Origem do Termo Hespanha. Historicidade do termo (e III)



Como foi o facto do Reino de Castela se apropriar do nome (H)espanha. Quais as causas favorecedoras disso?

Introdução

Se um dizer que Portugal apresentou protesto diplomático em 1833, quando o estado peninsular que não é Portugal se definiu como Espanha, por se atribuir Castela (e suas dependências), um nome que pertencia a todos os peninsulares; a gente vai ficar surpresa.

Se um informar que o Supremo Tribunal de Justiça de esse mesmo outro estado peninsular, até a reforma de 1874/76 se chamava Consejo de Castill(h)a, não vai entender muita cousa.

Se um apontar que Espanha não teve colónias americanas nunca, que em realidade quem as teve foi o reino de Castela, a surpresa ainda vai ser muito mais grande.

O nascimento do estado Espanha -(Castela/espanha)-, quando foi que ele se produziu.

Um apontamento prévio

– As guerras são um dos mais poderosos mecanismos de construção de identidades nacionais nos estados, pois permitem construir um Nós frente aos Outros de jeito bem simples.

– A condição de hespanhóis era algo esquisito no interno peninsular, onde abrangendo o termo a todos os peninsulares, cada um se identificava pela sua própria natureza bem diferente.

– Porém Hespanha e hespanhóis era um termo bem vivo na contorna europeia, fundamentalmente da França, a Itália e a Grande Bretanha, onde hespanhol é qualquer um que for peninsular, de aí que tampouco se identifique a uma língua como a possuidora exclusiva da condição de espanhola, como vimos na Itália, onde esse nome era gasto com aquela com a que havia mais contacto, a catalã.

A)1808-1814 guerra peninsular (A historiografia castelhanista, chama-lhe guerra da independência de Castela/espanha). As tropas francesas, usam o nome de espanhóis para se referirem aos resistentes às suas tropas, lembrem vocês que a guerra era peninsular e abrangia tanto Castela/espanha como Portugal (havia uma exceção no termo hespanhóis para os franceses, e esse era o da Catalunha incorporada à França de Napoleão e que não fazia parte do reino de José I). Mais uma vez o uso de espanhóis é um termo que vem de além dos Pirenéus. Nesse contexto em 1812 elabora-se a constituição de Cádis, que praticamente não vigorou, na que se fala de nação espanhola e espanhóis.

B) 1833 no reinado de Isabel II, o seu ministro Javier de Burgos publica o Decreto que dissolve todos os reinos da coroa, e institucionaliza o reino de Espanha, dividido em províncias seguindo o modelo centralizador francês de departamentos e que já fora ensaiado na Constituição de Baiona de José I Bonaparte, que dividira o território em departamentos.

  • Portugal apresenta formalmente protesto, já que Castela não pode apoderar-se de uma denominação que corresponde a todos os peninsulares incluídos os portugueses. Isto vai ter grande eco sobre todo nos meios portugueses da altura.

Portugal sabe que de Castela nem vento nem casamento. Usar Castela o nome de Espanha foi percebido como vontade não apagada de querer submeter Portugal.

São muitos os tratados e acordos assinados com Castela por Portugal, que Castela não honorou. Só a título de exemplo: Ermessende e Ceuta não devolvidos após a paz de 1666. Tratado secreto com Filipe de Anjou futuro Filipe V, de mudança de apoios para ele, com recolocação de fronteiras incorporando-se a Portugal a zona de Albuquerque e outras zonas na raia de colonização histórica portuguesa. Não se cumpre. Tratados de 1803 e de 1815 compromisso da devolução de Olivença, não se cumprem… 1864 supressão da Terra dos Mistos, e incorporação de um território que no campo judicial, no que não era independente, dependia de Montalegre-Portugal.

Bom, são muitos, mas ainda recentemente tivemos uma mostra mais, no tema do cemitério nuclear de Almaraz e no desrespeito ao governo português e seus ministros e todas as mentiras que lhes contaram. A ministra portuguesa na sua deslocação a Madrid foi tratada com soberba e desvergonha, como a imprensa portuguesa ressaltou e a de castela/espanha, ignorou. O desenho do TGV de conexão externa que Castela impõe a Portugal, O mercado comum de eletricidade e como se tomam todas as decisões em Madrid… Castela gosta dos portugueses iberistas que falam castelhano e que adoram Madrid, tipo Paulo Portas, um verdadeiro agente…Como todos os opusdeistas, e os seus centros de ensino, verdadeiras máquinas de inserir o amor a Castela/espanha

– Além disso a utilização do termo espanha é bastante intermitente até 1876, ao conviver com o de espanhas na linguagem formal da diplomacia; pois era constante o mal-estar de Portugal ao uso de esse nome pelo o outro reino peninsular, uma Castela alargada e que submeteu às suas normas outros reinos e povos.

  • Antes da restauração bourbónica 1874, houve uma primeira república que não por acaso era federal, e o seu ideólogo era uma catalão Pi i Margall.

  • É a partir da restauração bourbónica de 1874 (constituição de 1876), que o estado passa a se denominar sempre espanha, adota a bandeira atual (a partir das cores e do modelo da bandeira de Aragão) e outras esquisiteces.

  • 1874. Restauração dos Bourbons, constitucionaliza-se Espanha (Const. 1876) desaparece totalmente a coroa de Castela e as suas instituições, que se transmutam em Espanha. O Supremo Tribunal de Justiça, passa a ter esse nome, pois desde a sua origem até 1876 ele sempre foi designado como Consejo de Castilla. O problema do submetimento dos povos não castelhanos a Castela (que cresce com os que já foram assimilados), vai ser uma constante ao longo do período

  • 1931-36, A segunda república, o seu problema mais fundo foi o da organização territorial e o do reconhecimento de direitos aos povos não castelhanos, Nasceu para ser federal, no debate passou a ser federável, e na solução final, na que o pensamento e ação da esquerda de Castela/espanha foi decisivo, ficou um primórdio da constituição do 1978 na mesma matéria.

  • 1936 e depois. O golpe militar terrorista e a guerra consequente nasce do princípio de negação dos direitos e liberdades aos povos não castelhanos –españa antes roja que rota (antes vermelha)-. A recuperação da democracia pactuada com os franquistas, garantiu a impunidade dos seus crimes, a consolidação dos seus feitos e os limites da democracia. Por se alguém o duvidasse, o tribunal constitucional espanhol, verdadeiro Tribunal de parte, segundo apreciação do Conselho da Europa, que fala da fraca separação de poderes nesse estado,, na sua sentença sobre a reforma do Estatuto de autonomia da Catalunha, aprovado no seu Parlamento pelo 93% da câmara e após de ser devidamente limitado, viu dizer, a respeito da referência à história –Espanha é a construção de Castela, e só há um acervo histórico reconhecível, o castelhano-. Essa sentença e o processo re-centralizador encetado, está na base do atual processo de autodeterminação que se vive nessa parte dos países catalães que é o Principado da Catalunha, como digo eu, “para poderem ser Hespanhois sem terem que ser castela/espanha,”; em definitiva para se garantirem a sua sobrevivência cultural e sendo eles próprios no mundo.

    O tema da história em Castela/espanha é área sensível, dado que a escola e a universidade estão desenhados, em grande medida, para projetarem o discurso dominante. Nestes dias o governo de Castela/espanha bem de impugnar os livros que se usam na Catalunha, precisamente pelo seu rigor histórico. Um ex-ministro da Catalunha Huguet (Conselher) nuns simples mensagens de tweeter desmonta essa asneira.

Castela foi o motor da construção social de um estado moderno, fruto do jeito em como o território que ocupou a centralidade peninsular, foi anulando a esses outros espaços étnico-culturais, para construir um estado que usufrui um nome que não lhe corresponde -(H)espanha- quando a realidade é que estamos ante uma Castela transmutada em españa. de aí que eu use a forma Castela/espanha.

Portugal ficou alheio a esse processo centrípeto por ter construído um universo do que ele era o centro e virar as costas ao resto da península ibérica, que vai passar a ser um espaço marginal na sua ação política, nesse sentido, o desaparecimento da Galiza -que ficou a norte do Minho- (pois a que ficou ao sul foi a construtora de Portugal (o porto dos galegos, -que isso é o que significa o nome-)), da sua agenda, foi mais uma mostra dessa política de segurança no seu sucesso e sobrevivência

  • Este jeito de perceber a realidade política peninsular que apresento, ajusta-se melhor aos objetivos culturais de sobrevivência que se procuram, como vou explicar. E neste quadro é de valorizar o facto que Portugal siga a chamar à língua castelhana, de castelhano e não aceita-se denominações impulsionadas por Castela-espanha de apropriação simbólica de espaços e identidades, começando pelos mentais, que são os mais poderosos.

    Como apontam todos os manuais de estratégia, se as categorias que usamos -é dizer o jeito ideológico como percebemos a realidade- são aquelas que usa o inimigo, passam-se duas cousas, a) O inimigo anda enganado. b) Nos nadamos contra corrente pois assumimos a corrente do pensamento main streem do inimigo, e temos que fazer improvo esforço para dizer que o que eles dizem é outra cousa, frente a naturalidade com que projetam o seu com os instrumentos do estado.

    A este respeito os usos que faz geralmente o nacionalismo galego de espanha e língua espanhola ajustam-se como luva ao que apontava.

A Tradição Galeguista e a sua afirmação de Hespanha como construto bem diferente de espanha= Castela/espanha.

Chamo tradição galeguista ao velho jeito de como as elites políticas galegas percebiam o problema do nosso inserimento em Castela/espanha.

Isto percebe-se desde os alicerces mais afastados no tempo do galeguismo, nos Padres Feijó e Sarmento no século XVIII; no provincianismo e regionalismo do século XIX, e é também observável, nas elites políticas dos outros territórios não castelhanos da península ibérica, é dizer dos territórios nos que Castela ainda não conseguiu arrombar com todo e se apropriar de tudo como próprio, horizontalizando a realidade social e cultural.

O grande vulto do galeguismo, e do processo de encetarem os galegos e galegas a toma de controle de sim próprios e dos seus destinos, foi Castelão (Afonso Daniel Rodrigues Castelão). Na sua obra, aquela na que recolhe o seu pensamento político, o Sempre em Galiza, fala sempre de Hespanha, com H, como contraposição a espanha sem h, e construi nessa obra a sua utopia hespanhola, que só pode ser possível, destruída Castela/espanha, como princípio de igualdade certo entre os povos peninsulares e suas culturas e identidades.

Lembro que para a nossa identidade de galegos, Castelão o expressava com a radicalidade das seguintes palavras, numa carta debate com o historiador castelhanista Sanchez Albornoz “Deseo que el gallego se acerque y confunda com el português”

O processo que atualmente vive o principado da Catalunha de autodeterminação, nestes termos meus, pode ser definido como o processo de construção da Hespanha certa.

Lembrem os portugueses que o direito de autodeterminação e seu suporte, está constitucionalizado na atual constituição de Portugal, e que além disso a luta de Catalunha com a sua Guerra dos Segadors encetada o 7 de junho de 1640, contribuiu de jeito destacado ao sucesso da restauração de Portugal.

Neguemos Espanha, para reclamarmos Hespanha

Espanha não existe, é a transmutação de Castela. O que eu de jeito esclarecedor denomino Castela/espanha.

Hespenha sim existe (como existe Europa), defendamo-la, somos todos os povos que conformamos a península, é algo simples que vai além do nome duma península europeia, -pois tão hespanhóis se podem reclamar os portugueses como os andaluzes ou os vasconços-. Não permitamos a transmutação de Castela em Espanha na nossa linguagem, pois isso e nadar na corrente que impulsiona o estado Castela/spanha com efeitos devastadores em territórios como os da Galiza

O reino que limita com Portugal, é o reino de Castela e como tal age no dia a dia, ainda que usufrui, (não sem protestos naquela altura) um velho nome que se corresponde com o de toda a península.

Não quer isto dizer, que os moradores das velhas regiões de cultura castelhana sejam per se, eles uns imperialistas, simplesmente quer dizer, que as classes e elites que controlam o reino e o dirigem, a conformação social que criam, e seus meios (mídia), respondem a esse programa de dominação e banimento das diferencias; e que do racismo e desprezo aos outros nasce o seu poder para essas elites dominantes de Castela/espanha, surfarem nas ondas do supremacismo mais despido. Apropriadas do termo de espanha, para eles espanha só são eles e a sua identidade. Não cabe outra.

O reino de Espanha como estado, por um acaso, não participou nas duas grandes guerras europeias do século XX, e esteve para fazê-lo na banda dos futuros derrotados, de ter participado, o seu destino houvesse sido a desintegração, em paralelo de outras estruturas europeias tão antigas ou mais que ela, pois os vencedores não teriam consentido, perante a vontade democrática dos povos da Hespanha, a imposição de Castela sobre os outros.

Hoje, nos territórios da Espanha submetidos por Castela, (Castela/espanha), vive-se um processo bem sério e socialmente incarnado de independência na Catalunha, que começou no Principado mas que aos pouco vai-se estendendo por todos os territórios catalães. Acho que essa independência é fulcral para a Lusofonia europeia e o seu futuro, é dizer, que é chave, que esse processo seja ele bem sucedido, pois de fracassar ainda mais negros, do que são, serão os agoiros para a lusofonia submetida a Castela.

É fulcral que Portugal seja um verdadeiro agente e defensor dos interesses da Hespanha, os interesses do respeito e do entendimento pacífico, frente aos interesses de Castela de submetimento e aniquilação. Isso é o que eu chamo uma política portuguesa para a Hespanha.

A Lusofonia galega, como dizia A. Banhos em 1994 em Lisboa, é um território de fronteira entre os dous estados, de se banir o português e a sua cultura da Galiza a norte do Minho, e continuar o pitbull castelhano mordendo firme em todos os outros povos hespanhóis, tampouco o futuro de Portugal está segurado, eu quero e reclamo que Portugal tenha uma verdadeira política peninsular hespanhola, absolutamente independente da brutalidade castelhana. É fulcral isso, desde o momento que Portugal deixou de ser o centro do seu universo, inserido no espaço europeu.

Desde a entrada na União Europeia, Portugal não se converteu simplesmente num estado mais agindo na Europa e que pegava os seus parceiros privilegiados nesse espaço por cima de fronteiras ou proximidade, por exemplo com os seus velhos colegas da EFTA, se não que se converteu de novo, num ator peninsular que orbita de mais -infelizmente- na contorna de Castela/espanha.

Porque é uma noção útil para o agir diário reclamar-se da Hespanha frente a espanha =Castela/espanha.

Castela na sua conformação e já desde a origem, como vimos de reparar, foi-se apropriando sempre de acervo e valores que não eram dela, interiorizando-os como próprios, forem eles os que forem, e projetando, já que logo, Castela como o que abrange todo, e define tudo.

Para os hespanhóis não castelhanos é muito mais fácil de se enfrentar a Castela/espanha, sendo ela diferente deles próprios, dentro da realidade plural da Hespanha, que aceitar Castela como espanha, pois se não, eles, já de início, pôr-se-ão, fora do jogo nadando contra a forte corrente uniformizadora e regionalizadora no universo da Castela/espanha.

Os estados tem poderosos instrumentos de socialização -nacionalização- como são a escola, os exércitos, os meios, e a administração pública.

Para os cidadãos do estado aceitar que Castela é espanha, significa terem que nadar contracorrente, pois significa renegarem da sua condição de tais e ter que construirem um discurso que é um contra-discurso do oficial, o dos poderosos altifalantes.

Nadar contracorrente e esgotador, e supõe já de partida começar a aceitar o jogo de apropriação que tinha -Castela- feito, e que bem claro o olhavam vultos como Castelão.

Se na Galiza te identificas como Hespanhol e aceitas que hespanhola é a língua castelhana, vai resultar normal que a tua seja uma língua de suplências, pois qualquer cousa que for castelhano pode ser teu, pois ela é a língua verdadeira e a única que é de facto língua nacional.

Reclamar-se de Hespanha, tem que ser reclamar-se da antítese de Castela-espanha.

Auto-determinar-se, é encetar o caminho certo é único que temos de sobrevivência, que agora tenta o Principado da Catalunha e de seguida há de ir o resto do espaço catalão. Porque só é possível Hespanha, negando Castela/espanha, desconstruindo-a. Só se pode construir Hespanha for isso como vários estados ou quiçá um único estado, destruindo Castela/espanha.

Hespanha poderia ser uma Suíça peninsular, um espaço de convívio e de entendimento. Mas isso só é possível desconstruindo Castela/espanha.

Alexandre Banhos Campo

Alexandre Banhos Campo

Alexandre Banhos Campo (Crunha 1954) é Licenciado em Ciências Políticas e em Sociologia (especialidade de demografia e população) pela Universidade Complutense. Em Madrid foi membro fundador do grupo LOSTREGO.

Post-grau em gerimento de formação e processos formativos pela UNED, e tributários pola USC. Tendo desenvolvido alargadas atividades no campo da formação, em todos os ramos, e também na sua condição de formador.

Tem sido colaborador jornalístico, e publicado inúmeros artigos sobre os temas da sua atividade.

Ligado ao ativismo galeguista na Galiza desde há 40 anos, tendo ocupado diversos postos de responsabilidade em diversas instituições e entidades. Neste momento é do conselho consultivo do MIL, dos Colóquio da Lusofonia e o atualPresidente da Fundação Meendinho.
Alexandre Banhos Campo

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  • Ernesto V. Souza

    Mas como é tudo narrativa moderna… E não finalizada… Lembremos que em 1868, aps a fugida de Isabel II, a quem se oferece a coroa de Espanha, que depois ocupou Amadeu o breve, foi a Fernando II de Portugal, que recusou para desgosto dos iberistas…

    • Luis Trigo

      Concordo com o Ernesto. Apesar de bastante completa e interessante, a análise de Alexandra Banhos, ao centrar-se em Castela, mesmo que por anti-tese, está mais próxima de projectar uma pouco perene Jugoslávia do que uma Suíça. Penso ser mais interessante a perspectiva acidental do Ernesto sobre o papel de Castela na formação de Espanha, e sobretudo mais produtiva numa possível Hespanha.
      Mesmo que se queira retirar o papel central de Castela nessa Hespanha, será muito difícil fazê-lo contra Castela e ainda mais difícil sem Castela. Até porque haverá poucos incentivos à participação de Portugal, como entidade já emancipada, num processo destes se for de uma forma conflituosa – aliás, a narrativa actual das historiografias portuguesa e espanhola sobre Espanha é assustadora para Portugal. Por outro lado, passada a era da construção dos estados-nação e das suas dependências, a ideia confederal é mais interessante e exequível como ideia de emancipação para a Galiza do que até para a própria Catalunha.

    • abanhos

      Portugal quanto mais ao marge viva do vizinho, melhor lhe vai…Pode fazer isso agora?.
      Que papel podemos jogar os galegos no novo contexto: Esclarecedores dum Portugal que afirma seus aliucerces, ou avançada da demolição de Portugal por Castela/espanha?
      Vocês que acham, digam-no libertados do sentimento

      • Ernesto V. Souza

        melhor não jogar nenhum… podemos escrever história, que no fundo e em boa medida é a nossa história, mas em política e em questão de Estados… é hora de deixar ir Castela e hora já de se esquecer de Portugal…

      • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

        Com as atuais características do Reino da Espanha, a República de Portugal tem todas as hipóteses de viver à margem. Estabelecer outro tipo de relacionamento requer uma mudança de fundo dum e doutro lado que, por enquanto, não parece que se vá dar. Contudo, isso não quer dizer que não fosse desejável essa mudança de fundo. Um bom entendimento entre todas as nações ibéricas, já independentes, colocariam a Espanha geográfica como terceira “força” do Euro por diante da Itália. E, sem precisar de argumentos tão capitalistas, favoreceriam o pacífico relacionamento Norte-Sul, onde as faixas atlântica e mediterrânea teriam tudo a ganhar, e a faixa central começaria a desenvolver-se e sair do ostracismo a que a condenaram.

    • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

      Seria oferecida a coroa do Reino da Espanha… Fernando II escolheu não reinar no território político-administrativo do Reino da Espanha…

  • Paul

    A Suiça não é o mar de rosas que muitos imaginam no que diz respeito às línguas e aos vários grupos que compõem a Confederação.

    Os amigos que lá tenho dizem-me que os de fala italiana são os mais isolados, os falantes de Romanche são uma minoria muito pequena e que os falantes de Francês e Alemão andam constantemente a “lutar” entre si e cada vez mais de costas voltadas. Aliás, os de fala Alemã estão cada vez mais a afastar-se do padrão e a falar o seu próprio dialecto (Alemannisch), tendo já vários cantões eliminado o Alemão padrão das aulas do ensino primário (Zurique por exemplo). O que une os Suiços é a sua identidade alpina e um amor incondicional ao seu sistema político.

    https://www.youtube.com/watch?v=dSLs5G4SPP4

    Se a mesma solução fosse adoptada na península Ibérica, funcionava talvez durante uns tempos mas depois inevitavelmente ia cada um para seu lado, pois de certeza que o grupo que tem estado à frente do actual projecto do mini-império castelhano durante vários séculos não conseguiria viver sem tentar impor a sua língua aos outros através dos mais variados métodos, incluindo através de grupos terroristas como Galicia Bilingüe. Não consigo acreditar que esse grupo permitisse por exemplo que a Galiza formasse um só bloco (cantão) com Portugal, nem que permitisse que o castelhano perdesse um centímetro que fosse do que já conseguiu conquistar na Galiza.

    Não se esqueçam que “Castela” tem uma reserva virtualmente inesgotável de falantes de Castelhano na América Latina e muitos destes inevitavelmente acabam na Catalunha e País Basco, que não têm essa vantagem. A mesma táctica foi usada pelos Belgas francófonos para “roubar” Bruxelas aos Flamengos, com imigrantes de alguns países Africanos que pertenceram à França no passado. A Galiza é a única que também tem uma reserva de 260 milhões de falantes de Galego (e a crescer exponencialmente), mas infelizmente não tem a sua própria política de imigração.

  • Paul

    Como os Flamengos estão a dar a volta à perda de falantes:

    “The recognition of Dutch as the sole language of Flanders, the expansion of a well-functioning Flemish educational system, the development of the Flemish economy, and the popularization of Standard Dutch were responsible for its revitalization. The Flemish Community saw that if it wanted Dutch to have a prominent place in Brussels, it would need to make investing in Dutch language education its primary concern.”

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Insisto, Alexandre, e apesar de Castelão ter contraposto “Espanha” a “Hespanha”. O agá não faz mais que nublar a vista. Espanha, forma atual da palavra em galego, é o território peninsular todo, igual que España (cast.) e Espanya (cat.). Não lhe dês mais voltas. Castelão também pode cair no erro de deixar-se roubar o termo Espanha, que é de [email protected] Não façamos distinções fetichistas ortográficas com isto. Tanto tem Hespanha quanto Espanha se entendemos o que significa. E não misturemos com o termo político “Reino da Espanha”, que é algo bem diferente.

    Do mesmo modo que os “lusistas” não temos deixado de empregar o termo “reintegracionismo” para a nossa prática linguística, não deixemos que as direitas espanholas nos roubem o termo comum Espanha. É uma luta pelo âmbito simbólico das palavras que não se deve abandonar. E como tu bem disseste, mesmo Portugal não deixou. Aliás, a respeito disso: não acho as fontes que me indicaste. Podias explicá-lo noutro artigo.