É PRECISO CHAMAR A TODA A GENTE



 

Preciso de chamar por ti,

por ti, por ti, e por ti também,

que ajejas a rua desde os cantos escuros da cidade:

Nom me queiras foder,

Ama-me!

Com tuas palavras, o teu corpo e o teu sexo.

Ama-me de longe e de perto

Ama-me desde o teu pensamento.

Amor,brinca comigo.

Tenho toda a floresta do meu monte de Venus,

para jogarmos ao esconde-esconde

entre rizos e risos.

Mas não me fodas!

Traio hoje vontade de amar-e

de intercambiar

fluidos e caricias

com toda a humanidade!

Não me manques para fazer-me tua

Quero partilhar contigo

a sã alegria de viver

e , se calhar, de foder.

Mas há de ser

com o meu consentimento e por prazer.

Quero que a lua de prata

venha dançar esta noite connosco

fiando

as pontas de seus raios

no teu pelo preto e fosco

tecendo

telas de vento e de nuvens

com meus confusos sentimentos.

Mas não ultrajes nunca

com a tua força bruta

meu corpo sagrado de mulher

num revés.

Não silencies

com a tua mão grosseira minha voz

nem me prendas a palavra

nas algemas da tua moral dupla e falsa.

Quero berrar

liberdade desde o alto da minha torre de marfim

e, se calhar, cavalgar

sobre as tuas coxas amorosas

abraçadas a mim,

prendendo o meu vam.

Livre te quero e quero-me livre contigo,

contigo, contigo, e também contigo,

que escutas em silêncio

o passar o tempo

entre putas palavras a enredarem

as aranheiras do teu cérebro.

Sou eu também a puta dos livros

e neles “escrevo”:

Livres nos quero!!

Neste dia dedicado a lutar contra a violência contra a mulher, esta poesia vai ser recitada em Ourense na CERVEJARIA o Moucho as 6 da tarde.
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Adela Figueroa Panisse

Adela Figueroa Panisse

Adela Clorinda Figueroa Panisse é de Lugo (Galiza), fazedora de versos, observadora do mundo e cuidadora de amizades. Trabalhadora no ambientalismo e na criatividade da palavra. Foi professora e lutadora pela recuperação da dignidade da Galiza e, ainda, pela solidariedade entre os seres humanos e a sua reconciliação com a terra. Gosta de rir, cantar e de contar contos. Também de escutar histórias, de preferência ternas e de humor.
Adela Figueroa Panisse

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  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Beijinho, Curra.

    • Adela Figueroa

      Obrigada Minha amiga!