Umha terra, um povo, umha fala (e duas normas pra grafá-la)

17-M Dia das Letras Galegas, Dia Nacional da Noruega



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17-M: Dia das Letras Galegas, Dia Nacional da Noruega

Umha terra, um povo, umha fala, duas normas pra grafá-la”

A AGAL volta ao Dia das Letras com outra encenaçom fantasiada, nesta ocasiom para evocar as semelhanças sociolinguísticas entre o caso galego e o norueguês, polo menos as semelhanças que esta associaçom desejaria que houvesse. O chamado “binormativismo”, que tem sido defendido pola AGAL e por diferentes intelectuais galegos nos últimos meses, será explicado na mani-festa-ação através deste comunicado:

Umha terra, um povo, umha fala, duas normas pra grafá-la”

AGAL LOGO DECALOGOA Associaçom Galega da Língua (AGAL) volta a secundar a convocatória de mani-festa-açom que a plataforma Queremos Galego realiza com motivo das Letras Galegas com o mote “Em galego dia a dia”. Mais um ano faremo-lo com um “bloco” próprio, como sempre caracterizado pola seriedade da proposta e por umha divertida “posta” em cena.

O 17 de maio, Dia das Letras Galegas, é também o Dia Nacional da Noruega. Esta fenomenal coincidência fai que viremos os nossos olhos para o país com maior índice de desenvolvimento humano do mundo e serve-nos de pretexto para anunciar-vos umha feliz notícia: a Noruega e a Galiza têm um destino linguístico comum: o binormativismo.

Nom temos a certeza de que este destino partilhado antecipe níveis de bem-estar semelhantes, mas se este país já nos cativa pola boca, fornecendo a matéria prima do prato português de que mais gostamos aquém-Minho, porquê nom havia de cativar-nos também pola língua?

cartaz17m

O binormativismo norueguês

A língua norueguesa tem duas normas, a bokmål, mais próxima do dinamarquês, e a nynorsk, mais afastada. A primeira é a maioritária, mas ambas som ensinadas nas escolas, competindo pacificamente em usos sociais, na rua ou nas diferentes administrações.

Simplificando muito, a forma bokmål seria, no âmbito galego, um português galeguizado. A forma nynorsk, por sua vez, foi construída a partir dos dialetos falados, principalmente das regiões mais ocidentais da Noruega. Seria, no nosso contexto linguístico, o galego “oficial”.

O binormativismo galego

Também nas escolas galegas seria possível estender o conhecimento, ao lado do galego comum, do galego internacional, e a Lei Paz Andrade já pujo as bases para isso. No futuro, se as duas formas do galego fossem conhecidas por umha parte significativa da populaçom, ambas poderiam deter algum grau de cooficialidade e poderiam reforçar-se mutuamente de forma a ganharem estabilidade formal em relaçom ao espanhol. Mas nom só a língua ganharia com umha política binormativista. Também todas as pessoas, mesmo as mais reticentes à normalizaçom, poderiam aproximar-se do galego do ponto de vista mais motivador para elas: quer por motivos estritamente culturais quer por motivos económicos ou laborais.

Hoje poderá parecer-nos longe, mas no futuro vamos agradecer ter começado quanto antes.

Participa!

A AGAL convoca só[email protected], simpatizantes e [email protected] a participar na manife, fazendo parte da comitiva galaico-norueguesa. Levaremos cartazes, flyers, disfarces e muito boa disposiçom para darmos a conhecer que a Noruega pode fazer tanto pola língua galega como já fijo pola boca portuguesa. Para nós é mui importante que nos acompanhes, por ser um bom momento para nos divertirmos com as nossas fantasias, mas também para nos vermos as caras e falarmos de língua até fartar, algo que nem sempre é possível noutros eventos em que andamos mais apressados. Podes unir-te ao nosso “bloco”:

Vindo [email protected] com o traje típico galego (que é como fam as/os noruguesas/es no seu Dia Nacional). Tem em conta que todos os trajes típicos europeus de origem rural se assemelham no fundo. Nós levaremos bandeiras norueguesas para o complementar.

Vindo [email protected] de norueguês/a da forma que considerares mais caracterizadora.

Vindo com instrumento musical folclórico.

Onde nos encontramos?

17 de maio (10h45): organizando voluntariado e tomando um vinho n’Arca da Vella (na rua Sam Clemente, 30, pertinho da Alameda).

17 de maio (entre 11h15 e 12h): nos bancos brancos em círculo da Alameda.

Nom podes perder a oportunidade!

Caso ainda nom sejas sócio, serás. Para celebrar o Dia Nacional da Noruega, apenas durante o dia 17 de maio a AGAL associará todas as pessoas que o desejarem por só 17 coroas norueguesas (1,7 euros) durante o que resta do ano 2018. O compromisso será bi-normativamente-assinado numha folha de bacalhau.

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  • Paul

    Sou filho de pai português e mãe inglesa, com bastante interesse pelas línguas e culturas germânicas, e não me parece que a análise descrita acima do binormativismo norueguês esteja correcta.

    As línguas escandinavas estavam inicialmente divididas em grupo ocidental e oriental. O Norueguês pertencia ao grupo ocidental e com a colonização das ilhas desabitadas do Atlântico norte (Islândia, Ilhas Faroe, Orkney, etc) pelos viquingues noruegueses, a sua língua espalhou-se para esses territórios.

    Por outro lado, o Sueco e o Dinamarquês pertencem ao grupo Oriental das línguas escandinavas. Como a Noruega esteve anexada durante muito tempo pela Dinamarca e depois pela Suécia, as elites do sudeste (perto da capital Oslo) passaram a usar a língua invasora (Dinamarquês) e começou um processo de deriva para o grupo Oriental, estando hoje o Norueguês “oficial” colocado no grupo designado “continental”. O Islandês e o Feroês, derivadas do Norueguês antigo (Norse), devido ao seu isolamento geográfico, mantêm características mais próximas do Norse original, estando hoje classificadas num grupo designado “insular”.

    Tentando fazer uma analogia com a Galiza, eu vejo as coisas da seguinte forma:

    Riksmål/Dinamarquês (usado pelas elites de Oslo e pelo maior jornal na Noruega, Aftenposten) = Castelhano/Espanhol

    Bokmål (norueguês que usa a ortografia da língua invasora, o Dinamarquês) = Galego ILG/RAG

    Nynorsk (norueguês baseado nos dialectos do norte e zonas ocidentais da Noruega, que são as áreas menos afectadas pelo Dinamarquês e por isso mais próximas do Norse original e do Islandês/Feroês) = Galego AEG

    Islandês/Feroês (línguas derivadas do Norse original que pelo seu isolamento (geográfico) mantêm características e ortografia mais próximas do original = Português (cujo isolamento foi principalmente político, além de geográfico)

    • Joám Lopes Facal

      Interessante desconcerto com o país do bacalhau por meio.

    • Ernesto V. Souza

      O do show norueguês é fantasia, não tomem a sério, salvo para a roupa da festa… a lição principal do conto é velha como o mundo e eis a mensagem da AGAL:

      dous não brigam se um não quer…

    • Eduardo Maragoto

      Acho, Paul, que a tua análise tem o máximo interesse do ponto de vista histórico, mas umha vez que fazer analogias histórico-culturais é difícil e até impossível, acho que a questom deve ser colocada de outra forma para podermos tirar algum proveito na Galiza. Repara que o reintegracionismo galego na atualidade nom quer recuperar a ortografia medieval, mas adoptar a portuguesa atual. Quer dizer, acho que o caso da Noruega podemos tê-lo em conta apenas sincronicamente, e da seguinte forma:

      Oficialmente existe umha língua (com duas formas oficiais que som ensinadas na escola, ainda que umha acabe por ser esmagadoramente maioritária):

      a) umha mais próxima do estado vizinho: bokmål (herdeira do riksmål)
      b) umha mais afastada do estado vizinho: nynorsk

      Ambos os padrões escondem umha multiplicidade de variantes dialetais que torna difícil defini-los como línguas independentes, mas apenas como padrões da mesma língua. Porém, mesmo que fosse possível, seria pretencioso que o reintegracionismo galego quisesse abordar essa questom, como seria absurdo que nós começássemos a discutir se o luxemburguês ou o suíço alemám som a mesma língua ou nom em relaçom ao alto alemám. Acho que na Galiza devemos limitar-nos a descrever o convívio atual entre duas formas do que as instituições e a populaçom entende como a mesma língua: o norueguês.

      Quer dizer, a origem da tensom bokmål-nynorsk é, a meu ver, o menos importante. O importante é que, na atualidade, o islandês (para o nynorsk) nom é umha referência equiparável ao português para o galego e o norueguês (para o bokmal/nynorsk) sim.

      Mesmo assim, digamos o que dissermos sobre este tema, sempre estaremos “simplificando muito”, como reconhece o comunicado da AGAL. Estes dias disponibilizaremos um artigo sobre o tema do livro “Quem fala a minha língua” que tem o máximo interesse para compreender o assunto em pormenor.

    • Venâncio

      O Paul expõe aquilo que eu já intuía, mas era incapaz de exprimir. Se algum paralelo existe com o Bokmål e o Nynorsk, é exactamente ao contrário do que está na gravura.

      Só discordo na sugestão de que o Português teria conservado mais características galegas que o próprio Galego.

      Primeiro, porque todas as características comuns ao Galego e ao Português datam de épocas muito recuadas, em que Portugal não existia. Só 1/6 do futuro território português foi área de formação do idioma.

      Segundo, porque o Português iniciou no século XV um processo de afastamento do Galego, conhecido por “desgaleguização”, que afectou sobretudo o léxico e a fonologia, esta, entre outras coisas, com a criação e disseminação descontrolada (!) do ditongo “ão”.

      Não, meus senhores. O Galego conservou-se incomparavelmente mais genuíno do que a sua variedade meridional… esta em que me exprimo. Porque já não tenho outra.

      • Ernesto Vazquez Souza

        Dous não brigam se um não quer… Anos a nos pedir gestos… E afinal passa como com o PP e o terrorismo o que menos quer alguma gente e o fim das hostilidades…

  • http://www.notas.gal Eliseu Mera

    Obrigado, Paul polo teu comentário. Contudo, para o caso galego, caso acho pouco relevante determinar qual dos dous modelos de norueguês corresponde com cada um dos dous modelos de galego, porque as situações são diferentes, como bem exprimes. O interessante está em ver como na Noruega convivem duas maneiras de grafar a língua, mostrando que é mais produtiva a tolerância e a adição do que as luitas fratricidas.

  • Paul

    Pelo que percebo no caso Galego, aquando da viragem para a democracia, a ultra-direita espanhola (que não foi expurgada mas sim negociou a sua continuidade no novo sistema), conseguiu logo após o estudo das várias formas dialectais galegas (trabalho TÉCNICO do ILG), fazer uma normativa baseada nas formas mais afastadas do Português e mais próximas do Castelhano (activismo POLÍTICO através da RAG), por forma a apagar ao máximo a ligação linguístico-cultural entre a Galiza e Portugal.

    Essa ultra-direita do mini-império castelhano (PP, UPyD, etc), conseguiu criar (infelizmente) muitos anti-corpos e preconceitos em relação a Portugal na população Galega (pobres, coitadinhos, etc). Isto, aliado ao facto de que dependendo da zona da Galiza em que estivermos, a percepção da ligação entre o Galego e o Português seja variável em função do dialecto local, faz com que seja complicado convencer muitas pessoas a adoptar algo que elas vêem como alheio e estrangeiro.

    Na minha opinião de leigo, e tendo em conta o que escrevi acima, acredito que a estratégia a seguir não deveria ser tanto de tentar nadar “contra a corrente” maioritária para chegar ao outro lado do rio, mas sim nadar com a corrente e chegar na mesma à outra margem, mas mais abaixo. Isto implica não bater de frente com a opinião maioritária que (neste momento na Galiza) é hostil ao Português padrão.

    Penso que a forma do Galego “AEG” cumpriria melhor a função de reintegrar/convergir o Galego com o restante mundo que compartilha a mesma língua, sem activar (muito) os anti-corpos mentais que actualmente habitam as mentes de muita gente na Galiza.

    A estratégia Galego “Internacional” parece-me bem, mas na sua forma “AEG”. Ora aqui vai porquê:

    – Os portugueses conseguem ler a forma ILG/RAG apesar de o verem como um dialecto qualquer do castelhano, alheio ao português e causador de bastante estranheza. No entanto, do que vejo/leio no site da AEG, qualquer outro português vai ver aquilo como mais uma forma do que para eles é português, tal como já estão habituados a ver o brasileiro, sem quaisquer “arrepios”. É apenas mais uma forma da mesma língua. No problems at all.

    – Parece-me que este Galego “AEG” iria causar muito menos anti-corpos na população, visto ter traços identitários que o tornam próprio da Galiza, mas ao mesmo tempo que o coloca na cena internacional como mais uma variante da língua falada por mais de 250M de pessoas, nas suas diversas variantes, dialectos e pronúncias. O actual Galego ILG/RAG, ao contrário do que tenta vender o Feijóo, não é compatível com os restantes falantes, por causa da tal “estranheza” que provoca nos outros falantes da língua.

    – Será mais fácil convencer a população das vantagens enormes que teria a adopção deste Galego. Possibilidade de estudar numa universidade que utilize outra variante da língua, negócios/exportações, etc. Ao estudar na escola Galego “AEG”, os Galegos deixam de precisar aprender a forma portuguesa ou brasileira como língua estrangeira, mas apenas como formas dialectais da sua própria língua. O “Português Língua Estrangeira” desapareceria.

    Como Português leigo, mas que passou algum tempo a estudar estas questões, penso que até o próprio termo “Lusofonia” (e tudo o que está por detrás dele e lhe deram origem), surgem de um mito fundacional da nação portuguesa que aparece depois da perda “irreversível” da Galiza por Afonso V de Portugal, sendo que a partir dessa altura os portugueses viram as costas à península, incluindo a Galiza, mandam-se ao mar, passam a “Lusitanos”, e a língua neste território começa a ganhar vida própria.

    Talvez o melhor é galegos e portugueses começarem a falar mais e a pensar como “convergir” uns com os outros, em pé de igualdade, sem preconceitos e de forma o mais científica possível.

    • http://www.notas.gal Eliseu Mera

      A forma do galego que denominas “AEG” que é em realidade o que se conheceu como “Norma da AGAL” -em que está redigida, por exemplo, esta notícia- forma parte da Ortografia Galega Moderna, que é o modelo que reivindicamos como alternativa ao galego ILG-RAG.

      • Paul

        Obrigado, Eliseu. Peço desculpa se ofendi alguém. Vou passar a usar a sigla OGM (Ortografia Galega Moderna).

        Aproveito para adicionar algo que me parece interessante e compatível com o que escrevi acima. Na Eslováquia é possível utilizar de forma/ortografia da Rep. Checa, e vice versa, desde que essa pessoa seja nacional desse país.

        Isto poderia ser aplicado na Galiza, onde além da Ortografia Galega Moderna, seriam aceites as formas PT e BR, se os indivíduos fossem nacionais desses países. O mesmo poderia ser feito em Portugal e Brasil, que já aceitam as suas formas sem problemas.

        • http://www.notas.gal Eliseu Mera

          Obrigado eu polas tuas contribuições, não vejo nenhuma causa de ofensa nos teus comentários 😉

    • Venâncio

      Saúdo com alegria o que o Paul aqui escreve. Soa-me como um apelo actualizado do que eu próprio aqui escrevia em 2004 e anos seguintes, quando sugeria a definição dum “Norma Galega Forte” gramatical, lexical e ortográfica.

      Infelizmente, vi ir vencendo, no seio do Reintegracionismo, o fantasma duma “norma internacional”, que, em Português, simplesmente não existe.

      Hoje atribuo isso à vitória, dentro do Reintagracionismo, duma ideologia de inspiração espanhola. Sim, amigos, por paradoxal que pareça, existe uma leitura uniformista, imperialista, inequivocamente espanhola, do projecto reintegracionista, e essa é aquela que hoje entre vós predomina.

      A isso tem de acrescentar-se o desconhecimento que reinou sempre, no Reintegracionismo, acerca das duas Normas do Português, a brasileira e a europeia: duas normas morfológicas, sintácticas, lexicais, semânticas, fraseológicas, pragmáticas… ah, e também ortográficas.

      Eu confesso-me cansado, absolutamente cansado, destes 14 anos de frustrante debate convosco. É por isso que a voz do Paul (que não faço ideia quem seja) abre aqui uma réstia de frescura e de nova esperança.

      • Ernesto V. Souza

        Mas Fernando, é que tem de ser paradoxal. A questão é que os reintegracionistas galegos temos de emitir uma mensagem pensando sempre em dous sistemas de receptor.

        Por uma banda a gente galega (cujo 95%) acha que é espanhola e maneja uns códigos e sistemas mentais espanhóis, mas dentro de moldes galegos (isto simplesmente é já de uma complexidade fascinante).

        Por outra o espaço cultural, político, intelectual e social dos grandes países de língua portuguesa.

        Movimentar ao público galego e convencê-lo de aderir a causa reintegracionista ao mesmo tempo que se trata de apelar os lusófonos para nos reconhecerem é uma obra titânica (e mais tendo em conta que ao mesmo tempo há que cuidar da língua social, conservar a popular e construir e desenhar a língua culta)…

        paradoxal… é pouco…

        • Paul

          E sem recursos, contra toda a máquina do estado espanhol, contra os média hostis, e o desconhecimento/indiferença dos outros países galegófonos… já vocês fizeram muito. Era impossível pedir mais.

          • Venâncio

            Caro Paul: esse não é o cenário total, nem o verdadeiro.

            Não se esqueça dos muitos galegos não-reintegracionistas que lutam, na sua norma oficialista, pelo galego, convictamente, como ferrenhos lutadores.

            Esquecê-los, como muitos reintagracionistas fazem, é injusto, é imperdoável.

          • Paul

            Eu estava a referir-me a todos os que lutam pelo Galego, contra o seu desaparecimento no “Espanhol”. Não concordo com a estratégia isolacionista, pois é perdedora a todos os níveis em relação ao “Espanhol”.

          • Venâncio

            Caro Paul,

            Nunca os reintegracionistas (nem a premente pedido) foram capazes de demonstrar, ou pelo menos tornar objectivamente aceitável, que o projecto reintegracionista iria estancar a perda de utentes do Galego.

            Pessoalmente acho que não iria estancar as perdas. Existem factores poderosos para isso. Só conseguiria, isso creio sim, que os utentes passassem a exprimir-se com mais qualidade.

          • Paul

            Concordo. Acho que é bastante óbvio que isto ultrapassa claramente a questão meramente linguística. Por isso disse que “nem tudo depende de nós”.

            Estão a decorrer processos políticos no estado Espanhol (federalismo, independências, centralismo) cuja conclusão terá implicações profundas para toda a população da península, mas as principais serão sentidas nas “nacionalidades históricas”. Nem nós Portugueses escaparemos aos efeitos do que aí vem, seja um estado mais justo e multilingue (tipo Suiça), ou mais centralismo castelhano.

            Se a Galiza fosse um estado independente, a “Questão Galega” seria muito diferente. Uma convivência perfeitamente hermética entre línguas tão semelhantes como são os romanços ibéricos é impossível, resultando ou num híbrido ou na destruição das línguas “mais fraca”, que no caso do mini-império castelhano, já sabemos quais são.

            Embora possamos não concordar com esta ou aquela estratégia, e sabendo que foram cometidos erros pelo reintegracionismo, temos de continuar a apoiar essa luta por uma península plural e não uma monolingue em castelhano.

          • Joám Lopes Facal

            Venâncio, a atitude do reintegracionismo main-stream, a AGAL atual, nom é já essa de estancar perdas; mais bem, acho eu, é dar as perdas por irreversíveis e embarcar no navio português como refúgio definitivo e imune a toda crítica.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Absurdo, meu capitão… Absurdo e ofensivo…

          • Venâncio

            Ernesto, compreende-me bem. Eu só conto o que observo.

            Não poderás negar que existe um mantra largamente usado por reintegracionistas em que se atribui a perda de falantes de galego à normativa RAG.

            A mensagem implícita é que o Reintegracionismo iria conseguir estancar essa sangria. Mas como, como?

            Escrevi alhures aí acima: acho que o avanço do projecto reintegracionista faria, sim, aumentar a qualidade do Galego usado.

            Mas agora que digo isto, não sei, não sei… Vi há dias uma longa intervenção televisiva duma colega tua, académica da AGLP, e fiquei varado. Aquilo metia bastante mais espanhol, sublinho espanhol, que outra coisa. Senti verdadeira vergonha alheia.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Não podemos saber o que não se prova… Sabemos como estamos. Eu se estivesse no comando demitia e ia sachar na minha horta…

            Bom com isso vocês portugueses podem se espantar e criticar… Nós galegos temos academias (duas) e universidades cheias de gentes analfabetas…

          • Venâncio

            De acordo, também em Portugal as academias acolhem ignorantes. Mas o que é revoltante é essa altanaria de reintegracionistas que se chamam “puros’, longe da ralé do castrapo, e que fazem exactamente a mesma coisa: misturar sistematicamente galego e espanhol. Via-se que ela pensava em espanhol e tentava…. galeguizá-lo. Acredita, naquele momento senti-me profundamente enganado.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Bom sera que nao leu as entrevistas a Vítor Freixanes no sermos…

          • Venâncio

            Certo. Mas esse não golpeia o peito, qual chimpazé. Estou a falar de gente que enche a boca com “Português da Galiza” e dá um espectáculo deprimente de puro castrapo.

          • Venâncio

            A partir deste momento, rio-me na cara de qualquer académico vosso que declare falar “Português da Galiza”. Pura chalatanice, portanto.

            E não esqueço que, há uns anos, aqui no PGL demonstrei que o mesmo fazia, também numa entrevista televisiva, o vosso primeiro presidente.

          • Ernesto V. Souza

            Há duas cousas que não entende bem dos galegos. A primeira é que se pergunta a um galego se é independentista o mais possível é que diga não… hesite, pergunte por que, ou não diga… mas se pergunta se poderia ser independentista… o mais possível é que mesmo gente como meu pai ou Mariano Rajoy, ou até Fraga ou Millan Astray… digam… homem… aí dependeria…

            A segunda é que se desafia a um galego a não ser ou a não dizer, vai levar 7 cuncas…

          • Ernesto V. Souza

            É difícil nenhum galego/a possa jogar pedra aí… nenhum estamos livres… por escrito ou oral… é sempre melhor se colocar diante do espelho e ver o olho próprio com a trave… e mirar a mão fratricida e deixar a pedra cair no chão…

            Essa cŕitica – que é boa – apenas podem fazer os portugueses e brasileiros cultos.

            Nós nem temos como, nem olho, nem boca para perceber esse sabor dos bons vinhos… embebedamo-nos e pronto… que corra o vinho.

          • Alentejano

            Eu só queria apelar a uma coisa muito simples. Referem-se com frequência a uma língua que não existe e esta é o espanhol. Seria bom passarem a citar a língua como castelhana e nunca como espanhol. Se houver dúvidas a consulta aos livros torna-se imprescindível a consulta para nos esclarecermos. O espanhol, como chamais, é língua colonial e opressora em todas as suas vertentes, na península ibérica, Consideram~se superiores não só na língua como em tudo o resto.

          • Venâncio

            Alentejano, caro Compatrício,

            Se Vc ler o livro de Amado Alonso “Castellano, español, idioma nacional. Historia espiritual de tres nombres” (3ª ed., Buenos Aires, Ed. Losada, 1958), verá que, com qualquer dos nomes, a arrogância e a convicção de predestinado são as mesmas.

            Quando os quiser humilhar, conte-lhes esta história com foros de verdadeira. O castelhano foi criado pelos bascos no século V como “lingua franca”, perante o avanço do latim pelos territórios deles. Há vários fundamentos para supô-lo, e as cinco vogais não é o menor deles. Depois, quando atingiu Toledo, essa língua franca, tornada língua materna, começou o seu caminho de alargamento peninsular, a tal “cuña”.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Nunca os reintegracionistas tiveram poder e com ele recursos e capital… E sabemos que souberam e que estão a gerir muito bem o seu mínimo capital social, econômico e institucional…
            Porém os que quando havia dinheiros geriram mal… Já vemos o que estao a fazer hoje… E o que vão fazer quando nan haja… Vão aprender a gerir sem quartos quando não souberam fazer nada com eles?

        • Venâncio

          Ernesto,

          O teu comentário é, como sempre, engenhoso. Pois é, haveria vantagem em dar aos galegos a impressão de que os países de língua portuguesa se encontram numa relação comparável aos de língua espanhola. De outro modo os galegos não entenderiam o interesse dum outro relacionamento.

          Acontece que a Norma Agal (sim senhor, hoje a Norma AEG) foi concebida segundo outro modelo de pensamento.

          O que foi, se não uma ideologia espanhola, o que vos fez mudar a mensagem?

          • Ernesto V. Souza

            A Norma AGAL não passa de um nome, de uma MARCA. Mas a realidade sempre foi mais complexa e o reintegracionismo sempre foi múltiplo, nada unitário.

            Mudar a mensagem? mas havia daquela uma mensagem única e clara?

            Lembra-me aquela personagem do teatro que golpejava o peito na cena e acusava a ex-namorada de ela não ser como ele pensava… senão que era… na realidade, – o espanto – como ela dizia que era…

      • Joám Lopes Facal

        A “Norma Galega Forte”, a Norma AEG, nom é outra cousa que a tradicional da AGAL, vaziada hoje no “Galego Internacional” –ou “português batua” (confrontar com o euskera)– ou como queiram baptizá-lo no atual rito de confusom.
        A claridade —que Ortega y Gasset elevava á categoria de “cortesia do filósofo– é o mínimo que nos devemos para honrar um debate ordenado e racional

        • Ernesto Vazquez Souza

          Mas caro… Olha o que escreves tu, o que escreve Maurício, o que escreve Garrido, o que escreve Corrales e Diego Bernal no site da AGE… Algum humano racional pode-me dizer que é uma única norma… Ou são quantas…

    • Pedro Lopes

      O exemplo a seguir pela Galiza deve ser o da Catalunha, paulatinamente ir aumentando o peso da sua língua, cultura e autonomia, mas terão ainda que passar duas ou três gerações para que estejam no ponto que os catalães estavam antes do referendo e 1 de Outubro.
      Na política já está tudo inventado e quando se inventa geralmente dá desacerto, a Catalunha estabeleceu uma estratégia que não é nova mas que resulta sempre, recordo-me dos tempos em que tinha colegas Erasmus catalães a estudar em Portugal e eles já traziam a cartilha toda estudada, assumiam-se como catalães e não como espanhóis, recordo-me especialmente de um que fazia questão em acentuar o seu nome em catalão perante o professor que erradamente o pronunciava em castelhano, e além disso preocupavam-se logo em aprender português o mais correcto possível conseguindo um fonética quase perfeita, e isso quer queiramos quer não captava imediatamente adeptos para a sua causa, começavamos a chamá-los não por espanhóis mas sim por catalães, ou seja a elite catalã tem ao longo dos anos desde a “transição” da sua democracia apostado numa estratégia clara e bem definida.
      Um catalão que estuda no estrangeiro quando se apresenta a primeira coisa que diz é “eu sou catalão” e só depois diz a sua cidade de proveniência, aliás à semelhança de um português, francês, inglês, ou qualquer outro quando está no estrangeiro.
      Eu próprio conheci também alguns galegos em Erasmus, extremanhos e andaluzes mas ao contrário dos catalães, nem se preocupavam em aprender a falar português correctamente, e quando se apresentavam invariavelmente diziam apenas e só a sua cidade de origem, o que implicitamente estão a considerarem-se espanhóis perante os portugueses.
      Estes pormenores fazem toda a diferença, há ainda um grande trabalho de formiga a percorrer por parte da “elite” galega mas se o objectivo não é traçado dificilmente se concretizará.
      Portugal pode desempenhar algum papel discreto como deve ser, mas para isso os galegos terão de compreender a linguagem política dos portugueses, e creio que os galegos ao final deste tempo todo ainda não entenderam como funciona administrativamente o seu vizinho.
      A região autónoma da Galiza quando tenta uma aproximação a Portugal tenta pela sua forma política o que esbarra sistematicamente numa barreira natural, pois insiste sempre pela mesma via, a aproximação ao “norte de Portugal”, ora o norte de Portugal não existe como região autónoma administrativa, portanto quando a Galiza quer falar com Portugal invariavelmente o deve fazer de duas formas ou pela via institucional com Lisboa ou se quer pela via regional então isso terá de ser município a município do lado português e do lado galego ao seu correspondente administrativo, por exemplo intercâmbios entre as cidade Porto e Vigo, ou Porto e a Corunha, ou Braga e Santiago, ou Aveiro e Ferrol, etc.
      O facto de Galiza persistir nesse tipo de abordagem invariavelmente apenas com o norte de Portugal levanta imediatamente desconfianças naturais e portanto creio que é pela política que se começam a fazer as coisas bem, depois tudo o resto vem por acréscimo.

      • Venâncio

        Aplaudo em pé.

      • Ernesto V. Souza

        Os catalães têm dinheiro, uma sociedade civil própria e nunca quebrada, e recursos e levam décadas, muitas a construir instituições, a criar espaços, redes, a cuidar, formar e preparar pessoas com talentos, a sonhar generosamente projetos de futuro…. na Galiza a uma marca vermelha que define que há que agachar as orelhas ante os líderes… e o que as levanta é castigado…

        Enquanto exista essa marca vermelha… não há nada a fazer… apagá-la pode levar décadas… e depois é que há que começar…

        • Venâncio

          Tudo isso é verdade, Ernesto. Mas continua a ser para mim um enigma a baixa percentagem de reintagracionistas galegos que se declara independentista. Tens para isso uma explicação?

          • Ernesto V. Souza

            Tenho muitas… a principal é que há que ir vivendo… e na Galiza é tudo uma miséria… outra é que na Galiza a gente não gosta de posicionar-se abertamente. Prefere ir resolvendo aos poucos, deixando os mais dos caminhos abertos. Gente de caminho único, na Galiza, há pouca (e essa sim é de ideologia espanhola).

            Falta isso: espaço institucional. Rede. Generosidade. Sonhos de futuro… sobra canibalismo, cainismo… miséria…

    • Joám Lopes Facal

      Está bem amigo Paul, mas a norma nacional do galego que a AEG sustém, nom é só que amorteça a apariçom de anti-corpos ( a recepçom social desta norma nom é melhor do que a do português defendido pola AGAL), o seu valor reside mais bem na amável proximidade entre o galego falado e o escrito: “Coraçom” ou “nom” som formas reconhecidas como genuinamente galegas, “coração” e “não”, nom.

      • Ernesto V. Souza

        Se grafaras CoraSoN aínda… esse final em -M é tão marciano para os galegos e tão distante do que a gente está afeita e educada a escrever e ler como -ão… mas esta segunda, como é comum no português ainda o podes vender dalgum jeito simples e rápido.

        É dizer… sendo ambas variedades mínimas ortograficas, alheias e sendo ambas identificados como lusistas, por um público geral que os percebe como extravagantes e fora do sistema… e sendo as formas que defendes apenas de uso (e conhecidas) dentro da minoria reintegracionista por décadas, mas não fora dela… por que achas que as terminações tipo -ÇOM, têm qualquer vantagem – para as divulgar e as popularizar no público geral – que as tipo -ÇÃO? por que achas que são mais marcantes de padrão nacional para a gente (de fora do reintegracionismo e para os reintegrata novos) quando ambas são detetadas como exóticas?

  • Ernesto Vazquez Souza

    Vou deixar a conversa. Eu fico triste de ver como se recebem estes esforços da AGal e do reintegracionistas, agora empenhados em terminar a desastrosa guerra fria…

    A única prioridade devia ser cortar a Notes de 1983. Mesmo sendo nós os generosos depois dos pais e da repressão…

    • Venâncio

      Ernesto, existem um empenho e uma generosidade reintegracionistas que eu não me canso de sublinhar e louvar. Eu estou a falar dum sector muito sonoro e muito desacreditável.

      Se não puserdes essa gente fora de combate, ireis lixar-vos. É garantido.

      • Ernesto V. Souza

        Não concordo. É evidente: dados de impacto das últimas campanhas, iniciativas, tópicos, metáforas, leituras, palavras item a se espalharem… que o reintegracionismo em conjunto (no local, no internacional e na rede) está a fazer bastante bem na última década.

        E nele, não sobra ninguém. Tanto é assim que até queremos que venham os não reintegratas à nossa associação e aos nossos espaços.

        • Venâncio

          Caro Ernesto,

          Tu podes, e talvez devas, usar de muita tolerância para com elementos mais fracos no vosso seio.

          Mas eu não estou disposto a ter compreensão por quem enche a boca de “Galiza lusófona”, de “Português da Galiza” e outros delírios, e que na vida real se revela descuidado e mesmo desmanzelado com o idioma, exprimindo-se publicamente no pior castrapo. Eu apontei dois casos de intervenções televisivas, o que torna os casos adicionalmente graves.

          Para quem, fora da Galiza, anda tentando que vos tomem a sério, isso é uma afronta e um convite à desistência.

          Um abraço.

          • Ernesto V. Souza

            A mim tanto me tem, o que diga ou deixe de dizer a esse respeito. Eu lhe concedo direito a dizer, porém não a que o que diga tenha qualquer importância ou valor a respeito da nossa estratégia, políticas, atuações e intervenções.

            É uma opinião pessoal sua – crítica e sem dúvida tecnicamente acertada, o que aproveitaremos, alguns, por vir de um grande conhecedor, concedo -, porém coincide, vai-me desculpar, com opiniões que infelizmente tenho ouvido e lido em algum que outro português (nacionalista, racista e rançoso) a cada vez que um galego/a ousa escrever ou falar em Português num espaço culto (que só está reservado suponho aos brancos mais puros e aos portugueses de geração provada)… Por outra banda, sei, que essas intervenções televisivas, o mesmo que tantas outras por oral e escritos, foram efusivamente celebradas por outra gente – que as animou e anima – em Portugal e Brasil. E que sabe que nesta vida tudo é prática e que a proximidade e frequência vão limando até as cousas mais bizarras e naturalizado até as frutas mais exóticas…

            Outro dia escrevo mais a respeito e debatemos… mas, de qualquer jeito: o tema de hoje é a apertura do espaço reintegracionista reconhecendo irmãos os isolacionistas…

            É um grande passo, dentro de uma série de passos dados e mais por vir. Passos que é hora de dar e que dá o reintegracionismo, e que apenas podem explicar-se porque o reintegracionismo é já uma força imparável dentro da construção atual e futura do galeguismo e nomeadamente no ativismo linguístico.

            Podemos no reintegracioismo ter contradições e podemos ter muita cousa que ajustar, reparar e reconsiderar. Mas o contraste entre umas classes dirigentes auto-proclamadas de guieros com o apoio institucional com discursos hoje de fracasso, retirada e derrota ante uma situação de agressividade nacionalista espanhola e com constatação da dependência dos quartos públicos no mundo cultural, associativo e linguístico, de perca social de falantes e perca de espaços sociais para a promoção da língua… para que seguir… lá eles… em contraste o reintegracionismo, que só tem o que tem, é esperança e futuro.

            Saúde

          • Venâncio

            Eu desejo-vos muito futuro. Por isso ando convosco há tanto tempo. Mas desejo-vos também menos triunfalismo e um tanto mais de autocrítica e correcção fraterna.

            Não, caro Ernesto. Que uma académica colega tua se exprima publicamente num horrível castrapo não é, absolutamente não é, uma opinião minha. É um facto comprovável, e que te convido a comprovares.

            Digo-te mais. Foi um bom amigo reintegracionista, vivendo na Extremadura, que me alertou para o vídeo da entrevista televisiva em apreço. Estivemos juntos analisando a fala da senhora, e caindo de assombro em assombro perante o que ouvíamos. Ele dizia-se envergonhado, eu dizia-me revoltado e enganado.

            Mas tu foges à questão, que é o intolerável desempenho linguístico da tua colega. Isso não te fica bem. E não me infunde mais confiança no vosso projecto.

            Acredita: só sendo exigentes convosco mesmos ireis mais longe. E, se continuardes, com o vosso nítido laxismo linguístico, que não corrigis entre vós, também a vossa credibilidade não há-de crescer.

          • Ernesto V. Souza

            Fernando, vaia dar conselhos de amigo, a Roma… Acho sinceramente que o que o senhor deseja para o reintegracionismo, não é o que eu desejo.

            Por outra banda… amigos reintegracionistas… mas de que bando, de que castro, clã e família? Sem esses dados a informação é irrelevante… E porque não se exprimem abertamente? seica a AGLP tem qualquer poder para lhes retirar o caldo, hoje ou há medo do amanhã?

            A covardice, a inveja e o preconceito é tão forte em certos espaços do reintegracionistas, que simplesmente desejam a aniquilação de todos os outros setores que não sejam o seu ( e dentro do seu o seu reduzido circo) nisso são cuspidinhos e na mesma escola que as principais linhas do isolacionismo e do poder institucional…

            E francamente, eu estou farto de tanto listo e ultra crítico que se diz reintegracionista e nem passa de amargurado… nada está nunca bem… para eles… mas nunca movimentam um dedo quando se pede ajuda… só depois, é que reagem…

            E quando fazemos o que nunca se fizera: MAL, que cousa é isto?, como não se convidaram especialistos, universiteiros, , gente das escolas de idiotas, empreséiros… quando se muda a estratégia tal e como se pedia, na crítica anterior… Mal também… uma traição; quando se tenta um trabalho técnico sem recursos, sem ajuda, nos tempos livres: MAL também, teria que ter feito alguém (que por outra parte não quer) profissional…

            Podia-se melhorar… é claro que se podia e é claro também que dos 80 até hoje foi imensa a melhora… E até aceitamos críticas como poucos movimentos na Galiza… somos uma excepção dentro deste ambiente nutrido e controlado por seitários bananeiros…

          • Venâncio

            Tudo isso é verdade, Ernesto. E também é verdade que a radicalização lusópata do Reintegracionismo nos últimos 10 anos afastou do centro da acção gente capacíssima e empenhada. Eu sei do que falo.

          • Ernesto V. Souza

            Não, não sabe… permita-me que lho diga. Com sinceridade.
            Não é questão do reintegracionismo. Atualmente o movimento nacional galego, por inteiro, está afetado do mesmo mal… há muita gente que sumiu, por toda a parte, gente doida, com imensas feridas pessoais e cicatrizes. É o galeguismo, a Galiza é cruel, selvagem… não aceita debilidades, nem cultiva as pessoas, não oferece reconhecimento, nem trajetórias possíveis aos desafectos, aos críticos ou aos raros… salvo que pessoalmente triunfem… A situação é gravíssima e merescente de um estudo demorado, de parada para mudança de rumo e de hábitos.

            O reintegracionismo foi afetado em muitos casos, atingido de ricochete por problemas e lutas originadas fora dele mas no âmbito político e culturas do galeguismo, e por trajetórias e pessoas enlouquecidas que se focaram nele ou que chegaram a ele expelidas doutros centros e espaços, arrastando hábitos, loucuras, dinámicas e práticas..

            O galeguismo tem um problema de fraqueza institucional, de falta de generosidade, de visão de futuro, de gestão de pessoal, e de construção de redes pensando e sonhando no futuro. O pessoal tem muita má escola, espanhola, de imediatez e rédito pessoal, de liderados broncos à Pendragão… falta audácia hoje, tolerância, pensamento coletivo e pensamento em estruturas futuras. Isto é algo que Alexandre Banhos e Angelo Cristovão têm repetido e repetido. E por isso eu os admiro.

            Como também admiro essas académicas nossas que tanto fazem, e fazem sabendo onde se metiam, com as suas precariedades e limitações, porque constroem pensando – não nelas, nem no hoje, quanto no futuro. O mesmo que os demais académicos… que são os que são e deram um passo à frente mentres todos esses merdentos/as que maldizem de boca pequena e às caladas e estão bem cómodos nas suas poltronas e trabalhos pagos, com tempo livre dedicado aos seus negócios pessoais, desejam o fracasso da gente da AGLP mesmo que com esse fracasso perdemos como conjunto mais anos…

            De feito acho que unicamente o último reintegracionismo, dentro do movimento nacional galego, começou a modificar – com imenso esforço – estas dinámicas enfermas.

          • Venâncio

            Os reintegracionistas de que falo, esses que se afastaram, porque se sentiram indesejados, são tudo menos “cómodos nas suas poltronas e trabalhos pagos, com tempo livre dedicado aos seus negócios pessoais”.

            Mas eu sei. Até tu, um tipo ponderado e lúcido, és incapaz de conceber que também a actual marcha reintegracionista criou os seus cadáveres no armário.

          • Ernesto V. Souza

            E próprio sou um deles… acho que não compreende nada….

          • Venâncio

            Lindo, lindo! O académico da AGLP e responsável pelo PGL decidiu chacotear comigo, declarando-se marginalizado pelos companheiros… Talvez pretendas alguma graça, mas eu não a vejo.

          • Ernesto V. Souza

            Não pretendo. Não percebe, porque não sabe, e apenas focado no reintegracionismo, não enxerga o conjunto, nem percebe a dimensão dos dramas.

            Por isso não pode me situar intelectualmente, nem compreender o que estou a dizer em toda a sua dimensão luciferina, nem perceber que eu, na realidade, estou também nessa margem da margem.

            A única diferença é que eu tenho um ponto de Robinson e posso fazer um paraíso do meu desterro, da minha ilha, dos meus paços de inverno… porém essas capacidades minhas há muito que o galeguismo, a cultura galega na sua fátua centralidade absurda e sem projeto não pode aproveitar…

          • Venâncio

            Desculpa. Eu limitei-me à realidade tangível. Fica bem.

          • Ernesto Vazquez Souza

            A realidade tangível é Valladolid numa tarde deserta de sábado… Não é a ágora Crunha cheia de amigos bibliotecas, arquivos, possibilidades sociais, não é a ativa Compostela de locais sociais, instituiçoes e e universitatios a cada volta, não é o Vigo fabril e editor, nem o Ferrol de ferro que precisa mais mãos para restaurar e construir, nem é a bela Pontevedra helénica dos museus, nem a ateniense Auria, nem a inabarcavel Lugo, tambem nem é Rianjo, Mondonhedo, Monforte, Ordes, Betanços, Lage… Qualquer lugar tangível onde viver, cotizar, trabalhar e perder o tempo proveitosamente…

          • Ângelo Cristóvão

            Completamente de acordo, Ernesto. Item mais. Há uma direrença estrutural que convém deixar patente. Quem tem recursos reduzidos, como é o caso das entidades que fazem parte do Movimento Lusófono Galego, não pode permitir-se o luxo da demagogia e a publicação de qualquer cousa. Disto se deriva que os livros publicados em português, na Galiza, têm um valor ou nível de interesse bastalte elevado, se comparados com a média dos produzidos em galaico-castelhano.
            Por outro lado, costumamos ver ou perceber críticas “lisboetas” aos galegos com vontade de língua, sem reparar em que a formação destes galegos foi, provavelmente, autodidata. Essa rigidez na interpretação do que é correto ou incorreto pode ter um grande consenso em Portugal. Na Galiza ainda não é assim.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Efetivamente…

          • Venâncio

            Que, na Galiza, a “correcção” do idioma é questão especialmente problemática compreende-se. Como fonte geográfica do nosso idioma, a Galiza conserva uma diversidade formal única. Também da genética sabemos que a maior diversidade se observa nas zonas iniciais.

            Eu próprio creio ter deixado demonstrado, através da particular quantidade de verbos latinos exclusivos ao Galego, a prova linguística da origem galega do idioma.

            Compreendendo pois tudo isso, não se entende como o Reintegracionismo continua tranquilamente numa estrutural desorientação em matéria de língua.

            Venho dizendo e repetindo: não existe, no espaço reintegracionista, um único linguista no sentido estrito de “gramático”. Alguém que se ocupa do idioma e descreve o seu funcionamento. Daí que não exista qualquer diálogo linguístico entre reintegracionistas galegos e profissionais doutras zonas do idioma.

            E tem mais. 😉 Esse diálogo far-nos-ia muito bem a todos, com o reconhecimento científico do projecto reintegracionista.

            Essas estruturais faltas podem explicar a vossa despreocupação com desempenhos linguísticos lamentáveis. Tanto mais incompreensíveis quanto muitos de vós se exprimem num galego de notável qualidade.

          • Ernesto V. Souza

            Essa petição sua é como um refrão de cantiga… não podemos ter esse diálogo. Não pode ser, já o sabe. Porque não, não não temos gramáticos… tínhamos algum lexicólogo, algum historiador da língua e vários linguistas, mas estão aposentados ou tiveram que se dedicar a outras cousas para ganharem o pão… e até no reintegracionismo ativo e nessa centralidade temos bem poucos Universitários de verdade…

            O que temos são ativistas, divulgadores e poetas… alguns bolseiros e até algum professor doutor contratado, em precário, mas nenhum com interesses gramaticais.

            O problema é que os têm copados todos os isolatas e as instituições a soldo do PP, passa como com os notários, os juízes e os registradores da propriedade que estão todos copados pela direita…

            Vou ver se abrimos um crowdfunding para pagarmos um Gramático por horas… entre isso, um computador que alguém ceda e o local da Casa da língua comum… a ver se deste jeito podemos adiantar algo neste tema…

            gramático que nos faça uma gramática em horário labora

          • Venâncio

            Ernesto,

            Muito interessante o que escreves. Só falhas numa coisa: em não dizeres que, no Reintegracionismo agálico, nunca ninguém, após a morte de Carvalho Calero, há quase 30 anos, se queixou da falta dum verdadeiro “gramático”, alguém que estuda e expõe o funcionamento interno do idioma. A sério: essa falta nunca foi assinalada, que eu me lembre, pelos vossos linguistas. Isto significa que essa necessidade nunca foi sentida.

            Mas como foi, então, isso possível num Reintegracionismo galego que sempre se apresentou como defensor e promotor da língua? De que língua, de quê exactamente, seria ele promotor e defensor?

            Eu, linguista que vos acompanha, nunca o soube ao certo, e cada vez o sei menos. Porque, se tenho entre vós bons e grandes amigos, não tenho um único interlocutor. E nenhum linguista português ou brasileiro o tem sequer. Anda à deriva, segue os ventos.

            A pergunta fundamental é pois: que tipo de movimento, e projecto, linguístico é o Reintegracionismo galego que, em 30 anos, nunca suscitou um gramático?

            Ou doutra maneira: é o Reintegracionismo galego, acaso, um movimento linguístico?

            Sinceramente, a resposta deve ser: Não, não é. Não tem um projecto linguístico, nunca definiu que cenário linguístico galego tem em mente, e provavelmente nem no tem sequer.

            Entretanto, condenais continuamente o projecto alheio, o do oficialismo galego. Mas, à falta dum projecto próprio de-fi-ni-do, não convencereis ninguém que tenha, no campo linguístico, um mínimo de exigência.

            Convém, portanto, por uma questão de credibilidade, e para não enganardes ninguém, que faleis menos em idioma, como se soubésseis de que estais a falar, e aceiteis a condição de activistas, Que nisso, sim, amigos, sois verdadeiramente bons.

          • Ernesto V. Souza

            O reintegracionismo não é mais hoje um movimento linguístico. [Ou, melhor dito: não é exclusiva ou centralmente linguístico.] De feito essa é a evolução da AGAL nas últimas duas décadas e este é o salto das últimas diretivas. (salto que francamente pode se modificar apenas com uma mudança dos Conselhos saídos de decisões da Assembleia).

            A AGAL e o reintegracionismo passou de ser um sindicato de professores de língua protestantes e linguistas rabugentos, que queriam criar e defendiam um modelo alternativo ao imposto politica e institucional, e passavam o tempo ao criticar e procurar falhos… A ir abandonando esse debate – falar com surdos dos que não querem ouvir é perder tempo – e ao focar-se noutras atividades, ao navegar a internet, toparam-se outros modelos de aprendizagem, toparam-se os espaços da lusofonia…. E na AGAL, entrou gente nova, não linguísta, mas com hábitos de consumo na internet em português, e a AGAL foi passando a ser um espaço referente do ativismo alternativo.

            Hoje é um centro, nascente, na procura de massa crítica. Esse centro é necessário, para capitalizar energias e recursos, para que dele saiam – consicentemente e porque são necessárias, não por arroutadas e cabreios improvisados – outras iniciativas… Uma, algum dia, será uma Gramática.

            Reconhecer que somos analfabetos, TODOS, é fundamental, justo para tentar aprender e aprender. Com os modelos que temos não adianta, portanto haverá que ir procurando na rede, compartilhando e experimentando. Isto vai levar muitos anos antes de que alguém possa se levar da lama.

            Alguma gente irá aprendendo, outra não, a maior parte da gente simplesmente reproduz o modelo geral no nacionalismo, que é no que apreendeu, e no que chega levar na lapela a bandeira e dizer quatro palavras item e presumir delas.

            Que, os que sabem algo mais, querem focar-se nos erros da gente. Adiante, outros aprenderão das criticas. Especialmente quando são abertas e destinadas a corrigir e não como burlas despetivas e às caladas. Mas o movimento é mais diverso.

            Que os mais dos portugueses e brasileiros cultos acham-nos meio rústicos e meio patéticos… somos, que novidade, somos galegos… já se irão afazendo e já iremos nos cultivando. A questão é estar, marcar presença nesses espaços que não se frequentaram. Alguma gente nunca aceitará negros no seu clube… mas outra sim…

            Eu neste espaço atual estou mais cómodo, porque a mim pessoalmente a língua sempre me importou um caralho. E nunca suportei aqueles debates absurdos nem as críticas a palavrinhas. É mais, nunca me importou, nem continua a importar, não estamos para requintes e sem décadas de trabalho, modelo e divulgação maciça é impossível um modelo de qualidade, e acho que tem um valor menor e uma importância escassa, salvo como decorado e bandeira, e tenho seguro que mesmo desaparecendo a língua galega e os galegos todos escrevendo em castelhano continuaríamos a ser galegos.

            Eu escrevia em norma ILG, na escola de Freixeiro, antes da internet e quando ainda pensava como ele, que a pedra se podia mover empurrando desde atrás e dentro do sistema… um dia, justo quando o bipartido tomou as primeiras decisões em matéria de língua, cultura, educação, eu tomei outro caminho.

            A mim a língua e as gramáticas não me interessam mais que como elementos interessantes e necessários, mas sempre dentro de um discurso histórico e político que as faça necessárias… o nacionalismo achou em XIX que era necessário… podia não ter decidido e continuar ao jeito irlandês escrevendo num castelhano arcaico e agalegado.

            Mas decidiu, e chegando chegando, fomos chegando até.

            Isto é uma guerra. E dado que eu na secção de Cartografia tática não fazia nada, visto que os Almirantes e Generais eram idiotas… pedi traslado aos paraquedistas…

            Do resto e como lhe digo… baixas e abandonos há centos, a esgalha… não apenas pela radikalização lusólatra… Mesmo há gente que se largou do famoso reintegracionismo radikal porque não era radical avondo, nem de esquerda, avondo, ou porque era burguês de mais, elitista, pouco feminista, pouco político, pouco comprometido em questões sociais… Os partidos políticos foram-se cindindo, os movimentos associativos perderam sócios fundadores, tiveram cissões, criaram-se outros que iam ser fundamentais… e a realidade é hoje mais fragmentária que nunca… com milheiros de mutilados, doídos…

            Afinal talvez o negócio vai ser criar um hospital para recolher tanto marginado…

          • Venâncio

            Ernesto, tu és, e eu sempre o disse, um grande historiador do passado e do momento presente. Eu sou um simples linguista, desiludido dos portugueses, e cheio de sonhos sobre os galegos. Vou-me, enfim, enganando de olhos abertos… Abraços.

      • Pedro Lopes

        Caro Venâncio, mediante três comentários meus censurados tenho que deduzir que neste portal há ainda tiques franquistas o que é grave e não augura nada de bom na sua credibilidade se quer ser um portal cultural transversal, mas se querem ser um portal fechado onde só cabem aqueles que falam o politicamente correcto então estão no caminho certo para ir a lado nenhum.
        Despeço-me com amizade.

        • Venâncio

          Caro Pedro Lopes,

          Fico verdadeiramente assombrado com o que aí conta. Que poderia Vc ter escrito que inspirasse censura?

          Digo isto tanto mais quanto, a mim, vejo permitirem-me o que me vem ao teclado, e que por vezes não é nada mavioso.

          Pergunto ao Ernesto Vásquez Souza o que se passa.

          Um abraço para si.

          • Pedro Lopes

            Não se preocupe caro patrício, eu já vi o que tinha ver e já tirei as minhas conclusões e pode crer que as passarei a quem tiver oportunidade para tal nomeadamente no aprofundamento das questões transfronteiriças e noutros foros, os portugueses sempre estão de boa fé mas tem um problema, são frontais e isso é sempre incómodo para os galegos e até diria mais para os espanhóis em geral, mas temos pena.

          • Ernesto V. Souza

            Prezado Senhor… não censuramos nada… O sistema de Censura do PGL reduze-se a trolls agressivos e SPAM comercial.
            O resto dos casos é uma questão do Diqus, que é o sistema que gere os comentários. E que funciona normalmente quando alguém é punido noutro site da REDE ou quando escreve nos seus comentários palavras que o sistema censura…

            Do resto, existe também a possibilidade de esses comentários terem sido escritos resposndendo a post que estavam sendo editados no momento ou apagados…

            Ontem estava fora de viagem, vou ver hoje na gerência dos comentários a ver se esses comentários estão bloqueados.

            Receba as nossas desculpas.

    • Ângelo Cristóvão

      A situação de antes de 1983… Difícil. Os provocadores e principais beneficiários desse incêncio continuam a cantar com a lira, enquanto arde Roma. Grande proveito para alguns filólogos e desastre para a comunidade linguística galega. O reintegracionismo advertiu reiteradamente das consequências do isolacionismo. Agora mesmo os cegos conseguem ver o resultado do experimento: perda acelerada de utentes. E mesmo assim não há assunção de responsabilidades nem a mínima honradez inteletual de reconhecer o erro.
      Generosidade… ? Se não há com quem falar…

      • Venâncio

        Ângelo,

        Existe todo um sector menos radicalizado do Oficialismo com quem o sector menos radicalizado do Reintegracionismo podia falar.

        Não compreendo como é que isso não acontece. E acho que essa é a vossa verdadeira tragédia. A incapacidade de construirdes pontes entre vós.

        • Ernesto Vazquez Souza

          Eu nao sei de quem fala. Não há outro lado. É o mesmo lado tudo. Há boa gente no isolacionismo e gente capaz e muito mais inteligente e sabia da que ha no reintegracionismo. Também no reintegracionismo há uma banda de cretinos e macacos.. Mas tanto tem… Gente e gente é e todos somos galegos… tudo irrelevante, porque o que faltam São instituições com continuidade histórica não dependentes do estado espanhol…

      • Ernesto V. Souza

        Bom eu também há anos que desisti de tratar de falar com ninguém… eu faço… mas a AGAL está nisso… talvez tenham mais sorte ou algum interlocutor mais razoável…

        • Ângelo Cristóvão

          Lembro Jenaro Marinhas del Valle, pessoa digna, que fora da Real Academia Galega e renunciou, vendo o rumo que tomava essa entidade sediada na rua Tabernas da Crunha. Autor teatral que continua a ser ignorado pelos âmbitos oficiais galegos. Lembro especialmente um depoimento ou discurso sério e emocionado, que eu admirei, no dia da Galiza Mártir, em Ponte Vedra, num ato organizado pela AGAL em memória de Alexandre Bóveda. Jenaro Marinhas del Valle fazia referência à Geração Nós, e dizia que era uma geração falida porque não tinha atingido nenhum dos objetivos marcados. Exemplo de honradez inteletual.

          Se compararmos essa perspectiva com o relato institucional, que apresenta a Geração Nós como uma espécie de sucesso, começaremos a perceber algum indício do problema. O que medeia entre uma e outra posição ou relato é o ponto observacional, o critério. Porque? Quando se rebaixa tanto a expectativa e o projeto, qualquer cousa é dada por boa para o galego.
          A primeira rebaixa ou saldo nesta estória é a que assumiram as notabilidades galegas quando aceiraram um modelo do galego como língua popular solidária e subsidiária do castelhano. A partir disto, não só o entendimento é difícil. Também o relato é necessariamente divergente, como já adiantara Marinhas del Valle. O golpe de 1983 foi a constatação desse modelo, que continua a dar-lhes réditos.

          • Ernesto V. Souza

            Como sabes eu passo por ser um dos maiores especialistas na geração das Irmandades… 😉

            As irmandades são a centralidade, sendo o de geração Nós, um construto cultural de Galáxia e Piñeiro, precisamente desenhda para agachar a centralidade do político e a violência brutal da repressão contra esse galeguismo político. Genaro Marinhas era não apenas uma testemunha viva, incómoda a esse construto, na questão da língua. Era radicalmente incómodo a partir de determinada altura, como também foi Carvalho… e como fomos todos os que por desgraça ao ir estudando a história fomos questionando a narração canônica e terminando por compreender o sentido dessa dignidade de Marinhas e de outros ninguneados, exilados, apagados…

            Apertas,

          • Ângelo Cristóvão

            Eu sei, todos sabemos mais ou menos como a história foi negada. Abraço.

  • http://www.notas.gal Eliseu Mera

    Obrigado pola consulta, @disqus_x4kbB5wPQs:disqus. Cada só[email protected] paga a quota que [email protected] pró[email protected] determina, partindo de um mínimo. Cada ano costumamos organizar uma campanha promocional em que a quota é simbólica durante uns meses mas, passado esse breve período, deve pagar nas mesmas condições que qualquer [email protected][email protected]

  • Ângelo Cristóvão

    Se fosse preciso dar uma opinião sobre o binormativismo, na linha do que está indicado nesta notícia, considerando os precedentes, diria que a sanção jurídica, com o reconhecimento da validez legal a todos os efeitos do padrão internacional do português na Galiza, só virá depois da sua verificação nos factos, do alargamento do uso na sociedade galega. Portanto…

  • Paul

    Holy cow! A man goes away for a few hours and the comments section turns into a bloody battle field!

    Bem… adiante.

    Gostaria de acrescentar ao debate algo sobre a questão da língua neerlandesa na Bélgica, que me parece interessante em relação à situação da Galiza.

    O “Flamengo” (Vlaams) é o Neerlandês falado na Flandres. Há algumas diferenças na pronúncia, gramática e léxico entre os dialectos flamengos e os da Holanda.

    Sem querer entrar aqui na história profunda, parece-me pelo que li que se trata também de um caso de separação de irmãos, fruto dos cruéis caprichos da História. Pelos vistos, aquando da criação da Bélgica em 1830 e durante muito tempo, a única língua oficial era o Francês, já que as elites francófonas do novo país se estavam a marimbar para os flamengos. A primeira versão em Neerlandês da constituição do país só foi aceite em 1967! Interessante para o nosso debate, é que os Flamengos, ao verem reconhecidos os seus direitos linguísticos, tiveram também de fazer escolhas ao nível da sua normativa, tendo que optar por (1) uma norma adaptada aos seus dialectos, ou (2) a adopção directa da normativa do Neerlandês oficial. Como acharam que as diferenças existentes não impediam uma comunicação fluente com os Holandeses, que não havia tempo a perder na criação de uma nova norma, e que basicamente só teriam a ganhar em juntar-se à Taalunie (União da língua Neerlandesa), optaram pela segunda opção. Estão a tentar, com algum sucesso, recuperar o terreno perdido na região de Bruxelas para o Francês através de um sistema de educação em Neerlandês de altíssima qualidade, o que tem aliciado muitos pais que preferem inscrever os filhos numa escola “flamenga”.

    Há, no entanto, diferenças relevantes no que à situação entre a Flandres e a Galiza diz respeito. As duas regiões (francófona e flamenga) têm muita autonomia política e linguística, sendo o arranjo político actual semelhante já a uma federação, a caminho de uma confederação, a caminho de uma separação (que poderá dar origem a uma reunificação com a Holanda). A região da Flandres é próspera, orgulhosa e com mais habitantes. Além disso, as duas línguas (Francês e Neerlandês) pertencem a ramos diferentes das Indo-europeias, uma romance e outra gemânica. Na Galiza, a situação é de diglossia, entre dois romanços ibéricos parecidos, o que resulta ou num híbrido (ex: fronteira Brasil-Uruguai), ou na substituição de uma pela outra mais “dominante” (máquina de Estado do mini-império castelhano), que é o caso da Galiza.

    Para finalizar, existe também uma outra língua, o Afrikaans, que deriva do Neerlandês falado pelos colonos dos Países Baixos estabelecidos no séc. XVII na antiga Colónia do Cabo, que se diferenciou mais das falas europeias e acabou por se fazer uma normativa própria já no sec. XX, sendo que algumas das modificações oficializadas nessa norma são também propostas para o Neerlandês. Existe ainda um pequeno movimento na África do Sul que pretende “regressar a casa” e reintroduzir o Neerlandês padrão actual, começando pela escola, para o povo Afrikaner.

    • Venâncio

      Com franqueza, Paul. Não sei onde foi Vc desencantar essa “História do Flamengo”, com a “escolha” (really?) duma normativa por parte dele. Cruzes, Paul! O pior é que Vc não dá ares de duvidar um instante dessa fantasiosa narrativa.

      Se tiver oportunidade de ler um artiguinho de que aqui dou a referência

      Fernando Venâncio, «O neerlandês, idioma de flamengos e holandeses», in Valentim Fagim (org.), Quem fala a minha língua? , Santiago de Compostela, Através Editora, 2013, págs. 37-55

      saberá que as coisas se passaram de modo inteiramente diferente do que Vc aí descreve. Refiro-lhe o essencial.

      O Neerlandês como língua-padrão data da década de 1630, quando holandeses, brabanções e flamengos colaboraram na tradução da “Staatsbijbel”, a Bíblia do Estado. Desde então o padrão “flamengo” é “igualzinho” ao holandês, com algumas particularidades sobretudo sintácticas e lexicais em matéria de norma linguística.

      Voilà. Ziezo.