Xerais exclui mais uma vez reintegracionismo dos seus prémios



Provavelmente “o Xerais” é um barômetro e uma das mais importantes citas anuais do livro e da cultura galega. Como cada ano desde há 35, Edicións Xerais de Galicia convoca os Premios Xerais para “orixinais en lingua galega, conforme a normativa vixente”, nas modalidades de novela, literatura infantil e literatura juvenil.

xerais-2018

Segundo as convocatórias, que podem se consultar no site da editorial, estão a ser publicitadas maciçamente no universo cultural galego nestes dias, o prazo de entrega de originais finaliza o 3 de abril, e os nomes dos ganhadores conhecer-se-ão em 2 de junho.

O prémio, o mais importante a um romance nas letras galegas, dotado com 10.000 euros na atualidade, entrega-se num evento festivo que reúne o mais destacado da cultura e da crítica galega no mês de junho.

Edições Xerais, concedeu ano após ano este prémio, desde 1984, a um romance; e a partir de 1988 conjuntamente o Prêmio Merlin de literatura infantil e juvenil; já na edição de 2006, o galardão acompanhou-se também do Caixa Galicia de literatura juvenil. Também a editora concede atualmente um prémio à cooperação no labor editorial.

Xerais, fundada em 1979 em Vigo por Xulián Maure Rivas e Germán Sánchez Ruipérez, forma parte do Grupo Anaya (1988), a partir de janeiro de 2004 está integrado na multinacional Lagardère. Por causa da sua estrutura, integração no grupo, volume editorial, produção, fundo contemporâneo publicado, e pelo seu peso na edição de livro escolar, infantil e juvenil, é a mais importante editorial de livro galego.

Mais um ano anuncia-se a convocatória desta cita, prémio e evento, saudada pelos mais diversos agentes culturais, críticos e ativistas linguísticos, sem criticar que, especificamente na primeira das suas bases em todas as categorias de prêmios, exclui o reintegracionismo e toda norma que não seja “conforme à normativa vigente”:

“Poderán concorrer ao premio todos aqueles autores/as de calquera nacionalidade que presenten os seus orixinais en lingua galega, conforme á normativa vixente”

A primeira das bases das convocatórias, coincidente com a política da editora é comum a das mais importantes editoriais da Galiza. Xerais mantém a negativa para publicar obras e autores reintegracionistas. Política ultrapassada doutras épocas mais escuras e que em 2018, resulta já uma verdadeira anomalia, desajustada à situação social, a normalização do reintegracionismo, à lei Paz Andrade e ao uso crescente de normas reintegracionistas: rémora cultural e impasse estratégico denunciados por diversos coletivos, autoras, críticas, instituições  e pessoalidades académicas, como discriminação, exclusão ou apartheid.


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  • abanhos

    Até que a morte te apagar… Espana Espana ganará OE oeoe

    • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

      Ele-haverá algum concurso no eido da Lusofonia que permita outras normativas que nom sejam a oficial?

      Aliás, se eu quiger pubricar um ensaio sobre o projeto sionista-anglo-americano de domínio mundial e escravidom da humanidade, na minha norma “agálica”, seria admitido no «Instituto Galego de Estudos Internacionais pela Paz»? Velaqui a normativa deles:

      “Todas as circulares, notas e documentação oficial serão veiculados em galego – português, com utilização do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 1990 pelos representantes oficiais dos então sete países de língua oficial portuguesa. Estudos académicos feitos em Galiza também deverão ser escritos em esta norma. Enquanto aos estudos e trabalhos de outras nacionalidades serão admitidos também em castelhano, inglês e francês…”

      • Ernesto V. Souza

        Mas isso é uma reação de um grupo criado justo pela exclusão… e mesmo pela exclusão dentro da margem…

        Mas é verdade que a pergunta é: deveria o reintegracionismo, que teve de desenhar espaços, revistas, editoras, associações, academias… próprios para safar a exclusão e o bloqueio, permitir nos seus espaços outras normas isolacionistas?

        Para mim a resposta é deve, sim. E de mais em mais. Justamente porque quando o reintegracionismo medra socialmente mais permissivo deve ser. Demonstrando a magnanimidade e fortaleça da sua gente e do seu projeto… no que o Isolacionismo é um plus que enriquece o caldo…

        • abanhos

          Grande Ernesto. Não acho melhor farol para dar coa rota certa entre tantos cons

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            Portanto nom hai problema com essa discriminaçom entre discriminados. Tudo bem. Mais o plural de cão é cães, ducão.

  • Ernesto V. Souza

    Como se ainda tivéssemos de agradecer o de ser excluídos…

    • Galego da área mindoniense

      Coido que tampouco faria moito sentido que o reintegracionismo estivesse presente nũa editora chamada “Xerais”.

  • Galego da área mindoniense

    “[…] Xerais mantém a negativa para publicar obras e autores reintegracionistas. Política ultrapassada doutras épocas mais escuras e que em 2018, resulta já uma verdadeira anomalia, desajustada à situação social, a normalização do reintegracionismo, à lei Paz Andrade e ao uso crescente de normas reintegracionistas: remora cultural e impasse estratégico denunciados por diversos coletivos, autoras, críticas, instituições e pessoalidades académicas, como discriminação, exclusão ou apartheid. […]”

    Nom sei que queredes que vos diga. Isso é como se quero trabalhar nũa empresa e, pra lográ-lo, critico continuamente a sua política e òs seus xefes; além de denunciar publicamente as suas falhas, irregularidades e precárias condições laborais. Contratarám-me?

    • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

      Bad judgement, wrong example. Trata-se mais bem destoutro exemplo: o concelho de Mondonhedo organiza um concurso de beleza feminina, e nas bases dele inclue-se esta: “Poderán concorrer ao concurso todas aquelas persoas de sexo feminino de nacimento”.

      Isto excluiria do concurso qualquer persoa transexual, mesmo que fosse mui feia …

      Do mesmo jeito, o reintegracionistas estám excluídos e marginados desse concurso da Xerais, em virtude da ideologia / identidade / práticas … deles

    • Ernesto V. Souza

      mas é que alguns não queremos trabalhar com eles ou para eles… mesmo não fazíamos quando éramos isolatas… e duvido que algum dia venhamos a querer.

      O que queremos é denunciar o nepotismo, a endogamia, o caciquismo na cultura galega… e as práticas de escolha e discriminação entre as que está (não é a única e varia em função do grupo ou seita) a marcação por reintegracionismo… XD

      • Galego da área mindoniense

        Sim, e eu tampouco quero trabalhar pra eles. Mais, ò que me refiro é que assim ides criar antipatia e aversom nos isolacionistas. Que nos importe é outra cousa, mais será assim. E, de feito, já é assim; visto os comentários que gente importante (ou nom) deste setor dirige ò reintegracionismo.
        O que queria dizer é que, como depois aja que chegar a algum tipo d´acordo com eles (algo semelhante à lei Paz Andrade); vai ser algo máis difícil lográ-lo. Se já renunciámos a essa possibilidade, entom adiante.

        • Ernesto V. Souza

          Acho que se por alguma cousa destaca o reintegracionismo nos últimos 10 anos é pela crescente vitória da estrategia da simpatia, a tolerância e o “riquinhismo” nas suas hostes…

          Por outra banda, penso que a mensagem do reintegracionismo tem de se dirigir principalmente à gente nova e à gente do ativismo político e social (incluído o PP) que não está (e não compartilha as estratégias) do Sinédrio … Nesse espaço fechado e endogámico que é atualmente a elite da “cultura” e o mundo académico galego nem nos ouvem… portanto é impossível, não há qualquer acordo a que chegar, hoje por hoje…

          • Galego da área mindoniense

            Ouvir, bem que ouvem. Outra cousa é que façam caso ou que respondam (e, mesmo de fazê-lo, apenas podem responder de maneira “oficial”). Mais estám bem atentos às novidades e òs logros do reintegracionismo, disso podes ter certeza.
            Polo resto, penso que essa foi ũa estratégia que fez moito bem ò reintegracionismo; portanto, nom a vaiades mudar agora. Mantede-a ou melhorade-a (se se puider). Por exemplo, mantendo as promoções na Internet e nas cidades; por que nom promover o reintegracionismo no rural, vilas e aldeias? Após tudo, acô é onde reside (ou residia) a força do galego, e coido que (desde o meu ponto de vista, que pode estar errado) o reintegracionismo as está deixando um pouco de lado. Cousa que considero um erro, já que som as únicas entidades capazes de manter a transmissom geracional; que já foi rota nas cidades (nas que nom se pode falar de “manter” o galego, mais de “recuperar”. Muda um pouco o conto). Mais o tempo é limitado, e as novas gerações; mesmo sendo da aldeia, tamém começam a falar castelão. Fazer-lhes ver que a sua língua é falada por máis de 250 miliões de pessoas e demostrar-lhes com exemplos que isso é assim, poderia ajudar a manter o galego nesses logares. Isso sim, quiçais seja algo difícil de realizar; mais seria o ideal. Á que contar coa dificuldade engadida de que o rural está indo o menos, peró co rural tamém está indo a menos o galego. Enfim…

          • Ernesto V. Souza

            As campanhas maciças no urbano e rural exigem instituições, pessoal e quartos, não se pode pedir a AGAL e ao resto do reintegracionismo associativo que faça mais do que já – muito por riba das suas possibilidades e apenas com voluntarismo e algum dinheiro – está a fazer ou tentar fazer.

          • Galego da área mindoniense

            Nom dissem que fosse doado…

    • abanhos

      Nao sei britónico se o consegues entender, mas na Galiza a cousa não vai de quem a tem mais longa.
      Aviados andavamos se ainda estivessemos nisso

  • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

    Hai que partir das realidades: a normativa de qualquer umha língua é arbitrária e deixa de fora inúmeros materiais identitários e de uso corrente dos seus dialetos e falas. Isto é umha ocorrência “universal”. No caso galego, a normativa reintegracionista radical (ou seja, o padrão português européu com mais algumha cousinha especificamente galega) arreda-se destes materiais próprios mais marcadamente ca a normativa chamada “oficial”. Mais isto só na teoria, porque na prática os usos (oral e escrito) da normativa “oficial” som mais desnaturalizadores do galego (oralidade e estruturas linguísticas claramente castelãs) ca os usos reintegracionistas em geral .

    Portanto, estamos, acho, num caso de marginaçom ou discriminaçom em virtude da ideologia / identidade / inclinaçom das persoas. Nom som jurista (o modelo nexus-6 nom tem essa faculdade) mais cuido que hai aí um caso jurídico a ser explorado …

  • Ernesto V. Souza