Umha pergunta para 40 anos

FestAGAL 2018 Editorial



Pouco a pouco fomos assumindo que, exceto nas zonas mais agrárias, o castelhano se tornou na língua habitual das crianças galegas, mesmo de muitas famílias que gostariam de passar o galego às seguintes gerações. Nom é nada que nom pudéssemos prever há 40 anos, mas de algumha forma agora também notamos que esta situaçom vai ser difícil de contornar, até porque as paixões que o idioma levantava nos anos 80 e 90 estám agora repartidas entre muitas outras causas igual de atraentes para a gente nova. Devíamos ter começado com as escolas Semente há 40 anos, quando já se previa qual seria a situaçom atual? Provavelmente devíamos. Daquela parecia longe, mas hoje teríamos agradecido ter começado quanto antes.

Na AGAL queremos que esta pergunta nom tenha de ser formulada de novo daqui a 40 anos para outro dos assuntos estrela abordados por este Fest-AGAL: o “binormativismo”. Trata-se de umha política linguística, aplicada por exemplo na Noruega, pensada para aproveitar em favor de toda a populaçom as diferentes posturas que existem em relaçom à codificaçom do idioma.

As sociedades, que já mudárom muito nas últimas décadas em termos comunicativos, vam continuar a transformar-se a toda a velocidade. Com elas, as relações linguísticas entre as pessoas. E como? Em que sentido mudarám? Nom o podemos anterver com precisom, mas é bem provável que ao mesmo tempo que se diversificam as relações que as pessoas estabelecem, deste país ou doutro, deste âmbito profissional ou doutro, também se tornarám extremamente variadas as razões para as pessoas optarem por umha língua ou outra. Seremos capazes de ir prepararando-nos para as condições em que nos colocará este desafio? Em que sentido pode agir o movimento normalizador?

Também nós deveremos procurar e cuidar as diferentes motivações que podem levar as pessoas a usarem a nossa língua, começando por otimizar o que de melhor têm as diferentes tendências normativas em prol do galego: a que conecta melhor com o galego mais popular, mais identificado, e a que vai ao encontro de maior potencial comunicativo e estabilidade formal. Porém, no futuro será importante poder percorrer o caminho desbravado por ambas as posturas sem ter esquecido ninguém no caminho.

Devemos começar já? Provavelmente devemos. Hoje poderá parecer-nos longe, mas no futuro vamos agradecer ter começado quanto antes.

 

Com este editorial iniciamos a (re)publicação no PGL de algum dos textos, artigos e opiniões aparecidos no FestAGAL 2018.

 


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  • Venâncio

    Muito bom. Tiro-vos o chapéu.