Valentim Fagim: «Na Galiza, cada vez existe mais procura de português, seja na sua versão em norma AGAL, quer na sua versão brasileira»

Nova edição dos cursos que organiza a AGAL na plataforma on-line Falarmos.com



De 13 de janeiro a 16 de fevereiro está aberto o período de inscrição para a nona edição dos curso de iniciaçãos Escrever.com.NH e Falarmos Brasil, organizados pela AGAL e realizados na sua plataforma on-line Falarmos.com. O início dos cursos será a 17 de fevereiro e duração deles é de 40 dias. Com este motivo, o Diário Liberdade entrevistou há poucos dias o vice-presidente da AGAL e um dos responsáveis da sua área formativa, Valentim Fagim. Reproduzimos a seguir a entrevista na íntegra.

 


 

Entrevista a Valentim Fagim

 

Valentim FagimDiário Liberdade – Há já alguns anos que a Associaçom Galega da Língua está empenhada na divulgação do conhecimento do português entre a população galega. Os Cursos Falarmos são uma das ferramentas disponibilizadas para esse fim. Sobre ela falamos com o Valentim Fagim, vice-presidente da AGAL.

Como nasceu a ideia de criar cursos online? O facto de os cursos serem online pensas que é uma vantagem ou um inconveniente?

Quase todas as ideias surgem porque se sente uma carência, um espaço que é preciso preencher. Na Galiza cada vez existe mais procura de português, seja na sua versão em norma Agal, quer na sua versão brasileira. Depois, vivemos na era de não tenho tempo para nada. Umas aulas ao vivo, se as atitudes de docente e turma forem as certas, oferece mais que umas aulas on-line mas estas últimas são mais flexíveis em termos de horários e em termos de localização. Uma aluna de Burela pode fazer o mesmo curso que uma aluna da Guarda e isto é realmente espetacular. Nunca pode deixar de agradecer as vantagens da Internet.

Quais são os objetivos, para quem estám destinados e que níveis tratam?

Em ambos os cursos quer-se alcançar um domínio base e sobretudo ter ferramentas para o desenvolvimento autónomo. Não é preciso indicar aqui que uma aluna galega de português pode ir a uma velocidade cruzeiro no estudo do português. Isto permite oferecer conteúdos que noutras línguas exigiriam mais demora. A escrita é um objetivo marcado de ambos os cursos, o de norma Agal e o de português do Brasil e os docentes desenham atividades avaliadas por eles para testar o avanço nessa área. Nas destrezas passivas o pessoal galego costuma ser bom. Resta trabalhar sobretudo as ativas, escrever e falar.

Falarmos - alta qualidadeDiz lá, Valentim, porque o consideras importante e a quem recomendas realizar estes cursos?

Se ficássemos dormidos e, ao acordar, víssemos um vídeo russo na Youtube e entendêssemos o Putin ficaríamos siderados. Se ao dia seguinte acordássemos e entendêssemos Merkel a falar alemão ligaríamos para urgências psiquiátricas. Ora, o certo é que acordamos, vemos um vídeo com a Dilma a falar, percebemos quase tudo, e não fazemos nada. Fazer algo é o que recomendo. Isso passa por não ficar em “que bem, entendo” mas em alcançar um domínio base de tipo ativo que permita intercomunicar e produzir. Estes cursos fornecem esse domínio.

O ano passado acrescentastes o nível avançado? Foi umha simples iniciativa ou sugestom do estudantado que ainda quer mais após finalizar a iniciaçom?

Algumas pessoas querem saber mais, ainda bem, e vimo-nos na necessidade de dar mais. O ideal seria, e iremos nessa direção, criar cursos com diferentes níveis e até cursos especializados por áreas profissionais.

Um dos autores, Valentim Fagim, com um exemplar do livro

Achas que este curso ajuda a melhorar atitudes com a língua?

Há uma visão superficial sobre a situação da língua galega que reduz tudo a “que maus são os do PP que estão a dar cabo da língua”. São maus, é certo, mas não os únicos. Para que uma língua se transmita geracionalmente precisa, entre outras virtudes, ter prestígio. Desligar a língua da Galiza da língua do Brasil e de Portugal foi uma decisão chave na história da nossa língua. Uma fonte de prestígio a quem não podem recorrer outras línguas menorizadas foi arrumada no faiado como um tareco qualquer. Pola minha experiência como docente de Escola de Idiomas, ensino para adultos, experiência que é comum com outros docentes, também do secundário, o português eleva a estima polo galego, mesmo em pessoas que à partida estavam mais perto da antipatia.

O que acham os alunos/as depois de terem acabado o curso?

O nível de satisfação é alto. No curso em norma Agal é mais comum o aluno ativista e no de português do Brasil o aluno menos marcado nesse sentido. Em ambos os casos as pessoas avaliam positivamente o curso e vê-se-lhes com vontade de continuar a dançar com a língua galego(portuguesa).

Onde é que as pessoas interessadas podem conseguir informaçom sobre datas e preços dos cursos?

No site www.falarmos.com. Na área de cursos da Agal estamos a trabalhar num projeto que inclui um site de formação com numerosíssimo conteúdos abertos e onde haverá uma versão premium com estes cursos e ainda outros que podamos vir a desenvolver.

 

+ Mais informações sobre os cursos:


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  • Martín Mendes Passarim

    “Vemos um vídeo com a Dilma a falar, percebemos quase tudo, e não fazemos nada. Fazer algo é o que recomendo.” Do melhor que lhe tenho lido ao Valentim. Umha frase tam simples, mas tam cheio de razom! Lema reintegrata do 2015 já!