Nós feiramos de segunda a sexta

AGAL e A Mesa lançam campanha polos dias tradicionais



feiramos-de-2-a-6A Associaçom Galega da Língua (AGAL), A Mesa pola Normalización Linguística, junto com a Fundaçom Via Galego, desenvolverám, ao longo do ano 2018, umha campanha para promover os dias da semana tradicionais: domingo, segundafeira, terçafeira, quartafeira, quintafeira, sextafeira e sábado.

Lançamento

A campanha será apresentada numha conferência da imprensa na segunda-feira 19 de fevereiro (10h30 no café compostelano Airas Nunes) e só seis dias depois, no domingo 25 às 12h, realizará-se um evento conjunto de apoio aos dias da semana tradicionais na localidade de Padrom (na polveira A Feira), com petiscos, música, poesia e intervenções de conhecidos e conhecidas intelectuais galegas.

Vídeo-clip da campanha

A campanha irá especialmente dirigida às crianças, por um lado, e a meios informativos digitais, por outro. Assim, por um lado conta com o apoio audiovisual da banda de música infantil Mamá Cabra, que compujo a cançom “Na segunda-feira” com o objetivo de facilitar às crianças a aprendizagem dos dias da semana entre outros tesouros de que andam à procura. Quanto ao material gráfico, editárom-se crachás, toalhas de mesa infantis e um calendário (ver anexo) que já está a ser distribuído polos organismos promotores da campanha.

Implicaçom de meios informativos

Por outro lado, os dous organismos galeguistas pedirám a meios de comunicaçom e outras plataformas digitais para usarem estas formas de modo total ou parcial. A partir do dia 19, será distribuído um banner que informa do dia do mês e da semana em que estamos. Clicando nele, seremos reencaminhados para um site onde se oferecerá informaçom linguística e histórica sobre os dias da semana na mesma normativa ortográfica que normalmente usa o sítio web em que o banner seja inserido.

Os dias da semana tradicionais

Algumhas denominações dos dias da semana tradicionais resistírom como maioritárias até bem entrado o século XX, mas fôrom caindo no esquecimento quando na escola se começárom a promover outras formas que, ainda que também fossem genuínas numha zona mais pequena do nosso território oriental, em geral eram produto da adaptaçom fonética dos dias castelhanos: luns, martes, mércores, xoves, venres, sábado e domingo.

Aproveitando o facto de ainda estarem vivas as formas tradicionais da maior parte do território (ainda que só em pessoas mui velhas), e de estarem admitidas pola norma oficial do galego, os coletivos promotores afirmam querer-lhes dar um impulso e evitar a sua desapariçom.

Segundo A Mesa e a AGAL, para as pessoas preocupadas polo galego “é fundamental saberem que temos força para recuperar as nossas palavras ainda que seja no limite da desmemória. No caso concreto dos dias da semana, a sua revitalizaçom seria mui motivadora, porque afeta umha série de palavras usadas diariamente por qualquer pessoa”.

Mas ainda há mais motivos:

a) É um sistema lexical muito emblemático dos países lusófonos, despertando o nosso orgulho pola pertença a este tronco linguístico e pola capacidade comunicativa do galego no mundo.

b) É um sistema lexical muito relevante na nossa história linguística e política, pois o seu nascimento está intimamente vinculado ao Reino da Galiza (Galliciense Regnum) dos séculos V e VI.

c) É um sistema único do galego-português entre todas as línguas do mundo.

ANEXO :

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  • abanhos

    Teve que a minha mãe, ja bem idosa, padezer alzheimer, para que de pronto lhe apareceram os dias tradicionais do seu tempo nenê.
    Como nos foram apagando, com os dobretes e dobradinhos, e a superioridade do modelo de lingua imposta.

    Bem vinda seja tão boa e necessária iniciativa-

    Além disso quero fazer notar que no calendário foram esquecidas datas que merecem um relevo, e que formam parte da nossa tradição e além disso lembram-nos momentios que não devemos esquecer.
    Em Janeiro, devia-se marcar o dia 6 o dos reis.

    Em Março deveria marcar-se o dia 1 ananiversário da batalha de Toro de 1476, que é o início da nossa doma e castração e o elemento que impidiu a nossa união com Portugal, formanddo um único povo.
    o dia 17, Sâo Martinho de Dume, padroeiro verdadeiro da Galiza

    Em abril não pode faltar o dia 1 o dia dos enganos, o dia onde os burros vão a onde não querem ir

    • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

      É duvidoso que tua nai digesse algumha vez «teve que a minha mãe» em vez de «tivem a nai» ou «tivem-che a nai».

      De resto, nom fai muito sentido erguer a bandeira do lusismo na defesa do nosso património, quando esse lusismo deixa boa parte do nosso património como «dialetalismo» …

      • Venâncio

        Roi,

        “Esse lusismo deixa boa parte do nosso património como «dialetalismo»”.

        Sim, a proposta lusista para a Galiza é um autêntico desconsolo. Pobre Galiza, que não se safa dos extremismos, com as suas tão eficazes chantagenzinhas.

        • Luis Trigo

          Caro Fernando Venâncio, nem a RAG admite pulpo…

          • Venâncio

            Caro Luís Trigo:

            A RAG não admite, e até condena, muitas dezenas de formas castelhanas que no Português se estabeleceram. Toda a aproximação (para não dizer a fusão…) entre Galego e Português trará consigo uma transfusão castelhanizante. Isto não é, em si, logo uma catástrofe, mas tem que ser examinado com o máximo cuidado e a máxima informação… Mas eu (desculpe insistir) ando a dizê-lo aqui há quase 20 anos.

            O lusismo visa a criação (mas nunca o dizem explicitamente) duma sociedade bilingue castelhano-portuguesa. Ora bem: qualquer linguista lhes explicará que isso é estruturalmente impossível, e que o resultado será a estrondosa vitória do Castelhano. É para isso que se fez o Reintegracionismo?

          • Luis Trigo

            Eu acho que há de tudo. Há muitos que explicitam uma sociedade bilingue e querem secretamente o monolinguismo português… Mas tudo isto de pulpo e feiras são pormenores. Até o que os nossos ancestrais e contemporâneos dizem e que nunca escreveram. Numa aldeia a poucos quilómetros de Vila Real, o bua ou a bua servia para perguntar pelos meus avós, que provavelmente estariam nas escaleiras a ver a ferruige ou a feluige. Eu tamém num sabia… Agora o que me inquieta é quando embarcamos numa forma ortográfica e sintática sedutora como a do Roi, que eu também gosto e prefiro ao pt standard, e não vemos as contradições do conteúdo. Mais moderno que dizer os nomes dos dias em castelhano à castelhana é imbatível. Ou será o monoteísmo das feiras mais moderno que o politeísmo do castelhano e das outras línguas?

          • Venâncio

            Apontar aquilo que é oportuno, ou não é oportuno, no desenvolvimento dum Galego ágil e moderno é tarefa de sociolinguistas e gramáticos galegos. Constato que não existe debate público profissional entre os sociolinguistas da AGAL e do Oficialismo. E, lamentavelmente, a AGAL não possui nenhum gramático… o que explica que ande linguisticamente à deriva.

          • Venâncio

            Tentarei explicar-me.

            Um gramático é alguém que estuda e expõe as estruturas do idioma, ou mesmo as estruturas duma determinada norma (um gramático do Português Brasileiro faz uma tarefa, o do Português Europeu faz outra, paralela àquela).

            É isso o que faz para o Galego, por exemplo, Freixeiro Mato. Não só redige uma Gramática do Galego, como também investiga e publica novos aspectos da matéria, mantendo um debate com profissionais doutros idiomas.

            Desde a morte de Carvalho Calero, em 1990, há quase 30 anos, nada mais disso aconteceu em contexto agálico.

            Como se isso fosse pouco, à AGAL falta também um linguista histórico. Não existem, no contexto dela, publicações sobre desenvolvimentos históricos (linguísticos!) do Galego. Francamente, não existe qualquer interesse nisso. Ora bem: esse conhecimento é indispensável na tomada de opções linguísticas de toda a ordem. Sem esse conhecimento, reina o oportunismo, institui-se a indefinição.

            Na Agal existem óptimos lexicólogos e lexicógrafos, alguns bons pedagogos, e muitos, muitos activistas. Mas faltam linguistas. E falta sobretudo uma visão global: que paisagem linguística visa o Reintegracionismo realizar, uma paisagem concreta, no contexto concreto, que é o dum idioma estranho, mas poderoso, dominante no papel, no som e nas mentes… não a paisagem dos mitos, das ortodoxias, dos sonhos.

            Essa é a tarefa do linguista. Sem esse apoio, estarão os militantes sempre vulneráveis a quaisquer gurus que lhes enchem de cantigas os ouvidos.

          • Ernesto V. Souza

            Os linguistas que façam linguística, que os contratem nas Universidades e nos centros de pesquisa, isto é a AGAL, a pobre AGAL, a merda da AGAL… que se ocupa de propaganda, divulgação, protesto… e faz mais que avondo…

            caralho já… vá exigir a quem tem de exigir… e não a nós que nos matamos a trabalhar nas nossas misérias…

          • abanhos

            Não se pode pontificar desde a distância; vem morar na Galiza, e logo pontifica se tiveres força

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            Em italiano tenhem até cinco formas prò nosso pulpo / polbo / polvo:

            – calamaro
            – ottopode
            – piovra
            – polipo
            – polpo

            Trata-se da polinomia linguística, conceito que é conhecido nom dar-se bem cos fundamentalismos linguísticos …

          • Luis Trigo

            Gosto muito de Itália, mas agora que me lembras isso penso já não ser mais compatível com o meu fundamentalismo linguístico… ou outra coisa qualquer aleatória. Como é em romeno?

          • abanhos

            José Manuel, percebes que os dobranças, quando há uma língua imposta, funcionou como um dos processos fulcrais de apagamento do patrimonial…e que nesse caminho a polinomia é faca de dous gumes…bom era…a cada passo está mais natuealizado o castelhano e pouco a pouco essas discussões ficam como remorsos

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            Acho umha vergonha que os lusistas vos apropriedes do discurso reintegracionista do Carbalho Calero. Ele nunca dijo que o galego era português, mais ca seria ou galego-castelhano ou galego-português. Ele nunca defendeu a norma de Lisboa, ao contrário do Rodrígues Lapa, que pouco sabia da realidade do galego, mesmo sendo dos portugueses mais informados … Presta-vos mais honestidade e menos propaganda …

          • Luis Trigo

            Pois sim, não sei de que me pretendes acusar. Não falei do Carvalho Calero… Sou apreciador da ficção científica mas ainda não consegui perceber a ciência-ficção.

          • Venâncio

            Roi,

            Manuel Rodrigues Lapa conhecia mais da realidade do Galego do que pareces supor. Só que, há 50 anos, o próprio Galego culto (o de Otero Pedrayo, digamos) era construído de hiperenxebrismos pessoais, e Lapa sabia que isso não garantia nenhum futuro.

            O erro de Lapa (que hoje é o programa da AGLP) foi supor que o Português poderia funcionar, na Galiza, como uma “norma culta do Galego”. Seria o mais rápido caminho para a desgraça: a Galiza seria, na prática, trilingue.

            E quem acabava ganhando com isso? Nem preciso de perguntá-lo.

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            Importante esclarecimento, obrigado.

          • Ernesto V. Souza

            Mas e porque o de Lapa foi erro, se a hipótese nunca se levou à pratica salvo em casos contados, definidos por diferentes contextos e bastante incompletos processos de re-alfabetização e domínio (autodidata nos mais dos casos) do português?

            E se houvesse possibilidade de realizar esse experimento maciçamente na população escolar galega e em um número considerável de adultos re-alfabetizados? Por que não funcionaria?

            Onde está a incompatibilidade de juntar a prosa brilhante, erudita e selvagem de Otero Pedrayo com o jeito digno, académico e elucidativo de escrever de Lapa?

            Onde – caso de termos uma re-alfabetização – o problema de ler à galega (dialectal ou familiar) a prosa portuguesa, e onde o de escrever em português a fala que herdamos?

          • Ernesto V. Souza

            Oi amigo, o senhor apostou com alguém que o baníamos do PGL, ou como vai a cousa?

            Em que contribui ao debate? que tem a ver isto tudo com a MESA e a a AGAL fazendo uma propaganda?

          • abanhos

            Meu caro José Manuel esta só demais, e Venâncio acabou de ser o seu conselheiro conformador de cabeceira, que para o caso batia em ferro quente.

            Nem se che ocorra de bani-lo, sei que isso não o farás ainda que ele o pense

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            «perguntar pelos meus avós» nom é galego nem português, é apenas portunhol. Tens que saber menos espanhol e mais galego, se é que queres saber bem o português …

          • Luis Trigo

            XD

          • Luis Trigo

            A sério, achas que consegues permanecer credível desta forma?

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            A sério, ainda nom sabes como se di em galego ou em português «preguntar por mis abuelos»? É umha expressom dabondo básica, que um neno qualquer deveria saber, nom achas?

          • Luis Trigo

            Quem me parece que não sabe és tu XD

          • Venâncio

            O que eu não entendo, e sinceramente acho uma cobardia, é o teimoso silêncio dos lusistas a respeito da “paisagem linguística” que eles imaginam para a Galiza. O mais provável é que não tenham ideia nenhuma acerca disso.

            Está fora de hipótese que uma sociedade (não estou a falar dalguns indivíduos!) bilingue em Castelhano e Português seja sequer criável, muito menos que possa manter-se. Existe um precedente histórico, o Portugal dos séculos XV até XVIII, em que o Castelhano era a língua de referência, e ninguém menos que Fernando Vázquez Corredoira (o único linguista histórico ligado à Agal, de quem lamentavelmente ouvimos tão pouco) mostrou que, tivesse aquele cenário sociolinguístico persistido, o Português teria desaparecido como idioma de cultura.

            Se isto se passou em Portugal, que só por 60 anos teve rei espanhol, o que esperar da Galiza de hoje, parte do Reino de Espanha, e com toda a pressão social, cultural e política que o Castelhano exerce?

            Eu dou de barato à AGLP que ela não sonha com a tentativa de implantação de tal impossível sociedade bilingue. Mas com que sonha, então, uma agremiação que a si se chama “Academia Galega da Língua Portuguesa“?

          • Luis Trigo

            Sim, eu compreendo o que diz, ainda por cima o castelhano é muito mais próximo do galego do que de qualquer outra língua ibérica. Também não acredito no bilinguismo.

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            O português, o astur-leonês, som menos próximos do galego ca o castelám? Estamos já a atingir os mais outos cúmios da sabedoria … ?

          • Luis Trigo

            Desculpa, é certo

          • abanhos

            Ele não diz isso

          • Venâncio

            Sim, tanto o Português como o Galego são presas fáceis para o potente e prepotente Castelhano. Poderia supor-se que até um Reintegracionismo galego coerente (e já nem falo no Lusismo) tivesse a independência política da Galiza no seu programa, pelo menos como perpectiva de longo prazo. Mas não. São muito poucos os reintegracionistas galegos independentistas. Assim de repente, só me lembro do Maurício Castro. Se conhecerdes mais, terei gosto em saber.

          • Galego da área mindoniense

            Independência? A Galiza? Nom sei em que mundo será isso, mais eu nom o acabo de ver. Nom lhe vejo moito futuro sendo independente.
            Coido que há melhores alternativas (a longo prazo), peró primeiro (a curto-medio prazo, a poder ser menos dũa década) deve lograr-se a oficialidade do reintegracionismo (nom “lusismo”).

          • Venâncio

            Eu falei de coerência. Oferecer o Português às botas castelhanas… só de loucos. Mas aí os temos.

          • Galego da área mindoniense

            A única língua oficial da Galiza teria de ser o galego; e o castelão, como língua forânea que é, seria tratado como calquer outro idioma do mundo. Na prática, provavelmente a sua situaçom teria moitas semelhanças coa do inglês.

          • Ernesto V. Souza

            Não entende o silêncio, mas eu explico… a gente cansa-se de debater sem sentido e tem de priorizar. Uma vida de pesquisa e estudo académico continuada exige condições, contexto instuitucional e energia. É algo para profissionais. Fora disso é hobby, que também exige tempo, energias e acomodo. Mas sem um suporte profissional, não há continuidade, nem produção (é dizer a produção não encaixa nos marcos científicos e académicos e tende às margens), pode haver destelhos fugazes, momentos, comentários, tertúlias, pequenas publicações locais… mas a gente vai cansando e abandonando.

            Os grandes espaços académicos esses são os que não debatem, tendo a obriga de fazer. Por que não fazem, pois justo porque escolheram para ocupar esses espaços mentes acríticas.

            O Fernando Corredoira está muito atarefado, como tantos outros – outrora jovens e brilhantes promessas universitárias – que minusvalora, (também esse que o ameaça nos tribunais e era provavelmente uma das melhores cabeças em linguística e sociolinguística na Galiza há vinte anos), tratando de ganhar o pão em trabalhos soltos…

            Essa gente devia ocupar os postos no mundo académicos que muitos com menos valia e nenhum talento ocupam, de jeito que nestes últimos 20 anos pudessem ter o contexto ajeitado para produzir… e aí sim teria o debate, as respostas, o ruído e os materiais…

          • Venâncio

            Ernesto:

            Agradeço a informação que dás sobre o Fernando Corredoira, ao mesmo tempo que lamento que não disponhamos de mais estudos seus.

            Devo, porém, dizer que o principal trabalho dele («A construção da língua portuguesa frente ao castelhano. O galego como exemplo ‘a contrario’», Laiovento, 1998) é mais vezes referido em contexto oficialista que em reintegracionista. Mesmo proporcionalmente. 😉

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            Assi é: esse bilingualismo, entre línguas tam próximas e de peso tam desigual (quanda nós) é impossível. Fica em evidência nessa cantiga do vídeo, que com propósito reintegracionista ou purista (de reintroducir as nossas formas antergas dos dias da semana) confirma vários castelanismos desnecessários.

            O caminho é reconhecermos o galego como co-variedade do português, trabalharmos com mais coerência, admitir as dualidades como «pulpo» / «polvo», os dias da semana como «xoves» / «quinta feira», e ao mesmo tempo banir os castelanismos desnecessários, coma «coa minha nai» em vez de «coa nai», ou «dar-se bem com …» em vez de «levar-se bem com …»

          • Galego da área mindoniense

            E “xoves” nom é um castelanismo desnecessário. É um castelanismo que invade os nomes dos dias das semãs, que é do primeiro que se estuda ò aprender calquer idioma deste mundo.
            Curioso. Acho que, primeiro, cómpre definir o que é castelanismo “desnecessário”.

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            Trata-se dumha concessom ao reintegracionismo, pra nom serem acusados de castrapeiros, assi vos calam a boca. É umha decissom puramente estratégica. Emporisso, o dicionário «aulete» regista «pulpo». Em francês tenhem «poulpe» e em italiano «polpo». Mais claro, em nengum destes países hai «lusistas».

        • Ernesto V. Souza

          Ai, se ajudassem um bocadinho na construção da centralidade e deixassem de procurar fantasmas pelos cantinhos…

          • Venâncio

            E que ando eu fazendo, Ernesto, senão tentando chamar os extremos à racionalidade?

          • Ernesto V. Souza

            Não há tais extremos por cá… ou seique um acordo/campanha MESA-AGAL-Via galego… não demonstra justamente o que se anda e leva andado ?

          • Venâncio

            Isso é deveras um bom consegumento e um bom sinal. Sempre tive o maior apreço pela Mesa. Mas o discurso lusista, com o seu entreguismo a soluções e mitologias estrangeiras, continua dominante. A AGAL está atadinha nas mãos duns ayatolas.

          • Ernesto V. Souza

            A AGAL, atadinha? Duvido-o. Francamente. E a realidade, passinho a passinho, dia a dia, e com o decurso dos anos, vai demonstrando justo o contrário.

          • Venâncio

            Espero sinceramente que tenhas razão.

          • Ernesto V. Souza

            Isso não importa, o que importa é tecermos, com os bandos diversos de todo o galeguismo, um espaço de possibilidades, debate e cordialidade… a razão afinal é a do coletivo… mas primeiro há que construir o coletivo. 😉

          • Venâncio

            Isso é linguagem nova em recente contexto agálico, que eu aplaudo com vivo prazer.

          • Ernesto V. Souza

            Isso é linguagem velha… ou acha que um passo assim com a MESA (onde milita um ferrenho núcleo duro isolacionista) faz-se de um dia para outro?

            Não… é trabalhinho de anos… e debates com projetos e linhas aprovados em Assembleia, que começam agora – haverá mais surpresas – a se evidenciar.

          • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

            Prezado Fernando, a AGAL não está atada nas mãos de ninguém. “O povo é quem mais ordena”. Quem mais ordena na AGAL são as mais de 450 sócias e sócios que tem. A assembleia geral, que reúne no mínimo duas vezes por ano, é o máximo órgão associativo, isto é, tem a faculdade de fazer e desfazer o que outros órgãos (Conselho, comissões) aprovarem.

            Desde o verão de 2009 (e já choveu!), todas as (grandes, médias ou pequenas) decisões nas assembleias foram tomadas quase por unanimidade. Isto é um facto que se pode comprovar, aliás, nas crónicas assembleares que tem publicado o Portal Galego da Língua, boa parte das quais redigidas por quem lhe escreve.

            Isto é um facto que não admite discussão. Agradecerei-lhe, pois, a retirada dessa acusação, pois não corresponde à realidade.

          • Venâncio

            Francamente, não te imaginava a exprimires-te em discurso de comités centrais… 😉

          • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

            Eu falo em discurso de uma associação, que é uma livre união de pessoas a trabalharem por uns objetivos comuns. Não é a AGAL uma organização em que se faça o que um reduzido núcleo deseja e até que passem quatro anos nada pode ser mudado.

            Tem havido algum caso de projetos que o Conselho poderia legalmente ter levado adiante sem consultá-lo na assembleia. Tem havido casos em que se constatava uma maioria de apoios numa assembleia, mas não um consenso geral, e o Conselho decidiu fazer uma contra-proposta ou mesmo retirar o projeto.

            Este procedimento, fundado na generosidade, é o que permitiu que por mais de oito anos todas as decisões na AGAL se adotassem num clima de grande coesão interna.

            Esclarecido isto, insisto, Fernando, na hora de lhe pedir uma retificação das suas palavras, inexatas e injustas.

            Cumprimentos.

          • Venâncio

            Gerardo,

            Eu acredito que, do ponto de vista legal, esteja tudo em ordem.

            Por mim, observo um processo, ao arrepio de qualquer enquadramento legal: o duma radicalização de posições, e isto em termos profundamente oportunistas, aleatórios.

            Alhures neste fio eu explico porquê: não existe entre vós debate linguístico, nem pode existir, nunca tendo a AGAL, após a morte de Carvalho Calero, acarinhado esse tipo de debate… e todavia tendo vindo a tomar decisões nesse campo.

            Dá-me verdadeira pena estardes a fugir às questões linguísticas fundamentais. Eu atribuo isso à inexistência de autênticos linguistas, e de linguistas históricos, no vosso seio.

            Eu sei: linguistas não se criam da noite para o dia. Mas existem na Galiza indivíduos capacitados nesses domínios, com quem poderíeis procurar, encetar e manter contacto.

          • Ernesto V. Souza

            Mas Fernando… é que não quer entender… na AGAL houve uma evolução, de décadas… Protagonistas, integrantes, e com eles objetivos, não são os que já foram…

            A perca de peso dos linguistas e filólogos na AGAL é um processo muito interessante e complexo. Em processo dado que os últimos 2 presidentes foram filólogos… Tem causas derivadas da dinámica associativa interna, grupos de poder, gerações, derivações noutros projetos… e tem causas corporativas (por abandono durante a década anterior (90’s) de uma grande massa de ativistas filólogos motivada pela pressão económica, laboral e pela necessidade de viver, fazer carreira ou publicar).

            Há também gente filóloga, linguística, que ficou na AGAL ou no reintegracionismo, e por causa disso, ou se ambarcaram no ativismo divulgativo deixando os trabalhos científicos ou ao perderem as suas carreiras, objetivos e linhas de pesquisa, tiveram de viver doutras cousas para sobreviver… e abandonaram também a ideia de trabalharem nas cousas que os apaixonavam e para as que se formaram.

            A determinada altura, já neste século o pessoal ativo na AGAL, constatou que existia, na massa de sócios várias formas de entender o reintegracionismo… um pouco mais tarde compreendeu, após debates e debates infrutuosos que era bem melhor deixar liberdade de escolha aos sócios que tratar de construir e impor um modelo normativo único.

            Mas dado que existia uma Comissão linguística no seu seio que propugnava e defendia a necessidade da AGAL aceitar e divulgar um modelo único sob essa marca, houve que ir a um debate e votação… debate e votação cujo resultado foi o preterimento da histórica Comissom Linguística a grupo de trabalho não vinculante da AGAL e a validação da atual proposta de tolerância normativa e de construção de um modelo normativo por uso e capilaridade, com a prática e o tempo…

            Ergo, a construção de um modelo único formalizado, não é mais prioridade para a AGAL… entenda-o. Esses linguistas hoje têm outros espaços onde desenvolver esses trabalhos. Também têm a AGAL e o PGL para trabalhar neles e neles divulgar as suas teorias, mas apenas como uma parte mais da massa associativa, se querem…

          • Venâncio

            Ernesto, não estamos a falar da mesma coisa. Na AGAL não existe interesse pela materialidade do idioma, não se o problematiza. A deriva lusista (isto é, “o Português como solução”) nasce desse vazio de conhecimento e de empenho. Daí que as propostas linguísticas sejam crescentemente vácuas e aleatórias. Os indivíduos podem apelidar-se “filólogos”, mas nada produzem no campo do idioma. E não só não produzem, também não reagem. Houve, e há, do exterior, alguns importantes estímulos (em que também tive a minha parte). Reacção desses “filólogos”? Nenhuma. Nem debate nem recusa: nada de nada. Como projecto linguístico, a AGAL nada tem já para oferecer. Ela é realmente, só, uma associação de activistas, atados ao “português”, pois perderam qualquer outro rumo.

          • Ernesto V. Souza

            Pois se a AGAL é isso, será, como diz o Gerardo, porque isso é o que escolhemos os seus associados…

            Não é na AGAL onde esse debate hoje tenha sentido. Um debate desse teor apenas teria lógica nos espaços académicos e institucionais encarregados da construção da norma e da prescripção dos Modelos, com profissionais… esses espaços são as Academias, o ILG, os departamentos universitários, as editoras, a xunta. Não a AGAL.

            Não nos recrimine a nós essa falta de debate. Nós não andamos nessas guerras. Os que não querem debater são os que estão nesses espaços profissionais, académicos e institucionais.

            Nós somos ativistas, que imos efetivamente converter o português na prótese ortopédica com a que salvar as nossas limitações. E isto vai ser assim, por renuncia de toda esperança, pelos abusos de décadas e pelo desprezo a todo trabalho e debate por parte do isolacionismo. Por isto, e porque o recurso português é mais rápido, doado e cómodo, está já a um click, o outro não é mais que uma quimera… que trabalhe nela quem queira.

            E eu francamente – acho, hoje por hoje, que é a melhor e mais simples solução que nunca se dera a um debate que era impossível e que nos lastrava a todos… a cada um dos grupos, a indivídios particulares que pretendiam desenvolver trabalhos concretos e propostas, à AGAL e ainda ao relacionamento com os diversos grupos isolacionistas…

            Cumpria agora que no isolacionismo se abandonasse de vez também o monolitismo anti-reintegrata e de mais em mais adiantasse por toda a parte a confusão, a concórdia, a variedade e a tolerância…

          • Venâncio

            Ernesto,

            Eu rendo-me. Que mais me resta fazer?

            A AGAL teve, um dia, uma proposta linguística, que julgou um serviço prestado ao Galego. Recentemente, considerou falhada essa proposta e abandonou-a (eufemisticamente, reconheceu “liberdade normativa”). Que o aparecimento da AGLP teve directamente a ver com essa desistência, é circunstância demasiado visível para negá-la. A AGAL é hoje um atrelado ideológico da AGLP. Que descanse em paz. Com muita, muita actividade.

          • Ernesto V. Souza

            Fernando… isso é absurdo… a AGLP não tem qualquer peso na AGAL (e viceversa). Há pessoal que está em ambas as partes, mas apenas formalmente. E cada vez menos há de uma na outra… divergem, por natura e vontade, ocupam planos diferentes. Co-existem, entre outras instituições e grupos e dentro de uma muito galega e diplomática formalidade…

            Mas digo-lhe mais, e honestamente… o melhor que lhe passou a AGAL foi perderem filólogos e linguistas protagonismo, e abandonarmos assim, tranquilamente, esse debate manhoso.

            Ambas as cousas lastravam imenso à Associação, que agora e mais do que nunca pode se dedicar a outras e mais prioritárias necessidades.

          • Venâncio

            Pode parecer-te absurdo… Mas admitamos que a distância permita discernir processos, menos visíveis ao perto. Tu mesmo o descreves muito bem: a AGAL alijou o lastro ideológico… Na realidade, entregou-o a outrem.

            No meio de tudo isso, o seu projecto linguístico soçobrou, evaporou-se. Deixou de ser “prioridade”, ou mesmo sequer tarefa. É bom que as coisas estejam claras. Nisso tu és muito bom: a tua frontalidade, sempre a apreciei. É virtude rara.

          • Ernesto V. Souza

            Alijou lastro. Pois. Mas não apenas a AGAL, acho que o conjunto do reintegracionismo ganhou e entendeu que era momento.

            Entregou? o que? e a quem?

            O feito – interessante também – continuando com essa lógica frontal, é que ninguém mais no reintegracionismo… nem fora dele… capitalizou esse abandono.

            Não repararam? Esse “detalhe” é – para mim – revelador. A gente muito fala, defende, profetiza, mas em havendo a oportunidade… ninguém quer/ou pode assumir essa “tarefa”…

          • Galego da área mindoniense

            Magnífica liçom d’história. Inda que acho que é máis apropriado publicá-lo na Wikipédia (onde mal aparece algo da história da AGAL) ou num artigo independente do PGL ca na efemeridade dos comentários deste artigo.

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            «Com todos os respeitos», acho o teu discurso insuportável. A criaçom da AEG foi resultado dumha cissom na AGAL, devida à propaganda lusista que fijo com que os linguistas da AGAL (sim, aqueles que sabem da língua e nom das ideologias!) liscaram. Persoas que nom sabem rem do galego e sim tudo sobre o castelám (os «neo-lusistas») passárom a ter a mesma voz ca os linguístas do CL da AGAL. Isso foi umha vergonha, passastes de ser umha associaçom de prestígio pra um clube de fans do português. Lamentável desfeita.

          • Ernesto V. Souza

            A mim o que me fascina é que importa ou não importa a alguém que nem milita na AGAL ou na AEG que passou não passou…

            Como diria o meu avó de baralho na mão… os de fora miram e se acaso dão tabaco…

          • abanhos

            Ainda menos mal que na Galiza temos neos…se não que seria connosco…

          • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

            Quando há uma cissão, a gente separa-se. Mas curiosa cissão, quando o presidente da AEG é uma pessoa que, para além de continuar a ser sócia da AGAL, colabora habitualmente no PGL.

            Como já tenho repetido até chegar ao cansaço, na criação da AEG houvo:
            – Pessoas que saírom da AGAL
            – Pessoas que nunca estivérom na AGAL
            – Pessoas que continuam na AGAL

            Fica bastante evidente que a AEG não é uma cissão, é uma criação ex novo. E que lhes vaia bem e nos vaia bem a todos.

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            E isso que prova? Simples: que todos os novos aderintes da AGAL som os que acreditam a vossa propaganda de parrulos. Se Carbalho Calero vivesse hoje decerto que teria deixado a AGAL e aderido à AEG. Abonda co vosso paternalismo!

          • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

            Capacidade abracadabrante de saberes o que faria ou dexaria de fazer uma pessoa que, infelizmente, FALECEU HÁ QUASE TRINTA ANOS.

            Para além de uma afirmação atrevida, atinge um nível de ruindade dificilmente tolerável…

        • abanhos

          As vezes um tem a sensação de que com amigos assim…

          • Venâncio

            Alexandre: vós ides por mau caminho com essa lusopatia. O conhecimento dominante entre vós sobre Portugal e o Português está cheio de mitos, de verdades convenientes, de snob exibicionismo. Tenho-vo-lo dito de mil maneiras. Já pouco mais me resta que dizê-lo à bruta.

          • Ernesto V. Souza

            O caminho fazemo-lo nós, como podemos… sem generais nem capitães, o contexto é o que é cheio de dificuladades e trabalhos, o percurso é duro e o caminho longo e só vai no início… por vezes a História do Reintegracionismo parece que imita a Anábase de Xenofonte…

      • abanhos

        Enganas-te José Manuel

        • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

          Probinho o «José Manoel», quem será o coitado?

  • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

    É umha iniciativa um chisquinho parrula, que pom em evidência certos preconceitos no seo do reintegracionismo:

    O sistema mais moderno de «luns», «martes», etc, pom-nos em contato co resto das línguas neolatinas. Lembremos a importância desse factor, por exemplo quando queremos grafar «j» ou «g» sem termos de o pronunciar à espanhola.

    De facto, tal como se explica nesta iniciativa, a denominaçom dos dias do galego moderno é «produto da adaptaçom fonética dos dias castelhanos». Trata-se, já que logo, de patrimonialismos. Nom tem mais legitimidade, do ponto do vista reintegracionista, o uso das formas tradicionais (segunda feira, corta feira, etc) cumha oralidade castelanizante, como a praticada polos lusistas (na cantiga do vídeo di-se «tertha» feira). É o mesmo caso de «pulpo», patrimonialismo galego, por ser pronunciado à galega (em tódalas feiras) de tempos bem antergos, enquanto o termo «polvo» é pronunciado à espanhola (nom polo «bê», mais polas vogais abertas à castelã) polos lusistas, de jeito que perde a sua legitimidade.

    De resto, adoita-se ver muito o erro de empregar os possessivos cos nomes de parentes, como quando nesta cantiga se di «fum coa minha mai», no canto de «fum com minha nai» ou «fum coa nai», ou «ia co meu pai» em vez de «ia co pai», ou «dos nossos avós» em vez de «dos avós». Som decalques castelães que nos isolam do nosso diassistema e esfarelam a nossa língua.

    Tampouco é mui galego o «colhemos nabiças» no canto de «apanhamos nabiças».

    Temos tamém o esfarelamento do nosso bem galego futuro de subjuntivo, quando cantam «todo aquele que queira» em vez «tódolos que quigerem» ou «quem quiger», ou os decalques castelães de «se pujo a» em vez de «começou a», «levar-se bem» em vez de «dar-se bem» ou «entenderem-se».

    Em resumo: é mais «reintegracionista» e acorreito prà nossa língua dizer «pulpo», «luns» e «xoves» à galega, ca dizer «polvo», «segunda feira» ou «quinta feira» à castelã. Acho que os reintegracionistas deveriam matinar nisso …

    • Ernesto V. Souza

      A inciativa é da MESA. Que não são precisamente reintegratas e em cujas falanges, esta proposta causou certa agitação e mesmo pruído.

      É da MESA e dirige-se justamente ao pessoal galeguista, não reintegrata. No reintegracionismo há décadas que feiramos. 😉

      Mas a colaboração com a MESA, sendo o que é a Mesa e ocupando o espaço simbólico que ocupa, o feito da colaboração, de pactarmos nos mínimos, numa cousa que é logiquíssima e de sentido comum… é um passo mais, importante, após anos e anos de conflito, define uma nova fase no processo de construção nacional e linguística e é um sucesso do reintegracionismo, do discurso reintegracionista, da prática reintegracionista e do atual conselho da AGAL

      P.s.
      Deveriam os reintegracionistas matinar? ou deveríamos? Tu não és reintegrata, logo?

      • Paulo Terra Nosolhos

        Olá, som Roi (vejam a ironia).

        Está muito mal que escrevamos os dias da semana com as feiras (aceitado pola oficialidade e coincidente com o nosso SISTEMA linguístico), devemos ser como o resto de línguas, “mais modernos” e utilizar as formas introduzidas polo castelhano no galego.
        Mas lembrem que está muito mal utilizar construçons com possessivos que nos isolam do nosso SISTEMA linguístico. (incoerência?).

        Para além disto, <> chama a isto decalque do castelhano? Vou tentar traduzir isto ao castelhano: “fui con tu madre”. Mmm… o artigo ante o possessivo nom o vejo no castelhano, será que é galego? Porque em castelhano “fui con la mia madre” quase soa a italiano.

        Se nos queixamos da pronúncia castelhanizada a estas alturas estamos “fodidos” com perdom. É normal que se diga “terça” como “terza”. O ceceio castelhano é imparável e com a ortografia isolacionista cada vez mais. Se fala-se com seseio outra cousa seria, mas nom todo o mundo fala com seseio, cada vez menos.

        Bem, dito isto, o Roi tem razom em várias das cousas que aponta, nom vou dizer que esteja tudo errado nem muito menos. Há construçons que poderiam ser mais galegas, como bem indica. Nom sei quem fijo o vídeo e está claro que nom recebeu ajuda da AGAL. Como di o Ernesto, é umha iniciativa da MESA e devemos ter isto em conta.

        Menos brigar e mais positivismo gente, estamos do mesmo lado ou nom? Está bem ser críticos, mas creio que chegamos a extremos que… bom… para o meu gosto excesivo.

        PD: “ca dizer”? (“que dizer”)
        “prà nossa língua dizer “?
        Acho que som umhas formas vulgarizantes e muito na linha da RAG.

        • Ernesto V. Souza

          isso contribui ao debate?

        • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

          1) Antes de restaurar as formas antigas dos dias, hai muitas outras cousas que cumpre restaurar, como eu apontei acima polo miúdo.

          2) «fum coa minha nai» é um decalque do castelám, em galego é «fum c’a nai». Se nom entendes isto é que és demasiado espanhol pra entender o que nom é espanhol.

          3) Em galego nom existe ceceio, conceito puramente castelám referido à ausência de thetaísmo. Em galego existe, porém, sesseo, ou seja, pronunciar «Galiza» coma «Galissa».

          4) O conceito de vulgarismo é um preconceito elitista, normalmente urbano e burguês. Emporsisso, a legitimidade de qualquer língua está nos seus falantes, que no nosso caso som conhecidos como «paleofalantes». Os neofalantes das cidades nom tendes legitimidade, só ideologia.

        • Galego da área mindoniense

          As contrações e reduções som numerosas na nossa língua. Desde piedoso, bondoso ou vexamoso até vrão, pra ou inda. De feito, na própria evoluçom do latim ò galego há moitas reduções. E “pra” nom é tam vulgar, e máis tendo em conta que grandes escritores da nossa literatura optárom por empregar esta forma; forma que, aliás, é a pronúncia natural dos galegos e de moitas pessoas da galaicofonia. É máis, nom sei se “pra” tem máis uso ca “para”. Já nom che sei dizer. Bom, nos dicionários já vém; isso si que o podes comprovar.

          https://priberam.pt/dlpo/pra

      • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

        Eu já i matinei, agora é a vossa jeira.

        • Ernesto V. Souza

          Será a da gente nova… eu vou pra velho e já estou de retirada…

      • Galego da área mindoniense

        Décadas, nom. Séculos. E até milênios.

  • Paulo Terra Nosolhos

    Muito bom! Adorei.

  • http://pgl.gal Valentim R. Fagim

    Muito bem pola Mesa, muito bem pola Agal

  • Venâncio

    Ernesto: tu podes organizar aqui no PGL um debate sobre “Reintegracionismo e Linguística”…

    • Ernesto V. Souza

      hahahahahahahaha

      • Venâncio

        Quando acabares de rir, toma um cafezinho, e desenha no guardanapo umas ideias. 😉

        • Ernesto V. Souza

          Não. Obrigado. Eu sei onde estou, por onde me ando e até onde chego. Isso é um assunto para um Congresso universitário-instiucional a sério. Vai-me grande de mais o assunto.

          • Venâncio

            Não, a coisa é bem mais comezinha. Poderia tentar esclarecer-se uma questão: donde vem o tradicional desinteresse da AGAL pela história da língua, e mais concretamente pela história do Galego?

            A História do idioma não é um assunto qualquer: é mesmo um dos assuntos centrais dum programa reintegracionista. Através dele, lançam-se pontes científicas, objectivas (não ideológicas), com os brasileiros e portugueses activos na matéria.

            Um dos pontos que poderiam interessar até aos activistas da AGAL é o secular e estrutural processo de “desgaleguização” do Português. O estudo dele ilumina realidades do Galego e guia em opções a tomar. Mas outro tema central é o oposto disso: estudar aquilo que o Português justamente conservou do Galego, assim se mantendo irredutíveis, distintos de tudo o mais.

            Para a generalidade dos linguistas portugueses, essas matérias pouco ou nada interessam. Mas há aqui um elemento perverso: a AGAL, evitando essas questões, confirma e reforça o estrutural anti-galeguismo alheio, aplaudindo mitos, fornecendo razão ao desinteresse.

            Enfim, no tratamento de “Reintegracionismo e Linguística”, poderia pegar-se por algumas dessas pontas.

          • Ernesto V. Souza

            A questão tem uma resposta simples… Do mesmo jeito que os dous partidos políticos rotativistas PP e PSOE acapararam durante décadas todos os mais importantes advogados, notários, a imprensa e as forças vivas locais… o Isolacionismo Institucionalizado, reuniu, com dinheiro, prebendas, carreiras ou ameaça os académicos mais capacitados para desenvolver trabalhos dessas características, marginalizando ou perseguindo os poucos que se negaram a colaborar.

            Por outra banda a AGAL não tem de ter uma prioridade académica, não é um centro de pesquisa, não tem equipes nem quadros de investigação histórica e linguística. Teve gente e seções nalgum momento, que por perfil e interesses particulares, faziam voluntariamente esses trabalhos, enquanto outros faziam outros…

            Mas hoje, é ver o perfil dos sócios, é mais diversa, é outra cousa é uma reunião de ativistas sociais e políticos alguns com vocação pedagógica ou de divulgadores e propagandistas… e de mais em mais está formada por gentes alheias à questão linguística…

            Em resumo, o debate sobre a construção, história e modelo de língua, interessa menos aos sócios da AGAL, o que mais interessa é esquecer os debates apaixonados e indefinidos, e ir definido um modelo simples, pragmático e prêt-à-porter…

          • Venâncio

            Fico pasmado com a naturalidade com que desenhas um cenário que é, em si, muito verosímil: o da AGAL como associação de activistas, sem programa, sem uma visão de futuro explicitada e debatida.

            Eles conseguiram, porra. Os ideólogos, os gurus. Foi nisso que trabalharam durante décadas: uma AGAL sem rumo, porque abandonou toda a ideia de rumo.

            Digo-o sem cinismo, e com mágoa: em Madrid certamente há sorrisos de contentamento. Não, não insinuo que os vossos gurus fizeram, por outros, o trabalho sujo. Digo, sim, que uma AGAL sem projecto definido é um delicioso presente para a Caverna.

          • Ernesto V. Souza

            Eu não vejo nada disso…

            Como diz o Gerardo Uz, se por alguma cousa destaca AGAL nas últimas duas déadas é por ir escolhendo rumos democraticamente, e por reconhecer-se como um movimento heterogéneo.

            É mais, eu diria que com esse excesso de democracia e assembleia, aos poucos temos entre todos conseguido que os gurus emigraram a outros espaços associativos… (o que por outra banda tem sido muito interessante e construtivo, dado que cada gruru ou grupo tem criado, sem conflito, aquilo que demandava criar no seio da AGAL em conflito com outros… e só há que ver o florescente e diverso que está o ativismo reintegracionista… )

            Porque há que destacar isso, o que esta nova evidencia: a AGAL hoje por hoje está envolvida em trazer o reintegracionismo à superfície, em liquidar de uma vez o apartheid e em fazer que o reintegracionismo volva a ser parte ativa no movimento de restauração e construção nacional…

            E é com ações como esta. conjuntas com a Mesa, que faz magnificamente… O seu trabalho… Vir cá e neste fio com cousas de linguistas e de história, com escolhinhas linguísticas… enfim… quem queira…

            Os espaços para esse debate estrutural do padrão e para o debate específico morfológico e lexical dos modelos são outros. Os mais deles estão hoje vedados ao reintegracionismo e aos reintegracionistas, mas em todo caso seria para outros: científicos, académicos, num espaço institucional, financiado, com equipas, objetivos e projetos…

            Nós isso não podemos… mas para salvar essa veda e exclusão trabalha a AGAL…

          • Venâncio

            Ernesto,

            Ele há gurus e gurus… E o pessoal da AEG mostra pouca propensão para tarefas desse tipo.

            Infelizmente, não posso pormenorizar, pois fui ameaçado (judicialmente, creio) por um dos vossos gurus, caso eu citasse o nome dele… e eu não quero ser injusto. 😉

            Fico por aqui. Estou a trabalhar em “O papel do Galego na construção do Português”, e o activismo espontaneísta não é decididamente a minha praia.

            Um abraço amigo.

          • Ernesto V. Souza

            A AEG (como no seu dia a AGLP) são iniciativas interessantes e bem valiosas. Que produzem. Que estão vivas e ativas… mas mesmo que não fossem, já merecia a pena serem criadas simplesmente por libertar o espaço de trabalho da AGAL e converter o negativo e a crítica constante demorante e remoral em ação direita, entusiasmo e trabalho coletivo.

            Por vezes divórcios são bons…

            Na AGAL passaram muitas cousas, passou muito discurso e muita gente… alguma deixou pegada, outra não tanta… Agora, para mim os únicos e verdadeiros gurus estão na Seção AGAL-HOJE…

  • Galego da área mindoniense

    Falta a primeira-feira, dia no que começam as semãs.

  • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

    Cuidas que a língua é o campo de batalha dum molho de inteletuais? Aí é que perdedes toda perspetiva. O facto de os espanholeiros da escola compostelana terem pegado nas rédeas da língua nom justifica as atitudes essencialistas vossas de o galego ser português. Nem eles nem vós tendes a legitimidade. Os materiais linguísticos existentes registados deixam ver que o galego é muito mais próximo do português do que eles fam idea, ao mesmo tempo que justifica umha norma distinta da lisboeta.

    Vós nom sodes os amos da língua … tenho que vir eu a vo-lo apontar?!

    • Venâncio

      Tal e qual.

      Tudo começa na proclamação lusista (sim, essencialista, voluntarista, fantasmagórica) de que Galego “é” Português, afirmação que nunca justificam, ou só circularmente: se eu escrevo em português e sou galego, galego e português são a mesma língua.

      A chatice é que mais depressa alguém demonstrará que o Português é Galego, e ficam as senhoras e os senhores com as calças nas mãos.

      • Ernesto V. Souza

        A quem vai demonstrar que o Português é Galego? aos Portugueses que não querem ouvir ou aos galegos isolatas que se empenham em negar?

        Do resto, isso é o que defende o reintegracionismo. Que o galego é um português e o português uma forma de galego.

        Agora, há uma diferencia profunda entre o galego e o português. O português, como o castelhano são formas modeladas pela modernidade,
        renascentistas, encorsetadas e dependentes de uma tradição escrita empedernida.

        O galego é (e será, espero sob qualquer aparência gráfica) a língua antiga e uma língua antiga, profunda, conectiva, com estruturas contextuais, diplomacia estrutural, estilística, fraseologia, ritmos solenes e umas regras medievais que lhe permitem variantes, associações e uma liberdade expansiva que compartilha com os crioulos e o calão.

    • Ernesto V. Souza

      Eu não digo nunca a ninguém o que tem de fazer, nem que pensar. Todos somos maiorzinhos para saber a que jogamos e em que nos andamos. A ti dá-che pela cousa de ser anónimo… lá tu. Eu sou sócio ativo na AGAL e membro da AGLP. Trabalho no que boamente vou podendo, eis o meu contributo e razão à causa da reconstrução nacional e à construção da língua.

      Eu sou ninguém, tenho capacidades e recursos limitados, mas penso o que sou capaz e faço o que posso dentro do que me deixam, do resto o único que sei é que não existem legitimidades nem tradições para além das que justificam o status quo e as hierarquias que interessam a quem governa, ou manda. Mas a língua é (e será) para quem a trabalha.

  • Mário J. Herrero Valeiro

    Sinceramente, não compreendo por que continuam a alimentar trolls cuja única intenção é causar quebras e dissensões no reintegracionismo. Em troca de prebendas e convites diversos. Felizmente, há muito tempo que bloquei estes indivíduos. É o melhor para a saúde própria. E para a saúde do reintegracionismo.

    • Venâncio

      Mário,

      Além da deselegância, temos a má-fé. Sabes perfeitamente que não sou um troll.

      Mas eu percebo: o teu papel é manter ortodoxas as tropas, longe da contaminação exterior doutros pontos de vista.

      Estou a ver que não mudaste, o que é verdadeiramente uma pena.

      Fernando

  • Ernesto V. Souza

    A iniciativa da Mesa e da AGAL é histórica. Um passo mais numa virada que começou há tempo na AGAL. Fazendo história, acho que a AGAL começou a mudar nos tempos de Berbardo Penabade, depois a mais ou menos velocidade apanhou este rumo que temos.

    Onde irá dar. veremos…

    Que o pessoal continue a debater sobre cousas e feitos que já aconteceram. Sobre a legitimidade e projeto da AGAL, da AGLP… pois assunto seu… a AGLP cumpriu 10 anos, com algum contributo, ninguém dava um peso por ela em 2007. A AGAL vai de mais em mais crescendo e se diversificando… deixou de ser um sindicato corporativo de linguístas e profes de galego críticos… e tem hoje mais de Omnium cultural…

    Mas como interagiremos e onde imos… Na minha perspectiva o cenário a vinte anos vai ser o seguinte:

    – uma perca gradual e exponencial de galego-falantes combinada com um envelhecimento da população, um abandono maciço do rural e um empobrecimento da população urbana.

    – a fixação de uma classe média cultivada, monolingue galega ou bilingue. Alternativa e em conflito com uma oligarquia e mesocracia tradicional unitarista espanholista. Camada para a que o reintegracionismo será provavelmente um elemento mais do discurso galeguista, nacionalista, alternativista.

    – a possibilidade potencial do português vir a ser de mais em mais a língua de cultura na Galiza galeguista e uma língua comercial e profissional em função das políticas educativas e culturais (isto é de quem governe na Xunta).