VI Jornadas galaico-portuguesas

13-14 maio, Pitões das Júnias



Mais um ano decorrerão em Pitões das Junias, Concelho de Montalegre em Portugal as Jornadas das Letras Galego-Portuguesas, os dias 13 e 14 de maio.

Neste ano, já na sua sexta edição, participam: Maria Dovigo (Academia Galega da Língua Portuguesa), Íria-Friné Rivera (Universidade da Corunha), Joám Evans (Academia Galega da Língua Portuguesa), Francesco Benozzo, (Universidade de Bolonha) e Joaquim Palma Pinto, (Centro de Estudos de Filosofia (UCP) / ATDL).

cartaz-vi-jornadas-definitivo

Programa:

Sábado 13 de Maio
1º Painel: Apresenta Maria Dovigo

10:00: Apresentação
10:30: Íria-Friné Ribera: “Celtismo: o amanhecer da estética moderna galega”
11:30: Joam Evans: “Ogham: apontamentos sobre uma escrita galaica”
12:30: Francesco Benozzo: Apresentação do livro “Speaking Australopithecus. A new theory on the origins of the human languages” (Francesco Benozzo & Marcel Otte)

13:30: Comida

2º Painel: Apresenta Maria Dovigo

16:30: Joaquim Palma Pinto: “Ética Espiritual Celta: valores intemporais para tempos atuais”
17:30: Mesa redonda: “A utilidade do Celtismo na Galiza e Norte de Portugal”
20:00: Música: Francesco Benozzo. “Uma viagem atlântica. Música desde as fronteiras célticas” (voz, harpa céltica e harpa bárdica).

22:00: Churrascada popular

Domingo 14 de Maio

10:00: Visita à aldeia desabitada de Juris (Castro habitado até a bem entrada a Idade Média) e ao Carvalhal de Porto da Laja (Antigo nemetão céltico).

13:00: Clausura

14:00: Comida de Irmandade

 

Para saber mais:


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  • Venâncio

    Que sorte poderdes ouvir Francesco Benozzo. Juntamente com Mario Alinei, ele desenvolveu a “Teoria da Continuidade Paleolítica”, absolutamente fundamental.

    De muita utilidade para a Galiza é o artigo deles ambos

    http://www.continuitas.org/texts/alinei_benozzo_alguns-aspectos.pdf

  • Venâncio

    excerto de
    Fernando Venâncio, «Verbos exclusivos do galego-português moderno. História e metodologia», III Congresso Internacional de Linguística Histórica, Santiago de Compostela, 2015
    .

    Aqui chegados, um enigma se nos oferece, iniludível. Explico-me. Mesmo limitando-nos aos verbos de origem latina, certa ou hipotética, comuns a galego e português, mas incluindo agora os ‘não-normativos’ em contexto galego, atingimos um total que roça os 80. Se isto já é altamente assinalável, não o é menos estoutra circunstância: cerca de 30 verbos galego-portugueses apresentam a hipótese dum étimo latino. Trata-se de ignorância nossa? Talvez. Mas ela poderá ser tudo menos casual. Uma tão avantajada exclusividade latina dificilmente localizável, eis um cenário demasiado anómalo para ser deixado sem alguma explicação. Existem três possíveis.

    A primeira é esta: o latim da Galécia foi bastante mais peculiar do que supomos, tão peculiar que um apreciável sector dele é de natureza ainda hoje desconhecida. Como escreveu Dieter Kremer (1992: 8): «Partindo da clara diferenciação regional hoje existente quanto ao léxico latino, podemos concluir da existência de toda uma multiplicidade de variantes locais na época clássica, ou melhor, latina. […] Galiza, com a sua ‘latinidade’ característica, é um exemplo típico deste fenómeno». Enquanto não se elaborar uma prospecção exaustiva, valha o presente estudo para melhor identificar, pelo menos na área verbal, esse latim.

    A segunda explicação é uma variante dessa primeira. Postula a existência dum latim alto-medieval (talvez de teor vulgar) exclusivo da Galécia. Forjado, portanto, já no próprio território. De novo Kremer: «Nestas inovações prolonga-se um trabalho já poderosamente encetado no próprio latim popular da época tardia, o qual se liberta dos moldes do latim literário e selecto» (ib.: 15). Por seu lado, Piel (1975-1976: 388) declarara o vocabulário da Galécia «capaz de fazer frutificar o ‘talento’ lexical herdado, através de inúmeras inovações formais e semânticas».

    A terceira explicação é mais sofisticada, mas também mais radical. É esta: muito daquilo que presumimos tenha sido ‘latim’ simplesmente não era latim. Este ponto de vista baseia-se na Teoria da Continuidade Paleolítica dos italianos Mario Alinei e Francesco Benozzo (ver http://www.continuitas.org). Existem duas teses centrais nessa teoria: 1. as grandes movimentações que supomos na Pré-História (migrações em massa, invasões, conquistas) são projecções modernas, tendo o factual cenário sido, antes, o duma generalizada estabilidade, e 2. os fenómenos linguísticos remontam, na sua generalidade, a épocas bastante mais remotas do que costumamos supor. No caso concreto: o latim da Galécia pode ter sido, em boa medida, contemporâneo do latim do Lácio, sendo, um e outro, variantes dum itálico vastamente estendido pelo sul da Europa séculos antes do despontar político e cultural de Roma. Foi sobre essas variedades de itálico (variedades estáveis, e pouco comunicáveis entre si) que se veio disseminar, como um superstrato, a prestigiosa variante romana, criando uma relativa uniformização. Sendo assim, em vez de latim da Galécia, seria mais adequado falar em itálico da Galécia.

    *

    Se alguém fizer chegar este apontamento ao sr. Benozzo, fico grato.

    • Venâncio

      No mesmo trabalho, sublinho que esse tipo de verbos latinos exclusivos (que nunca haviam sido identificados) se concentra em território galego. Isto fornece a prova material de que o idioma, contrariamente à mitologia portuguesa, teve origem galega.

    • Ernesto V. Souza

      Passo a informação ao amigo José M. Barbosa, que é o organizador destas jornadas de Pitões.