AS AULAS NO CINEMA

MARTIN LUTHER KING, LÍDER DOS DIREITOS CIVIS

Filme: Selma, uma luta pela igualdade e Documentários vários



De 24 a 31 de outubro comemora-se a Semana do Desarmamento e da Paz. Por isto, dentro da série que estou dedicando aos vultos importantes da humanidade, nada melhor que dedicar este depoimento, que faz o número 18 da listagem de grandes personalidades iniciada com Sócrates, ao líder dos direitos civis e defensor da paz, Martin Luther King.

Martin Luther King (1929-1968) foi um ativista norte-americano. Lutou contra a discriminação racial e tornou-se um dos mais importantes líderes dos movimentos pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964. Nasceu em Atlanta, nos EUA, no dia 15 de janeiro de 1929. Filho e neto de pastores da Igreja Batista resolveu seguir pelo mesmo caminho. Em 1951 formou-se em Teologia na Morehouse College. Quatro anos depois, concluiu doutorado em Filosofia pela Universidade de Boston. Em 1954 assumiu a função de pastor na cidade de Montgomery, no Estado do Alabama, local onde ocorriam os maiores conflitos raciais do país. Começou sua luta liderando um movimento contra a segregação nos ônibus, após a prisão de Rosa Parks, uma costureira que se recusou a ceder o assento para uma pessoa branca.

Nos Estados do sul a segregação racial tinha o respaldo da lei. Nos ônibus de Montgomery o motorista tinha que ser branco e os negros só podiam ocupar os últimos lugares. O movimento contra a segregação durou 382 dias e terminou após a Suprema Corte declarar inconstitucionais todas as leis de segregação. Foi o primeiro movimento vitorioso do gênero registrado no solo americano. Em 1957 fundou a Conferência da Liderança Cristã do Sul, sendo o seu primeiro presidente. Passou a organizar campanhas pelos direitos civis dos negros, baseadas na filosofia da não violência, pregada pelo líder indiano Mahatma Gandhi.

Em 1960 conseguiu liberar o acesso dos negros em parques públicos, bibliotecas e lanchonetes. Em 1963 liderou a Marcha sobre Washington, que reuniu 250 mil pessoas, quando faz seu importante discurso, que começa com a frase “I Have a dream” (Eu tenho um sonho), e descreve uma sociedade, onde negros e brancos possam viver harmoniosamente. Em 1964 foi criada a Lei dos Direitos Civis, que garantia a tão esperada igualdade entre negros e brancos. Nesse mesmo ano Martin Luther King recebeu o “Prêmio Nobel da Paz”. Sua luta se estendeu também nos movimentos contra a Guerra do Vietnã.

Luther King teve sua trajetória interrompida por um tiro enquanto descansava na sacada de um hotel em Memphis, onde apoiava um movimento grevista dos lixeiros. Em 1977, em homenagem póstuma, representado por sua esposa Coretta Scott King, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade. Em 2004 recebeu a Medalha de Ouro do Congresso Americano, pelos 50 anos da promulgação da histórica Lei dos Direitos Civis. Martin Luther King faleceu em Memphis, Tennessee, EUA, no dia 4 de abril de 1968, vítima de um vil assassinato.

Em 1986 foi estabelecido um feriado nacional nos Estados Unidos para homenagear Martin Luther King, o chamado Dia de Martin Luther King, sempre na terceira segunda-feira do mês de janeiro, data próxima ao aniversário de King. Em 1993, pela primeira vez, o feriado foi cumprido em todos os estados do país.

Martin Luther King tinha o poder de usar as palavras de forma intensa e de tal entusiasmo, que cativava, motivava e inspirava os que as escutava. King “bradava” justiça, igualdade, liberdade e paz. Martin fazia parte dos oprimidos. Nasceu negro em 1929, no Sul dos Estados Unidos da América. Os negros, mesmo após abolir-se a escravatura, sofriam com a segregação racial, protegida por lei naquela época e foi justamente essa lei que King ajudou a extinguir. King, filho de um pastor, encontrou na Bíblia sua vocação e também se tornou líder religioso e a “palavra de Deus” o acompanhou por toda a vida. Após a primeira vitória, na qual a segregação em transporte público se tornava ilegal nos EUA, King ganhava cada vez mais força em sua luta por igualdade.

Martin organizou manifestações pelo direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. O desenrolar dos fatos não foram fáceis, muitos morreram e/ou foram violentados. Todavia a maior parte desses direitos foram depois agregados à lei estadunidense.

No seu momento pronunciou aquela linda frase na que diz: “Infelizmente, a História transforma algumas pessoas em oprimidas e outras em opressoras.”

FILMOGRAFIA BÁSICA:

A. FILMES:

1. King (TV).

Diretor: Abby Mann (EUA,1978, 271 min., cor).

Roteiro: Abby Mann. Produtora: Filmways Television.

Fotografia: Michael Chapman. Música: Billy Goldenberg.

Atores: Paul Winfield, Cicely Tyson, Tony Bennett, Roscoe Lee Browne, Lonny Chapman, Ossie Davis, Cliff De Young, Al Freeman Jr., Clu Gulager, Steven Hill, William Jordan, Warren J. Kemmerling, Lincoln Kilpatrick, Kenneth McMillan e Howard E. Rollins Jr.

Argumento: Minissérie centrada na vida de Martin Luther King Jr. desde que começa os seus dias como ministro até o seu assassinato em Memphis em 1968.

2. Selma, uma luta pela igualdade.luther-king-cartaz-filme-selma0

Diretor: Ava DuVernay (EUA, 2014, 123 min., cor).

Roteiro: Paul Webb e Ava DuVernay. Produtoras: Coprodução USA-GB; Paramount Pictures, Cloud Eight Films, Celador Films, Harpo Films, Pathé e Plan B Entertainment.

Fotografia: Bradford Young. Música: Jason Moran e Morgan Rhodes.

Nota: Ver fragmento entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=VAfqxz7fza8

Atores: David Oyelowo, Tom Wilkinson, Carmen Ejogo, Tim Roth, Giovanni Ribisi, Common, Oprah Winfrey, Lorraine Toussaint, André Holland, Alessandro Nivola, Martin Sheen, Cuba Gooding Jr., Dylan Baker, Stephan James, Wendell Pierce, Lakeith Lee Stanfield, Colman Domingo, Ruben Santiago-Hudson, Stephen Root, Tessa Thompson, Omar Dorsey, Henry G. Sanders e Jeremy Strong.

Argumento: Cinebiografia do pastor protestante e ativista social Martin Luther King, Jr (David Oyelowo), que acompanha as históricas marchas realizadas por ele e manifestantes pacifistas em 1965, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, em busca de direitos eleitorais iguais para a comunidade afro-americana.

B. Documentários:

1. A História de Martin Luther King (Dr. Martin Luther King, Jr.: A Historical Perspective)

Diretor: Thomas Friedman (EUA, 1994, 52 min., cor e p. e b.).

DVD de Cannes Distribuidora (Brasil).

Nota: Ver entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=ll87JozFlxo

Argumento: Um documentário sobre um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros dos Estados Unidos, e, no mundo inteiro, com uma campanha de não violência, e, de amor ao próximo. Ministro Batista, King tornou se um ativista no início de sua carreira. Ajudou a fundar a Conferência da Liderança Crista do Sul (SCLC) em 1957, servindo como seu primeiro presidente. Prêmio Nobel da Paz em 1964, King sempre lutou pelo combate a desigualdade social.

2. Coragem para mudar (Martin Luther King). Vídeo motivacional.

Nota: Ver entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=VwTpV54VhKk

3. Martin Luther King: O Filme. Duração: 23 min.

Nota: Ver entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=1DG0vMw7Cpc

4. Dr. Martin Luther King: Dias de esperança (Dr. M. L. King: Days of Hope).

Diretor: John Akomfrah (EUA, 1997, cor e p. e b.). Produção: Lina Gopaul.

Argumento: Documentário sobre a vida do pastor da igreja baptista, que lutou toda a sua vida pelos direitos dos negros americanos.

LUTHER KING NAS SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS:

A melhor maneira de entender o nobre pensamento e ideias pacifistas de Luther King é ler e refletir sobre as muitas frases que pronunciou na sua vida. Das quais a seguir coloco uma antologia das mesmas.

-“A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio”.

-“Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”.

-“Não ficaremos satisfeitos enquanto um só negro do Mississípi não puder votar ou um negro de Nova York acreditar que não tem razão para votar”.

-“O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício”.

-“Uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la”.

-“Temos de aprender a viver todos como irmãos ou morreremos todos como loucos”.

-“Todo o progresso é precário, e a solução para um problema coloca-nos diante de outro problema”.

-“O tumulto é a linguagem daqueles que ninguém entende”.

-“A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”.

-“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

-“Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver”.

-“No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos”.

-“Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios”.

-“É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.

É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.

Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.

Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver”.

-“É errôneo servir-se de meios imorais para alcançar objetivos morais”.

-“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos”.

-“O que vale não é o quanto se vive… mas como se vive…”.

-“Nós não podemos nos concentrar somente na negatividade da guerra, mas tambem na positividade da paz”.

-“Nós não somos o que gostaríamos de ser.

Nós não somos o que ainda iremos ser.

Mas, graças a Deus,

Não somos mais quem nós éramos”.

-“Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo”.

-“Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por alguma força que venha de fora. O seu pensamento é a planta concebida por um arquiteto para construir um edifício denominado prosperidade. Você deve tornar o seu pensamento mais elevado, mais belo e mais próspero”.

-“Cada dia é o dia do julgamento, e nós, com nossos atos e nossas palavras, com nosso silêncio e nossa voz, vamos escrevendo continuamente o livro da vida. A luz veio ao mundo e cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo. Portanto, a mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: \’O que fiz hoje pelos outros?”.

-“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito”.

NA SEMANA DO DESARMAMENTO E DA PAZ:

Em 2009, as despesas militares mundiais ultrapassaram cerca de 1,5 triliões de dólares. A necessidade de uma cultura de paz e de uma redução significativa de armas no mundo nunca foi tão grande. E ela se aplica a todos os tipos de armas. Sobre o perigo das armas nucleares, Albert Einstein disse: “Eu não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será disputada, mas a Quarta Guerra Mundial será travada com paus e pedras”.

O custo humano e material das armas convencionais também é alto. De pelo menos 640 milhões de armas de fogo licenciadas em todo o mundo, aproximadamente dois terços estão nas mãos da sociedade civil. O comércio legal de armas de pequeno calibre excede quatro bilhões de dólares por ano. O comércio ilegal é estimado em um bilhão de dólares. E essas armas convencionais, como as minas terrestres, causam destruição da vida e da integridade física, que continua por anos após os conflitos terem acabado. E ainda, além dos efeitos óbvios destas armas, está o seu custo mais elevado – um custo resultante de prioridades equivocadas e da falta de visão.

O ex-Presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower (1952-1960), e Comandante Geral das Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, coloca a questão desta forma, falando no início de seu mandato como Presidente, disse: “Cada arma produzida, cada navio de guerra lançado ao mar, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo àqueles que têm fome e não são alimentados, aqueles que estão com frio e não têm o que vestir. O custo de um moderno bombardeiro pesado é este: a construção de uma moderna escola em mais de 30 cidades.”

Desde o nascimento das Nações Unidas, as metas do desarmamento multilateral e da limitação de armas foram consideradas centrais para a manutenção da paz e da segurança internacionais. Estas metas vão desde a redução e eventual eliminação das armas nucleares, destruição de armas químicas e do fortalecimento da proibição contra armas biológicas, até a suspensão da proliferação de minas terrestres e de armas leves e de pequeno calibre.

Estes esforços têm o apoio de uma série de instrumentos-chave da ONU. O Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), o mais universal de todos os tratados multilaterais sobre desarmamento, entrou em vigor em 1970. A Convenção sobre Armas Químicas entrou em vigor em 1997, e a Convenção sobre Armas Biológicas, em 1975. O Tratado Abrangente de Proibição de Testes Nucleares foi adotado em 1996. A Convenção sobre Proibição de Minas entrou em vigor em 1999.

A ONU apoiou tratados regionais de proibição de armas nucleares na Antártida, América Latina e no Caribe, no Pacífico Sul, Sudeste da Ásia, África e Ásia Central. Outros instrumentos adotados pela ONU proíbem armas nucleares no espaço sideral e em alto mar. Em resposta ao crescimento do terrorismo internacional, a Assembleia Geral adotou a resolução 57/83 criada para impedir terroristas de adquirirem armas de destruição em massa. Em 2004, o Conselho de Segurança adotou a resolução 1540, proibindo o apoio do Estado para tais esforços. A Convenção Internacional para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear da Assembleia foi aberta para assinatura em setembro de 2005 e entrou em vigor em julho de 2007.

Porém, a realidade do momento atual no mundo nestes temas é enormemente preocupante, especialmente depois de que nos EUA fosse eleito um presidente que muitos acham que está mal da cabeça, mesmo analisado por psiquiatras especializados. E ainda que venha de outorgar-se o Prémio Nobel da Paz a uma associação mundial a favor do desarmamento nuclear e a eliminação total das armas nucleares naqueles países que as têm, especialmente Rússia, EUA, Índia, França, Paquistão, Irão, Coreia e Israel.

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TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma e o fundo dos filmes e documentários resenhados antes.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Martin Luther King, o seu pensamento, a sua vida e a sua obra. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Desenvolvemos uma posta em comum ou debate-tertúlia entre estudantes e docentes da nossa escola ou colégio, para desenhar um plano de atividades educativas, didáticas, artísticas e lúdicas a realizar nas aulas com os estudantes, tomando o tema do desarmamento, a paz e as desgraçadas armas nucleares, como tema central do programa-projeto.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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