Novas da Galiza anuncia próxima re-aparição.

O Novas é umha das vias que tem o reintegracionismo para saír ‘ao exterior’.



O ‘Novas da Galiza’ nasceu em 2002 com o objetivo de ser ferramenta comunicativa ao serviço dos movimentos sociais galegos, durante três anos manteve a distribuição gratuita, repartindo-se em locais sociais, espaços alternativos e sedes de coletivos, com presença também na Internet.

Em março de 2005 o projeto começou uma nova etapa, marcada pelas mudanças no conselho de redação, na imagem corporativa e, em definitiva, na profissionalização. 150 números publicados dão boa conta do potencial deste projeto comunitário.

O último número dessa etapa, correspondente ao verão de 2015 anunciava, por surpresa, uma “pausa com o objetivo de nom ver arrancar 2016 sem um jornal mais forte e com maior capacidade de intervençom nos tempos que correm. Os próximos meses serám de trabalho invisível, mas imprescindível.”

Em setembro deste ano, o renovado Conselho de redação, iniciou uma campanha de Crowfunding: Além do barulho, e anunciou a volta à cena da emblemática publicação reintegracionista.

Do PGL entrevistamos ao Conselho de redação para conhecermos mais da esperada saída.

***

[PGL]: Uma publicação em papel, de periodicidade mensal … faz hoje sentido?, é ir contra-corrente, por estética ou fetichismo do papel ou por que realmente detetades uma necessidade de leitura mais tranquila, mais profunda, diferente? coletiva talvez? ou duradoira no tempo?

[NGZ]: Foi umha pergunta que nos figemos no começo desta etapa de reflexom. Com certeza, graças à Internet e às redes sociais temos acesso a um monte de informaçom de maneira quase instantânea, também através de meios com linhas editoriais similares em certa medida à nossa. Mas isso nom quer dizer que um meio em papel de periodicidade mensal nom faga sentido: deve reformular-se e aproveitar as potencialidades específicas do papel. Ante a saturaçom de informaçom que pode causar a Internet –que pode dar em dessinformaçom, muitas pessoas demandam outro tipo de jornalismo, que aprofunde nos temas e que trate assuntos que muitas vezes ficam fora das agendas doutros meios por nom serem de estrita atualidade.

 

[PGL]: São 6 anos da desaparição de ANT e de Vieiros… o que vos parece a coincidência?

[NGZ]: Na verdade nom reparáramos. Dalgumha forma, Sermos Galiza e Praza Pública tomaram o relevo de ANT e Vieiros. Quantos mais jornalistas e jornais existirem, mais rico será o nosso ecossistema mediático. Além das linhas editoriais, é bom que existam diários digitais, semanários e mensais em papel, TVs, rádios… cada suporte tem umha funçom e todas som necessárias.

 

[PGL]: Como todas as cabeceiras históricas do nacionalismo as fases e interrupções nos média parecem ser uma constante, a que é devido?

[NGZ]: No nosso caso existia a necessidade de reformularmos o projeto para adaptá-lo ao novo contexto que descrevemos anteriormente. O facto de sermos um projeto militante ou, para todo o mundo o entender, em que ninguém cobra, obrigou-nos a fazer umha pausa na publicaçom do jornal.

novasgzCaso sairmos da nossa conjuntura, poderíamos lançar a hipótese de todas essas interrupçons terem na fraqueza económica umha das suas causas principais. Hoje em dia, a viabilidade económica da imprensa está profundamente condicionada polas subvençons e convénios das administraçons públicas. Também (destacadamente) no caso da imprensa convencional, como La Voz de Galicia. O problema é que os critérios de reparto das subvençons estám desenhados para beneficiarem a imprensa convencional e os convénios de publicidade outorgam-se de forma arbitrária, ficando marginados os meios com linhas editoriais incómodas para os governos de turno. E os governos de turno quase sempre som da direita, daí que as únicas que sofrem interrupçons sejam as cabeceiras nacionalistas. Poderíamos falar noutros motivos, mas achamos que este é o fundamental.

 

[PGL]: Depois da pausa, com que energias vindes de novo? com que apoios contades?

[NGZ]: As pilhas estám carregadas ao máximo. Este período deu para refletirmos sobre novos temas a tratar e temos muitas ideias na neveira. O nosso apoio é o de sempre: toda a gente que lê o Novas e que com a sua subscriçom fai possível que exista o projeto.

experiencia-previa-ngz

[PGL]: Quem conforma a equipa que impulsa o projeto? Que perfil tem o pessoal que se embarcou agora?

[NGZ]: A maioria do Conselho de Redaçom está composto por jornalistas, mas também temos pessoas com formaçom académica noutros âmbitos das ciências sociais (um historiador, por exemplo). Mas umha parte importante da riqueza do Novas vem de todas as pessoas colaboradoras, que escrevem sobre temáticas mui diversas e que tenhem perfis também mui diversos: gente especializada no âmbito da cultura, da economia, da língua, da antropologia, etc. O que tenhem em comum todos os perfis que componhem o Novas, incluídas as equipas de revisom linguística ou a de administraçom (essenciais para a existência do projeto, embora externamente nom se visualizar o seu trabalho) é o compromisso militante. O Novas existe porque há muitas pessoas que dedicam parte dos seus tempos livres ao projeto.

Como principal novidade desta nova etapa cumpre destacar a equipa de imagem, que se dedicará a encher de fotografias e ilustraçons o Novas. Na nova maqueta a imagem vai ser protagonista.

 

[PGL]: Haverá continuidade na linha do Novas? mas quais serão as principais mudanças?

[NGZ]: O Novas seguirá sendo o mesmo projeto. Caso contrário, mudávamos o nome. As principais mudanças nom terám tanto a ver com a linha editorial como com a forma de achegarmo-nos aos conteúdos. Como comentávamos em perguntas anteriores, um mensal em papel nom pode estar tam sujeito à atualidade, entendendo a atualidade num sentido estrito. Existe outra atualidade que nom muda cada dia, umha atualidade mais profunda, na que às vezes nom reparamos mas que está aí. É desde esta perspectiva que trataremos a realidade.

novasgz2

[PGL]: Haverá surpresas?

[NGZ]: Achamos que quando a gente tiver nas maos o primeiro número da nova etapa vai ter surpresas agradáveis.

 

[PGL]: Manteredes colaboradores e seções? teredes novos?

[NGZ]: A respeito das colaboraçons, nom haverá umha mudança importante. Haverá novas pessoas a colaborar, mas sempre foi havendo incorporaçons. Onde haverá umha renovaçom total será no esquema de seçons. Achamos que o que até agora era o ‘Acontece’, mais ligado à atualidade, nom fazia sentido. Reduzimo-lo e passamos a concebemo-lo doutra maneira. Se calhar, a maior novidade será ‘O bom viver’, onde incluiremos os conteúdos que até agora se publicavam n’A Revista central e nas seçons de Cultura, Desportos e Tempos Livres. Serám várias páginas na parte final do jornal, com umha maquetaçom diferente e capa interior própria. Há outras novidades no esquema de seçons que iremos dando a conhecer nas próximas semanas.

 

[PGL]: Como será o espaço digital do Novas? mais interativo?

[NGZ]: Está chamado a desenvolver principalmente duas funçons: Em primeiro lugar, quer funcionar como montra de cada número, como umha espécie de sumário digital onde a gente puder saber quais temas é que vai encontrar no papel. Em segundo lugar, quer ser umha hemeroteca de fácil acesso. Antes limitávamo-nos a disponibilizar o pdf de cada jornal, sendo tediosa a leitura ou a pesquisa de conteúdos concretos. Publicamos muitos textos que continuam tendo o mesmo interesse um ano após a sua saída em papel, e temos que pôr isso em valor.

novas5

[PGL]: Como será o Novas graficamente nesta próxima etapa?

[NGZ]: Já adiantávamos antes que a imagem passará a ser protagonista das páginas, junto ao texto. Muita gente transmitiu-nos que às vezes se lhes fazia pesada a leitura de tanto texto pola própria disposiçom do mesmo, embora os conteúdos resultaram interessantes. Na nova maqueta vamos ter muito mais espaço para a imagem e também vamos jogar com os brancos da página, que o texto respire. Aliás, vamos tratar de dosificar melhor a informaçom, empregando vários titulares para as distintas partes dumha reportagem, quadros anexos com informaçom complementária, etc.

 

[PGL]: Continuará a ser o reintegracionismo e o movimento associativo um espaço privilegiado nas páginas do jornal?

[NGZ]: Dizia o nosso amigo Eduardo S. Maragoto, num dos vídeos que lançaremos estes dias de campanha, que umha das virtudes que ele vê no Novas é ser um meio de comunicaçom geralista –quer dizer, que trata sobre temas muito variados; nom estritamente linguísticos- escrito na normativa reintegracionista. O Novas é umha das vias que tem o reintegracionismo para saír ‘ao exterior’. Há outras, como o próprio PGL ou a Através Editora, entre outros exemplos.

Além de utilizar a normativa reintegracionista como veículo de comunicaçom, interessa-nos informar e debater sobre o próprio movimento e as suas propostas. Também sobre o movimento de defensa da língua num sentido mais amplo.

O Novas nasceu como lugar de encontro dos movimentos sociais galegos: dos feminismos, dos ecologistas, da língua, sindicais, da cultura… e um longo etcétera. O dia em que o Novas desatender os movimentos sociais já nom será o Novas.

 

[PGL]: “Além do Barulho” por que intitulardes assim a vossa campanha de financiamento?

[NGZ]: Responde ao que explicávamos antes, sobre o papel dos mídia na atualidade. Existe um clima de sobre informaçom que acaba por dar em barulho. Queremos ir para além. Queremos dar conta dos movimentos de fundo da realidade que muitas vezes nom ficam bem refletidos noutro tipo de imprensa, ou tratar aquelas questons que ficam invisibilizadas polo fume de ‘atualidade’.

novasgz1

[PGL]: E finalmente, como vai a campanha de financiamento e qual a data prevista de lançamento do 1º número (ou será 0 151),desta etapa?

[NGZ]: No momento de respostarmos esta entrevista já atingimos o mínimo necessário do crowdfounding [N.R.a 19 dias do feche, no dia da publicação eram € 3.965 dos 4.000 marcados como objetivo]. Temos outras necessidades que necessitam financiamento, e temos mais recompensas que oferecer, assim que a campanha continua.

Está previsto o primeiro número da nova etapa sair em Dezembro. Dado que as mudanças no projeto som bastante importantes, decidimos voltar começar a conta, assim que será o Nº 1. Também estará indicado na capa do jornal que se trata da 2º etapa, é a forma de explicitar que o Novas já tem muitos números às suas costas.

 


PUBLICIDADE