ABRAIANTE

O que tem a ver o fígado com os figos?



Luís Figo - Desenho de um fígado - Figo (a fruta)

Luís Figo – Desenho de um fígado – Figo (a fruta)

A palavra fígado vem de figo, já que antigamente cevavam com figos os animais que eram criados com a intençom de lhes comer os fígados.

Já está. Sim, de verdade, o que conta este artigo é simplesmente isso. Umha pinga de sabedoria para que podas ir de intelectual contando-o no momento adequado. Nunca gostei dos artigos ou vídeos que fam longas introduções só para manter-te à expectativa. Se nom queres ler mais, de verdade, nom o fagas, o importante já foi dito. Mas ei, se queres lê o resto, nom cho vou impedir.

Em latim o fígado era chamado de iecur, e o esperável seria que dessa palavra derivasse o nome que lhe damos neste latim corrompido que falamos. Mas nom. Por causa da prática de alimentar os animais com figos, os fígados que a gente consumia eram chamados iecur ficatum, que viria a significar algo do tipo fígado figado. Mas como a gente é assim de preguiçosa, com o tempo o termo iecur ficatum passou a ser só ficatum, e daí foi espalhado e deu lugar ao galego-português fígado, ao castelhano hígado, ao catalám fetge, ao francês foie, ao asturo-leonês fégadu, ao italiano fegato… Vaia, já entendes por onde vou, nom vou nomear agora todas as línguas romances.

Mas aguarda um segundo! Se o nome em latim era iecur fecatum, de onde vem o prefixo hepato- ou o adjetivo hepático que usamos para nos referirmos ao que tem que ver com o fígado? Boa pergunta, mas é bastante óbvio, nom é? De onde vêm todos os cultismos quando nom vêm do latim? Pois é, do grego. Concretamente, o nome grego do fígado é hēpar (ήπαρ), termo que provém de hēpaomai (ἠπάομαι) que significa reparar, consertar. E é que, precisamente, o fígado tem a capacidade de regenerar-se, como umha lagartixa à que lhe volta a crescer o rabo, e parece ser que na Grécia clássica já sabiam disso.

Como último apontamento, nos Países Catalães chamam figa (traduzido literalmente, figo) a umha parte bem distinta da anatomia. Mas isso já é tema para um outro artigo…

 

Jon Amil

Jon Amil

Jon Amil (Vigo, 1988) é um célebre escritor galego. As suas obras som geralmente distribuídas em formato post-it de maneira manuscrita, com desigual acolhida. Assim, relatos como "Deixo-che aqui os 10€ que che devia" fôrom bem recebidos, enquanto outros como "Mamã, saim com os meus amigos. Chegarei tarde. Nom esperes desperta", resultárom amplamente criticados. Atualmente deu o salto às novas tecnologias e as suas últimas obras, como "Merda! Gastou-se o butano e tivem que me duchar com água fria!", podem ser consultadas através do Twitter.
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  • Diego Bernal

    Parabéns, Jon, adoro os teus artigos. Um médico que ensina a um filólogo filologia… Não sei se sentir vergonha ou orgulho de saber que há médicos na Galiza tão sábios 😉

  • Ernesto V. Souza

    Como em todos os países a sério: médicos, engenheiros e arquitetos deviam escrever as gramáticas… 😉

  • Joám Lopes Facal

    Ler sorrindo é bom para o fígado, doutor. Pedimos mais figos