porquemepeta : “acreditamos em que estamos a tempo de mudar esta tendência, pensamos que cada vez há mais falantes “conscientes” e pais e maes que escolhem o galego como língua materna para os seus [email protected]



Valentim Fagim entrevista os promotores de “por que me peta!”, iniciativa com que um grupo de pessoas de Ourense decidiram celebrar o Dia das Letras de 2018, rendendo uma homenagem e fazendo uma festa em honor e agradecimento a todas as nenas e nenos que falam galego.

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É possível a transmissom da língua galega numha cidade como Ourense?

Pois o que estamos a constatar é que é bem difícil, pois estamos a ver como mesmo crianças com [email protected] progenitores/as galego-falantes e com interesse em que o/a seu filho/a mantenha o galego, nom se consegue. A pressom ambiental é muito grande. Nas cidades a imensa maioria das crianças som castelhano-falantes, e das que tenhem o galego como língua materna, muitas perdem-na ao serem escolarizadas. Existe ademais umha “crença” entre as pessoas adultas de que o espanhol é o idioma das crianças e costumam mudar de idioma para se dirigirem a elas. A isto acrescenta-se que a televisom emite desenhos em espanhol as 24 horas, e a presença nos mídia do galego é quase inexistente.

Apesar disto, acreditamos em que estamos a tempo de mudar esta tendência, pensamos que cada vez há mais falantes “conscientes” e pais e maes que escolhem o galego como língua materna para os seus [email protected], e nom por inércia, mas porque é a que mais valoram, a que consideram própria.

Que estratégias seguem as mães e pais galego-falantes para o conseguir?

Basicamente a perseverança é a resposta, transmitir-lhe o amor pola língua e a importância de falá-la para nom perdê-la; muito reforço positivo e orgulho.

Também é importante a aposta polo valor da nossa cultura, a assistência a atos culturais, conhecer gente de campos distintos, presentar-lhe a autoras, cantantes de forma indireta, para que tenham referentes positivos que usam e vivem em galego. Essa é também umha das finalidades dos vídeos que estamos a publicar, pessoas populares e/ou de diferentes âmbitos que usam a língua com normalidade e a reivindicam.  Outras estratégias som sublinhar os nossos costumes, participar nas nossas tradições… mostrar-lhe as nossas ervas feiticeiras, a sabedoria popular, interagir com os nossos maiores e fazê-los sentir parte dos nossos sinais de identidade com orgulho. Por que a língua é nossa.

Já que que o ensino é sem lugar a dúvidas um dos fatores mais importantes de espanholizaçom, tentamos buscar ou construir, na medida das nossas possibilidades, alternativas que sejam respeitosas com a identidade linguística das nossas filhas e filhos. Entre estas cumpre destacar projetos como as escolas Semente, a comunicaçom entre famílias para escolarizar conjuntamente naqueles centros com maior presença do galego,  ou iniciativas como a nom-escolarizaçom ou a escolarizaçom em Portugal (que ademais permite o ensino doméstico). Todos eles som esforços valentes para fazer que as nossas crianças nom perdam o idioma.

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Existe umha conexom, umha colaboraçom entre as famílias galego-falantes em Ourense?

O Centro Social A Galheira joga um papel importante neste sentido. Foi o espaço a partir do que se tentou construir a Escola Semente em Ourense e ainda que nom foi possível, as pessoas envolvidas, continuamos a ter contacto entre nós e organizamos conjuntamente com a Galheira atividades para crianças em galego com certa regularidade.

Que vos motivou a criar esta jornada e que esperades dela?

A ideia parte de um grupo de maes e pais de crianças galego-falantes (à que aginha se somam outras pessoas comprometidas com o idioma, mesmo sem terem crianças), polo que a motivaçom é tanto empírica, pessoal, quanto ideológica. Quer dizer, que por umha parte vivemos e experimentamos o difícil que é para as nossas filhas e filhos manter o idioma num contexto como este, o valor imenso que a sua posiçom e a sua determinaçom tem, e sentimos diante disso umha gratitude e um orgulho sincero, que desejamos exprimir coletivamente. Ao mesmo tempo, vemos a necessidade de construir espaços que reforcem e alimentem as crianças galego-falantes, e nada melhor que umha festa em que muitas destas se reúnam para brincar e festejar no nosso idioma. Mas no fundo, evidentemente, também está umha posiçom reivindicativa, um chamado à reflexom do conjunto da sociedade: ainda que o fagamos “em positivo”, com umha festa de homenagem, por trás do #porquemepeta há umha mensagem dura que dirigimos ao conjunto da sociedade, e que tem a ver com o mal que tenhem que estar as cousas para que ser criança e falar galego seja umha heroicidade. Queremos deixar na consciência da gente a ideia de que encontrar umha criança galego-falante em Ourense (e, por extensom, em qualquer cidade galega) é algo extremamente difícil, e que sem isto o idioma nom tem futuro.

 

Para saber mais:

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Para a Festa do Dia das Letras, queremos elaborar um vídeo no que muitas pessoas, representando o país, intervenham dirigindo-se às nenas e nenos que falam galego (às que o vejam ao vivo no 17, e a todas as que o verám através da Internet), e agradecendo-lhes o facto de manterem vivo o idioma.

facebook:  https://www.facebook.com/porquemepeta.gal/

twitter: https://twitter.com/porquemepeta

campanha crowd-funding: https://www.okpal.com/porquemepeta

 

 

Valentim Fagim

Valentim Fagim

Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP.
Valentim Fagim

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