Sofia Maul e Susana Cecílio no 7 Falares



A narração oral terá como capital a cidade de Ponte Vedra os dias 7, 8, 9 e 10 de junho. Com a chegada da primavera somos muitos os e as lusopatas que esperamos este evento com incontida emoção.

O poder cativante das estórias é um íman para mim. Sempre gostei de ouvir a minha avó contar-me contos cada noite, alguns deles para me fazer adormecer, outros para me inculcar certas ideias religiosas…mas ela era uma rainha da narração. Suponho que teria gostado muito deste tipo de espetáculos.

Este ano o programa do 7 falares conta com a participação de países como os Camarões, Portugal e Espanha. Na parte galega temos o nosso Quico Cadaval e os Pavís Pavós a fazerem de anfitriões. Na parte lusa temos a contadora Sofia Maul, já conhecida por nós pelas suas participações no Festival Atlântica, e a Susana Celício, um nome novo entre as nossas linhas.

Sofia Maul, para quem não se recordar, é uma madeirense, terapeuta da fala, muito ligada aos projetos de narração oral Biblioteca Municipal de Oeiras, onde faz parte da sua “bolsa de contadores” e também ministra workshops.

Susana Cecílio é dessas pessoas que até parece que tem bicho- carpinteiro. Nunca para! Atriz, encenadora, contadora e palhaça nasceu em Lisboa no ano 1979 e é mestre em Estudos do Teatro pela FLUL. Vai ser a sua primeira colaboração na Galiza.

Então agora com estas informações todas façam o seu esqueminha de eventos do mês…que ainda restam muitas notícias culturais por dar!

* Publicado em Lusopatia,

Carme Saborido

Carme Saborido

Carme Saborido é uma ativista sociocultural e professora. Nasceu em Padrom em 1982 e licenciou-se em Filologia Galega na USC. Atualmente frequenta o grau de Língua e Literaturas Modernas na mesma universidade.

O seu blogue, Lusopatia , quer ser uma janela aberta ao mundo que permita ver os vastos horizontes e dinamismo da nossa comunidade linguística.
Carme Saborido

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  • Ernesto V. Souza

    Muito trabalhas, Carme… 😉 mas que boas são todas estas notas da Lusopatia.

  • Venâncio

    Estive a ver um filmezinho no blogue “Lusopatia”, que se dedica a distinguir as grafias -AM e -ÃO em português.

    Historicamente, a confusão prolongou-me por séculos, e ainda não acabou. Ela gerou-se a partir do momento em que os portugueses perderam as distinções galegas de, por exemplo, FALÁROM, FALARAM, FALARÁM (uso a ortografia AGAL).

    Aqueles que querem introduzir na Galiza a ortografia portuguesa estão a trabalhar na instalação, agora também no galego, duma confusão gráfica e sonora criada pelos portugueses. Bom proveito! Sim, nós já sabíamos que estas miudezas da gramática, e da língua, não lhes interessam verdadeiramente.

    Ele custa-me, mas tenho de aceitar que, como já aqui se nos explicou, o Reintegracionismo não é um projecto linguístico.

    • Ernesto V. Souza

      Caro Fernando, esse post imos tardar um par de semanas, acho, em publicar, dada a agenda e a produção atual da Carme.

      O blogue da Carme, se repara bem, não é um blogue reintegracionista, nem mesmo é estritamente galego. É de conteúdos culturais em língua portuguesa e para a gente aprender português.

      Dito isto, se prefere deixamos o debate para quando publiquemos esse post, mas para que vaia pensando, dado que o tema é interessante e cumpre debatê-lo nalgum momento, vou dizendo:

      Uma escolha gramatical não pode ser valorizada nem pela sua historicidade, nem pela sua lógica, nem pela sua propriedade etimológica, nem também não isoladamente no espaço e no tempo. Faz parte de um conjunto, de uma história da escrita, de uma circunstância e de uma lógica. Pode até ser filha de preconceito, falsa etimologia, erro, concatenação de mudanças no sistema ou amaneiramento epocal. O importante é o seu sucesso ou insucesso no decurso da língua.

      Porém, uma vez estabelecida, e mais quando é icónica, quando faz parte dos elementos identificativos… fica aí…

      O galego, uma língua com tradição escrita incompleta e quebrada, entrou – para bastantes de nós no reintegracionismo nestes momentos – numa estratégia de realinhamento dialetal. Entrou – ou pretendemos que entre – no eixo do português. O realinhamento é um fenómeno comum nas línguas minorizadas e em perigo, com base na necessidade de sobreviver e na pragmática de apropriação de usos, ferramentas, modelos, componentes tomados de um dialecto prominente da família.

      A questão para mim, da escolha, nesta caso não é linguística. É a própria da teoria de “replacement parts”… Nesta guerra… que preferimos e com os nossos recursos: montar Tigers (os ferraris dos tanques, com a sua complexidade de operação, dificuldade de reparação em oficinas concretas e a sua mecánica fabulosa e superespecializada, que exige técnicos especialistas) ou produzir Shermans ou T34 (os ford ou os tratores soviéticos dos tanques, com a sua simpleza que qualquer um pode pilotar e a sua intercambiabilidade e aproveitamento de partes reparáveis em campos de batalha e a possibilidade de comprar as peças estandardizadas e normalizadas em qualquer parte uma vez as nossas fábricas sejam bombardeadas)?

      Eu simplesmente não tenho nada contra retomar a construção da Gramática em base à língua do Leal Conselheiro, as Cantigas e os restos artúricos, ou como dizia Marinhas del Valle, no galego até Camões… pessoalmente estou muito cómodo nessa linguagem. Sou quem de ler, casa mais na minha lógica de escrita arcaizante e patriótica e acho que ficaria espetacular e consoante aos restos da nossa tradição escrita dos séculos XV-XIX. A questão é que não tenho fábricas, nem técnicos, nem operários.

      E a cousa é que eu ou outro maníaco, podemos investir o que resta de vida e passar a posterioridade, para nos colocarem na lápida lavrado na pedra aqui jaz aquele sábio erudito que durante 30 anos construiu a verdadeira gramática galega com a elegância técnica e a maravilha da engenheria dos Tiger. Mas o que eu quero é ganhar uma guerra… daquela fica para mim a escolha entre os Sherman e os T34, mas essa escolha é também estratégico-ideológica, tamaho, proximidade, aposta a longo prazo…

      • Venâncio

        Caro Ernesto,

        Compreendo o teor das tuas reflexões, algumas delas dignas da maior ponderação.

        Mas convém não caricaturar o meu ponto de vista. Nada está mais longe dos meus desejos para o Galego que uma Gramática com base na língua do Leal Conselheiro…

        O que constato é que não existe, no vosso círculo, ninguém a quem eu possa expor as minhas propostas linguísticas, e que entende a extensão daquilo que, para outros, podem parecer miudezas sem relevância. Dito doutro modo: não tenho, no Reintegracionismo galego, um interlocutor.

        Não, ninguém está interessado no debate com um linguista. E, correlativamente, eu não tenho bagagem para te acompanhar, a ti ou a outrem, nas projecções futuras que acima elencas.

        Em suma: seria bom que tornásseis claro, a toda a gente, e duma vez por todas, que o vosso projecto não é linguístico, e deixásseis de usar o idioma como pretexto vazio para movimentações que são, fundamentalmente, políticas e ideológicas.

        FIca bem.

        • Ernesto V. Souza

          Fernando, somos galegos, não castelhanos, não estamos a enganar ninguem, enganaria quem tal afirmasse. Nem podemos ( nem saberíamos) como fazer umas afirmações que sendo hoje aparentemente possíveis, talvez o futuro venha desafirmar. Do passado algo podemos afirmar e atrever-nos a conjeturar o presente em função das nossas perspectivas… Mas do futuro… Se nem sabemos se chegaremos lá..

          Saúde