e a reflexom demorada.

Nom saberíamos dizer o que é mais atraente, achamos que o próprio espaço onde estarám colocadas as bancas das distribuidoras ou os momentos das refeiçons podem ser muito interessantes. Também os cinco obradoiros que há planificados durante os três e aos quais animamos a iscrever-se, ainda ficam vagas!

Já no programa concreto, o faladoiro sobre conflitos ambientais na Galiza na sexta-feira, a palestra de companheirxs portuguesxs sobre as distintas experiências de okupaçom no sábado ou a olhada sobre as prisons da mao do Coletivo de Apoio a Presxs da cidade de Vigo, no domingo, som algumhas das temáticas de interesse em que se podem participar.

-O Encontro Anarquista do Livro nasce com vontade de continuidade ou de se espalhar a outros pontos do país?

Nós nom temos vontade de legitimar-nos como organizadorxs de nengum encontro posterior a este, apenas achamos que existia um vazio que era bem encher, essa foi a causa maior, e seria genial que num tempo outro EAL ou algo similar aparecesse noutro ponto da Galiza, ali estaremos nós. Umhas jornadas de três dias som sempre um trabalho muito mais longo por trás, mas as pessoas envolvidas figemos com todo ânimo. Continuidade? De momento vamos ver como se desenvolve, qual a resposta das pessoas que estejamos lá, quais os interesses, os erros e as possibilidades de melhora.

-Além de organizar um encontro anarquista do livro na Galiza, Ardora participou no último Encontro do Livro Anarquista do Porto. Como foi a experiência? Há contato com os âmbitos libertários de Portugal ou doutros pontos (além das fronteiras galegas)?

Há contato, há, mas bem poderia haver mais. A ideia é ir criando essas redes necessárias para a coparticipaçom. Da perspetiva anarquista o internacionalismo é central na organizaçom política, dos coletivos mais achegados aos mais afastados. Portugal partilha connosco língua e história(s) resistente(s). Ademais, nom esqueçamos, da mesma forma que o NH na Galiza é mais umha arma contra o Estado (espanhol, no nosso caso), o apoio mútuo é umha outra estratégia fundamental para construirmos a alternativa libertária.

No EAL estará o pessoal português do jornal MAPA, a distribuidora de livros e fanzines Tortuga, a palestra sobre okupaçom… Mas o contato vai para além disso, a nossa revista Ardora distribui-se em Lisboa no espaço Disgraça, na Livraria Utopia da cidade do Porto e até foi lá que criamos contato com o coletivo venezuelano que  falará no Encontro deste fim de semana sobre a situaçom do seu país dumha perspetiva libertária. Achamos que criar redes é isso tudo…

-Quais são os vossos próximos projetos?

Ardora (s)ediçons anarquistas é sobretudo isso, um projeto editorial. O nosso âmbito de atuaçom é relativamente amplo: o periódico partilhado Nordês, um talher de gráfica, umha ‘distribuidora ambulante’ de livros…

Como editora contamos com a publicaçom da nossa revista Ardora, na qual todos os seus textos som originais. Levamos já quatro números e o quinto está para imprimir-se. Foi recebida com muito sucesso e ainda que nom é fácil contamos a cada vez com mais subscritoras. Para além disso o nosso projeto quer centrar-se na publicaçom de livros próprios, dos quais adiantamos que temos já algum título no prelo para este ano 2019.

Mais info:

http://airmandadedacosta.info/

http://ardoraeditora.info/

 


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  • ARSENISTA 85

    Uma marabilha, Abordaxe nem existe…