ALDEIAS DE ORDES

O apelido LOURO



Voltamos à Fraga de Ardemil, cabo da extensa família dos sensacionais irmaos Louro Raposo, músicos e combatentes antifranquistas, para aprofundar no primeiro dos seus apelidos, mui frequente também na vizinha freguesia de Buscás e presente no sector do hotalaria na vila de Ordes.

Se for um apelido de origem toponímica, em Ardemil tam-só aparece umha Tença dos Louros e umha a Loura, microtopónimos que devem aludir à família proprietária. Louros de mairo tamanho som o Louro da ria da Muros, o do vale da Ulha, e um outro situado no distrito de Braga. Se bem estes topónimos poderiam referir-se à árvore (Laurus nobilis) em algum caso, estudosos como Cabeza Quiles preferem a hipótese pré-romana da raiz *l’r ‘rocha, pedra’, que também usárom Dauzat e Rostaing para explicarem topónimos franceses mui parecidos. Para o Louro muradao, o impressionante rochedo de Monte Louro parece favorecer esta hipótese, assim como a presença viva na fala das palavras louro ou pelouro, com o significado de penedo e procedentes da mesma raiz *l’r[1]. Contudo, se o apelido Louro nom fosse de origem toponímica, poderia tratar-se, simplemente, dum sobrenome relativo à cor clara do cavelo do seu primeiro representante.

Para além dos irmaos Louro Raposo, presos políticos durante a Ditadura, também deveu ser um afouto Louro o contador do Sindicato de Profissons Várias e Campesinhos da Vrea de Ardemil, José Precedo Louro. Em tempos mais recentes, Antonio Louro ‘Fraga’ e Fernando Louro‘Fraguinha’ figêrom parte de Sementes da Arte. [2]

Grupo de Gaitas Infantil de Sementes da Arte, no campo de fútbol de Vista Alegre (Ordes), no ano 1979. Antonio Louro (Fraga), quinto pola esquerda arriba; e Fernando Louro (Fraguiña), oitavo. Fotografía incluída no libro-disco "Vilaverde" de Os Viqueiras

Grupo de Gaitas Infantil de Sementes da Arte, no campo de fútbol de Vista Alegre (Ordes), no ano 1979. Antonio Louro (Fraga), quinto pola esquerda arriba; e Fernando Louro (Fraguiña), oitavo. Fotografía incluída no libro-disco “Vilaverde” de Os Viqueiras

Ainda, no universo cunqueiriano Louro de Parentes foi um de Ordes que serviu em Tetuám até resultar ferido em Fundak de Asin Yedida. Ingressado no hospital, tivo tempo a fazer amizade com um mouro que tinha um livro com todos os tesouros da parte de Fez. Aquilo impressionara muito a Louro, quem:

“sostenía que los moros estaban pobres porque habían dejado sus dineros y joyas escondidos en Galicia, como se sabe por el Legítimo Libro de San Cipriano, más conocido por el Ciprianillo. Louro sospechaba que la propiedad en Galicia estaba mal garantizada, porque en cualquier momento podría llegar en el tren un moro con un papel, y hacer un retracto. Louro describía muy bien la llegada del moro a La Coruña en el tren correo de Madrid, y luego, como en el Castromil, viajaba hasta Órdenes, comía algo e iba con su papel en busca de abogado para hacerse con fincas que fueron de sus abuelos, cuando la conquista de España”[3].

Notas:

[1] Cabeza Quiles, 1992, p. 300.

[2] Manuel Viqueira Noya, Vilaverde, 2017, p. 37, com foto.

[3] Álvaro Cunqueiro, Obras literarias en castellano, II, Madrid, Fundación José Antonio de Castro, 2006, p. 815.

Hostal Louro, em Ordes

Hostal Louro, em Ordes

Carlos C. Varela

Carlos C. Varela

Carlos Calvo Varela (Ordes, 1988) colaborou e colabora com diveros meios de comunicaçom, entre os quais Novas da Galiza, Praza Pública e o Portal Galego da Língua. Estudante de Antropologia e investigador, tem publicado numerosos artigos em portais web, revistas e livros, além de realizar um reconhecido labor como dinamizador social e cultural em coletivos de Compostela e Ordes.
Carlos C. Varela

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