O que implica na prática a aglutinaçom normativa?



Na seqüência da consulta sobre a necessidade ou nom de umha confluência normativa realizada pola nossa candidatura, algumhas pessoas receiam do procedimento ou de que esta aglutinaçom poda gerar mais confusom da que há, com umha terceira normativa a circular. Este receio é completamente compreensível e logicamente nós também o tivemos quando começamos a pensar na soluçom que poderíamos dar ao problema que queremos encarar, mas pensamos que a formulaçom final da proposta nom deixa lugar para temor algum.

Qual o procedimento?

  1. O nosso objetivo seria integrar numha única norma as formas divergentes das duas que na atualidade usam os sócios e sócias (basicamente partidários de -om e de -ão), mas antes de avançar nesta direçom devemos notar umha ampla aceitaçom por parte da massa associativa.
  2. Por isso, antes de mais, é a proposta de umha candidatura, que teria que ganhar as eleiçons para implementá-la, caso antes seja aprovada em consulta polos sócios e sócias.
  3. Consiste num processo que concerne só à AGAL como associaçom, e por isso só som consultados os sócios e sócias desta entidade. O contrário seria interferir noutras.
  4. Só depois de ser aprovada, para poder materializar a proposta, contaríamos com técnicos que poderiam adotar várias decisons: incorporar estas formas como opcionais à norma atual da AGAL ou ao português padrão, publicando um texto normativo em que figurem todas as novas possibilidades e sejam banidas aquelas que já ninguém usa.
  5. Esta medida só afetaria a AGAL, mas entendemos que seria benéfica para todos os coletivos que quigessem seguir-nos nessa atitude. As pessoas ou organismos que nom vejam a oportunidade desta aglutinaçom nom vam ficar excluídas, porque a nova norma também vai incluir as suas práticas. Quer dizer, dous coletivos, A e B, que usam respetivamente as palavras associaçom e organização, nom teriam que deixar de o fazer para estarem a aderir à convergência normativa, porque esta abrange as duas possibilidades.
  6. Com esta medida a AGAL normalizaria a situaçom interna de todos os sócios e sócias e poderia converter-se na casa comum do reintegracionismo. A norma usada como associaçom seria umha, ainda que cada sócio ou sócia ou cada área poderia tender a usar umhas formas ou outras segundo a sua conveniência ou hábito (como de facto já acontece com as formas da norma de AGAL atual: tamém/também; coraçons/corações).
  7. Se fosse aprovada a ‘aglutinaçom’, o Conselho da AGAL comprometeria-se com este objetivo, pedindo formalmente à Comissom Lingüistica que se produza um diálogo entre os partidários de ambas as tendências de maneira a gerar um texto de confluência em que os usos de todas as pessoas sejam considerados.

 Em termos lingüísticos, qual seria o resultado?

Este vê-se melhor se antes observamos a situaçom de que partimos:

  1. Por um lado, temos a norma da AGAL, codificada em numerosos textos normativos que, nem som de fácil consulta nem som fáceis de ensamblar para quem nom tem conhecimentos filológicos, sendo que muitos retificam ou corrigem os anteriores. Porém, o que mais chama a atençom desta norma, e é o que nos interessa aqui, é o grande número de formas duplas que admite para escolha dos utentes, apesar de muitas delas já nom terem justificaçom no uso.
  2. Por outro lado, temos o português padrão, com umha solidez formal indiscutível nos países de língua oficial portuguesa, mas carente de norma estável na Galiza, onde a maioria das pessoas que o seguem realizam escolhas entre o português lusitano e os traços morfológicos propostos pola norma da AGAL para dirigir-se ao povo galego.

Esta variabilidade no seio de ambas as normativas provoca que na prática tenhamos, mais do que duas normas estáveis, usuários de om/umha e usuários de ão/uma. Muitas outras discrepáncias tenhem mais a ver com opçons individuais que com preceitos normativos insalváveis. Um defensor da norma da AGAL pode usar canções e umha defensora do padrão português pugem, ainda que à partida o que se esperaria de ambos seria o uso do maioritário cançons e do internacional pus respetivamente.

Por outro lado, os discursos reintegracionistas, sendo diversos, nom podem ser reduzidos a dous, um coerente com a norma da AGAL e outro com o português padrão. Antes podemos afirmar que as diferentes maneiras de falar à sociedade som hoje assumidas como próprias polo conjunto dos reintegracionistas, que as adotam ou modulam em funçom do contexto em que se encontram.

Temos, em definitivo, umha única estratégia para a língua e umha mesma forma de a escrever, com variaçons mínimas. Para que queremos entom duas normas lingüísticas diferentes que nos fagam duvidar (a nós e às pessoas que se estám a aproximar de nós) se somos um ou dous movimentos?

Som principalmente estas as razons que nos fam entender fácil e necessária elaboraçom de um único texto normativo…

  1. …Que inclua as formas atuais da norma da AGAL.
  2. …Que inclua as formas usadas polos partidários e partidárias do português padrão.
  3. …Que descarte algumhas formas que já nom tenhem uso no reintegracionismo moderno.

Isto nom compromete mais ninguém, só a AGAL, e nom entraria em colisom com os usos de outras associaçons ou pessoas que eventualmente nom reconheçam essa aglutinaçom, porque a prática delas também estaria recolhida nesta convergência. Mas o importante é que na AGAL poderiam trabalhar comodamente todas as pessoas que o desejassem, sejam quais forem as suas escolhas, e que poderíamos apresentar à sociedade umha proposta mais coerente.

Exemplo

A seguir, só alguns exemplos de como a norma da AGAL já oferece várias opçons de escrita em múltiplos casos, sem que tenham gerado confusom entre os utilizadores. O que nós pretendemos é que entre essas opçons também sejam considerados outros usos que existem no reintegracionismo moderno, nomeadamente –ão em palavras com pronúncia [-‘ãŋ] e [-‘õŋ] e a forma gráfica dos indefinidos femininos (uma).

 

quadro propostas

 

Eduardo S. Maragoto

Eduardo S. Maragoto

(Barqueiro, Galiza, 1976) Estudou Filologia Portuguesa em Santiago de Compostela, cidade onde participou no sindicalismo estudantil e na fundaçom do Movimento de Defesa da Língua (MDL) através da Assembleia Reintegracionista Bonaval. Entre 2001 e 2006 trabalhou na Escola Oficial de Idiomas (EOI) de Valência, onde participou na constituição de Veu Pròpria (associaçom de novos e novas falantes de catalám) e da plataforma Nunca Mais. Na atualidade trabalha como professor de português na EOI de Compostela. Desde 2006 até 2010 pertenceu ao conselho de redaçom do jornal Novas da Galiza, jornal onde coordenou os trabalhos de correçom e a secçom de Além Minho. Também pertence à Gentalha do Pichel e à AGAL, associaçom que preside na atualidade. É autor do livro Como Ser Reintegracionista sem que a Familia Saiba e co-autor do Manual Galego de Língua e Estilo e dos documentários Entre Línguas, Em Companhia da Morte e A Fronteira Será Escrita.
Eduardo S. Maragoto

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  • Ernesto V. Souza

    Quem muito quer enfeixar, bem pouco há de atar…

  • Joám Lopes Facal

    A tabela, Eduardo, é um bom exemplo do manual a publicar para esclarecer as duas opçons em confronto. Persoalmente penso que o ponto crítico reside no uso do til.
    A inesperada proposta da candidatura abre, no entanto, umha questom: qual seria a situaçom no caso da assembleia rejeitar a proposta mas nom a candidatura?
    Suspeito que a base da divergência é a que vai dos que pretendemos agir sobre a sociedade galega realmente existente e os que sonham com um reconhecimento nas intáncias internacionais. Afinal, nacionalitários versus cosmopolitas.
    Saúdos cordiais, caro professor.

    • madeiradeuz

      Joám, o til forma parte da norma da AGAL desde 1989. Do que se trataria é de estudar a conveniência de alargar os seus usos. Das formas do quadro, apenas as formas em cinzento do lado direito estão, atualmente, fora da norma da AGAL.

      O facto de na norma da AGAL se aceitar ‘uma’, ao pé de ‘umha’, implicaria algum ataque à associação, aos seus objetivos fundacionais ou à sua proposta codificadora para o galego?

      O facto de na norma da AGAL se aceitar ‘camião’, ao pé de ‘camiom’, como já se aceita ‘irmão’ ao pé de ‘irmao’ ou ‘irmám’, implicaria algum ataque à associação, aos seus objetivos fundacionais ou à sua proposta codificadora para o galego?

      Se o objetivo é SOMAR, nada disto devera ser um problema.

      Acho que o Celso Á. Cáccamo o explicava de maneira magnífica num comentário ao artigo do Maurício Castro: nas línguas que são a mesma, as palavras iguais escrevem-se igual. Eu ascrescentaria: “ou polo menos deveria-se dar a possibilidade de que se escrevam igual’.

      Neste contexto, se considerarmos que a palavra ‘hoje’ é a mesma na Galiza e Portugal, embora as pronúncias sejam diferentes, o lógico é que se escrevam da mesma maneira. E como em Portugal codificaram primeiro, o lógico é também reintegrar-nos com eles (e não eles connosco), polo que reproduziremos a sua mesma grafia. É por isso que grafamos ‘hoje’, nem ‘oje’, nem ‘hoxe’, hem ‘oxe’, hem ‘oge’, nem ‘hoge’.

      Um outro exemplo é a palavra ‘maçã’. Considerando-a a mesma, a codificaçom gráfica devera ser também idêntica. Porém, a norma da AGAL alargou o leque de possibilidades aqui, podendo-se grafar ‘maçám’, ‘maçá’ e ‘maçã’. Pode-se argumentar, neste caso, que contrariamente a ‘hoje’, esta palavra tem pluralidade de pronúncias na Galiza (mathá, mahám, massám…). Tudo bem, mas a forma convergente (‘maçã’) e, polo tanto, a mais reintegrante, é aceite.

      Mas quando se trata de ‘uma’ (pronúncia que, como indiquei, existe na Galiza), parece que há uma cortina de ferro. No espaço linguístico galego (incluindo nele, logicamente, o Eu-Návia, o Berzo e as Portelas) existem as pronúncias ‘umha’, ‘uma’, ‘ua’ e mesmo ‘ũa’. Porém, a normAGAL só aceita a grafia ‘umha’. Parece que há uma inconsistência aqui.

      Se ‘hoje’ se escreve igual apesar da divergente pronúncia, por que não se aceita o mesmo noutros casos? Coloco só alguns: ‘camião’ (só se aceita ‘camiom’), do ‘leão’ (só se aceita ‘leom’), do ‘rufião’ (só se aceita ‘rufiám’).

      Estou a falar das palavras que são a mesma. Como dizia o Celso, as palavras que são diferentes… Pois já é outra cousa. Assim, pode-se discutir se ‘(eu) parti’ e ‘partim’ são a mesma (eu acho que sim), mas é mais discutível que ‘quigeche/quigeste’ sejam o mesmo que ‘quiseste’, ‘(eles/as) cantárom’ que ‘cantaram’ ou ‘(eu) fum’ que ‘fui’.

      • Ricard Gil

        Senhor madeiradeuz nom lim o comentário do senhor professor Celso A. Cáccamo mas a afirmaçom : “nas línguas que são a mesma, as palavras iguais escrevem-se igual.” Nom é bem assim e explico qualquer estudante de inglés em nivéis avançados , isto é B2 e C1 e C2 ,sabe que há umha divergência ortográfica ( colo umha listagem de exemplos a seguir ) que acho foi feita por Noah Webster :

        Britânico Americano
        -re (centre, theatre…) -er (center, theater…)

        -ise (realise…) : realize… -ize (realize…)

        -ogue (dialogue, analogue…) -og (dialog, analog…)

        -our (colour, favour, labour…) -or (color, favor, labor…)

        -ce [nouns] -se [verbs] (practice/to practise) -ce/-se [both] (license/to license, practice/to practice)

        sceptical skeptical

        grey ( Br) gray (Am ) ; tyre(Br) Tire(Am) advise(br) advice(AM)

        • madeiradeuz

          No caso do inglês americano e do britânico é como o português brasileiro e o de Portugal; a sua problemática é ligeiramente diferente da nossa. Aí trata-se de diferentes pronúncias e, em exercício da sua soberania, grafam diferente. Se aqui fizéssemos igual, deveríamos grafar ‘hoxe’ ou ‘oxe’, e não ‘hoje’. Acabaríamos em boa medida no jogo do isolacionismo.

      • Joám Lopes Facal

        Bom formulemo-lo entom de outra maneira: inundaçom de til(es). Problema: é umha marca percebida como alóctone e de difícil gestom fonética. “Camião” é umha forma muito peculiar de grafar “camiom” que, aliás, nom (não?) pom (põe?) adivinhas fonéticas ao aprendiz reintegrante. Em definitivo, o critério orientador deveria ser eliminar obstáculos para que a gente do comum transite comodamente polo seu próprio idioma, libertado da subalternidade do castelhano.

        • José Ramom Pichel

          Quem são a gente do comum? Nós que somos?

          • Louredo

            Betinhos da língua

      • Ricard Gil

        Acho que o mesmo acontece nas variantes do alemam suiço a respeito do alemam e mesmo do baixo alemam . Outra cousa é alguns pensamentos que mostram a ideologia dum individuo em concreto e nom um argumento de peso e explico :

        Há tempo dixerom-me que era bom grafarmos nuvem e virgem porque eu posso pronunciar ( ” birshe” e “nube” ) e o -m final nom obriga .

        Mas quando se tratar em formas verbais tipo comi/comim fui/fum sou/som entom o argumento do -m final nom serve e há que grafar o português padrão porque a língua nom nos pertence só a nós, pois isso é errado

        E se falarmos nas diferenças lexicais eu posso achegar listagem imensa de falsas semelhanças e divergência léxica entre espanhol rioplatense e espanhol castelhano o mesmo entre inglés americano e britânico e o mesminho entre brasileiro e português ( por acaso deste último vou colar exemplos do dicionário que preparei para AGAL ) :

        Conferência de imprensa(Pt) ; coletiva de imprensa (Br)

        IMI Imposto Municipal sobre Imóveis (PT)
        Imposto sobre a propriedade predial e territorial
        urbana (IPTU) no Brasil

        arquivo (br) ficheiro(pt) casa de banho(pt) banheiro(br) brócolos(pt) brocoli(br) cílios(br) pestanas(pt) cuecas(pt) calcinhas(br)

        e o português admite soluções duplas ortograficamente exemplos :abdome e abdômencatucar e cutucarAfeminado e efeminadochipanzé e chimpanzéaluguel e aluguerclina e crinaaritmética e ariméticacociente e quocientearrebitar e rebitarcota e quotaarremedar e remedarcotidiano e quotidianoassoalho e soalhocotizar e quotizarassobiar e assoviarcovarde e cobardeassoprar e soprarcuspe e cuspoazalea e azaleiadegelar e desgelarbêbado e bêbedodemonstrar e demostrarbilhão e biliãodependurar e pendurarbílis e biledesenxavido e desenxabidobiscoito e biscoutoelucubração e lucubraçãobravo e braboempanturrar e empaturrarcãibra e câimbraenfarte e infartocarnegão e carniçãoengambelar e engabelarcarroçaria e carroceriaenlambuzar e lambuzarcatorze e quatorzeentoação e entonaçãoentretenimento e entretimentolouro e loiroenumerar e numerarmaltrapilho e maltrapidoespuma e escumamaquiagem e maquilagemestalar e estralarmarimbondo e maribondoeste e lestemelancólico e merencórioexorcizar e exorcismarmenosprezo e menospreçoflauta e frautamobiliar, mobilhar e mobilarflecha e frechaneblina e nebrinafleuma e flegmanenê, neném e nenenflocos e frocosparêntese e parêntesisgengibirra e jinjibirrapercentagem e porcentagemgeringonça e gerigonçaperoba e perovagorila e gorilhapitoresco, pinturesco e pintorescohem? e hein?plancha e pranchahemorroidas e hemorroidespólen e polemimpingem e impigempresépio e presepeimundícia, imundície e imundicequadriênio e quatriêniointrincado e intricadoradioatividade e radiatividadelantejoula e lentejoularastro e rastolimpar e alimparregistro e registolisonjear e lisonjarrelampear, relampejar, relampadejar, relampaguear, relampadar e relamparlouça e loiça remoinho e redemoinhoterremoto e terramotoridiculizar e ridicularizartesoura e tesoirasalobra e salobretesouro e tesoiroseção e secçãotoicinho e toucinhoselvageria e selvajariatransvestir e travestirsobressalente e sobresselentetreinar e trenarsurripiar e surrupiartríade e tríadataberna e tavernatrilhão e triliãotaramela e tramelavárzea, várgea, vargem e vargetelevisar e televisionarvolibol e voleibol

    • Raimundo Serantes

      Caro, também, professor meu:

      olha, isso nom seria nada de grave. Simplesmente continuaríamos com a política atual de ir tecendo equilíbrios entre as duas tendências. Isso é algo de que estou superorgulhoso: pertencer a um movimento capaz de de conviver e agir lidando com divergências práticas como esta.
      Por outro lado, acho que nom devíamos opor naçom e cosmo neste assunto. Todos temos um pouco das duas almas. Permanecendo divididos quanto à normativa, também ficamos divididos nós, cada um de nós. abraço

      • Louredo

        É impossível unir ao que nace separado de raiz. É impossível unir AGLP, AGAL e ILG. Como muito pode haver colaboraçom e simbiose entre entes diferentes. O resto é torpedear o diferente. Acho que a intençom nom é unir, mas fazer hegemónica a opçom do padrom quase-português

  • Ricard Gil

    Esta candidatura gerou polêmica e debate e está a altura dos acontecimentos mostrando o lado democrático e explicando
    Independente do resultado seria bom publicar tabelas como estas porque umha cousa que nunca entendim é que gente que escreve português lusitano tire mão antes do castelhano do que o próprio galego e também ajudaria muito a melhorarmos o nosso deficiente português e nom mal baratar recursos

    • madeiradeuz

      Imagino que em muitos casos acontece por insegurança, por dúvida a respeito de formas que consideramos galegas serem realmente galegas. Eu aprendo muito a respeito todos os dias, sobretudo de gente como o Fernando Venâncio, que nos ajuda a identificar castelhanismos.

      É natural que, em caso de dúvida sobre a pertinência ou não de uma palavra ou expressão, as pessoas acudam ao que consideram ser uma forma não discutida, estável.

      Mas tens razão em que muitas vezes se abusa de formas comuns à Lusofonia que, porém, são minoritárias na Galiza, quando não inexistentes, havendo aqui formas perfeitamente válidas. Por exemplo, o uso de ‘joelho’ por ‘geonlho’, ‘gelo’ por ‘geio’, ‘segurar’ por ‘termar de’ ou ‘ter conta de’, etc.

      • Joám Lopes Facal

        Bem apontado

      • Ricard Gil

        Bom é quando a gente fala , argumenta , concorda em cousas e avança o entendimento . A casa comum para mim nom é apenas a norma , é o sítio onde a gente partilha umha vissom da língua e deviamos aproveitar essa força e tecer redes de apoio entre nós ( para já o mais simples ter um grupo com que conversar em galego pois as minhas amizades som maioritariamente castelamfalante)

        Muito obrigado Uz , um prazer

        Ps : Do professor Venâncio , nem concordando sempre ao 100% com ele, mas eu cá acho que podemos aprender muita cousa . Para já é dos poucos linguistas portugueses que realmente estudou galego e sabe galego e leu romances em galego ( que sim concordamos na RAG há muito castrapo mas também há bom galego , galego de gema )

        • madeiradeuz

          Em toda associaçom com um certo tamanho é natural que surjam discrepáncias. O que fai a diferença som nas atitudes para as superar 😉

      • Louredo

        Popularmente joelho está tam estendido como geonlho, junto com formas como jolho, se cadra a mais difundida (por pouco, fora do castelhanismo rodilha). Geio nom existe (existe geo), gelo é minoritário, mas nom há muita diferença com geo, que também o é.

    • Joám Lopes Facal

      Mais grave, do francês ou do inglês antes da forma galega viva.

  • https://twitter.com/AmilGZ AmilGZ

    Existe um argumento que está a ser aceite com o qual nom concordo. A norma AGAL atual nom conecta com a sociedade, nem se percebe mais autóctone “camiom” do que “camião”. Os 98% da populaçom galega nom vê as diferenças entre as duas correntes do reintegracionismo, tudo é “galego aportuguesado” ou “galego de radicais” para elas.

    À hora de que a gente chegue ao reintegracionismo, umha norma flexível permitiria facilitá-lo. De umha banda, chegaríamos com as opções mais populares a essa gente que quer escrever de um jeito mais marcadamente galego, e da outra chegaríamos à gente que o que quer é umha comunicaçom o mais efetiva possível com a Lusofonia.

    Mas afinal, penso que as pessoas de ambos os bandos “enfrentados” temos os mesmos objetivos, aspirações e anseios, só discordamos nos meios para chegar ao mesmo fim. Por isso nom entendo algumhas atitudes tam “intensas”, que por fortuna som minoria dentro deste debate.

    • madeiradeuz

      Deste no alvo, caro. Para o galego do comum é igual de estranha a frase “hoje COMI caldo de nabiças” que “hoje COMIM caldo de nabiças”. Meu pai, familiarizado com o português brasileiro, com certeza identificará ambas as duas frases como “português”, sem mais distinçom.

      E como digo meu pai, até podo dizer umha pessoa à qual se lhe pressuponha formaçom lingüística. Ainda comentava o outro dia ao Eliseu de uma professora que tivem de Galego, a qual nom conseguia diferenciar um texto de A Nosa Terra redigido na norma da AGAL de outro em português ‘padrão’. Tivo que ser um filho de retornados do Brasil a lhe assinalar as diferenças que ele observava…

      • Louredo

        Mas isso é normal. Se nom se conhecer o português, que raio vam pensar? A questom é porque eu tenho que mudar de dizer e escrever comim, quando qualquer galego identifica comim como mais correcta

    • Ricard Gil

      Concordo coa ideia central Jom mas a gente fala em ortografia e esqueçe as normas porque um galego percebe :

      Falade-me deles , som os filhos do Camilo . Tenhem um cam que anda ceivo e eu dixem-lhes : sodes uns fedelhos , atai o cão e nom parárom de me alporiçar por isso

      -Mas isto :

      Me falem deles , são os filhos do Camilo . Têm um cachorro que anda à solta e eu disse para eles : sois uns pimentilhas , atai o cachorro e nom pararam de me chatear por isso

      • Ernesto V. Souza

        Achas?… mas o mais disso é pura estilística ou escolha da gente, ou ainda cousa de registros, dialeto ou de proximidade, ou de idade de quem falar…

        – Falade-me deles, são os filhos do Camilo. Têm um cadelo que anda[va] à solta e disse-lhes: sodes uns caralhetas, atai-me aí o cão e não pararam de me amolar(xiringar/importunar/fastidiar, amocar…) por isso.

        Quantas superstições…

        • Ricard Gil

          Ernesto eu reconheço o galego nessa frase que escreveste com têm e são por isso a ortografia nom é a chave
          Mas nom reconheço como galego algúns textos que tentan ser mais papistas do que o papa
          O futuro do galego é salva-lo na lusofonia mas isso
          Alargar a sua utilidade
          Como dixo o Miro noutro comentário se chegar o dia em que nom haja galego na Galiza nada empece para assumirmos o português mas nesse dia nom seria sentido como nosso
          E hoje em dia muitas pessoas consideramos o português como nosso graças ao galego

          Há debate
          Morra ….. Morra farta

          • Ernesto V. Souza

            Caro, uma cousa é que certas formas ou escritas, não estejam nas nossas particulares preferências do que é galego, ou estejam afastadas do que frequentamos… E outra que não as reconheçamos como galego…. Afazer-se a ler numa língua que tem centos de anos de textos e variantes, algumas periféricas, populares, crioulas é o que tem… Eu não gosto do galego de alguma gente, ou das escolhas de certos autores vivos ou mortos, do mesmo jeito que outra gente não gosta da minha prosa gongorista e simbólica… Mas tudo é galego, uma língua que sob nome de português já era global no século XV.

            O problema cá e a norma. O debate não e que seja uma ou outra escolha, apenas que hoje por hoje e dentro da nossa história recente, a chamada norma AGAL, não é da AGAL, não e dos associados, é apenas da C.L. da agal… Isto é o que se debate. Que a norma AGAL passe a ser propriedade e património dos associados, e modificável no consenso da maioria e não propriedade exclusiva de uma minoria ilustrada que detenta o privilégio da sua idoneidade e possibilidades de alterações… Tardei muito em compreender…

          • Ricard Gil

            Ernesto, imos ver nom é uma preferência , quer dizer eu estou afeito a lêr em brasileiro e português e mesmo tenho versões dumha mesma obra em ambas as variantes , e nom é questo de preferência , eu sei quando umha é brasileiro e quando outra português europeu
            E o mesmo acontece com AGAL e com a AGLP, por muitos e grandísimos conhecedores de português que temos , logo sabemos que o espanhol tá por tras dos textos dos doutos académicos.

            Si do que se trata é de respeitar a norma , e de reconhecer como galego reintegracionista tudo , logo nada empece para que um Freixeiro Mato ou um Camilo Nogueira escrevam em norma RAG . pois tudo é galego

            EU fico tranquilo lendo gente como UZ ou Joam Facal ou Miro que explica qual a sua corrente e ideia

            Agora há muita gente que nom se explica e parez com que o seu objetivo é suplantar ou negar o carater de português e de internacional o que cheire a galego

            Todas as posturas som lídimas , mas há uns limites e também nom se pode disfarçar a realidade

          • Ernesto V. Souza

            Não percebo que me queres dizer/explicar…??? nem que tem a ver com o que eu digo… sinceramente nunca tão out of place me sentira…

          • Ricard Gil

            Ernesto peço desculpas se nom me soubem explicar e se tampouco soubem interpretar o que escreveche.
            Debater sem a possibilidade de olhar a cara e sentir a voz do companheiro que escuita e opina é sempre chato .
            Deixarei pois para melhor momento o debate
            Só dizer que o galego somos nós , todos e que a norma deve unir isso entendim eu da candidatura e por isso vou nela .
            Se cria divissom é porque nom soubemos logo exprimir-nos bem e eu nom tenho vontade em criar problemas com gente que admiro e partilha mesmas ideias

            Boa noite

      • https://twitter.com/AmilGZ AmilGZ

        É que aqui estamos a falar de ortografia e morfologia, nom de gramática nem de léxico. Obviamente, o galego tem umha gramática e léxico próprios, mais isso nom depende de normas.

        Eu podo escrever “Apetéceme comer un arroz con chícharos e fabas”, “Apetéceme comer un arroz con ervellas e feixóns”, “Apetece-me comer um arroz com chícharos e favas”, “Apetece-me comer um arroz com ervilhas e feijons” ou “Apetece-me comer um arroz com ervilhas e feijões”. Todas as frases som gramaticalmente iguais independentemente da norma, e as escolhas léxicas, todas existentes na Galiza, tampouco dependem da norma.

        Por isso nom vejo qual é o grande problema de aceitar mais variedade na nossa norma…

        • Ernesto V. Souza

          o problema, caro é que a “nossa” norma, não é nossa, senão da C.L. [s.l.]

          • https://twitter.com/AmilGZ AmilGZ

            A norma é da C.L.? Onde ficou entom aquilo de “A língua para quem a trabalha” (http://pgl.gal/a-lingua-para-quem-a-trabalha/ )?

          • Ernesto V. Souza

            A língua, caro, não é a norma… XD, do resto é bom slogan…. Se quer que a nossa norma seja nossa: vote Maragoto… 😉

          • madeiradeuz

            Não falta quem diga que são mais avançados os anglófonos, que não precisam de academias… Aí sim que é a língua para quem a trabalha! 😛

          • Joám Lopes Facal

            O C.L. é a minha RAG.

          • Ernesto V. Souza

            caro Joám… eu sou mais da mesa redonda… mas compreendo o que queres dizer, apertas 😉

      • madeiradeuz

        Felizmente, acho que nenhum galego (sensato) propõe para a sua língua o modelo do segundo exemplo 😉 O debate é de ortografia e morfologia. Se entrarmos num terreno mais amplo, até na Galiza há soluções divergentes, como num exemplo que já colocara eu:

        – Segure isso (PT).
        – Tem (ou tenha) conta disso / Terma (ou terme) disso (GZ).

        Mas isto último já são divergências que existem em todas as línguas e é um assunto que está além de normativas, vai já de modelo de língua, de estilística, etc.

    • Joám Lopes Facal

      Umha “norma flexível” é um relógio flexível de Dali, nom dá horas.

    • Louredo

      Escrever çom nom supom qualquer problema de comunicaçom com a lusofonia. Os principais obstáculos som léxicos e algumhas expessons feitas, algumhas questons gramaticais

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Acho que nenhum galego a escrever o seu galego com norma portuguesa utiliza o português “padrão” por muitos -ãos e -ões que empregar. Contudo, parece-me bem que a AGAL queira assumir todas as formas ortográficas que o reintegracionismo galego contempla. Não sou sócia mas convido aos sócios a serem assim abertos e assumirem todas as práticas que eles mesmos sustentam diariamente. Seria um bom exercício de saúde democrática e de senso comum.

  • ranhadoiro

    Menos mal que saiu a tabela, pois quantos do padrom agal usam formas da tabela -convergente- e vice-versa num processo que erode imparável o modelo agálico (que segue a ter muitas funcionalidades).
    Tudo isso amossa-nos que na Galiza nada está bem parcelado. Mas que irdes fazer convergir as diferenças tabelares, sabendo como somos, o que ides é lembrar o parcelamento tabelar e a sua ferrenha defesa.
    Lembrai que na Agal, há muitos que estão, mais que em realidade praticam pouco e usam umas vezes modelos ráguigos e outras o madrileno aperfeiçoado e outras partiriam o cóxis por convergências e uniões, e há, a quem lhe tocam a tabela, e diz …..

    • ranhadoiro

      E conforme aos estatutos vigorantes, reformados nesta matéria (e no da Agália) sob a presidência Fagim, a assembleia da Agal não pinta nada em questões de padrom AGAL. Antes o conselho (e assembleia) tinham a derradeira palavra, porém isso agora desapareceu, além de que o quorum da Comissom linguística não se dava nunca (e também se facilitou suprimindo o mínimo) e podia-se modificar aos poucos essa comissom, mas isso travou-se, e agora enceta-se uma via de conflito estatutário, com uma comissom onde a linha não convergente só tem um voto amais, mas inteligentemente não é a sua função fazerem conflito no seio da comissom.

      • madeiradeuz

        Nem ideia do que contas, caro. Quando eu cheguei à AGAL, há dez anos, isso já estava assim. Certo é que houve mudanças posteriores dos estatutos (imprescindíveis, aliás, como se evidenciou), mas não se tocou nada nessa matéria.

        • ranhadoiro

          Tem razão Gerardo. Edito e coloco os estatutos na matéria