Natali Garcia: “O reintegracionismo deve ser difundido transversalmente”



natali-1Natali Garcia nasceu para além dos Pirenéus e foi educada no castelhano como língua formal. Está a tentar que o galego ocupe esse lugar e acha que o vai conseguir embora nom seja fácil.

O seu primeiro contacto com o reintegracionismo é na escola mas nom acabava de ver claro.

Como estudante de Biologia vê vantagens na estratégia reintegracionista. Julga que o reintegracionismo deve ser difundido transversalmente.

*

Natali nasceu em Paris de pais galegos. Em menina, com cinco anos, a família toda regressa à Galiza. Quer simbolizava para ti o galego e o castelhano naquela época?

Naquela época o galego era a língua que falavam os meus pais na casa e a minha avó. O castelhano era a língua que tínhamos de aprender meu irmao e mais eu por sermos filhos de espanhóis. Meus pais consideravam fundamental que soubéssemos castelhano, mas o galego era outra coisa, umha língua só de estar por casa.

Na atualidade que espaços ocupam ambas as línguas no teu dia a dia? Que espaços pensas que ocuparám no futuro?

Na atualidade, o galego ocupa espaços familiares, é dizer, em casa, com o meu moço e amigos mui achegados. O castelhano é a língua que me ensinárom que se usava em ámbitos formais, polo cal uso-o sistematicamente para falar com gente de fora e para a universidade e trabalho. Por agora é o mais difícil para mim, mudar esse costume. No futuro penso que falarei todo em galego e usarei o castelhano em situaçons em que nom se me entenda em galego.

Na escola tens o primeiro conhecimento do reintegracionismo. Que lembras ao respeito?

Sim, eu tivem a sorte de que se me comentasse que existiam duas normas para o galego, umha mais “correta” e mais aceite e que era a mais similar ao castelhano e outra que era a mais “incorreta” que era a mais similar ao português e que muita gente considerava lusofonia isso, mas o nosso professor comentou-nos que apesar de ser umha norma “incorreta” nom devíamos descartar o seu uso, já que o de correto e incorreto das normas era umha questom mui debatida e estava a ser questionada. No momento em que nos ensinou as formas do reintegracionismo eu pensei que isso era português e que adotar tal estratégia o que faria seria que perdêssemos o galego para acolher o português.

Na atualidade estás a ter um contacto maior com esta estratégia para a língua da Galiza. Como está a ser o processo?

É um processo duro, já que tenho medo a usá-lo em ámbitos académicos e de trabalho, para além de me custar usá-lo para todo no meu dia a dia. Eu falei disto na minha casa e tivem muitos problemas para que me entendessem e respeitassem a minha decisom, assim como para explicar a existência desta estratégia e também o porquê a apoio e quero fazer parte deste movimento.

Em que medida umha perspetiva ampla da língua galega pode ser útil na tua formaçom universitária em Biologia?

Nom existem estudos a dia de hoje em galego em Galiza, polo que se nós adotamos como estratégia o reintegracionismo poderíamos estudar em galego internacional e partilhar conhecimentos de maneira mais fácil e ágil com grandes universidades no Brasil, em Portugal, etc., polo que isto acho que seria enriquecedor para qualquer galego que curse estudos universitários, já que é um beneficio que outras pessoas de Espanha nom podem alcançar e, no entanto, nós sim.

Na tua fase de primeiros contactos com o reintegracionismo, que ações e que atitudes pensas que podiam ser mais eficazes para divulgar socialmente esta estratégia, por exemplo, entre as tuas amizades?

Acho que para que as minhas amizades pudessem ter interesse no reintegracionismo, umha das maneiras seria fazer eventos, ou publicaçons em reintegrado mas com tema de Biologia e que sejam temas mui de atualidade, algo que faça que a gente esteja interessada em assistir mas polo tema científico que se está a expor que pola língua ou norma em si. As amizades que tenho na faculdade nom som peritos na língua, mas sim que têm interesse no que tem que ver coa Biologia.

Para outro tipo de amizades que nom tenham que ver com a faculdade e os meus estudos creio que a estratégia de divulgar o reintegracionismo seria pois com iniciativas e ateliês que tenham como objetivo, ademais de dar a conhecer o galego, que também ensinem outro tipo de conhecimentos que podam ser interessantes para a gente como um ateliê sobre informática que está mui de moda, ou sobre fotografia, etc.

Creio que a chave é ensinar esta estratégia sempre ensinando algo mais e podendo assim fazer que gente de todos os ámbitos esteja mais ao tanto deste tema.

Que esperas da nossa, e agora também tua, associaçom?

Espero que seja umha associaçom em que se ensine o galego internacional e que se fomente também o conhecimento de outras ciências e artes em galego. Que se promov ao galego para todos os ámbitos: educativos, laborais, políticos, sociais, etc. Além disso, pessoalmente espero ter um sitio no que poda sentir-me como em casa e ajudar a nossa língua e o nosso pais que tanto quero e que portanto quero conservar.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2040?

Gostaria dumha Galiza falando reintegrado e tam próxima a Portugal como agora é de Castela.

Conhecendo Natali Garcia

Um sítio web: Sermos Galizanatali-3

Um invento: Microscópio ótico

Umha música: Cânone de Pachelbel

Um livro: Scórpio de Ricardo Carvalho Calero

Um facto histórico: A morte de Franco

Um prato na mesa: Lasanha de carne de minha mae

Um desporto: Pole-dance

Um filme: Os coristas, de Christophe Barratier

Umha maravilha: A Aurora Boreal

Além de galego/a: Científica

Valentim Fagim

Valentim Fagim

Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP.
Valentim Fagim

PUBLICIDADE

  • abanhos

    Bem vinda, que bom sangue novo e sabedoria

  • abanhos

    A GALIZA NÃO É PORTUGAL, PERMITA-NOS QUE PODAMOS FAZER OS NOSSOS ESFORÇOS, E NÃO VAI SER SEM ERROS E ENGANOS, ÚNICO JEITO DE ENVEREDAR OELO DIREITINHO.

    • Galego da área mindoniense

      “Este comentário foi apagado”. Acho que a contestaçom nom fai moito sentido, se nom tivermos (os leitores) a possibilidade de ver à que se está respondendo.

  • Ernesto V. Souza

    Bem vinda, Natali.

  • José Ramom Pichel

    Bem-vinda Natali!