AS AULAS NO CINEMA

A nossa Galiza nas telas do cinema

5 documentários restaurados e recuperados, de José Gil, Carlos Velo, José Suárez e José Mª Lema



Nada melhor para comemorar o Dia da Cultura Galega, que se celebra desde 1963 cada 17 de maio, que deitar um olhar sobre aqueles filmes menos conhecidos, que apresentam lindas imagens da Nossa Terra, rodados na segunda e terceira década do passado século, alguns dos quais foram recuperados recentemente, restaurados e editados em DVD. Apesar de que, o intitulado Marinheiros de José Suárez, infelizmente ainda não se tenha recuperado, mas sim tenhamos muitas das fotos do mesmo. No depoimento, por considerá-lo muito interessante e significativo, incluímos o DVD editado em 2008 pelo Seminário de Estudos Comarcais para a Promoção da Costa da Morte (SEMESCOM), com a ajuda da Deputação da Corunha, sob o título de Roteiro das Antas da Costa da Morte. Os principais monumentos megalíticos.galiza-filme-galiza-e-bos-aires-de-jose-gil-1-cartaz

Nos dias prévios e posteriores à data do dezassete de maio, dentro da que podíamos denominar “Semana das Letras Galegas”, estaria muito bem organizar atividades lúdicas e artísticas variadas sobre a nossa literatura, as nossas artes e o nosso rico património natural e artístico. Para elevar a autoestima dos escolares galegos, de crianças e de jovens. E superar o baixíssimo autoconceito que os galegos e as galegas têm, desde há séculos. Porque Galiza é, por desgraça, ainda o “País dos tempos perdidos”.

Muitos galegos e galegas não sabemos que pecado temos cometido para sofrer o que temos sofrido desde há tempo. Mesmo desde há séculos e séculos. Desde a desgraçada morte dos Irmandinhos. Desde a doma e castração do reino da Galiza, iniciada pelos chamados Reis Católicos, sinalada por Zurita e comentada por Castelão. Desde a brutal castelhanização levada a cabo em seminários e mosteiros galegos, e também nas escolas. Desde a longa noite de pedra, de que falavam Celso Emílio e o poeta brasileiro Drumond de Andrade. E antes, desde a despiedada persecução durante a guerra incivil. Quase desde sempre e, o que é mais grave, desde agora mesmo. Quanto tempo temos perdido na Galiza! Quanto tempo estamos ainda a perder! A nossa Galiza pode perfeitamente chamar-se “o País dos tempos perdidos”. Sem ir tão longe historicamente, gostaríamos de comentar passo a passo hoje cada um dos tempos perdidos mais importantes:

  1. Ao contrário do feito por catalães e bascos na transição pós-franquista, enlaçando com o período republicano, os primeiros presidentes dos seus governos autónomos foram, respetivamente Tarradellas e Aguirre. Nós tínhamos Osório Tafall. E, noutra vergonhenta atuação típica galaica não foi aceite. Preferimos silenciar os culpáveis disto, que foram maioria. E não tivemos presidente histórico.
  2. Mais do mesmo. Catalães e bascos souberam manter a ligação com as suas forças políticas históricas, mantendo-as no exílio para recuperá-las depois na sua terra. Nós não, nós matámos o Partido Galeguista dos Castelão, Otero, Bóveda… Um dos máximos culpados, senão o que mais, foi Ramóm Pinheiro. Logo não tivemos uma força autêntica a que enganchar-nos. E ainda hoje não a temos, porque também fomos matando depois Coligação Galega, PSG e PNG, para lhas entregar a outras forças. E continuamos a pagar isto e o pagámos durante anos e anos.
  3. Não soubemos, não quisemos ou se calhar não pudemos, recuperar aquele nobre Seminário de Estudos Galegos (SEG). Entidade modelar para a investigação da nossa cultura secular. Bascos e catalães sim souberam recuperar as suas semelhantes entidades.
  4. Nas primeiras eleições democráticas depois da morte do ditador, o PSOE, que não tinha na Galiza quase ninguém, ofereceu-lhe ao PSG (Partido Socialista Galego) os postos ímpares nas listas eleitorais. Os galegos não aceitaram e o seu fracasso eleitoral foi escandaloso. Os “parvos” dos catalães sim aceitaram. Comparem hoje ao PSC catalão e ao PSOE galego, com infinidade de medíocres e sectários nos seus quadros e cargos.
  5. Nos inícios da década de oitenta existia uma força política interclassista impressionante, com muita militância. Estamos a falar da ANPG (Assembleia Nacional Popular Galega). O estalinismo, dum dia para outro, por perder o seu controlo, num ato realmente fascista e do mais antidemocrático, sem escuitar os muitos dos seus militantes, matou-a. E depois já sabemos que governos tivemos na Nossa Terra.
  6. Pelas mesmas datas, o ILGa toma a Academia Galega, igual que está agora, e, sob proposta dum asturiano e o seguidismo de muitos, uns conscientes e outros não, impõe-se por decreto como se devia escrever a nossa língua. Ao contrário do que se fez com outros idiomas noutras latitudes. Afastando-nos do nosso mundo linguístico, da filologia romanística e do senso comum. O demais já o sabem todos. Cada vez mais perda de galego-falantes. E o tema continua com os herdeiros daqueles.
  7. Levávamos um tempo com certo sossego no tema linguístico na Nossa Terra. Semelhava que se estava impondo um certo respeito entre as duas opções linguísticas. A foneticista e a etimológica, a castelhana e a histórica, a isolacionista e a reintegracionista, a reducionista e a universalista-lusófona… O tema começou com o artificial debate sobre o nome do nosso país. Foi a porta para a decisão de dedicar as Letras Galegas do ano 2009 a um dos máximos culpáveis daquela decisão ao nosso entender muito equivocada, sobre o famoso decreto normativo. Este foi precisamente Ramóm Pinheiro. Com quem estivemos antes de promulgar aquele decreto para que não cometesse o erro que, afinal, ele e Filgueira cometeram. Este era um momento para somar e não subtrair, para unir e não dividir os galegos sobre este tema. Para dialogar e debater, que tanta falta faz… Não para que a Academia da rua das Tabernas tomasse esta decisão. Se o que os académicos pretendiam era dividir os galegos, na luita pela tão necessária recuperação da nossa língua, não podiam escolher personagem mais idónea. Que ademais quase não tem obra literária. Para nós é este o enésimo tempo perdido na Galiza. E ainda hoje, tal como vem de dizer muito acertadamente sobre a RAG Juan Soto, “confiamos em que se ponha termo a situações não já absurdas, senão ridículas, tais como o veto irracional a Ricardo Carvalho Calero para personalidade epónoma do 17 de maio” (são palavras exatas de Soto). Que bom seria que não houvesse no futuro mais tempos perdidos! E que a Galiza deixasse de ser “o País dos tempos perdidos”, para converter-se no País dos tempos recobrados. A esperança de que tal cousa aconteça está nas crianças, adolescentes e jovens de hoje, que hão ser os homens da Galiza do amanhã. Daí a importância de trabalhar em todos os âmbitos, especialmente no escolar, para promover entre os rapazes o amor pela sua Terra e a defesa do seu idioma e da sua cultura.

FICHAS TÉCNICAS DOS FILMES-DOCUMENTÁRIOS:

  1. As nossas festas de alá. Galiza, 1928, 42 min., preto e branco, muda com intertítulos em castelhano. Documentário em três partes.

Diretor e câmara: José Gil. Rótulos: Jaime Solá. Estreia: Teatro Ariel de Montevideo (Uruguai): 14 de março de 1929. Produtora: Galicia Cinegráfica de Vigo, para Unión de Hijos de Morgadanes (Montevideo-Uruguai).

Restauro em 1999: Filmoteca Espanhola, Centro Galego das Artes da Imagem (CEGAI) e Arquivo da Emigração Galega.

Nota: Pode ver-se entrando em:

Argumento: No documentário contemplam-se essas paisagens tão suaves da Galiza e essa ledícia dos povos galegos tão sãs de coração. A escola de Morgadães, pulcra e singela aparece no filme em pleno funcionamento. Os alunos aprendem nela escrita à máquina, ademais de geometria e canto, e quanto é necessário para a sua instrução. A bandeira é hasteada no edifício entre a uruguaia e a argentina, homenagem justíssima aos que de ambos os dous países da Prata subsidiam e sustêm este estabelecimento de ensino.

  1. Galiza e Buenos Aires. Galiza, 1931, 29 min., preto e branco, muda com intertítulos em castelhano. Documentário em duas partes.

Diretor e câmara: José Gil. Rótulos: Saturnino Pinheiro. Estreia: Sindicato Agrícola e Gadeiro O Progresso de Fornelos da Ribeira (Ponte Areias-Ponte Vedra): 14 de junho de 1931.

Produtora: Galicia Cinegráfica de Vigo, para a Sociedade Progressista Hijos de Fornelos y Anexos (Buenos Aires-Argentina).

Restauro em 1999: Arquivo da Emigração Galega e Centro Galego das Artes da Imagem (CEGAI).

Nota: Pode ver-se entrando em:

Argumento: O filme segue uma ordem lógica. Os labores do campo da agricultura e da pecuária levam-nos à dinâmica feira de Ponte Areias. Dali passamos a olhar os rostos entusiasmandos no ato de abertura do local sindical a que assistem as crianças da escola, com foguetes, bandeiras republicanas, enquanto a orquestra ponte-areana interpreta o hino de Riego e a Marselhesa. Agustim Rivas, advogado viguês e o presidente da Juventude Republicana, Herberto Blanco, secretário do Ateneu de Vigo, e o grande líder agrarista Amando Garra, arengam aos labregos a prol da nascente República. Depois, em contraposição, a missa e a visita ao cemitério. À tarde, uma grande romaria popular. Todos estes elementos conformam uma iconografia única e irrepetível, quase de velho relato, metáfora fiel dum tempo ido.

  1. Galiza. Galiza, 1936, 25 min., preto e branco. Documentário recuperado em 2010.

Diretor: Carlos Velo. Ajudante de direção: Fernando G. Mantilla.

Roteiro: Carlos Velo e Rafael Dieste.galiza-filme-galiza-de-carlos-velo-1936-cartaz

Velo fala do seu filme: “Galiza é um documentário. E aí voltam a trabalhar os ourensãos: o “Jocas”, etnógrafo, Joaquím Lourenço Fernández; os amigos todos da Galiza. Chego eu com um camarógrafo de Madrid, com uma câmara estupenda francesa, e com Fernando Mantilla, que seguia sendo o que me conduzia e o que me ensinava como se podia trabalhar. E chego à minha aldeia, chego a Cartelhe, não? E descubro que há duas Galizas, e penso que eu tenho de tomar a Galiza minha, que é a Galiza ourensã, que não é marítima, que é terrestre, que é continental, que é diferente. E tenho que fazer a outra Galiza, a Galiza marinheira, não? Depois, quando eu vou editar isso, quando organizo esse documentário, chamo ao “Jocas” para que vá, porque necessito aturujos, canções e todas essas cousas. E ajuda-me muita gente. É uma cousa coletiva; um documentário deve ser uma cousa coletiva. E chamo o Rafael Dieste, que trabalhava nas missões pedagógicas, um galego extraordinário. Chamo por ele e digo-lhe: “Que che parece uma curta que primeiro começa com o linho, e logo os trabalhos da terra e logo os trabalhos do mar e remata ao final com o mar?” E diz: “Parece-me perfeito”. “Não, mas eu acredito que não está muito bem”, digo; e ele diz: “Está muito bem, Carlos Velo”. Ele foi o que me animou.”

(De uma entrevista com Carlos Velo, feita por Tareixa Navaza, RTVE‑G, março de 1983).   

  1. Marinheiros. Galiza, 1936, preto e branco. Documentário perdido e ainda não recuperado (só se conservam as fotos tiradas durante a rodagem, realizada na sua maior parte em Bueu em junho de 1936, mas também em Rianjo e Aldão).

galiza-filme-marinheiros-de-jose-suarez-1936-foto     Diretor, Fotografia e Roteiro: José Suárez. Produtora: CIFESA.

Comentário da revista Cinegraf (1937): “Há perto de um ano o realizador galego José Suárez dirigiu no porto galego de Bueu um filme sobre a vida dos “marinheiros”. Antes de revelar-se o negativo estalou o golpe fascista e foi impossível entregá-lo aos laboratórios desmantelados. Tampouco se pôde tirar do país. A censura militar ignorava se dentro das caixas-tambor havia realmente um poema do mar ou um documento indiscreto. Perigava já o vigor das emulsões quando o governo franquista permitiu (este treito aparece censurado) que se deslocassem as caixas com a fita para Lisboa, onde seriam reveladas as magníficas estampas e imagens que apresentam os marinheiros com a aparência de oficiantes de um estranho rito. No mês de dezembro de 1936, José Suárez teve que abandonar Espanha e deixar sem terminar a sua obra. Desatada a guerra, os seus ideais e amizades republicanas provocaram a sua persecução pelos fascistas, e viu-se obrigado a escapar para Lisboa rumo à Argentina. Supostamente, foram nas terras banhadas pelo Rio da Prata onde foi concluído o documentário Marinheiros. Porém, a procura do filme até agora, infelizmente, foi negativa, pois nunca apareceu. Desde então este filme, em que se retratam os marinheiros da ria de Bueu, é considerado como o “santo graal” da cinematografia galeguista”. Existe uma última referência sobre o filme, que faz manter uma leve esperança de que algum dia apareça a fita. Luís Seoane manda uma carta ao escritor Manuel Pilares, ao conhecer o falecimento de Suárez, em janeiro de 1974, em que lhe fala de quando o cineasta-fotógrafo chegou a Buenos Aires, onde o conheceu, e que ia acompanhado por Maruja Malho e Federico Ribas, e que madurava diversos projetos, algum dos quais chegou a realizar. Entre eles, o seu primeiro labor foi terminar o filme Marinheiros, quase totalmente realizado em Bueu, e ao qual acrescentou a sua parte sonora, segundo comenta Seoane na carta que mencionamos.

  1. Roteiro das antas da Costa da Morte. Os principais monumentos megalíticos.

     Galiza, 2008, 18 min., cor. Documentário editado em DVD.

Diretor: José Mª Lema Suárez. Produção: Manuel Suárez Suárez.

Roteiro: José Mª Lema e Manuel Suárez. Fotografia: Antóm Bugalho.

Narrador: Inhaki Balinho. Edição: Manu G. Torre.

Produtora: Seminário de Estudos Comarcais para a Promoção do Património Cultural da Costa da Morte (SEMESCOM), com a ajuda da Deputação da Corunha e a realização de SAGA TV.

Nota: Pode ver-se entrando em:

Argumento: O Megalitismo é o período neolítico que se desenvolve do VII ao II milénio antes de J. C., caraterizado por um tipo de construções feitas com pedras de grande tamanho, daí o nome, tomado do grego megas “grande” e lithos “pedra”. Porém, as construções megalíticas pela sua abundância na Bretanha francesa, adoitamos conhecê-las pelos seus nomes bretões: dólmen, que significa “mesa de pedra”, menhir, “pedra longa” e cromeleque “círculo de pedras”. O galego também criou nomes específicos para estes monumentos, igualmente válidos: anta, arca, antela, fornela, casota… para dólmen; pedrafita é o equivalente a menhir e ficam na toponímia as eiras, das meigas ou dos mouros, onde se pensa que pôde haver algum círculo de pedras megalítico. O megalitismo galego é essencialmente funerário. Os túmulos megalíticos são chamados no nosso idioma como mámoas, pela sua forma de “mama”, pequenos outeiros artificiais de terra que no seu interior guardavam ou guardam uma tumba de pedra (a anta ou dólmen). Também recebem outros nomes como medonha ou medorra. No documentário, entre outros da comarca, podemos ver o famoso dólmen de Dombate, que cantou nos seus versos Eduardo Pondal.

    ALGUNS BELOS TEXTOS SOBRE GALIZA:

    Os fragmentos e treitos que colocamos a seguir, depois de lidos, podem ajudar a criar nos escolares o apreço pela sua Terra, para que em adultos a defendam e se sintam orgulhosos de serem galegos, da sua língua e da sua cultura e património natural e artístico.

  1. Da medida das cousas, por Vicente Risco:

”Ti dis: Galiza é bem pequena. Eu digo-te: Galiza é um mundo. Cada terra é como se fosse o mundo inteiro. Poderá-la andar em pouco tempo do norte para o sul, do leste para o oeste noutro tanto; poderá-la voltar a andar outra vez e mais: não a hás dar andado. E de cada vez que a andes, hás encontrar cousas novas e outras hás botar de menos. Pode ela ser pequena em extensão; em fundura, em entidade, é tão grande como queiras, e desde logo, muito meirande de como ti a vês. Não dim os filósofos que o homem é o “microcosmos”, o compêndio, o resumo do universo tudo? Para quanto mais uma terra com todos os homens que nela vivem, um povo que, se quadra, é uma sorte de Adam Kadmon… Do grandor do teu espírito depende tudo; quanto mais pequeno seja, mais terra há precisar. Se o teu pensar é fundo, a tua terra, para ti, não terá cabo; nela estará o mundo com todos os seus climas. Se o teu pensar se detém na côdea das cousas, não digas tampouco: Galiza é bem pequena, és ti, que endejamais poderás conceber nada grande”.

  1. Galiza somos nós, poema de Manuel Maria:

“Galiza docemente

está olhando o mar:

tem vales e montanhas

e terras pra lavrar!

  Tem portos, marinheiros,

cidades e labregos

carregados de trabalhos,

carregados de trafegos!

  Galiza é uma mãe

velhinha, sonhadora:

na voz da gaita ri-se,

na voz da gaita chora!

  Galiza é o que vemos:

a terra, o mar, o vento…

mas há outra Galiza

que vai no sentimento!

  Galiza somos nós:

a gente e mais a fala.

Se buscas a Galiza

em ti tes que encontrá-la!”

  1. Deitado frente ao mar, poema de Celso Emílio Ferreiro:

“Língua proletária do meu povo

eu falo-a porque sim, porque me gosta

porque me peta e quero e dá-me a gana

porque me sai de dentro, alá do fundo

de uma tristura aceda que me abrangue

ao ver tantos patufos desleigados,

pequenos mequetrefes sem raízes

que ao pôr a garavata já não sabem

afirmar-se no amor dos devanceiros,

falar a fala mãe,

a fala dos avós que temos mortos,

e ser, c’o rosto ergueito,

marinheiros, labregos da linguagem,

remo e arado, proa e relha sempre.

  Eu falo-a porque sim, porque me gosta

e quero estar com os meus, com a gente que sofreu longo

uma história contada noutra língua.

  Não falo para os soberbos,

não falo para os ruins e poderosos,

não falo para os finchados,

não falo para os estúpidos,

não falo para os valeiros,

que falo para os que aguantam rejamente

mentiras e injustiças de cotio;

para os que suam e choram

um pranto cotião de borboletas,

de lume e vento sobre os olhos nuos.

  Eu não posso arredar as minhas verbas de

todos os que sofrem neste mundo.

E ti vives no mundo, terra minha,

berço da minha estirpe,

Galiza, doce mágoa das Espanhas,

deitada frente ao mar, esse caminho…”

    TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes antes resenhados. Depois de organizar um ciclo com estes cinco documentários.

Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada à Galiza, na qual colaborem os escolares e os docentes. A mesma deve incluir trabalhos dos estudantes (textos, poemas, desenhos, mapas…), fotografias, murais, esquemas, livros, revistas e pequenos estudos históricos, geográficos, artísticos, paisagísticos, de literatos e intelectuais galegos, de artistas e músicos, de monumentos, de momentos históricos importantes, etc.

Organizamos um Livro-fórum, depois de escolher entre todos de comum acordo um livro para ler. Entre eles temos, por exemplo, o Sempre em Galiza de Castelão, o Vida, paixón e morte de Alexandre Bóveda, o Historia de Galiza de Otero e Risco, e entre os poéticos, Cantares Galegos de Rosália de Castro, Aires da minha terra de Curros, Os sonhos na gaiola de Manuel Maria ou Longa noite de pedra de Celso Emílio Ferreiro.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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