Parlamento da Galiza apoia por unanimidade solicitar adesão à CPLP

A mesma resolução parlamentar insta a Junta a desenvolver de maneira efetiva a Lei Valentim Paz-Andrade



O Parlamento da Galiza aprovou por unanimidade apoiar a adesão do país à Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Este apelo está recolhido numa das resoluções aprovadas pola Câmara galega no recente debate de política geral, a qual insta também a Junta a desenvolver de maneira real a Lei Paz-Andrade e convocar vagas docentes de Português.

A dita resolução, número 12 das 53 submetidas à votação, foi apresentada polo grupo parlamentar do Bloco Nacionalista Galego (BNG) e recebeu o apoio das 73 deputadas e deputados presentes.

A seguir reproduzimos o conteúdo literal da resolução aprovada:

 

12.ª  Resolución

“O Parlamento insta a Xunta a adoptar as medidas que sexan necesarias, antes de finalizar a presente lexislatura, para impulsar a solicitude de admisión de Galicia como membro na Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa. Así mesmo, insta o Goberno galego a desenvolver de maneira real e efectiva a Lei Paz Andrade para o aproveitamento da lingua e cultura portuguesas convocando prazas docentes de portugués na vindeira oferta pública de emprego dirixida ao ensino e a dotar de orzamento nas contas para 2019 a aplicación desta lei.”


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  • Ângelo Cristóvão

    Um acordo parlamentar que, por unânime, é raro, e pelo seu conteúdo, mais notável ainda. O ato formal está conseguido, com um valor simbólico importante. Todos estão de acordo em avançar num caminho, todos sabem por que. Agora falta que se ponham de acordo na resposta a uma pergunta: Entrar na CPLP para que? Em termos económicos institucionais, culturais, linguísticos…? Suspeito vai precisar-se bastante mais tempo que para uma resolução como esta.

    A ninguém escapa que a ação exterior de uma comunidade autónoma, quando se trata de temas de importância, precisa de um entendimento com o governo de Madrid. E este é um dos casos evidentes. Para o sucesso do projeto é preciso levar em linha de conta que existem uns problemas internos entre os galegos, e que resulta imprescindível resolvê-los antes de pedir a entrada nesse organismo internacional. Caso contrário, o insucesso está praticamente garantido. O Governo galego e os grupos parlamentares estão avisados.

  • Pedro Lopes

    Já publiquei aqui neste portal há uns tempo um comentário acerca desta questão e não me repetindo em determinadas questões, a entrada da Galiza como membro observador estaria em pé de igualdade por exemplo com a região administrativa especial de Macau, como se sabe a administração chinesa é um país e dois sistemas, Hong Kong e Macau devido às longas administrações inglesa e portuguesa, e portanto a China usa naturalmente esse factor para entrada mais facilitada no mercado lusófono, nomeadamente em Portugal sendo o país europeu onde se sentiu mais o investimento chinês, no Brasil e em Angola, ora no caso da Galiza Espanha não pode desempenhar o mesmo papel porque está na mesma zona económica que Portugal, a UE e nem a Galiza foi colónia portuguesa, ou seja economicamente a vantagem seria exclusivamente para algumas empresas galegas no espaço lusófono fora da Europa, mas obviamente teriam que ter parceiros locais ou então terão ter que dar grandes contrapartidas aos governos locais, só para dar um exemplo a China quando ganha um concurso de uma estrada ou uma ponte em Angola tem que construir ou dar de borla enormes contrapartidas é que os angolanos não são burros.:) e já nem vou falar na mão de obra à custa de presidiários chineses que trazem para trabalhar em Angola sem lhes pagar nada, impossível uma empresa europeia competir com esse tipo de situações mas isso já seria outra conversa, aliás é uma situação que devia ser denunciada em sede própria da ONU, e que ainda não vi divulgada nos media internacionais e mesmo portugueses porque será.:)
    Para Portugal nem aquece nem arrefece o aspecto económico galego, dado que a Galiza pertence ao mesmo espaço económico europeu.
    A questão essencial joga-se como é óbvio a nível político e aqui quer Portugal quer Espanha vão jogar o seu jogo, se Espanha aprovar a entrada da Galiza como membro observador é de enaltecer mas não sejamos ingénuos a Espanha vai usar esse facto para “sacar petróleo” para actos subversivos no mundo lusófono, mas Portugal também não mundo hispano que não precisa porque tem uma grade base de apoio que é o Brasil mas em Espanha, portanto irá haver aqui uma espécie de guerra surda de influências, tem por base a Galiza, portanto a Galiza terá que se preparar para entrar no chamados jogos dos países que tem muitas nuances e que os galegos obviamente não estão treinados para os detectar, pois os grandes são jogados com subtilezas e só os grandes países e ou países com enormes tradições no mundo os conseguem jogar, ora quer Portugal quer Espanha fazem parte desse países.
    E o jogo vai começar com um tiro de partida, condição primeira para ser um membro da CPLP, implementação da língua portuguesa, nessa questão Portugal aguarda que a Galiza implemente essa premissa.
    Relativamente à organização em si como todas as organizações tem vários níveis de acesso a informação, o país impulsionador da CPLP não foi Portugal como muitos pensam mas sim o Brasil na pessoa do seu à altura presidente Fernando Henrique Cardoso, o pai dessa organização, com sede em Lisboa, e por isso o nível de segurança informativo decresce no sentido piramidal, Portugal e Brasil, depois países de língua oficial portuguesa e por último países observadores.
    Há salientar que a CPLP através de Moçambique tem pontos de contacto com a Commonwealth porque esse país também faz parte dessa comunidade, assim como Angola pediu recentemente também adesão, há também a salientar que a CPLP move interesses desde a Austrália, Japão, Ucrânia, Turquia, etc, é actualmente a maior organização de países do hemisfério sul, o que dá uma projecção mundial que passa despercebido a muitos mas que compete já com as correntes anglo-saxónicas, francófonas e hispanas em termos de influência no mundo.

  • Nuno Brito

    Parabéns! Finalmente temos a família reunida.