SEM CONSENSO

Na Galiza, um padrom nacional, como em todo o mundo



Cada vez parece mais claro que o galego só terá soluçom por duas vias complementares: a primeira, e principal, da mao de umha afirmaçom coletiva em termos de poder político soberano; a segunda, a nível da chamada política lingüística, tirando-o das maos dos filólogos e professores de língua ou, no mínimo, alargando as decisons na matéria ao conjunto de cientistas sociais.

É sabido que a ciência social foi artificalmente parcelada em áreas autónomas para, precisamente, provocar o atual afastamento entre cada umha dessas esferas da totalidade que juntas constituem. História, economia, política, lingüística, filosofia, direito, antropologia… nenguma dessas áreas do conhecimento é compreensível à margem das restantes. Porém, o sistema de pensamento dominante pretende fazer de cada umha delas um universo isolado, reduzido a um saber apresentado como técnico, neutro e indiscutível.

Parece desnecessário afirmá-lo, mas é o caráter social que constitui as sociedades humanas, sendo precisamente a maneira específica como a nossa espécie incide na natureza através do trabalho o que nos torna umha espécie humana. Em funçom desse caráter fundante do fator social, nem a economia, nem a política, nem a lingüística fam o menor sentido se forem estudadas e aplicadas à margem do caráter social intrínseco a todas elas.

Poderíamos dar exemplos sobre como os economistas pretendem vender-nos a sua doutrina como asséptica e alheia à política, ou da falsa objetividade histórica com que os estados puxam a brasa à sua sardinha, vendendo como “científicos” projetos vulgarmente ideológicos… mas fiquemos com a que agora nos interessa: o ámbito da lingüística.

Durante décadas, temos assistido na Galiza a umha discussom acesa entre defensores da orientaçom reintegracionista do galego e valedores da sua constituiçom em língua diferenciada e afastada do português. Um debate em que os filólogos assumírom especial protagonismo para defenderem com critérios técnicos umha ou outra opçom.

Na verdade, por trás de ambas, ficárom sempre claras duas visons integrais do que a Galiza deveria ser: um apêndice de Espanha (em versom unitária, autonómica ou federal) ou um sujeito político soberano.

A primeira visom adapta-se melhor ao isolacionismo antiportuguês, e como tal tem sido promovida até hoje polo poder político vigorante na Galiza. A segunda permite romper os vínculos ortográficos e a referencialidade cultural de Espanha, abrindo-nos para as culturas que no mundo se expressam na nossa língua, contando com um incontestável aval histórico.

Se limitarmos o assunto aos termos filológicos, qualquer das vias será possível, sempre que formulada com umha mínima coerência interna, mas os resultados práticos socialmente contrastáveis serám opostos. Fatores sociais, económicos, políticos e históricos combinam-se para determinar que o isolacionismo conduza –como já tem feito– para umha institucionalizaçom autonómica da secular hispano-dependência. Esses mesmos fatores dam ao reintegracionismo um rol fundamental para marcar umha distáncia de segurança frente ao dominante mundo espanhol, favorecendo a construçom de um espaço lingüístico-cultural próprio.

Nom foi por acaso que o autonomismo institucional imperante nas últimas quatro décadas optou por alimentar e adotar o isolacionismo. Tampouco foi casual a tendência mais reintegracionista dos minoritários setores soberanistas, sendo o independentismo o principal responsável pola defesa e divulgaçom social da prática reintegracionista.

A AGAL tem sido desde os primeiros anos 80 o principal sustento científico de umha visom  sempre ligada a umha proposta integral que podemos denominar nacionalitária. Sem compromissos partidaristas concretos, a construçom nacional tem tido no trabalho da AGAL umha das frentes a nível de recuperaçom da língua própria, fornecendo legitimidade e ferramentas práticas para a atividade de um crescente, embora minoritário, movimento social reintegracionista.

Entretanto, nos últimos anos, pareceria que parte da sua dirigência experimente umha deriva sempre presente nalguns setores do que genericamente podemos chamar “galeguismo”, mas também no reintegracionismo: umha desconexom progressiva e consciente de qualquer vínculo entre língua e naçom. Tendência essa preocupante, ligada em ocasions a certo elitismo inteletual e desligada das dinámicas sociais mais ativistas.

É verdade que a situaçom do idioma, expressom da situaçom do País, é hoje de umha profunda gravidade, com umha acelerada perda de falantes e de presença inclusive em ámbitos onde no passado recente tinha conseguido estar presente. Sendo mais que preocupante, nom é essa umha situaçom irreversível, como alguns dirigentes da atual AGAL parecem concluir quando assumem, na prática, que só nos resta reduzir o nosso ativismo à demanda de introduçom do português no ensino como língua estrangeira próxima, tomando a Estremadura espanhola como modelo.

A conseqüência dessa visom, se se confirmasse, poderia reduzir as aspiraçons desse reintegracionismo a agir como lobby alternativo ao ILG, à procura da legitimidade do poder autonómico atual.

Isso seria tam legítimo como triste.

Que se pretenda argumentar em termos técnicos ou filológicos umha tal rendiçom estratégica, através da “superaçom” da norma galega proposta pola AGAL há mais de 30 anos, é inassumível para quem ainda acredita na Galiza como realidade nacional viável. É a visom ideológica de quem desiste do labor que deu sentido histórico ao reintegracionismo. Um labor que tem como aval a legitimidade que dá o trabalho dos movimentos sociais que utilizam o padrom galego.

Apoiar toda a presença possível do português na Galiza é, mais do que saudável, imprescindível. Porém, o caminho para isso nom é renunciar à construçom de um padrom nacional próprio, inserido no ámbito lusófono, em pé de igualdade com o de Portugal e o do Brasil. Foi para isso que a AGAL nasceu, como parte desse segmento da sociedade galega que nom renuncia à sua construçom como comunidade nacional plena e emancipada.

É esse o critério que dá sentido e vigência à norma da AGAL, e nom qualquer argumento técnico sobre as possíveis escolhas ortográficas.

É imprescindível considerar a nossa comunidade lingüística para além do “corpus lingüístico”, de maneira social e em funçom de projetos coletivos. Daí que começássemos por reivindicar o caráter multidisciplinar de qualquer política lingüística, ao invés da estratégia “filologista” que vem sendo aplicada na Galiza.

Até hoje, quem defende a viabilidade da Galiza como naçom fai-no incorporando o galego como parte substancial do projeto de construçom nacional. Se assim nom for, o espanhol irá consolidar-se como língua própria e o galego nom passará de um enfeite ou recurso de livre escolha, como cada vez mais é.

A atual dirigência da AGAL apresenta-nos como exemplo do seu novo modelo o contexto  valenciano no contexto dos Países Cataláns. Nom parece ser precisamente esse o exemplo mais representativo de umha atuaçom bem sucedida. Nós contrapomos a necessária construçom de um padrom próprio, como tenhem feito todos os grandes espaços lingüísticos na sua articulaçom nacional. Poderíamos citar casos de sucesso como o alemám nos cantons suíços ou o francês no Quebeque, para nom indicarmos outros mais evidentes como o hispano ou o anglófono; até porque, ao invés do caso catalám, ninguém na Galiza aspira a constituir uns “Países Lusófonos” que justificassem um “padrom flexível” único.

Eis a articulaçom que defendemos para o galego. Dar tanta presença quanto possível às variantes lusitana e brasileira no nosso país é necessário, mas nom deve desviar-nos do principal objetivo: umha Galiza soberana com umha língua plenamente normalizada, sob a forma de um padrom reintegrado próprio.

Como em todo o mundo.

 

Maurício Castro Lopes

Maurício Castro Lopes

(Ferrol, Galiza, 1970), é docente de Português na Escola Oficial de Idiomas de Ferrol, autor ou co-autor de obras divulgativas como a História da Galiza em Banda Desenhada (1995), Manual de Iniciaçom à Língua Galega (1998), Manual Galego de Língua e Estilo (2007) ou Galiza Vencerá! (2009). Participante no grupo promotor do primeiro Centro Social reintegracionista em defesa do galego, aberto pola Fundaçom Artábria em Ferrol no ano 98 e em 2010 co-fundador do portal informativo Diário Liberdade. Desde 2017, membro da Comissom Lingüística da AEG (Associaçom de Estudos Galegos).
Maurício Castro Lopes

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  • Ernesto V. Souza

    Bom, outros temos outras crenças… afinal não há por que concordar em tudo.

  • madeiradeuz

    Muito interessante o artigo e eloquente defesa da necessidade de um padrão galego próprio (algo com o qual concordo). Contudo, na redação coaram-se alguns erros cuja cuja matização faz com que o sentido/objeto do mesmo variem um bocadinho.

    1) Quando o autor fala da «dirigência da AGAL», em realidade deveria falar de uma «CANDIDATURA à dirigência da AGAL», o qual é algo substancialmente distinto.

    2) Até onde eu sei (mas talvez o autor disponha doutras informações), a dita candidatura não formulou em lado nenhum prescindir de um padrão galego próprio. Salvo que alguém considerar que uma HIPOTÉTICA mudança de «razom» por «razão» ou «cantarám» por «cantarão» implique estarmos perante um padrão não galego; porque por essa mesma razão poderia haver quem pensasse que um «também» (e não «tamém») é uma forma alheia a um padrão galego.

    3) Contrariamente ao que diz o autor, o modelo valenciano é sucedido. O modelo de língua, não assim as suas políticas de normalização. Que o reintegracionismo valenciano triunfou é um facto, por isso oficialmente se fala em Comunitat de València (igual que no catalão) e não Comunitat de Valéncia (forma defendida polo isolacionismo ‘blaver’), entre outras muitas questões. É um caso de triunfo das teses reintegracionistas, por muito que o blaverismo esteja muito vivo ou por muito que se mantenha o nome de ‘valencià’ para a língua. Nos âmbitos oficiais e académicos está assumido que o modelo de língua válido é de teor reintegracionista, e assim o defendem os setores sociais mais dinâmicos, assim que não vejo correto falar de que não seja um caso de sucesso. Ademais, o caso valenciano é também um exemplo de padrão galego próprio, pois conservam-se as soluções linguísticas autóctones (‘vixca’ por ‘visca’, ‘açò’ por ‘això’, ‘jo pense’ por ‘jo penso’, ‘la meua llengua’ por ‘la meva llengua’, etc.).

    • fromgaliza

      Agradeço os comentários de Gerardo e tento responder aos três pontos que ele coloca:

      1) Acho que sou rigoroso quando atribuo a proposta em causa à “dirigência da AGAL”. O seu principal valedor é o amigo Eduardo, atual dirigente da AGAL, contando com o apoio dos dous últimos presidentes da entidade, ambos integrantes do atual Conselho e anunciados como “apoio” do Conselho que poderá ser eleito na Assembleia de outubro. Nom consta qualquer discordáncia de algum dirigente atual da Associaçom, entendendo por tais os membros do seu Conselho.

      2) Só podo contar com os próprios textos do Eduardo e da sua candidatura na hora de avaliar as suas intençons com a proposta de mudança normativa. Ele afirma no seu recente artigo neste portal que ” O objetivo seria otimizar ao máximo as divergências normativas que
      ainda temos, aglutinando as duas tradiçons gráficas existentes no nosso
      movimento NUMHA ÚNICA NORMA.” A seguir, acrescenta: “No momento atual, temos mais capacidade para obter vitórias políticas
      COM O PORTUGUÊS PADROM, mesmo ensinado como língua estrangeira, DO QUE COM A NORMA DA AGAL”. Ponho em maiúscula as partes significativas, porque nom podo marcar em negrito. Acho que é evidente e explícita a intençom de integrar o galego no “português padrom” e, portanto, a renúncia a um padrom galego próprio.

      3) Acho que o comentador nom entendeu o que escrevim, seguramente porque nom me expliquei bem.

      O exemplo valenciano foi bem sucedido na hora de afirmar a sua identidade catalá, sem dúvida, mas eu falava de insucesso no verdadeiro objetivo tanto para o povo valenciano como para o galego: normalizar o uso social do idioma próprio.

      A estratégia reintegracionista é só entendida por alguns de nós como um recurso ao serviço do único objetivo final. Parece haver quem só aspire ao reconhecimento do galego como parte do diassistema português e a que este circule como língua estrangeira próxima polo sistema educativo galego. Se fosse o meu caso, poderia concordar com a proposta da atual dirigência da AGAL. Se o que pretendermos é a recuperaçom do galego como língua nacional, entom exemplos como os que cito no texto poderám ser mais adequados.

      Reitero o agradecimento polos comentários do Gerardo (e do Ernesto!).

      Cumprimentos,
      Maurício

      • madeiradeuz

        Como o atual Conselho não emitiu um parecer oficial a respeito, acho que o mais correto (e inequívoco) é atribuir a proposta a quem a formula, que é uma candidatura.

        No que diz respeito do caso do Maragoto, a seguir do fragmento que citas em maiúsculos, também ele diz, pouco mais abaixo: «Do que se trata é de aproveitar o que de melhor tenhem ambas, mantendo
        duplas opçons para aquelas variantes morfológicas incontornáveis, mas
        apresentando-nos perante a sociedade como utilizadores de umha única
        norma, inteiramente lusófona». Não infiro daqui a mudança de um padrão por outro.

        Quanto ao caso valenciano, agradeço o esclarecimento. Imaginei que te referirias a isso, ao insucesso da normalização, mas como aparentemente era resposta ao Maragoto, que se referia ao sucesso codificador, pois não me quadrava. Agradeço o esclarecimento.

  • Joám Lopes Facal

    “Apoiar toda a presença possível do português na Galiza é (…) Porém, o caminho para isso nom é renunciar à construçom de um padrom nacional próprio, inserido no ámbito lusófono, em pé de igualdade com o de Portugal e o do Brasil. Foi para isso que a AGAL nasceu, como parte desse segmento da sociedade galega que nom renuncia à sua construçom como comunidade nacional plena e emancipada”.
    Concordo absolutamente. Além do mais, O projecto AGAL genuíno é um contraponto inassimilável da rendiçom regionalista que acovilha o oficialismo cultural; o “português da Galiza” e a leal cooperaçom para estrender o “português-língua-estrangeira” na GZ é umha estratégia aceitável para o oficialismo e para o presidente Feijó.
    Rechaçamos assimilar a problemática da reabilitaçom do galego à estratégia estremenha de promoçom do português como língua internacional.
    Bem falado, Maurício.

    • madeiradeuz

      Se calhar sou eu curto de entendedeiras, mas não vejo que as reivindicações deste artigo sejam contraditórias com a proposta que formula a candidatura Polo Novo Consenso.

      De facto, acho que todas as ressalvas do autor são respeitadas polos promotores da candidatura (que ele tão bem conhece), da existência de um padrão próprio galego à especificidade da problemática galega ou a que o português não pode ser língua estrangeira na Galiza (embora a sua presença no ensino, atualmente, só possa chegar dessa maneira).

      É lógico, contudo, que existam diferenças sobre como acometer o processo. Cuido que as diferentes sensibilidades a respeito se recolhem bastante bem nestoutro resumo do PGL (http://pgl.gal/confluencia-das-duas-tradicoes-graficas-que-convivem-no-reintegracionismo/). É mais galego um galego ‘padrom’ que um galego ‘padrão’? A hipotética (sempre hipotética) desaparição da forma gráfica ‘umha’ e a sua assimilação a ‘uma’ (também viva na Galiza, por outra parte) constituiria um menoscabo do padrão galego? É impossível um padrão galego unificado (*) em que, ao mesmo tempo que se sagram as terminações em -ão, se mantenham a morfologia verbal galega (quigem, comim, fum, trouxo…) e outras particularidades (‘polo’ por ‘pelo’, etc.)?

      _____

      (*) Estes exemplos são da minha colheita. A candididatura Polo Novo Consenso unicamente está a consultar a sensibilidade das sócias e sócios a respeito de uma hipotética confluência; porém, ainda não indicou (que eu saiba) cara a aonde iria essa confluência. Quero dizer, ignoro se haveria soluções duplas ‘cançom – canção’ (isto é, confluir fazendo a norma mais abrangente) ou se se proporia usar sempre o -ão, mas mantendo outras particularidades. Eu, no pessoal, há muitos anos que deixei de ver o -ão como um problema, quer do ponto de vista utilitário, pedagógico ou o que for, porque para uma pessoa não reintegracionista, a distância emocional frente à frase ‘juntárom-se os nossos corações’ (normAGAL) e ‘juntaram-se os nossos corações’ (padrão PT) é exatamente a mesma, e reto qualquer pessoa a fazer a prova.

      • Louredo

        A forma uma, até onde conhece a dialectologia galega nom está viva nos dialectos galegos. Isto é assim, porque é umha forma que surgiu depois da separaçom política. Ao revés, ua com til, e mesmo umha, está viva ainda nalgumhas regions portuguesas

    • Celso Alvarez Cáccamo

      O “português da Galiza” é o “galego”. Se não o fosse, não percebo o sentido de querer uma norma nacional própria “em pé de igualdade” dentro da lusofonia. É como se Noruega reclamasse estar “em pé de igualdade” linguística com Suécia e Dinamarca. Não o reclama porque norueguês, sueco e dinamarquês já são, aos seus olhos, “línguas” diferentes. “Em pé de igualdade” com o português já está a norma RAG atual.

      Portanto, essa “nossa língua” do artigo em que se exprime meio mundo é o português. Para que fosse o galego, deveríamos interpretar que o que faz a norma do Brasil, por exemplo, é marcar o seu diferencialismo a respeito do galego ;-), que leva décadas e séculos fazendo isso 😉 . E não é assim. O portugués é a “nossa” língua, e, ou é nossa com todas as consequências normais (“como todo o mundo”), ou não é.

      E uma das consequências normais de assumir uma língua como nossa é assumir que as palavras comuns se escrevem da mesma maneira. As outras (as diferentes), vai ti saber. Mas as comuns, igual. E como a palavra é uma cousa da língua, não da fala, a “nossa” língua escreve “pão”. Por exemplo. É duma trivialidade apavorante.

      • Joám Lopes Facal

        Celso, estar em pé de igualddade com o(s) português(es) nom me tira o sono. Manter a confiança e adesom dos galegos à sua língua si.

        A tarefa do reintegracionismo é atrair a sociedade galega para um uso apropriado do idioma herdado (pronunciar adequadamente Rajoy, Feijó e Gestoso, por exemplo): um problema da hegemonia política. A pertença à CPLP, polo contrário, é-me indiferente.

        GZ é membro nato, nom reconhecido (ainda), da comunidade. O galego é umha tarefa, o português um horizonte.

      • fromgaliza

        Obrigado também a ti, Celso, por dares debate.

        Foi de propósito que evitei no meu texto qualquer referência à concreçom que a norma galega deva ter, porque nom é essa a questom. Há quem pense que devia aproximar-se mais do lusitano (existe continuidade territorial). Conheço quem defende umha maior aproximaçom do brasileiro (é umha potência mundial emergente). Nom falta quem julgue que o padrom da AGAL tem ido longe de mais na aproximaçom substancial às outras duas grandes normas do galego (a lusitana e a brasileira).

        Esses critérios som discutíveis, mas a chave é se aspiramos ou nom a ter um padrom nacional próprio. A partir daí, abre-se a discussom sobre a sua concreçom.

        Por outra parte, é um facto que as normas diferenciadas lusitana e brasileira existem e incluem diferenças nom apenas no que chamas, Celso, “palavras comuns” (facto-fato, húmido-úmido, hormona (f.)-hormônio (m.), catorze-quatorze, endémico-endêmico, [os] media-[a] mídia, coalizão-coligação…), como também nas palavras privativas, para só falarmos do vocabulário e do seu registo escrito. Nom vale a pena insistir nisso, porque é de “dumha trivialidade apavorante” 😉

        Isso nom é devido a que se procure o diferencialismo, mas a que cada Estado constrói a língua comum com critérios próprios, histórica, política e, em definitivo, socialmente determinados. Desconheço exemplos de comunidades nacionais incluídas em grandes espaços lingüísticos (como a nossa), que tenham desistido de criar um padrom próprio e tenham adotado o padrom particular doutro Estado em que a sua língua é oficial. Nem a uniformizaçom colonialista conseguiu isso.

        Que o soberanismo pretenda em Valência confluir com padrom do Principat e das Illes, atraves de um “padrom único flexível” é compreensível, porque o pano de fundo é a construçom de umha única naçom. Tal nom acontece na Galiza em relaçom a Portugal nem ao Brasil.

        Se defendermos a necessidade de um padrom nacional, as caraterísticas em que as particularidades do padrom próprio se concretizem serám discutíveis (mais próximo do galego-pt, do galego-br ou do “galego vivo”) mas nom é esse o debate atual. A questom é se assumimos que somos umha comunidade nacional e, como tal, desenvolvemos um padrom próprio (como todas fam) ou se nos conformamos com fazer circular o “português língua estrangeira próxima”, tal como a Estremadura fai com grande eficácia.

        Neste último suposto, efetivamente, nom fará falta nengum padrom particular como o que alguns defendemos, dentro de umha substancial identidade galego-luso-brasileira, para o nosso país.

        • Celso Alvarez Cáccamo

          Maurício, obrigado a ti por ré-comentares. Quero esclarecer que as minhas opiniões não têm nada a ver com o debate sobre a nova diretiva da AGAL e as suas propostas, pois nem sou da AGAL. Simplesmente, reajo a críticas patentes ou implícitas ao uso de “português da Galiza” como descritivo disso que estou a escrever agora e que poderia falar em alto praticamente como qualquer outra pessoa. Se isso não é português, não che sei eu.

          De resto, é cansativo escutar que na opção polo AO há uma renúncia à construção dum padtrão nacional, e que portanto há uma renúncia ao identitário, etc. É um argumento, além de velho, falso. Insisto no de “palavras comuns”. Dá-me um argumento, por favor, por que “não” é, nas suas variadas pronúncias da lusofonia, uma palavra diferente de “nom”. Os exemplos que dás respondem a casuísticas variadas: “coaligação” e “coalizão” são evidentemente palavras diferentes, e há que escrevê-las diferentes e optar por uma ou por outra. “Hormónio” e “hormona”, também, como “média / mídia”. “Quatorze / catorze” ou “facto / fato”, é mais discutível, e não é produtivo que existam duplas grafias, infelizmente. Palavras diferentes são também “fiz” e “figem”, ou “disse” e “digem”: da grafia de uma não é possível derivar a pronúncia da outra. As segundas formas são claros galeguismos, e quem disse que não poderiam fazer parte dum padrão galego num dado nível de uso? Mesmo “nengum” frente a “nenhum”. Mas “irmão / irmám” !, ou “uma / umha”. As segundas formas consagram, sob o irregular e questionável princípio fonémico, uma das possíveis pronúncias dialetais e socioletais dentro da “nossa língua”. Do ponto de vista da “nossa língua”, esse diferencialismo (não o morfológico) não faz qualquer sentido. Do ponto de vista da ideologia linguística espanhola, faz muito sentido, porque então as palavras não deixam de poder ler~se “como em espanhol”, um pouco raro, mas espanhol.

          De resto, não sei se saberás ou aceitarás saber que a mim tampouco me satisfaz a promoção do “português língua estrangeira” como maravilhoso alvo do reintegracionismo ou do ativismo linguístico. Nem concordo com visões mercantilistas do galego-como-português. Mas resulta que tampouco o diferencialismo AGAL oferece nada diferente. Dizer “padrão nacional” não é dizer nada se a lógica da relação entre esse padrão e as formas de subordinação e classificação social vai ser a mesma. Como eu penso que o único alvo racional (racional, não utópico: a utopia é esperar pola autocorreção do capitalismo) é a independência política para a construção do socialismo ou cousa semelhante, o da língua é uma questão muito menor. Tão menor, que a comodidade de termos um padrão polo menos ortográfico já feito deveria ser assumida como uma vantagem que nos evitasse perder tempo nisto e nos permitisse dedicar o pouco que resta a questões mais importantes.

          • Louredo

            A questom é que pronunciar uma como umha em português é incorrecto, mas pronunciar umha como umha é correcto em galego.No fundo está a correcçom que estabelecem as elites. Pronunciar uma no galego culto é umha opçom, mas ou é umha ou uma, é umha palavra o suficientemente comum para que non permita qualquer variaçom na norma. Senom nom é norma. Vejo-o claro

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Claro que “umha” não é ‘incorreto’ em português, porque o galego é português. A questão é que não faz qualquer sentido escrevê-la “umha” só para lembrar xs galegxs que aqui se diz com nasal velar (e nem sempre, etc.). Escreva-se “uma” e que cada quem a pronuncie como o faz, dentro do rango de opções da língua.

          • Louredo

            Isso é um absurdo filosófico, A nom pode ser B, já que A e B só podem ser explicados um frente ao outro. Há umha norma portuguesa, e algum nome temos que por-lhe e a norma culta é diferente nas duas variedades, salvo que queiramos modificar essas normas

      • Louredo

        Nom isso é falso, em português, se entendemos como português o galego também se usa pam, salvo que considere que pam nom é português.

        • Celso Alvarez Cáccamo

          Mesmo argumento de antes: desconheço todas as possíveis pronúncias dialetais ou contextuais de “pão” no mundo mundial da lusofonia. Mas é evidente que estas pronúncias representam (“atualizam”) a mesma palavra da língua. E se já existe a forma escrita ” p ã o ” para isso (na realidade, um logograma, tipo o “through” do inglês), para que complicar-se? Porque o “pam” é mais “nacional”?

          • Louredo

            Porque pam á a forma da norma AGAL, que reflite melhor a pronúncia e morfologia da língua n Galiza, além de ser mais antiga. Dito doutra maneira, pão nace de pam, nom ao contrário. Na minha opiniom as normas ortográficas que continuem e sejam coerentes com a pronúncia e sejam mais antigas, som melhores. Permite, além disso um melhor domínios dos plurais e distinçons semánticas: caralhám, distinto de caralhom

  • http://www.notas.gal Eliseu Mera

    Obrigado polo teu artigo, Maurício. O facto de que se podam manifestar diversos pontos de vista -e bem cimentados como é no teu caso- fai que sejamos uma organização muito mais forte.
    Não é a minha intenção entrar as questões de fundo que exprimes, senão apenas na referência que fazes à proposta de normativa de consenso que esboçara o Eduardo. Nesta, a norma Agal continuaria com plena vigência, com a diferença de que se lhe adicionariam escolhas procedentes do padrão português para que cada utente se poda sentir amparada. Do mesmo jeito, poderíamos dizer que uma pessoa que opte polo padrão português poderá continuar fazendo-o embora a norma recolha as opções da norma Agal. Não se trata de fazer um híbrido das duas.
    A existência de pessoas que partem da norma Agal na sua escrita, do padrão português ou de uma combinação das duas é uma realidade e, se pretendemos que a Agal seja a casa comum do reintegracionismo, considero que devem ter a porta aberta a todas elas, cousa que não acontece a dia de hoje.
    Em resumo, na proposta que lançamos desde a candidatura “Polo novo consenso”, a gente poderá continuar a escrever exactamente do mesmo jeito que o fazia. Entendemos que perante esta diversidade, a Agal não pode impor um modelo de língua, senão que será o uso o que acabe definindo qual deles servirá com maior eficácia a normalização da língua galega. Deste jeito todo o mundo ganha, e também o fará a língua.
    Cumprimentos 🙂

    • fromgaliza

      Olá, Eliseu

      Acho que nom nos conhecemos ainda, entom começo por che dar um aperto de maos virtual que espero tornar real em breve.

      Obrigado polo teu comentário inicial e polas tuas amáveis palavras, que agradeço.

      Prefiro nom entrar aqui no referido ao péssimo procedimento seguido até agora pola vossa candidatura neste assunto.

      Só vou dizer que, para evitar mais confusons, a vossa candidatura deveria retirar essa proposta ou entom retirar a palavra “consenso” da sua legenda de campanha.

      Todo o mundo sabe que o consenso é incompatível com as decisons tomadas mediante o jogo de maiorias e minorias.

      Acho que foi esta umha feia maneira de ressuscitar um conflito há anos enterrado e assim tentar solucionar um problema que nom existia.

      Prefiro ficar por aqui.

      Cumprimentos 🙂

      • http://www.notas.gal Eliseu Mera

        Parto do princípio de que os acordos democráticos se logram debatendo propostas, não pedindo-lhe às demais pessoas que as retirem antes de começar o diálogo. Temos um problema real derivado de que existem hoje duas visões ortográficas reintegracionistas igualmente galegas, mas uma está amparada pola Agal e a outra não. A parte amparada sempre tarda mais em ver a existência do problema.

        Entre a tua perspetiva e a da nossa candidatura hai uma diferença sustancial: para nós todas estas visões são legítimas e devem estar reconhecidas pola Agal. Para ti, a Agal só deve assumir a norma que ata este momento vinha defendendo a Comissom. Achamos que esta rigidez é um obstáculo para dotar o reintegracionismo da força necessária para que poda tornar-se hegemônico na Galiza e ser o motor da recuperação da língua, por isso optamos por uma proposta na que todo o mundo esteja incluído, ao contrário do que acontece neste momento.

        O nosso proceder foi absolutamente impecável: informamos primeiro a Comissom da Agal da nossa proposta e abrimos depois um foro de debate no Loomio para conhecer o ponto de vista das associadas.

        Non resulta compreensível que se peça retirar uma proposta na que nenhuma pessoa vai ficar excluída. Parece-me um caso similar ao da Igreja católica como o casamento gay, se não querem casar parelhas do mesmo sexo nas suas igrejas, que não o façam, e que continuem com as suas práticas, mas devem deixar que a sociedade civil ampare a quem o queira fazer. Do mesmo jeito, quem deseje continuar escrevendo em norma Agal, poderá, mas cumpre permitir que quem pense diferente também poda fazê-lo.

        Em todo o caso, eu também espero dar-che um aperto de mãos real em breve.

        • fromgaliza

          Bom, a minha intençom nom era dedicar este artigo (nom o figem) nem o debate posterior (tentei evitá-lo) a questons internas, mas temos aqui um candidato empenhado em fazê-lo. Entom vamos a isso :-/

          Para já, devo dizer que che faltou, Eliseu, explicar o que há de “consenso” em submeter qualquer cousa, como por exemplo a vossa proposta, a umha votaçom. Quem tiver mais votos ganha. Quem tiver menos, perde. Isso é impecavelmente democrático, mas nom é umha decisom POR CONSENSO.

          Nom serei eu quem discuta a legitimidade democrática de umha votaçom assemblear favorável a levar ao papel o que já é umha prática por parte do organismo dirigente da AGAL nos últimos anos: o abandono progressivo e antiestatutário da norma da Associaçom, acompanhado de umha crescente desconsideraçom do papel da Comissom Lingüística.

          É por isso que vos proponho a retirada da palavra “consenso” da legenda de campanha: Está totalmente fora de lugar, a nom ser que o vosso novo consenso se construa com a exclusom da “Nova AGAL” de aqueles e aquelas que somos contra a vossa proposta.

          Tal como vós tendes direito a ir avante com isto, alguns temos direito também a estragar esse “consenso” que proclamades. Devedes entender que nom desistamos de defender o caráter fundacional da AGAL e a contrastada utilidade social da sua norma. Temos todo o direito e sentimo-nos obrigados a fazê-lo.

          Comento agora o fundamental das afirmaçons do candidato. Ele afirma que:

          “Temos um problema real derivado de que existem hoje duas visões ortográficas reintegracionistas igualmente galegas, mas uma está amparada pola Agal e a outra não. A parte amparada sempre tarda mais em ver a existência do problema.”

          Eliseu, esse “hoje” a que apelas dura já mais de 30 anos. Nom tem havido nisso nengumha novidade nas últimas décadas. Nom só os “amparados” demoramos a a ver o problema. Também os “desamparados” demorastes bastante: mais de três décadas.

          Daí concluo que nom mudou a realidade. Mudastes vós, o que é legítimo, mas nom vos faculta para acusar o resto de qualquer insensibilidade polo vosso “desamparo”… Seria como se um sócio da AGLP que utiliza a norma da AGAL (que os há) reclamasse contra o “antidemocrático” de que essa entidade tenha só como norma própria a portuguesa.

          Nom tenho conhecimento de que os membros do Conselho da AGAL que integram a associaçom pró-Academia tenham lançado umha iniciativa semelhante no seu interior. Seria tam disparatado como fazer o contrário no interior da AGAL, que é o que agora fazedes, mas com a ressalva de que a AGAL já ampara o uso doutras normas lusófonas em todas as suas publicaçons. A norma da Associaçom fica reservada para usos próprios da própria entidade que a criou, lá nos anos 80 do século passado. Algo totalmente razoável para a entidade promotora da norma, nom achas?

          O inaudito do assunto é que a proposta nom parte da base social da AGAL; tampouco das entidades sociais que usam e legitimam a norma; nem sequer das pessoas e coletivos que usam o padrom lusitano. É a dirigência da AGAL a que, por algum motivo, decide suprimi-la.

          Quanto ao Loomio, sendo umha ferramenta de uso restrito que seguramente nom todo o reintegracionismo conheça nem tenha visitado, é conveniente reproduzir aqui a pergunta a que nos pedem que respondamos:

          “És a favor de aglutinar -numha única norma flexível- as tradiçons gráficas existentes no reintegracionismo de maneira a poder mostrar-se como um movimento mais unido e a que essa discrepáncia nom obstaculize as possibilidades de expansom que se lhe apresentam?”

          Se tivésssemos que responder realmente a essa pergunta, quem se atreveria a fazê-lo negativamente? Será que algum sócio da AGAL quer um movimento “menos unido” e com “discrepáncias” que “obstaculizem” as “possibilidades de expansom” que esta candidatura nos apresenta? É essa umha consulta minimamente equilibrada e séria? Nom me parece…

          Nom entrarei a avaliar a desconsideraçom polo parecer da Comissom Lingüística, maioritariamente oposta a esta proposta e excluída da mesma. Prefiro sublinhar um facto bem mais grave: a total falta de diálogo prévio com as numerosas entidades que utilizam há anos o padrom galego proposto pola AGAL e que assistem ao espetáculo de ver como os que “sabem disto” decidírom que essa norma ficou ultrapassada.

          Para ir concluindo, o mais engraçado do discurso do candidato Eliseu é que atribua aos sócios e sócias que defendemos a norma da Associaçom umha posiçom “similar à da Igreja católica com o casamento gay”. Será que a atual AGAL pretende evitar (como a Igreja católica com o casamento gay) que os seus sócios e sócias optem pola norma que quigerem usar? Será que a norma da AGAL nom foi criada e decidida democraticamente polos membros da entidade? Foi talvez umha autoridade divina (como di o dogma da Igreja católica) que se apresentou diante dos fundadores da AGAL para lhes impor as tábuas da lei normativa? (nom farei brincadeiras sobre os padres e seminaristas que participarom naquele processo nos anos 80…).

          Umha última cousa: Nom sei se devemos agradecer que anunciedes que poderemos continuar a usar a norma galega da AGAL, pois tampouco consigo imaginar como poderíades impedi-lo…

          Cumprimentos

          • madeiradeuz

            Agora, em lugar de fazer observações ao artigo, vou-nas fazer ao comentário 😉

            >> Quem tiver mais votos ganha. Quem tiver menos, perde. Isso é impecavelmente democrático, mas nom é umha decisom POR CONSENSO.

            Aqui radica o principal problema da tua visão, Maurício. O assunto é que não se trata de que GANHE ou PERCA alguém. Sabes do que se trata? Trata-se de GANHARMOS todas e todos, de ganhar a associação e ganhar o reintegracionismo. Esse é o valor do consenso.

            Se voltares ler os termos da votação (como já sugeri a outras pessoas), comprovarás que o único que se vai fazer, se os votos forem favoráveis, é incluir este assunto no programa eleitoral da candidatura. Isto, para começar. Para continuar, dariam-se outros passos que já indica o Eduardo no seu artigo de hoje, em todo momento com respeito às normas que regem a associação e, obviamente, com respeito pessoal e institucional às pessoas que integram a CL-AGAL. Vê alguém alguma falta de CONSENSO nisto?

            Que haja pessoas com resistências a que se fale disto não implica que as pessoas promotoras da iniciativa careçam, nem muito menos, de falta de consenso.

            >> Nom serei eu quem discuta a legitimidade democrática de umha votaçom assemblear favorável a levar ao papel o que já é umha prática por parte do organismo dirigente da AGAL nos últimos anos: o abandono progressivo e antiestatutário da norma da Associaçom, acompanhado de umha crescente desconsideraçom do papel da Comissom Lingüística.

            Novamente vou discrepar aqui do comentário do Maurício. Entendo que se trata de uma opinião pessoal e intransferível tua, pois em nada condiz com o expressado polo presidente da CL-AGAL cada vez que interveio na assembleia da AGAL, máximo órgão da associação. De facto, nos últimos seis anos apenas perdi uma assembleia e nunca a CL-AGAL teve qualquer queixa a transmitir.

            Os Conselhos da AGAL desde 2009 (não posso falar polos anteriores, pois não formei parte) caraterizam-se polo diálogo constante com a CL-AGAL e por apoiarem quantas iniciativas teve. Da construção do Consultório Linguístico ao próprio site internético da Comissom, facilidades para a traslação ao papel de obras fundamentais da Comissom, etc.

            Por último, nada há de estatutário em que os órgãos da AGAL usem uma norma reintegracionista ou outra. Isso já o deixou avondo claro Montero Santalha (membro da CL-AGAL) num outro artigo no PGL e é também facilmente comprovável com uma leitura atenta dos estatutos da associação. Precisamente, Montero Santalha é A VOZ autorizada para falar neste ponto, como membro fundador da associação e redator dos primeiros estatutos, cujas disposições sobre a norma reintegracionista vigoram hoje.

            >> É por isso que vos proponho a retirada da palavra “consenso” da legenda de campanha […] a nom ser que o vosso novo consenso se construa com a exclusom da “Nova AGAL” de aqueles e aquelas que somos contra a vossa proposta.

            Voltamos ao começo. Não há nenhuma proposta. O próprio Eduardo, no artigo de hoje, dá algumas possibilidades do que PODERIA ser. A 29 de setembro de 2015 não há qualquer proposta, pois para começar está-se a VOTAR/OPINAR/DISCUTIR sobre a conveniência ou não de que se deem os passos para a criação de uma proposta. Como pode alguém estar contra uma proposta que ainda não existe??

            >> Tal como vós tendes direito a ir avante com isto, alguns temos direito também a estragar esse “consenso” que proclamades.

            Vinculado com o que dizia eu acima, que haja pessoas contrárias ao consenso não impede que haja outras que o procurem. Há pessoas que querem construir, há pessoas que querem «estragar».

            >> Devedes entender que nom desistamos de defender o caráter fundacional da AGAL e a contrastada utilidade social da sua norma. Temos todo o direito e sentimo-nos obrigados a fazê-lo.

            Como dizia Montero Santalha no artigo a que aludi, e está bem lembrá-lo, a AGAL e os valores fundacionais que dizes defender é ANTERIOR à própria existência de uma norma. A AGAL fundou-se em 1981, a primeira norma linguística elaborada pola CL-AGAL chegou em 1985, emendou-se em 1989, voltou-se emendar em 2012… E com certeza será emendada no futuro, talvez num sentido ou talvez noutro, e acho que sempre que se emendou foi para melhorar, pois no teu próprio texto utilizas formas da emenda de 2012.

            Do resto teu alargadíssimo comentário não respondo mais nada, pois num senso ou noutro está tudo já dito aqui.

            Boa leitura!

          • fromgaliza

            Desculpa, Gerardo, nom tenho tempo para responder a vários candidatos em simultáneo, nem vejo grande cousa de novo nos teus argumentos.

            Estou a tentar responder a todo o que dou feito a partir do meu artigo, mas nom tenho hábito de polemista-digital e também nom gosto de debater sobre argumentos de autoridade, afirmaçons objetivamente falsas e apelos à felicidade universal (que vós queredes construir e nós destruir).

            Vou tentar nom cair em repetiçons e acho que já dei as minhas razons. Tanto a AGAL como o reintegracionismo som mais amplos e eu nom aspiro a representar mais que umha voz tam pouco autorizada como outra qualquer, que por acaso é a minha.

            E no fim de contas, o que vós decidirdes terá também pouca importáncia. Se a norma galega tiver um papel a jogar na Galiza atual, vai jogá-lo com ou sem a vossa permissom. E se nom tiver, que mais tem o que uns e outros andemos a pontificar?

            Obrigado polo debate e que fale mais gente 🙂

            Boa noite!

          • madeiradeuz

            Antes de mais, não sou candidato de nada. É mais, nos vindouros meses irei sendo cada vez mais nada, mas esse já é outro tema.

            Das afirmações «objetivamente falsas», pois já dirás, que nem eu costumo mentir nem o Conselho da AGAL faltar à verdade.

            O de «destruir» é cousa tua. Eu disse «estragar», que é o verbo que tu empregaste, daí tê-lo posto entre aspas.

            Por último, a parte final do teu comentário contrasta muito com a veemência do teu artigo, a tua participação neste debate ou o facto de teres co-convocado uma juntança dias atrás para não sei bem o quê (literal: não sei).

            Porém, não compreendo desse elento que introduzes sobre fazer tal ou qual cousa com ou sem permissão… Permissão de quem, sobre o quê e para quem? Se te referires à vida associativa, a ‘permissão’ emana das normas (modificáveis) de que nos dotamos, não de pessoas concretas polo seu livre desígnio. Se falares doutro âmbito, ainda o entendo menos.

          • fromgaliza

            Uf! Eu sou veemente, reconheço-o, mas tu és bem insistente!

            – Dou umha afirmaçom falsa das tuas, só como exemplo, já que a pedes: Que a Comissom Lingüística nom tenha dirigido nengumha reclamaçom ao Conselho é falso. Às vezes dizemos falsidades sem por isso mentirmos. Pode haver desinformaçom, má memória… desconheço qual é o teu caso. Por isso nom te acuso de mentir, mas sim de apresentar afirmaçons falsas.

            – Nom tés porque saber para que co-convoquei nada em dias passados, porque de facto tu nom estavas convocado.

            Quanto à afirmaçom final, só estava a relativizar a importáncia destas polémicas, por muita veemência ou insistência que eu e tu ponhamos.

          • madeiradeuz

            Tem havido alguma petição para fazer tal ou qual cousa, saber de tal ou qual cousa ou pedir retificar tal ou qual cousa. E acho que sempre se deu resposta satisfatória. Mantenho, pois, que não houve ‘queixas’, e muito menos no senso de que o Conselho ‘passou’ da CL-AGAL ou algo do género.

            Quanto à reunião, era aberta, no local de uma associação de que sou parte e enviou-se convocatória a uma lista da AGAL. Portanto, sim, estava convocado, mas cousa distinta é que não me pudesse achegar.

          • fromgaliza

            Impossível discutir contigo, porque, por exemplo, nom tés problema em converter “queixas” em “pedir retificar tal ou qual cousa”. Compreenderás que assim é impossível.

            Nom vale a pena, a sério.

            E nom, nom estavas convocado a essa reuniom porque só estava convocada, literalmente, “Qualquer pessoa comprometida com a CONTINUIDADE do padrom galego da AGAL”.

            Acho que nom é o teu caso, mas talvez agora também consigas convencer-me de que sim, tu estás por isso…

            Agora vou dormir. É tardíssimo.

            Boa noite.

          • madeiradeuz

            Como disse acima, a CL-AGAL nunca, NUNCA, teve queixa nenhuma a manifestar nas 10 ou 11 assembleias da AGAL em que participei nos últimos 6 anos. Por se a minha menória falhar, há atas de todas as juntanças… E falo todas as semanas com membros desse órgão, companheiros teus. Entendo, pois, que é uma apreciação pessoal e intransferível tua.

            E sim, eu estava convocado, porque eu defendo, defendi sempre, um padrão galego próprio. É mais, tenho dito que a norma da AGAL atual é com a que me sinto mais identificado, mas também que ainda tem muita margem de reintegração sem que por isso me deixe de identificar. Tenho-o dito aqui, no Facebook, em assembleias, em conversas com o Estraviz, Fagim, Garrido… Cousa diferente é como escrevo, que é apenas uma decisão pessoal.

            Quanto à suposta defesa da norma da AGAL, não me aclaras tampouco o que falei: a de 1985? A de 1989? A de 2012? Só defendes a que existe em cada momento? Rejeitaste então a mudança de 2012, ameaçaste com «estragar» algo?

            Não se pode falar comigo? Tem graça que afirmes tal quando unicamente respondes com evasivas.

            É hora de cantar claro, Maurício. Que te/che desagrada de que as sócias e sócios deem a sua opinião?

            Todo isto é para salvaguardar a norma da AGAL (a versão de 2012)? Até onde eu sei, com os estatutos na mão, a função codificadora é da CL-AGAL. Que quer dizer isto? Que um Conselho não vai mudar a norma da AGAL, pois seria contrário aos estatutos. Mas um Conselho tem toda a legitimidade para fazer propostas à CL-AGAL, que para algo é um «órgão de caráter técnico», ou? Há ou haveria problema nisso? E a CL-AGAL, da qual és parte, pode aprovar ou chumbar uma proposta. E aqui paz e depois glória, Maurício.

          • fromgaliza

            Que interessante todo isso que contas, mas eu vou ficar por aqui já.

          • Raimundo Serantes

            Deixai-me só que vos diga que, embora poda ser interpretado como umha piscadela à confluência normativa, o lema Polo Novo Consenso assenta antes na vontade que temos de ir tecendo um novo consenso social em prol do galego, com base na identidade comum galego-portuguesa. É um mote que continua com umha campanha que fijo o atual Conselho em funçons.

          • http://www.notas.gal Eliseu Mera

            Bom dia! Não se vos pode deixar sozinhos nem um minuto 🙂
            Mauricio, limitei-me em fazer observações respeito ao teu comentário do meu comentário 😉 não tenho empenho nenhum em alargar o debate, mas às vezes cumpre introduzir elementos novos para fazer pedagogia duma posição.
            Quanto a todo o que dizes limitarei-me a indicar que teimas em proclamar que, respeito à norma Agal ” é a dirigência da AGAL a que, por algum motivo, decide suprimi-la”. Esta ideia -que curiosamente apareceu em meios como o Diário Liberdade- é totalmente falsa.
            A nossa candidatura não tem intenção de eliminar nenhuma norma ortográfica senão em reconhecer as diversas opções, sodes outras as que queredes restringir direitos. Ainda mais, dentro das oito pessoas que a compõem, cinco são utentes da norma Agal (incluído o candidato à presidência), uma do padrão e duas (entre elas eu) escolhemos as opções que nos parecem mais convenientes de cada uma.
            A nossa vontade é a de ampliar a base social do reintegracionismo, não de restringi-la, e para isso hai que reconhecer a existência de posturas divergentes e tentar que se sintam cômodas dentro do que deveria ser a nossa casa comum.

            Cumprimentos

          • madeiradeuz

            Sem pretendê-lo, acho que o meu comentário ao companheiro Facal completa o teu: http://pgl.gal/o-que-implica-na-pratica-a-aglutinacom-normativa/#comment-2281486573

            Saúde, Eliseu.

          • fromgaliza

            Ok, se nom gostas da expressom “suprimi-la”, digamos que “transformá-la” noutra cousa, ou “ultrapassá-la”. O resultado é o mesmo, por isso nom vale a pena enredar com questons nominais.

            Se te limitas a emendar só isso, interpreto que concordas com o resto de comentários críticos sobre o procedimento que coloquei. Já adiantamos algo.

            De resto, já dixem que admitirei qualquer resultado, só nom admito que se fale de “consenso”, porque isso nom é umha questom nominal. Com a maioria da Comissom Lingüística contra e, ao que todo indica, umha parte da assembleia também contra, nom pode pretender-se vender isso como “consenso”.

            Nom sei porque insistes em acusar-me de querer restringir direitos. A Academia Galega da Língua Portuguesa nom restringe os direitos de ninguém por ter umha norma própria e oficial nas atividades da entidade.

            Da mesma forma, a AGAL nom restringiu nestas mais de três décadas os direitos de ninguém por ter umha norma própria nas suas atividades. Qualquer sócio ou sócia pode usar já qualquer norma reintegracionista em qualquer ámbito interno da Associaçom.

            Nom estades a resolver nengum problema de direitos que ninguém viu até que vós decidistes que existia. Estades é a propor mudar de norma para umha nova intermédia entre a galega e a lusitana. Tipo, a do Valentim em Do Ñ para o NH, para nos entendermos.

            Fico por aqui, esperando que o Gerardo nom nos leia e recomece 🙂

            Cumprimentos

          • madeiradeuz

            Maurício, por alusões, eu não recomeço nada. És tu que não concretizas. É mais, acho que nem sequer leste o que eu comentava ontem, como tampouco respondeste uma só das perguntas que formulei ontem. E agora acrescento algumas mais:

            – “Com a maioria da Comissom Lingüística contra”. Contra o quê? Contra que se consulte os sócios e sócias?

            Insistes em dizer que não se pode vender «isto» como consenso. Por que? Porque o digas tu? Que tu desqualifiques uma consulta legítima e democrática, que te negues a dialogar, que tu ameaces com «estragar», que tu advirtas com fazer o que considerares «sem pedir permissão»… Isso significa que a Candidatura contrária ao consenso? Em absoluto: OS CONSENSOS CONSTRÓEM-SE e são FRUTO DE MUITO ESFORÇO. Se só por dizer quatro palavras mágicas se criasse o consenso, que maravilha!

            – “Nom estades a resolver nengum problema de direitos que ninguém viu até que vós decidistes que existia”.

            Bom, quando acusas o Conselho da AGAL de comportamentos contrários aos estatutos (o qual já demonstrei que é falso) por consentirem ou promovorem em determinados contextos uma norma reintegracionista diferente da criada pola CL-AGAL, não estás a atacar direitos? Eu acho que sim.

            – “Estades a propor mudar de norma par aumha nova intermédia entre a galega e a lusitana”.

            Isto é da tua colheita. Está-se a perguntar as sócias e sócios pola conveniência de falar do tema, mais nada, como já repeti aqui até a extenuação.

            Se as sócias e sócios considerarem pertinente que se fale do tema, levará-se num programa e conversará-se com a CL-AGAL. O Eduardo deu algumas chaves sobre como ele pensa que pode ser a proposta, mas não é nada fechado com antecedência.

            E mesmo que sim, mesmo que fosse uma proposta fechada e nos termos que dizes tu… QUAL É O PROBLEMA? Se, como dizes, a maioria da CL-AGAL é contra disso, problema resolvido: chumba-se a proposta E AQUI PAZ E DEPOIS GLÓRIA, como che dizia ontem à noite.

            PS: aguardo não me ter repetido muito mas, como comprovarás, continuavas a falar de cousas que já estavam respondidas. Não gosto de me repetir, que é pouco produtivo.

          • fromgaliza

            Ó Gerardo, reconheço que figem algumha intervençom longa de mais, mas nego-me a responder qualquer cousa que che vinher à cabeça. És incapaz de dialogar e limitas-te a exercer de hooligan com umha verborreia insuportável.

            Relaxa e nom recomeces.

          • madeiradeuz

            Bom, acho que já ficou aqui por escrito quem respondeu os interrogantes, quem teve atitude clara e construtiva, quem não se escondeu… e quem é ‘hooligan’. Evidentemente, o hooligan sou eu! :___)

          • http://www.notas.gal Eliseu Mera

            O facto de que não fale das outras questões não implica que concorde com elas, simplesmente, dado que o debate se está alargando. Prefiro centrar-me nas cousas que dizes que não são certas, mas agradeço a tua argúcia 😉
            – A norma Agal não se vai suprimir, nem superar, nem ultrapassar, nem eliminar, nem abolir, nem extinguir, nem anular, nem limpar, nem apagar nem nenhuma outra cousa que se lhe pareça. Expreme-o mui bem o Eduardo no último artigo neste PGL. A norma Agal é útil, tem um magnífico sustento doutrinal e apoia-a uma parte importante do reintegracionismo.
            – Para lograr o desejado consenso é imprescindível consultar previamente o conjunto da associação. Uma pessoa que tem medo da democracia é porque não acredita muito nela. Um consenso baseado só no acordo entre elites não tem muito futuro.
            – Uma vez feita a consulta, valoraria-se a possibilidade de ir avante com esta proposta de confraternização normativa ou de manter-se na situação atual.
            Dá-me a sensação de que algumas pessoas estades pondo o carro diante dos bois.

            Cumprimentos

          • fromgaliza

            Eliseu, que alguns discordemos da vossa proposta nom significa que sejamos contra a democracia. Sem direito e exercício da discrepáncia nom há democracia. É na discrepáncia que se acha a essência da mesma, muito mais que consenso que vós proclamades.

            Nom sei é se o teu conceito de democracia inclui a manipulaçom através de perguntas como a que preside o debate do Loomio, mais própria do “ludo-reintegracionismo” que de umha consulta séria.

            É claro que a norma da AGAL tem todas essas virtudes que comentas. Daí que eu me aventure a afirmar que continuará a ter vida própria na sociedade galega, tal como o padrom português será mantido polos seus defensores com toda a legitimidade.

            Assim sendo, o panorama ficará mais complexo se for aprovada a vossa proposta. Por isso ela é tam legítima como inconveniente para os fins que proclamades, nomeadamente simplificar ou até “aglutinar” as discrepáncias, quando ides favorecer o contrário: a dispersom, um “anti-padrons” ou um eclético “padrom de padrons”, tam acorde com os tempos pós-modernos que vivemos.

            Tenho falado o suficiente com o pai da vossa criatura para saber o que se pretende. Agradece-se que deixedes de tratar-nos como se estivéssemos a delirar ou qualquer cousa do género.

            Por último, nengum “medo” à consulta aos sócios. Eu sou um, e opino como o resto. Parece que isso vos molesta…

          • madeiradeuz

            É curioso que agora defendas que estás a opinar quando toda a polémica começou por uma rejeiçom a que se opine. Lembra-me quando na minha faculdade, nas mobilizaçons contra a LOU, se deu o seguinte e surrealista diálogo:

            – Votamos?
            – Nom estamos de acordo.
            – Entom, votamos se votamos?

            Mutatis mutandis, votamos que nom votamos ou como é o conto? 😉

          • fromgaliza

            Para surrealista o teu.

            Enfim…

          • madeiradeuz

            Está visto tens zero interesse em chegar a qualquer entendimento. Estás no teu direito. Eu exercerei o meu direito a dar por finalizado o intento. Cuido que as posturas ficaram avondo claras, assim que já por isso valeu a pena.

            Saúde.

          • http://www.notas.gal Eliseu Mera

            Temos ópticas bem diferentes quanto a esta questão. Logicamente, penso que a minha é mais útil pensando no futuro da língua, por isso a defendo e tu fazes o próprio.
            Pola minha parte, a mão continua aberta para quando tenha o gosto de conhecer-te. Sou consciente de que qualquer debate sempre resulta mais áspero se se fai por escrito que cara a cara.
            Um saúdo, Maurício.

          • fromgaliza

            Finalmente há algo em que concordamos.

            Cumprimentos e boa noite.

        • Louredo

          A pluralidade de formas nom é um direito, homem! como nom o é o código de circulaçom. Só pode haver um

          • http://www.notas.gal Eliseu Mera

            No mundo temos casos diversos de línguas em situações de fortaleça e de debilidade tanto com uniformidade na sua escrita como com variedade sem que uns conceitos correspondam com outros. Em todo o caso, não vou dar exemplos não me interessa este debate, apenas que a ortografia seja a melhor ferramenta para seduzir a maior parte da sociedade galega em particular. A normalização tem de ser uma prioridade absoluta. Por cada minuto que perdamos em discutir cal dos modelos é tecnicamente melhor -enquanto as suas divergências cabem num fólio- estamos permitindo que o castelhano continue a somar centos de falantes.
            E o diálogo e a discrepância são direitos, com certeza.

  • Venâncio

    Peço desculpa pela intromissão. Isto é: podeis, sinceramente, considerar isto como nunca escrito. Mas, se intervenho, é porque julgo que alguma informação adicional poderia ser aqui conveniente.

    Creio vigorar em alguns o convencimento da existência duma norma luso-brasileira. Ela não existe, e provavelmente nunca existiu. O que houve foi uma tradicional subordinação das elites brasileiras à norma metropolitana. Hoje, com claras dificuldades, sobretudo pela resistência dos sectores mais reaccionários, a norma brasileira (a chamada Norma Culta Urbana) vai vencendo o preconceito linguístico e rompendo o cerco filo-europeu.

    Já aqui dei, detidamente, exemplos do que, estruturalmente, diferencia a norma brasileira da norma europeia, expondo as suas diferentes morfologia, sintaxe, semântica, fraseologia e pragmática. Fi-lo porque acho que um observador exterior terá natural dificuldade em destrinçar as duas normas, tanto mais que a linguagem culta e a ortografia (e mesmo esta só parcialmente) camuflam as diferenças. Para um utente/usuário delas, porém, as diferenças são perfeitamente perceptíveis.

    E são-no de tal modo que as traduções de literatura e ensaio estrangeiros são sempre feitas à parte nos dois países, Brasil e Portugal, por tradutores do país e editadas por editoras nele. Sei do que falo, pois desde há dezenas de anos dou, como técnico de tradução, pareceres sobre edições em curso para um país e para outro.

    E porquê existem sempre traduções separadas? Porque, muito diferentemente do caso espanhol, os utentes/usuários exigem poder ler na sua norma gramatical, lexical, etc., seja um romance, seja um ensaio, seja um folheto de instruções da máquina de lavar louça.

    É perigoso projectar a história linguística colonial espanhola sobre a história linguística colonial portuguesa. Já aqui o expus várias vezes: os dois processos foram, desde o início, inteiramente diferentes, e os seus resultados são hoje irredutíveis. São verdadeiramente dois mundos, o do espanhol e o do português.

    Moral da história: existindo uma bem marcada norma linguística brasileira, e uma bem marcada norma linguística portuguesa, seria autenticamente inacreditável que o galego não tivesse também a sua.

    • Venâncio

      Só uma anotação sobre ortografia.

      Alguns lembrarão as graves objecções de teor estrutural que o AO de 1990 me suscita. Mas uma coisa sempre louvei nele: ter erigido a Pronúncia, e não já a Etimologia, como critério primeiro e decisivo da grafia.

      E não uma pronúncia qualquer, mas a Pronúncia Culta de cada comunidade nacional. Defender, pois, o uniformismo ortográfico internacional em nome do AO é, pelo menos, uma tremenda originalidade. 😉

  • Ernesto V. Souza

    Tem certa cousa poética que encaixe melhor:

    Na Galiza, um padrom nacional, como em Portugal

    [p.s. é uma parvada… mas não pude resistir-me]

  • http://miromoman.wordpress.com/ Miro Moman

    Aproveito esta curta visita a Bizâncio (o corrector ortográfico do Firefox acha que é gralha e sugere, não é piada, “Venâncio”), para insistir no evidente:

    Neste momento na Galiza é ainda conveniente cultivarmos ambos os modelos, o agaliano e o lusitanista.

    A confluência é impossível porque uma das partes não está disposta a fazer nenhuma concessão e, para além do mais, é indesejável porque cada um dos modelos joga um papel importante e necessário que o híbrido não poderia cumprir de maneira efectiva.

    Hoje é fundamental dispormos duma norma que contribua para a auto-identificação identitária e uma norma que contribua para projectar internacionalmente a noção de que a Galiza cultiva a língua portuguesa com normalidade e sem exotismos.

    • Venâncio

      Miró (ai estes correctores modernos!),

      O Reintegracionismo galego só tem uma de três opções:

      – ou a norma linguística dos portugueses,

      – ou a norma linguística dos brasileiros,

      – ou a norma linguística dos galegos.

      As três coincidem em grande parte, e em grande parte descoincidem. Em geral, a norma linguística dos portugueses está mais próxima da dos galegos que da dos brasileiros.

      Não é ideologia, é linguística.

      Boa escolha!

      • fromgaliza

        Obrigado também a ti pola participaçom nos comentários ao meu texto, Venâncio. Boa síntese a tua também! mas receio que seja impossível falar de escolhas sociais sem intervençom ideológica 😉

        Cumprimentos,

        • Venâncio

          Aceito que sim, caro Maurício. Mas o Reintegracionismo galego já é “ideologia” que chegue: contra a corrente hegemónica, contra a desistência do galego, contra o facilitismo do pronto-a-vestir, assumindo um projecto exigente, informado e trabalhoso.

          • Ernesto V. Souza

            Não Fernando, o reintegracionismo não é uma ideologia… Não pode ser e é um erro entendê-lo assim, pois a diversidade ideológica, política e social nele é imensa, cobre todo o leque de ultra-direita à ultra-esquerda, com maior peso talvez da esquerda mas estas ideologias nele também não definem os agrupamentos nele nem portanto os grupos e orientações.

            A ideologia, se me apura é o galeguismo (aka na sua voz antiga “patriotismo” e ou “nacionalismo” e hoje nem, sei); o reintegracionismo é apenas uma das correntes do debate dentro do longuíssimo processo (mais de 2 séculos) de reconstrução e fixação de uma Norma escrita para a língua galega (também conhecida como galego-portuguesa ou simplesmente portuguesa).

          • Venâncio

            Ernesto, primeiro a questão miudinha.

            Apostrofas-me com «O reintegracionismo não é uma ideologia» como se jamais eu o tivesse afirmado. Se retrocederes uns tantos comentários, verás que eu não o disse em parte nenhuma.

            Agora assunto mais ponderoso. Escreves:

            «A diversidade ideológica, política e social nele [no Reintegracionismo] é imensa, cobre todo o leque de ultra-direita à ultra-esquerda, com maior peso talvez da esquerda mas estas ideologias nele também não definem os agrupamentos nele nem portanto os grupos e orientações».

            E mais escreves:

            «O reintegracionismo é apenas uma das correntes do debate dentro do longuíssimo processo (mais de 2 séculos) de reconstrução e fixação de uma Norma escrita para a língua galega».

            Imagina tu agora que eu tinha (e às vezes tenho) de explicar a um compatriota o que é o Reintegracionismo galego. Achas que eu poderia servir-me da tua informação? E achas que esse meu compatriota (ou eu próprio) entenderia o que quer que fosse sobre o Reintegracionismo?

            Ouve: eu sou um simples linguista. Eis a minha limitação, eis também o pouco em que poderei ser útil. E, como linguista, eu diria que o Reintegracionismo galego é um movimento que se propôs devolver o Galego aos galegos. Nem mais. Nem menos.

            Em bastantes sítios vossos (aqui no PGL, no Boletim da AGLP, em portais como Diário Liberdade, Sermos Galiza e semelhantes), aparecem publicados textos num Galego imensamente deficiente e pobre. É como se nem Corredoira, nem Fagim, nem Maurício Castro, nem Maragoto alguma vez tivessem feito o esforço que fizeram.

            Reaparecem sempre os mesmos castelhanismos de construção e de significado, os mesmos pseudo-lusismos, a mesma, e sistemática, ausência do léxico galego genuíno e da genuína gramática galega. Desaparecem sempre as duas magníficas invenções galegas (que o Português soube conservar), o infinito conjugado e o futuro do conjuntivo (e este, quando aparece, está mal usado em nove de cada dez vezes).

            Que brincadeira de mau gosto é essa, vossa, do «português da Galiza», quando o Galego de muitos de vós é de bradar aos céus?

            Aprendei Galego, ensinai Galego. Tereis trabalho útil para dezenas de anos.

          • Ernesto V. Souza

            “o Reintegracionismo galego é um movimento que se propôs devolver o Galego aos galegos…”

            Não é correto, ao meu ver… acho que é não contar com os não reintegracionistas, e com os escritores e intelectuais, e os simples falantes que antes de nós fizeram e nos aprenderam e mesmo com os que hoje não compartilham a ideia reintegracionista e dos que tanto ou mais – eu quando menos – galego aprendemos…

            Do resto tem razão… uma e outra vez os mesmos castelhanismos… e mesmo depois de obra, advertência e graça de correções…

          • Venâncio

            Ernesto:

            Todo aquele que, hoje, cultiva o Galego é um reintegracionista. Mesmo que não o saiba. Mesmo que não o queira.

            O resto é espírito de capelinha, de seita, ou de doce aconchego.

          • Ernesto V. Souza

            Pois, não senhor, quem nos dera… e não porque não seja evidente e mais desde que Feijó o moço governa na Audiência, senão porque muitos e grandes vultos rejeitam abertamente esse comum que quando menos nós – você e eu – claramente lhes destacamos uma e outra vez.

            Esse resto de capelinhas, seitas, castros e aconchegos… de grandes chefes de pequenas tribos é – que lhe quer – e até mudar, a realidade e característica que mais define – e não se deve obviar – para mim os sórdidos galegos…

          • Venâncio

            Escreves: «Muitos e grandes vultos rejeitam abertamente esse comum que quando menos nós – você e eu – claramente lhes destacamos uma e outra vez».

            Pois é. Mas, como as nossas vozes são débeis, que tal a AGAL declará-lo? Proclamando, de modo que todos o entendam, que qualquer forma de autêntico galego é boa, é legítima, é promotora de reintegração?

            Com esta débil voz, eu sempre o disse: essa declaração da AGAL mudaria, instantaneamente, decisivamente, todo o panorama do debate linguístico galego.

            Falta saber se é isso o que quereis.

          • Ernesto V. Souza

            Pois, sorte na sua tarefa, eu como sabe compartilho essa ideia… mas nestes momentos vou cheio destes debates recorrentes. Saúde.

          • Venâncio

            Caro Ernesto,

            A tarefa não é ‘minha’. Eu limito-me a dar sugestões, palpites, dicas…

            Ao mesmo tempo, palpita-me que o futuro, no campo galego oficialista, é o dum decidido aproveitamento do português. Eu desejo longa vida aos velhos gurus oficialistas, mas a verdade é que os meus desejos nem sempre são ouvidos…

            Com menos poesia: a norma da RAG vem-se sistematicamente ‘reintegrando’. Esse é um fenómeno que já vem de inícios do século XX. Eu vejo esse consistente processo (que espero um dia expor em mais pormenor) e custa-me que ele nunca tenha sido visto, menos ainda valorizado, muito menos ainda acarinhado, por parte da AGAL.

            Do meu ponto de vista, estais continuamente a desperdiçar oportunidades.

          • Ernesto V. Souza

            Caro Fernando… entendo que quer dizer século XXI, porque nos inícios do século XX a RAG estava mais reintegrada do que hoje…

            Eu curiosamente passei-me ao reintegracionismo quando percebi, que o modelo desacelerava o natural processo de reintegração… perdi a paciência, claro, porque a reintegração é evidentemente o objetivo final do galeguismo. Alguma gente esqueceu, e outra não concorda apenas no ritmo, mas efetivamente, a cousa vai dando, em conjunto:

            http://www.agal-gz.org/modules.php?name=News&file=article&sid=4321

            Quanto a desperdiçar… quem sabe… talvez é apenas que os galegos gostamos de dar alguma volta que outra antes de tomar decissões sobre cousas que depois são más de mudar.

          • Venâncio

            Não, não me enganei. O processo de recuperação do Galego percorre todo o século XX. Que esta realidade entristeça as ideologias, sobretudo as extremistas, compreende-se. Mas factos são factos, e a vasta documentação (‘isolacionista’, claro) comprova-o sem margem para dúvida.

            Em suma: estais menos sozinhos do que supondes. 😉

          • Ernesto V. Souza

            Fernando no meu caso sabe bem que concordo, eu não nego o imenso trabalho das pessoas que não compartilham comigo uma visão ou outra da ortografia ou das políticas para o restauro do galego…

            Outra cousa é que os desencontros pessoais, os absurdos mau entendidos, o orgulho, as atitudes ou as atuações passadas não nos permitam ter projetos em comum.

          • Louredo

            Penso que se um português tivesse que pensar umha ortografía para o galego, seria a da AGAL, se esse português conhecesse bem o galego. Tenho essa certeza e portanto, nunca escreverei galego noutra outro ortografia que nom seja a da AGAL ou a da RAG. Para escrever português posso escrever duas formas de expressom, a brasileira e a lusa, como se conheço a luso, nunca escreverei em “brasileiro”

          • madeiradeuz

            Galego, antes isolado que aportuguesado, pois é? 😉

          • Venâncio

            Caro Louredo,

            Talvez você não saiba (porque poucos galegos o sabem) que existe na grafia RAG bastante mais “português” do que poderia supor-se.

            Todos nós, de Norte a Sul, pronunciamos espontaneamente tamém (igualmente AGAL, suponho…), pró («É pró meu pai»), ó («Dei ó teu colega»), inda («Inda é cedo»), e bastantes outros casos que já um dia contei aqui.

            Por isso a escrita RAG oferece, para um português que a vê por primeira vez, bastante ‘reconhecimento’. A realidade do idioma é bem mais complexa, e fascinante, do que os espíritos simples querem admitir.

    • fromgaliza

      Obrigado polo teu contributo, Miro. Nom podo estar mais de acordo com a tua síntese, a nom ser na afirmaçom sobre “umha das partes” que nom fará concessons. Acho que nengumha delas as fará, de facto…. (nem falta que fai, porque, como dis, ambas som úteis! 🙂

    • Joám Lopes Facal

      É engraçado que o corrector qualifique de bizantina umha consulta a propósito deste debate. Inteligência artificial. A tua posiçom, impecável; o único que talvez nom entendim de todo é qual dos dous modelos poderia merecer a suspeita de exotismo. Cumprimentos cordiais.

      • http://miromoman.wordpress.com/ Miro Moman

        O exotismo é uma questão de perspetiva. Qualquer cousa pode resultar banal ou exótica em função da posição do observador.

  • Eugénio Outeiro

    Não acabo de perceber a cousa. Pensava que a proposta que há em cima da mesa era precisamente para um padrão nacional. Não era unificar numa norma as atuais divergências que há na Galiza? Quem quereria fazer isso sem partir da necessidade de reconhecer todas as opções como válidas, e sem querer um norma galega, e portanto nacional?

    Das suas umas, ou há pessoas com medos injustificados, ou há a intenção de levar a âmbito ideológico o que é simplesmente uma questão estratégica.

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    O padrão nacional próprio, desejável, necessariamente terá de convergir com o Acordo Ortográfico e os elementos distintivos do galego (til de nasalidade e terminação em -ão/-ões) comuns ao português de Portugal e ao do Brasil. Outra cousa é inviável e já está bem de perder o tempo. Por outra parte, esse padrão não será feito mediante assembleia popular, senão em reunião académica. Portanto, podemos passar mais outros trinta anos a falar em norma ortográfica, que não adiantaremos nada.

  • Celso Alvarez Cáccamo

    Separando, de novo, o debate sobre a norma do galego do debate interno a respeito da candidatura de AGAL, no qual não entro, acho que se dá importância demais (e isto vai sobretudo polos argumentos do amigo Máuri) à forma duma dada norma no papel (afinal) indéxico-social da construção nacional. E acho que isto é um erro político fundamentalmente, isto é, de análise política, pois o central é quais os agentes nacionais na construção dessa norma, não qual a norma. É uma questão (trivialmente) de campos, mercados e portanto interesses de classe. Portanto, se uma dada instância organizativa ou associativa é agente de construção nacional, vai sê-lo à margem das suas propostas técnicas sobre a língua, exceto que, of course, se pense que essa dada instância se vendeu como agente dum outro projeto nacional. Espero que esta interpretação não seja o caso 😉 . Saúde!

    • fromgaliza

      Na verdade, no meu artigo nom falo nem umha palavra de questons de FORMA, Celso. Nem umha palavra sobre tis, circunflexos e “umas”. Isso porque considero irrelevante o debate técnico, umha vez estabelecido o critério de substancial unidade com as variantes lusitana e brasileira com que foi elaborada a norma galega em 1983 (e nas suas sucessivas atualizaçons).

      A minha crítica é para o elitismo de umhas pessoas que decidem que umha norma ficou obsoleta e promovem umha “nom-norma” ou “anti-norma” ou “norma de normas” como alternativa. Na prática, o objetivo nom declarado é umha integraçom no padrom português que é legítima. Muitos praticade-la e a vossa proposta está sobre a mesa há tempo. E alguns nom achamos que o padrom galego esteja obsoleto, porque nos parece, ao contrário, que é muito útil.

      A questom nom é que forma damos à norma: a questom é para que a queremos. Esta proposta que nos fai a dirigência da AGAL pretende que nos dediquemos a promover o português como língua estrangeira, o que eu particularmente devia achar ótimo, porque, como eles, sou profe de português 🙂 Porém, acho que nom deve ser essa a funçom principal da AGAL nem do reintegracionismo, porque nom é esse o papel que o nosso povo deve reservar à sua língua.

      Na nossa visom, alguns defendemos que o reintegracionismo surgiu para contribuir na recuperaçom do direito coletivo à língua por parte do nosso povo e o padrom galego da AGAL tem estado todos estes anos totalmente orientado para essa funçom, socializando o reintegracionismo como conteúdo cultural galego, através de todo o tipo de iniciativas sociais de base (nada de especulativo, portanto). Todo isso nom pode ser deixado para trás e o nosso trabalho reduzido à incorporaçom ao nosso sistema educativo de umha “língua estrangeira próxima”.

      É isso que está por trás deste debate: trabalhamos para a construçom e socializaçom do padrom nacional no caminho da restauraçom lingüística ou deixamos isso para nos dedicarmos a que na Galiza se aproveite a proximidade e assim aprendermos mais umha língua, tal como com tanta efetividade se fai na Estremadura espanhola?

      Ah, e a questom nom é se alguém se vendeu. Acho antes que pode haver quem se rendeu. E quem nunca viu isto como umha luita, mas como pura atividade inteletual. Nesse caso, sem se vendeu, nem se rendeu. Estivo sempre a outra cousa.

      Nom é, portanto, umha questom formal. É de fundo.

      • Joám Lopes Facal

        Exemplar a muito paciente e cortês exposiçom dos princípios fundadores da AGAL de Maurício. Sólida a argumentaçom de quem apenas defende a visom dos padres fundadores agora talvez emigrados, quando contendiam frontalmente na lide da hegemonia com contrapropostas à ideologia oficial em forma de “Estudo crítico”.

        Política, Celso? A autêntica categoria da acçom política democrática denomina-se hegemonia; de Gramsci a Laclau e Mouffe. Agentes? os que fam avançar a consciência social partilando o sentir e o compreender da gente.

        Agradecimento a todos os participantes neste confronto amistoso que oculta um disenso de fondo; o que vai da raíz fundacional da AGAL ao ideário do AGLP. Caminhos paralelos mas diferentes: a tortuosa estrada que via de aldeia a aldeia e a espectacular auto-estrada que apanhamos para o londo percorrido.

        • Celso Alvarez Cáccamo

          Joám, estou a falar num erro de análise política, que chamo com benevolência “erro” em lugar de ’táctica para a manutenção de posições sob a assunção das leis dos mercados simbólicos’: o erro de pensar que a posição própria é a que representa o eixo reitor da construção da hegemonia, precisamente. Do que mais gosto da noção de hegemonia é que implica cedência. Se tomada coerentemente, implicaria, justamente, romper com as regras dos campos e dos mercados, isto é, construir uma outra lógica, não só uma outra posição dominante dentro da mesma lógica. O que está em jogo não é a “norma padrom”, mas a (des)legitimação dum setor do campo, representado por uma comissão (CL) duma associação. E as ligações que certos argumentos estabelecem entre as decisões e posições desta comissão (ou qualquer outra) e uma pretensa essência do padrão galego, as práticas culturais e sociais veiculadas por ele (nas associações de base, etc.), e o papel disto na construção nacional são, polo menos, arriscadíssimas, em termos de análise sociolinguística e glotopolítica e, portanto, em termos das ações e posições que se podam tomar. Exatamente o mesmo poderia dizer, sem dúvida, sobre as ligações entre as posições da AGLP e as práticas etc., ou da RAG, etc. Todos estes são fragmentos do campo da língua, mas não são a língua, nem são as vozes paradigmáticas que representem a agencialidade social que está a manter a língua na sua variedade. Se acreditássemos verdadeiramente no nosso projeto, compreenderíamos que somos (AGAL, AGLP, comissões) instrumentos, não objetivos, e que portanto não devemos reproduzir a lógica da (des)legitimação em função das formas do valor da língua numa ordem social capitalista. Neste sentido, por exemplo, o artigo de Carlos Garrido neste mesmo foro de debate é uma perfeita amostra do contrário do que digo 😉 : manifesta uma posição de enrocamento sob o único argumento da auto-legitimação dum órgão qualquer (tanto tem que se chame CL como AGLP) como se a sua missão fosse preservar essências desses valores convertíveis da língua. E vários textos e argumentos deste debate estão procurando converter valores, isto é, o cerne das trocas no campo (da língua) que constitui esses agentes e lhes dá sentido. Em poucas palavras, caro Joám, que compreenderás bem, e que são aplicáveis a qualquer posição no nosso campo: hegemonia não é apropriação — nem de posições, nem do objeto de capital que é a língua, nem desse capital. Francamente, muitos discursos têm um tom profudamente conservador, isto é, conservador de posições, uma das dinâmicas dos campos (frente à subversão, por exemplo) tão bem explicadas por Bourdieu. Saúde e abraços!

      • Celso Alvarez Cáccamo

        Caro, se não é uma questão formal, e se essa “integraçom ‘peculiar’ no padrom português” é “legítima”, não compreendo por que essa proposta de “nom-norma” ou de “anti-norma” deixaria de ser uma norma nacional, tivesse a forma que tiver 😉 . O “para que” a queremos (a “nom-norma”) é, sem dúvida, uma outra (e importante) questão, mas suponho que deveria ser independente de promover ou não o português como língua estrangeira, porque isto já se está a fazer de vários âmbitos e de várias óticas, independentemente dos usos linguísticos das pessoas proponentes.

        Verdadeiramente (e volto ao meu argumento, que, repito, não é sobre uma candidatura), acho que a postura que defendes está a mostrar o seu ponto mais fraco, sobre o qual tenho insistido cá e lá: assumir, a priori e sem qualquer prova, a pretensa utilidade duma dada norma (chamemo-la -OM, para entendermo-nos) para a socialização do idioma, associando-a identitariamente à Galiza. Destaco o da socialização, porque não conheço absolutamente nenhuma evidência de que a norma reintegracionista AGAL socialize melhor (ou pior) o galego como língua nacional do que o AO ou do que a norma da RAG. O único que sabemos é que a norma -OM é indéxica (ou simbólica?) dum setor do independentismo, mas isto não é equivalente a que seja melhor candidata a padrão de língua nacional do que a norma da RAG ou a brasileira. É a respeito do espanhol que há que destacar o carácter identitário nacional da norma galega, e, portanto, até uma norma plenamente “lusitana” (adoro esse adjetivo! 😉 ) na Galiza não significa necessariamente ‘Portugal’, mas ‘Galiza-não-Espanha’, o qual é bastante diferente.

        Em resumo, se a questão não é de forma, todo esse trabalho de socialização da língua por associação entre a língua e “conteúdos culturais galegos” pode continuar a fazer-se igualmente (e, de facto, faz-se) a meio do padrão “lusitano”, não é? 😉 . Temo, porém, que a questão sim que é de forma, ou mais concretamente, do seu controlo e gestão como o que o meu amigo Bourdieu chamaria de “capital específico” de agentes dados no campo da língua.

  • madeiradeuz

    Aproveito para meter aqui lembrança de uma entrevista de há dous anos a ISAAC ALONSO ESTRAVIZ, membro da Comissom Lingüística da AGAL, ex-membro do Conselho da Associaçom e voz autorizadíssima para quanto tiver a ver com a vida social agálica e o reintegracionismo:

    “O objetivo da AGAL era fazer realidade o que todo o nacionalismo vinha defendendo: aproximar, até identificar, o galego na escrita ao português” http://praza.gal/cultura/6196/lo-objetivo-da-agal-era-fazer-realidade-o-que-todo-o-nacionalismo-vinha-defendendo-aproximar-ate-identificar-o-galego-na-escrita-ao-portuguesr/

    • Joám Lopes Facal

      Em geometria o português é a assintota da funçom GZ, em linguística, a língua teito.

      • madeiradeuz

        Em linguística, a língua-teito do galego é (atualmente) o castelhano. O português “lisboeta” seria, sim, a língua-teito do português “nortenho”.

  • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

    Por um erro parvo, apaguei a minha conta no Disqus e, com ela, perderam-se toooodos os meus comentários em páginas dos últimos anos. Acabei de criar uma nova, mas foi impossível recuperar os dados perdidos :__