LUÍS BRAILLE, CRIADOR DO MÉTODO DE LEITURA PARA INVISUAIS

(Vários documentários)



O dia 15 de outubro comemora-se o Dia Internacional do Bastão Branco, que no Brasil se denomina “Da Bengala Branca”. As grandes ideias muitas vezes levam séculos até que se formem e se estabeleçam de vez. A bengala branca, um apoio agora universal e indispensável para os cegos, seguiu este caminho. Ela passou a ter amplo uso em 1930, quando duas pessoas preocupadas em resolver um problema pararam em esquinas de ruas movimentadas milhares de quilômetros de distância uma da outra: uma em Paris, França, e a outra em Peoria, Illinois, nos EUA. Ao longo da história, as pessoas com deficiências visuais carregaram bengalas e bastões que os ajudava a contornar os obstáculos. Mas, elas passaram a enfrentar novos desafios terríveis no século XX, quando os carros substituíram as carruagens nas ruas das cidades, as quais frequentemente não tinham semáforos e faixas de pedestres. A bengala normal ainda funcionava como uma ferramenta para abrir caminho, mas era inútil para alertar os motoristas. Um inglês cego que se chamava James Biggs alegou ter encontrado uma solução em 1921, quando pintou a sua bengala de branco. Uma década mais tarde, esta simples invenção começou a ganhar força. A bengala branca chegou primeiro à Europa continental através de uma campanha feita por uma única mulher. De sua casa, na movimentada Boulevard de Courcelles, uma parisiense rica que se chamava Mme. Guilly d’Herbemont assistia muito nervosa enquanto estudantes cegos deslocavam-se a uma escola para cegos próxima. Em novembro de 1930, ela escreveu uma carta a um dos principais jornais de Paris pedindo que fosse adotado o uso para sinalização de batons blancs semelhantes àqueles usados pela polícia de trânsito. Poucos meses depois, a Mme. d’Herbemont organizou para que o presidente francês oferecesse em uma cerimônia formal uma bengala branca a um veterano de guerra cego e outra a um civil cego. Ela então fez doações pessoais de mais de 5.000 bengalas brancas para cegos moradores da cidade.

Enquanto isto, o Presidente do Lions Clube de Peoria George A. Bonham reuniu a ajuda de milhares de parceiros, quando introduziu o uso da bengala branca na América do Norte. Os Leões tinham acatado com entusiasmo a convocação de Helen Keller para ajudar os cegos na Convenção de Lions Clubes International cinco anos antes. Agora, eles estavam preparados para agir em apoio a uma nova ideia convincente para servir trazida por um companheiro Leão. Como a sua colega parisiense, Bonham ficou movido um dia em 1930, no centro de Peoria, quando viu um cego batendo a bengala a sua volta, impotente, enquanto os carros desviavam dele. Parecia que ninguém percebia o dilema do homem, o que levou Bonham a pensar numa solução. A resposta novamente foi a bengala branca, desta vez com uma faixa vermelha para uma visibilidade ainda maior. Bonham contou a sua ideia aos associados do clube, os quais imediatamente votaram endossando a ideia. Os associados adotaram a causa, pintando bengalas de branco para os cegos e escrevendo cartas às autoridades municipais. Em dezembro de 1930, a Câmara Municipal de Peoria aprovou a primeira “lei de segurança da bengala branca”, da nação dando aos cidadãos cegos o direito preferencial de passagem e outras proteções quando estiverem carregando uma bengala branca.

Na convenção internacional de 1931 em Toronto, Canadá, os Leões escuitaram uma apresentação detalhada sobre o programa da bengala branca e receberam cópias da portaria de Peoria para que levassem para casa. Em 1956, com a ajuda de uma ampla campanha de sensibilização e defesa, todos os estados dos Estados Unidos já tinham aprovado leis de segurança da bengala branca. A bengala branca tornou-se um símbolo de independência, confiança e habilidades daqueles que dependem dela para orientar a sua caminhada pela vida. Todo dia 15 de outubro, o Dia Internacional de Segurança da Bengala Branca, muitos Leões usam um distintivo de lapela da bengala branca, lembrando-nos de quão longa já é a nossa caminhada juntos.

Acho que para comemorar a data, Luís Braille é a personalidade mais importante a lembrar dentro da série que estou dedicando aos grandes vultos da humanidade que todos os escolares devem conhecer. Com ele completo o depoimento nº 70 da série iniciada com Sócrates.

PEQUENA BIOGRAFIA:

luis-braille-desenho-0Luís Braille nasceu em 4 de janeiro de 1809 em Coupvray na França,  a uns 40 quilómetros de Paris. O seu pai, Simon-René Braille, era um fabricante de arreios e selas. Aos três anos, provavelmente ao brincar na oficina do pai, Louis feriu-se no olho esquerdo com uma ferramenta pontiaguda. A infeção que se seguiu ao ferimento alastrou-se ao olho direito, provocando a cegueira total. Na tentativa de que Louis tivesse uma vida o mais normal possível, os pais e o padre da paróquia, Jacques Pallury, matricularam-no na escola local. Luís tinha enorme facilidade em aprender o que ouvia e em determinados anos foi selecionado como líder da turma. Com 10 anos de idade, Luís ganhou uma bolsa do Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris (Instituto Real de Jovens Cegos de Paris).

O fundador do instituto, Valentin Haüy, foi um dos primeiros a criar um programa para ensinar os cegos a ler. As primeiras experiências de Haüy envolviam a gravação em alto-relevo de letras grandes, em papel grosso. Embora rudimentares, esses esforços lançaram a base para desenvolvimentos posteriores. Apesar de as crianças aprenderem a ler com este sistema, não podiam escrever porque a impressão era feita com letras costuradas no papel.

Louis aprendeu a ler as grandes letras em alto-relevo nos livros da pequena biblioteca de Haüy. Mas também se apercebia que aquele método, além de lento, não era prático. Na ocasião, ele escreveu no seu diário: “Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma.”

    Em 1821, quando Luís Braille tinha somente 12 anos, Charles Barbier, capitão reformado da artilharia francesa, visitou o instituto onde apresentou um sistema de comunicação chamado de escrita noturna, também conhecido por Serre e que mais tarde veio a ser chamado de sonografia. Tratava-se de um método de comunicação táctil que usava pontos em relevo dispostos num retângulo com seis pontos de altura por dois de largura e que tinha aplicações práticas no campo de batalha, quando era necessário ler mensagens sem usar a luz que poderia revelar posições. Assim, era possível trocar ordens e informações de forma silenciosa. Usava-se uma sovela para marcar pontinhos em relevo em papelão, que então podiam ser sentidos no escuro pelos soldados. A escrita noturna baseava-se numa tabela de trinta e seis quadrados, cada quadrado representando um som básico da linguagem humana. Duas fileiras com até seis pontos cada uma eram gravadas em relevo no papel. O número de pontos na primeira fileira indicava em que linha horizontal da tabela de sons vocálicos se encontrava o som desejado, e o número de pontos na segunda fileira designava o som correto naquela linha. Esta ideia de usar um código para representar palavras em forma fonética foi introduzido no Instituto. Luís Braille dedicou-se de forma entusiástica ao método e passou a efetuar algumas melhorias.luis-braille-livro-sobre-ele-2

Assim, nos dous anos seguintes, Braille esforçou-se em simplificar o código. Por fim desenvolveu um método eficiente e elegante que se baseava numa célula de apenas três pontos de altura por dous de largura. O sistema apresentado por Barbier, era baseado em 12 pontos, ao passo que o sistema desenvolvido por Braille é mais simples, com apenas 6 pontos. Braille, em seguida, melhorou o seu próprio sistema, incluindo a notação numérica e musical. Em 1824, com apenas 15 anos, Luís Braille terminou o seu sistema de células com seis pontos. Pouco depois, ele mesmo começou a ensinar no instituto e, em 1829, publicou o seu método exclusivo de comunicação que hoje tem o seu nome. Agás algumas pequenas melhorias, o sistema permanece basicamente o mesmo até hoje.

Apesar de tudo, levou tempo até essa inovação ser aceite. As pessoas com visão não entendiam quão útil o sistema inventado por Braille podia ser, e um dos professores principais da escola chegou a proibir seu uso pelas crianças. Felizmente, tal decisão teve efeito contrário ao desejado, encorajando as crianças a usar o método e a aprendê-lo em segredo. Com o tempo, mesmo as pessoas com visão acabaram por perceber os benefícios do novo sistema. No instituto, o novo código só foi adotado oficialmente em 1854, dous anos após a morte de Braille, provocada pela tuberculose em 6 de Janeiro de 1852, com apenas 43 anos. Na França, a invenção de Luís Braille foi finalmente reconhecida pelo Estado. Em 1952, seu corpo foi transferido para Paris, onde repousa no Panthéon.

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS:

  1. Luís Braille e a escrita para invisuais. História do Braille.

     Duração: 15 minutos.

  1. Conhecendo uma regreta para escrever o sistema Braille.

Duração: 12 minutos. Autora: Hilda Laura Vázquez Villanueva.

  1. Aprendendo às cegas: admiráveis histórias no colégio Luís Braille.

Duração: 18 minutos.

  1. Aprenda Braille facilmente em 10 minutos.

Duração: 12 minutos.

  1. Ensinando o Braille.

Duração: 7 minutos. Autora: Professora Cida Silva.

  1. Aprende a ler Braille: Tutorial rápido.

Duração: 9 minutos. Autor: Iván Doz.

  1. Lógica da formação das letras em Braille. Aula 1.

Duração: 15 minutos: Autor: Eder Pires de Camargo.

 

FUNCIONAMENTO DO SISTEMA BRAILLE:

    Renata Costa de “Nova Escola do Brasil” escreveu o seguinte depoimento sobre o sistema Braille. O sistema Braille é um processo de escrita e leitura baseado em 64 símbolos em relevo, resultantes da combinação de até seis pontos dispostos em duas colunas de três pontos cada. Pode-se fazer a representação tanto de letras, como algarismos e sinais de pontuação. Ele é utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão, e a leitura é feita da esquerda para a direita, ao toque de uma ou duas mãos ao mesmo tempo. O código foi criado pelo francês Luís Braille (1809 – 1852), que perdeu a visão aos 3 anos e criou o sistema aos 16. Ele teve o olho perfurado por uma ferramenta na oficina do pai, que trabalhava com coiro. Após o incidente, o menino teve uma infeção grave, resultando em cegueira nos dous olhos.

O Brasil conhece o sistema desde 1854, data da inauguração do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, chamado, à época, Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Fundado por D. Pedro II, o instituto já tinha como missão a educação e profissionalização das pessoas com deficiência visual. “O Brasil foi o primeiro país da América Latina a adotar o sistema, trazido por José Álvares de Azevedo, jovem cego que teve contato com o Braille em Paris”, conta a pedagoga Maria Cristina Nassif, especialista no ensino para deficiente visual da Fundação Dorina Nowill.

O código Braille não foi a primeira iniciativa que permitia a leitura por cegos. Havia métodos com inscrições em alto-relevo, normalmente feito por letras costuradas em papel, que eram muito grandes e pouco práticos. Quatro anos antes de criar seu método, Luís Braille teve contato com um capitão da artilharia francesa que havia desenvolvido um sistema de escrita noturna, para facilitar a comunicação secreta entre soldados, já utilizando pontos em relevo. Braille simplificou esse trabalho e o aprimorou, permitindo que o sistema fosse também utilizado para números e símbolos musicais. O Braille hoje já está difundido pelo mundo todo e, segundo pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2008, do Instituto Pró-Livro, 400 mil pessoas leem Braille no Brasil. Não é possível, segundo o Instituto Dorina Nowill, calcular em porcentagem o que esses leitores representam em relação à quantidade total de deficientes visuais no país. Isso porque o censo do ano 2000, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que há 169 mil pessoas cegas e 2,5 milhões de pessoas com baixa visão. No entanto, este último grupo é muito heterogêneo – há aqueles que enxergam apenas 1% e, portanto, poderiam ler apenas em Braille, como pessoas que enxergam 30% e podem utilizar livros com letras maiores.

A falta de informação é ainda o principal problema que Maria Cristina percebe em relação ao Braille. “Muitos professores acham que é simples ensinar o Braille a um aluno cego. No entanto, a alfabetização com esse sistema tem suas especificidades, e o professor, para realizar essa tarefa com sucesso, tem de buscar ajuda”, explica a especialista. Hoje institutos como o Benjamin Constant, o Dorina Nowill e muitos outros pelo país oferecem programas de capacitação em Braille e dispõem de vasto material sobre o assunto.

    TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Luís Braille, a sua vida, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento e o seu importante método que leva seu nome para que possam ler os cegos. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. A citada amostra incluirá também uma secção especial dedicada ao método de leitura Braille para cegos e invisuais.

Podemos organizar de forma cooperativa entre estudantes e docentes uma experiência de leitura com o método Braille, aprendendo antes os princípios básicos do mesmo e os símbolos tácteis das letras. Seria bom aproveitar para comparar o sistema Braille com os métodos de Barbier e Haüy.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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