AS AULAS DO CINEMA

ROMAIN ROLLAND, O GRANDE PACIFISTA AMIGO DE TAGORE

(Vários documentários)



Com o número 80 da série que estou a dedicar a grandes vultos da humanidade, que os escolares dos diferentes níveis devem conhecer, e que iniciei com Sócrates, desta vez escolhi a figura de um grande escritor e pensador galo chamado Romain Rolland (1866-1944). E, especialmente, porque era o melhor amigo que tinha na Europa Robindronath Tagore. E quem tanto o ajudou para que a sua Universidade Internacional de Visva-Bharoti em Santiniketon fosse para a frente. E também enlaço o depoimento com o anterior dedicado precisamente ao pedagogo bengali, com a curiosidade de que ambos foram premiados com o Nobel de Literatura em anos seguidos, Tagore em 1913 e Rolland em 1915 (no ano 1914, por culpa da guerra não se concedeu).

PEQUENA BIOGRAFIA:

romain-rolland-fotoRomain Rolland foi um escritor francês, nascido a 29 de janeiro de 1866, em Clamency-Nièvre, dentro de uma família de notários, embora entre seus ascendentes houvesse tanto camponeses como gente notável. Faleceu a 30 de dezembro de 1944 em Vézelay, vítima de tuberculose. Foi laureado com o Prémio Nobel em 1915, “como um tributo ao elevado idealismo da sua produção literária e a simpatia e o amor pela verdade com que descreveu diversos tipos de seres humanos”. Doutorou-se em Arte em 1895, foi professor de História da Arte na Escola Normal de Paris e professor de História da Música na Sorbona. Para além da sua atividade docente, foi um reconhecido crítico de música. Estreou-se na escrita em 1897 com a peça Saint-Louis, que, juntamente com Aërt (1898) e Le Triomphe de la Raison (1899), fez parte da trilogia Les Tragedies de la Foi (1909). Em 1910 retirou-se do ensino para se dedicar inteiramente à escrita. Na sua obra concilia o idealismo patriótico com um internacionalismo humanista. Escreveu peças de teatro, biografias (Vida de Beethoven em 1903; Mahatma Gandhi em 1924), um manifesto pacifista (Au-dessus de la mêlée, 1915) e dous ciclos de romances: Jean-Christophe (10 volumes, de 1904 a 1912), “roman-fleuve” (segundo as palavras do autor) consagrado a um músico genial, e L´Âmeenchantée (7 volumes de 1922 a 1934). Em 1923, fundou a revista Europe.

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A sua existência esteve marcada pela paixão pela música e o heroísmo, e durante toda a sua vida procurou meios de comunhão entre as pessoas. A sua imperiosa necessidade de justiça levou-o a procurar a paz para além da contenda durante e depois da Primeira Guerra Mundial. Foi um grande admirador de Leão Tolstoi, grande figura da não violência, dos filósofos da Índia (Conversas com R. Tagore, e Mohandas Gandhi), dos ensinamentos de Ramakrishno e Vivekanando; ficou fascinado por Bahá´u´llah, de quem faz referência em Clerambault, romance em que descreve as suas ideias sobre a guerra, e posteriormente pelo novo mundo que a União Soviética preconizava nos seus inícios. Porém, em nenhuma parte, senão na escrita das suas obras, soube encontrar paz. Romain Rolland recebeu uma forte influência da filosofia hinduísta do Vedanta, tema a que dedicou vários livros

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A sua obra Viagem interior (1942) é muito introspetiva e nela olhou-se a si mesmo como um representante das “espécies antigas”. No seu relato Colas Breugnon (1919) faria participar de maneira truculenta e com tom elevado estes ancestrais. Em 1886 foi aceite na Escola Normal Superior, estudando em princípio Filosofia, porém, a sua independência de espírito provocou que a abandonasse para não submeter-se à sua ideologia dominante. Em 1889 graduou-se em História e passou dous anos em Roma, onde se encontrou com Malwida von Meysenbug, que fora amiga de Nietzsche e de Wagner, e a sua descoberta das obras-mestras italianas foram decisivas no desenvolvimento do seu pensamento. Quando regressou à França em 1895, doutorou-se com a tese As origens do teatro lírico moderno. Também dissertou sobre Uma História da Ópera na Europa antes de Lully e Scarlatti.

Começou sendo professor de História no Liceu Henry IV, depois no Liceu Louis le Grand e na Escola francesa de Roma. Mais tarde seria professor de História da Música na Sorbona e professor de História na Escola Normal Superior. Exigente, tímido e jovem, não gostava de ensinar. Não foi indiferente à juventude: Jean-Christophe, Olivier e os seus amigos, heróis dos seus romances, são jovens. Porém, com os jovens, igual que com os adultos, só manteve relações distantes. Desejava ser sobretudo um escritor. Seguro de que poderia viver dedicado só à literatura, renunciou à universidade em 1912. Em 1915, como já comentámos, foi galardoado com o Nobel de Literatura, e em 1922 fundou a revista Europe. Foi um grande pacifista militante, e em 1924 o seu livro sobre Gandhi contribuiu para a sua posterior reputação e ambos se chegaram a conhecer em 1931. Deslocou-se às praias do Lago Lemano na Suíça, para dedicar-se a escrever. A sua vida interrompeu-se por problemas de saúde, pelas viagens e pelas exibições de arte. A sua viagem a Moscovo em 1935, por convite de Máximo Gorki, foi uma oportunidade para conhecer o ditador Estaline. Isto ajudou-o para servir de embaixador não oficial dos artistas franceses na União Soviética. Em 1937 regressou a viver a Vézelay, que em 1940 foi ocupada pelos alemães. Durante a ocupação, ailhou-se numa completa soidade. Sem deixar de trabalhar, em 1940 terminou as suas Memórias. Também se dedicou a dar os toques finais à sua pesquisa musical sobre a vida de Beethoven. Pouco antes da sua morte, escreveu o livro Péguy (1944), em que examina a religião e o socialismo no contexto das suas memórias. Em 1921, o seu amigo Stefan Zweig, escreveu a sua biografia com o título de O homem e as suas obras. O escritor austríaco admirava profundamente Rolland, de quem uma vez afirmou que era “a consciência moral de Europa”, durante os anos de agitação e guerra no velho continente.

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS:

1. Romain Rolland.

Duração: 17 minutos.

2. Declaração de R. Rolland aos seus 70 anos.

Duração: 15 minutos. Archives de France Culture (16-01-1936).

3. Vida de Beethoven, por R. Rolland. Áudio-livro em francês.

Duração: 65 minutos.

4. Correspondência R. Rolland-Stefan Zweig.

Duração: 30 minutos.

5. Discurso Nehru e R. Rolland: Correspondência França-Índia.

Duração: 28 minutos. Palestra de Bernard Dufrense.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=uIbnJNmcjvY

6. A Grande Guerra e R. Rolland: Acima do ódio.

Duração: 6 minutos. Palestra de Martine Liégeois.

7. Música Imortal (Romain Rolland).Poema.

Duração: 3 minutos. Tradução e leitura de Demétrio Xavier.

DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DO ESPÍRITO:

Depois de finalizar a terrível primeira grande guerra e ser assinado o Tratado de Paz de Versalhes, Rolland redige um interessante manifesto pacifista, na procura de evitar mais guerras semelhantes. Com o título de “Declaração de Independência do Espírito”, solicita aos seus amigos que se somem à mesma com a sua assinatura. Em 29 de abril de 1919 escreve a Herman Hesse solicitando a sua adesão, a que se somam também entre outros muitos, assinando a declaração, Bertrand Russell, Stefan Zweig, Benedtto Croce, Frederik van Eeden, Henri Barbusse, Georg Fr. Nicolai (que foi quem recolheu a maioria das assinaturas), Robindronath Tagore (que assinou a declaração em 26 de junho de 1919), Eugeni D´Ors, Bento de Jesus Caraça, Máximo Gorki, Paul Natorp, Waldo Frank, Selma Lagerlof, Paul Signac, Jane Addams, Heinrich Mann, Albert Einstein, Jean-Richard Bloch, Georges Dumahel, Pierre-Jean Jouve, Edmond Picard, Jules Romains, Henry Clemens van de Velde, León Werth, Ananda K. Coomarasswamy e Utpon Sinclair. Assinaram esta declaração também 100 escritores e professores espanhóis, 28 professores da Universidade italiana de Torino, 56 professores e estudantes de Piemonte, e 617 pessoas da Europa central a título individual.

O texto da Declaração, realmente formoso, é o seguinte: “Trabalhadores do Espírito, companheiros dispersos através do mundo, separados desde há cinco anos pelos exércitos, a censura e o ódio das nações em guerra, dirigimos-vos, nesta hora em que as barragens caem e as fronteiras voltam a abrir-se, um Apelo para refazer a nossa união fraternal; uma nova união, mais sólida e mais firme que a que existia antes.

A guerra semeou a desordem nas nossas ringleiras. A maior parte dos intelectuais colocaram a sua ciência, a sua arte, a sua razão, ao serviço dos governos. Não queremos acusar ninguém, nem fazer nenhuma recriminação. Conhecemos a fraqueza das almas individuais e a força elementar das grandes correntes coletivas; estas varreram aquelas, pois não se tinha previsto nada para resistir. Que a experiência, pelo menos, nos sirva para o futuro!

E, para começar, constataremos os desastres a que levou a abdicação quase que total da inteligência do mundo e a sua voluntária submissão às forças desencadeantes. Os pensadores, os artistas, contribuíram para a praga que rói a Europa na sua carne e no seu espírito com uma incalculável quantidade de ódio envenenado; procuraram, nos arsenais do seu saber, da sua memória, da sua imaginação, razões antigas e novas, razões históricas, científicas, lógicas, poéticas, de odiar; trabalharam para destruir a mútua compreensão entre os homens.

E, ao fazê-lo, afearam, envileceram, rebaixaram, degradaram, o Pensamento de que eram representantes. Tornaram-no em instrumento das paixões e (talvez sem o saber) dos interesses egoístas de um clã político ou social, de um Estado, de uma pátria ou de uma classe. E, hoje, desta refrega selvagem, de que todas as nações comprometidas, vitoriosas e vencidas, saem destroçadas e, no fundo do seu coração (embora não o confessem a si mesmas), envergonhadas e humilhadas pela sua crise de loucura, o Pensamento, comprometido nas suas lutas, sai, com elas rebaixado.

Em pé! Livremos o Espírito destes compromissos, destas alianças humilhantes, destas escondidas servidões. O Espírito não é o servidor de ninguém. Nós somos os servidores do Espírito. Não temos outro amo. Estamos feitos para levar, para defender a sua luz, para unir ao redor seu todos os homens extraviados. A nossa missão, o nosso dever, é manter um ponto de referência, mostrar a estrela polar, em plena noite, no meio do turbilhão das paixões. Entre essas paixões de orgulho e de destruição mútua, não devemos escolher: rejeitamo-las todas.

Comprometemo-nos a não servir ninguém mais que a livre Verdade, sem fronteiras, sem limites, sem preconceitos de raças ou de castas. Certamente, não nos desinteressamos da Humanidade. Para ela trabalhamos, mas para ela na sua totalidade. Não conhecemos os povos. Conhecemos o Povo – único, universal -, o Povo que sofre, que luta, que cai e volta a levantar-se e que sempre avança pelo caminho difícil, coberto de suor e de sangue… o Povo de todos os homens, todos eles, igualmente, irmãos nossos.

E é para que eles, como nós, tomem, cada vez mais, consciência desta fraternidade, pelo que elevamos, por cima de suas lutas, a Arca da Aliança, o Espírito livre, um e múltiplo, eterno”.

UMA ESCOLHA DAS FAMOSAS FRASES DE ROMAIN ROLLAND:

Realizamos uma seleção das mais famosas frases de Rolland, para entender melhor o seu pensamento.

-“Criar é matar a morte”.

-“Quando a ordem é injusta, a desordem é já um princípio de justiça”.

-“Se é preciso na paz preparar a guerra, como diz a sabedoria das nações, indispensável também se torna na guerra preparar a paz”.

-“Aquilo que de todos faz um único homem é o inimigo”.

-“Nada está feito enquanto resta alguma cousa para fazer”.

-“Os homens inventaram o destino para lhe atribuir as desordens do universo, que têm por dever governar”.

-“Agir é acreditar”.

-“Ele tinha a força perante a qual os outros se dobravam: a calma”.

-“Todas as deceções são secundárias. O único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém a quem amamos”.

-“Não se faz o que se quer. Quer-se e vive-se: e lá vão dous”.

-“Todo o homem que é um homem a sério tem de aprender a ficar sozinho no meio de todos, a pensar sozinho por todos e, se necessário, contra todos”.

-“A vida não é triste. Tem horas tristes”.

-“Não há mal que não possa ser útil a alguém”.

-“É belo ser-se justo. Mas a verdadeira justiça não permanece sentada diante da sua balança, a ver os pratos a oscilar. Ela julga e executa a sentença”.

-“Se um sacrifício é uma tristeza para ti, e não uma alegria, então não o faças, não és digno dele”.

-“Para o homem cuja mente é livre existe algo mais intolerável nos sofrimentos dos animais do que no sofrimento humano. Pois no último é ao menos admitido que o sofrimento é mau e que quem o causa é um criminoso. No entanto milhares de animais são chacinados desnecessariamente sem o mínimo remorso. Se algum homem se for referir a isso, será considerado ridículo. – E esse é o crime imperdoável”.

-“O acaso encontra sempre quem saiba aproveitar-se dele”.

-“O verdadeiro herói é aquele que faz o que pode. Os outros não o fazem”.

-“A fatalidade não é senão aquilo que nós queremos”.

-“Ao querermos enganámo-nos muitas vezes. Mas quando nunca queremos enganámo-nos sempre”.

-“Nada há de humilhante, desde que se seja honesto, em ganharmos a vida trabalhando”.

-“Aqueles a quem amamos têm todos os direitos sobre nós, até o de deixarem de nos amar”.

-“A verdade é procurar sempre a verdade”.

-“Cada um de nós traz no fundo de si um pequeno cemitério de aqueles que amou”.

-“É justo dizer que a mulher é a metade do homem, porque um homem casado não é mais que a metade de um homem”.

-“Sofrer ainda é viver”.

-“O herói é homem que faz o que pode”.

-“A razão é um sol impiedoso; ela ilumina, mas cega”.

-“Ó liberdade, quantos crimes se praticam em teu nome!”.

-“É o papel do artista criar a luz do sol quando o sol falha”.

-“A felicidade está em conhecer os nossos limites e em apreciá-los”.

-“Pouco nos importa o êxito. Trata-se de sermos grandes e não de o parecermos”.

-“Uma discussão é impossível com alguém que alegue não procurar a verdade, mas já a tem”.

Das suas obras dedicadas às vidas de Ramakrishno e Vivekanando tiramos dous lindos fragmentos em que se observa o amor de Rolland pela Índia e a sua cultura milenar:

-“Se existe algum lugar na face da terra onde todos os sonhos dos homens vivos encontraram um lar desde os primeiros dias de quando o homem começou o sonho da existência, esse lugar é a Índia (…) Por mais de 30 séculos, a árvore da visão, com os seus milhares de pôlas e os seus milhões de raminhos, floresceu nesta terra quente, o útero ardente dos deuses. Renova-se a si mesma sem cansar-se e sem mostrar nenhum sinal de decadência”.

-“O verdadeiro espírito védico começa com um sistema de ideias preconcebidas. Possui absoluta liberdade e coragem sem rival entre as religiões com respeito pelos factos observados e as diversas hipóteses colocadas para a sua coordenação. Sem ser jamais obstaculizada por uma ordem sacerdotal, cada homem foi inteiramente livre de procurar onde queira que pudesse satisfazer a explicação espiritual do espetáculo do universo”.

UMA RICA PRODUÇÃO LITERÁRIA:

Rolland cultivou diversos géneros literários, destacando especialmente no campo das biografias, assim como nos ensaios de tipo pacifista. Entre os seus dramas históricos e filosóficos destacam os seguintes: Aërt (1897), Os lobos (ano 1897, tema baseado no caso Dreyfus), O triunfo da razão (1899), Danton (1901), O catorze de julho (1902) e A Montespan (1904). As biografias mais destacadas que chegou a publicar foram: Beethoven (1903), Miguel Ângelo (1907), Haendel (1910), Tolstói (1911), Mahatma Gandhi (1923), Vida de Ramakrishno (1929), Vida de Vivekanando (1930), Goethe e Beethoven (1930) e Péguy (1944). Dos romances destacamos: Jean-Christophe (dez volumes, 1904-1912), Colas Breugnon (1919), A alma encantada (série de romances políticos, de 1922 a 1934) e Clérambault, história de uma consciência livre durante a guerra (1920). Ademais da sua autobiografia A viagem interior, escrita em 1943 e publicada de forma póstuma em 1956, escreveu entre outros três importantes ensaios pacifistas: Acima da confrontação, também intitulado Para além da contenda (1915), Aos povos assassinados (1917) e Os precursores (1923).

A sua obra Para além da contenda foi o seu contributo para a luta contra a guerra e a defesa do seu país, na procura de alcançar a reconciliação nas vésperas da grande guerra. A obra recolhe uma coleção de artigos aparecidos entre setembro de 1914 e agosto de 1915, muitos publicados no Journal de Genève, e compilados em forma de livro com alguns textos inéditos em setembro de 1915. Ao início do primeiro volume critica duramente o ataque à catedral de Reims pelos alemães, que considera um grande crime. Anima o seu país, mas critica os responsáveis pela guerra e pelos massacres, e os governos da Áustria, Alemanha e Rússia. Preocupa-se com os prisioneiros de guerra e solicita a ajuda das potências neutrais. Faz também uma grande crítica dos intelectuais de além do rio Reno, entre outras cousas, pela sua absurda ideia da “cultura superior”, curiosamente defendida por Thomas Mann. Também comenta negativamente os pensamentos de alguns intelectuais galos sobre a ideia de raça, latinidade ou civilização, contrárias à liberdade e solidariedade. Recolhe ademais Rolland vários manifestos elaborados por intelectuais da Catalunha e da Holanda, contra o ódio irracional e os chamados ao extermínio do adversário. Não deixa de comentar a produção literária germânica do momento, muita a favor da guerra, mas também com relatos terríveis da guerra que se está a sofrer. Por isso, chega a dizer: “A história julgará os verdugos dos seus povos, e os povos aprenderão a libertar-se dos seus verdugos”. O livro termina com uma emocionada lembrança do líder socialista Jean Jaurès, no primeiro aniversário do seu assassinato. Ele foi o profeta que via o desastre aproximar-se e ao mesmo tempo o hábil político que teria posto toda a sua energia para o evitar. Nos dous textos do apêndice denuncia o crime do colonialismo nos diferentes continentes, com o triste apoio muitas vezes de magnates que lucram com o negócio, de intelectuais, jornalistas e políticos, que agem como instrumentos e proteção, perante a estupidez dos povos. O outro texto é o da declaração da independência do espírito, que já foi comentada mais acima.

Podemos resumir as ideias e o pensamento de Rolland manifestado nas suas obras, na sua vida e na sua ação, na escolma dos seguintes princípios, que mesmo servem para o mundo atual:

-Saltar por cima do muro.

-Fazer tábua rasa do consagrado.

-Negar e vomitar tudo.

-Agrupar-se em ligas democráticas.

-Fechar-se às modas e à frivolidade.

-Armar-se de uma cultura sólida e harmoniosa.

-Combater a aplicação diabólica da ciência ao extermínio da civilização.

-Questionar os direitos sagrados da propriedade.

-Poder privar-se de tudo agás de amar.

-Ver o progresso como um avanço problemático que sacrifica o bem alheio.

-Reagir contra as injustiças mundanas e o mal-estar social.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Romain Rolland, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento e a sua defesa da paz e da não violência. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, lendo antes todos, estudantes e docentes, um dos livros escrito por Rolland. Dentre eles podemos escolher o intitulado Mahatma Gandhi, escrito em 1923, e publicado em diferentes idiomas. Poderia valer também o livro Correspondência entre duas guerras, editado pela Nuevo Arte Thor, em 1984 e em castelhano, em que se recolhem as cartas entre Tagore, Rolland e Hermann Hesse. Existem bastantes obras de Rolland publicadas na nossa língua no Brasil e Portugal.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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