AS AULAS NO CINEMA

KRISHNAMURTI E A SUA PECULIAR VISÃO DA EDUCAÇÃO

Pequenos Documentários



 

Para ocupar o nº 14 da série que estou dedicando aos grandes vultos da humanidade, e comemorar-se a 5 de outubro o Dia Mundial dos Docentes, escolhi a figura do filósofo e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986).

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Krishnamurti nasceu em 11 de maio de 1895 em Madanapele, uma pequena vila no sul da Índia e a partir dos treze anos de idade passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava o veículo para o “Instrutor do Mundo”, cujo advento proclamavam. Ele e seu irmão foram adotados em sua juventude pela Dra. Annie Besant, então presidenta desta Sociedade Teosófica. A Dra. Besant e outros proclamaram que Krishnamurti seria o instrutor do mundo, vindo como os teosofistas haviam previsto. Para preparar o mundo para sua chegada, uma organização internacional chamada Ordem da Estrela do Oriente foi formada e o jovem Krishnamurti tornado seu líder. Em 1929, entretanto, Krishnamurti renunciou ao papel que lhe fora destinado, dissolveu a Ordem com seus inúmeros seguidores e devolveu todo o dinheiro e a propriedade doados para seu trabalho.

Krishnamurti logo emergiu como um poderoso, descompromissado e inclassificável instrutor, cujas palestras e escritos não estavam vinculadas a nenhuma religião específica, não sendo do Oriente nem do Ocidente, mas para o mundo todo. Repudiando com firmeza a imagem messiânica, em 1929 dissolveu dramaticamente a grande e rica organização que havia sido criada à sua volta, e declarou ser a verdade “uma terra sem caminhos”, à qual nenhuma religião formalizada, filosofia ou seita daria acesso.

Nesta ocasião, um repórter, considerando um ato espetacular dissolver uma organização com milhares de membros, perguntou-lhe quem se interessaria em escutá-lo, se não queria seguidores? Krishnamurti respondeu:- “Se houver apenas cinco pessoas que queiram escutar, que queiram viver, que tenham a face voltada para a eternidade, será o suficiente. De que servem milhares que não compreendem, completamente imbuídos de preconceitos, que não desejam o novo (…)? Gostaria que todos os que queiram compreender sejam livres, não para me seguir, não para fazer de mim uma gaiola, que se torne uma religião, uma seita. Deverão estar livres de todos os temores (…), do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida.”

Pelo resto de sua vida Krishnamurti insistentemente rejeitou a posição de guru que tentaram lhe impingir. Continuou a atrair grande audiência através do mundo, mas não reivindicava autoridade, não queria discípulos, e falava sempre como um indivíduo fala a outro. No cerne do seu ensinamento estava a conscientização de que é possível produzir mudanças fundamentais na sociedade apenas pela transformação da consciência individual. Enfatizava constantemente a necessidade de autoconhecimento, e da compreensão da influência restritiva e separativa dos condicionamentos religiosos e nacionalistas. Apontava sempre para a necessidade urgente de abertura, do “vasto espaço no cérebro no qual há inimaginável energia”. Isto parece ter sido a fonte de sua própria criatividade e a chave para seu impacto catalítico sobre uma ampla gama de pessoas. Krishnamurti continuou falando pelo mundo até sua morte, em 1986, aos noventa anos de idade. Suas palestras e diálogos, diários e cartas têm sido preservados em livros e gravações. Falou em várias universidades, a professores e a grupos de estudantes, nos EUA, na Europa e Índia. Foi frequentemente procurado por pensadores e cientistas, com os quais estabeleceu debates.

A educação constituiu sua principal preocupação, desde muito jovem, tendo fundado várias escolas. Hoje estes centros educacionais são renomados e recebem jovens de todas as partes do mundo. As mais famosas são as de Brockwood Park, na Inglaterra, para jovens a partir de quatorze anos, a de Rishi Valley, na Índia, que recebe crianças a partir de sete anos, e a de Oak Grove, nos EUA, com alunos a partir de três anos e meio de idade.

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DOCUMENTÁRIOS SOBRE A SUA VIDA, OBRA E PENSAMENTO:

1. Biografia: Jiddu Krishnamurti 2 (1895-1986). Duração: 10 min., preto e branco.

Argumento: Jiddu Krishnamurti nasceu na Índia em 1895. Com a idade de 13 anos passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava um dos grandes Mestres do mundo. Krishnamurti em breve viria a emergir como um Mestre extraordinário e inteiramente descomprometido.

Nota: Ver entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=tWcaQkqmVec

2. J.Krishnamurti: Desafio da Mudança: Vida e Obra de Jiddu Krishnamurti.

Argumento: Uma visão geral sobre a vida e obra de Jiddu Krishnamurti.

Duração: 77 min., a cores.

Nota: Ver entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=wfrvh2_4MNM

3. J. Krishnamurti: Por que existe a tristeza. Duração: 7 min., a cores.

Argumento: Entrevista a Krishnamurti sobre este tema.

Nota: Ver entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=TIL_i6kI_i8

4. J.Krishnamurti: Meditação: 1/5 Além do Mito e da Tradição. Duração: 6 min., a cores.

Argumento: Além do Mito e da tradição é uma série de doze partes. Cada parte é composta de pequenas palestras de Krishnamurti abordando um tema em específico.

Nota: Ver entrando em: https://www.youtube.com/user/KrishnamurtiBrasil

Importante: Na ligação anterior podem ver-se outros muitos vídeos dedicados a ele.

A FUNÇÃO DA EDUCAÇÃO, SEGUNDO KRISHNAMURTI:

Krishnamurti se pergunta se alguma vez já pensamos no que significa educação, e dialoga com os jovens, homens futuros do amanhã. Por que vamos para a escola, por que aprendemos várias matérias, por que fazemos provas e competimos pelas melhores notas? O que significa aquilo que denominamos educação, e a que ela se destina? Esta é, na verdade, uma pergunta muito importante, não somente para os estudantes, mas também para pais, professores e todos que amam este planeta Terra. Por que enfrentamos a luta para recebermos educação? Será apenas para sermos aprovados nas provas e conseguir um emprego? Ou será a função da educação nos preparar ainda jovens para compreender todo o processo da vida? Ter um emprego e ganhar o próprio sustento é necessário, mas será tudo? Recebemos educação somente com esse fim? Certamente, a vida não é apenas o emprego, a ocupação; ela é algo extraordinariamente amplo e profundo, é o grande mistério, o vasto reino no qual funcionamos como seres humanos. Se simplesmente nos capacitarmos para ganhar nosso sustento, perderemos todo o objetivo da vida; e compreender a vida é muito mais importante do que apenas nos prepararmos para os exames e nos tornarmos especialistas em matemática, física ou naquilo que desejarmos.

Portanto, independentemente de sermos professores ou alunos, não será importante nos perguntarmos por que estamos educando ou sendo educados? E qual o significado da vida? A vida não é algo extraordinário? Os pássaros, as flores, as árvores crescendo, os céus, as estrelas, os rios e os peixes que vivem ali, tudo isso é vida. A vida é pobre e é rica; é a batalha constante entre grupos, raças e nações; a vida é meditação; é o que chamamos de religião, bem como as coisas sutis e ocultas da mente, invejas, ambições, paixões, medos, realizações e ansiedades. Tudo isso e muito mais. Mas geralmente nos preparamos para compreender somente um pequeno pedaço dela. Somos aprovados em certos exames, conseguimos emprego, nos casamos, temos filhos e ficamos cada vez mais parecidos com máquinas. Permanecemos assustados, ansiosos, amedrontados com a vida. Portanto, será função da educação nos ajudar a resolver todo o processo da vida ou apenas nos preparar para uma vocação, para o melhor emprego que pudermos alcançar?

O que acontecerá com todos nós quando nos tornarmos homens e mulheres? Já se perguntaram o que irão fazer quando se tornarem adultos? Com toda a probabilidade se casarão, e antes de se darem conta de onde estão, já serão pais e mães, e então ficarão atados a um emprego ou ao lar, no qual, aos poucos, definharão. Será nisso em que consistirá a sua vida? Já se fizeram esta pergunta? Não deveriam fazê-la? Se sua família for rica, você terá uma posição bastante satisfatória garantida, seu pai poderá conseguir um bom emprego para você, ou ficará rico por meio do casamento, mas também haverá decadência e deterioração. Compreendem?

Certamente, a educação não tem significado, a menos que ela os auxilie a compreender a vasta expansão da vida com todas as suas sutilezas, com sua extraordinária beleza, tristezas e alegrias. Poderão obter diplomas, acrescentar títulos ao nome e ter um bom emprego. Mas e depois? Qual o objetivo se durante o processo sua mente ficar embotada, esgotada, limitada? Portanto, enquanto são jovens não deveriam descobrir o que é a vida? E não será a verdadeira função da educação cultivar em vocês a inteligência que os auxiliará a descobrir a resposta para todas essas questões? Vocês sabem o que é inteligência? Certamente, é a capacidade de pensar livremente, sem medo, sem fórmula, para que comecem a descobrir o que é real, o que é verdadeiro; mas se estiverem amedrontados nunca serão inteligentes. Qualquer forma de ambição, espiritual ou mundana, gera ansiedade, medo. Portanto, não ajuda a formar uma mente clara, simples, direta e, portanto, inteligente.

É realmente muito importante, enquanto são jovens, que vocês vivam em um ambiente em que não haja medo. Muitos de nós, quando envelhecemos, nos sentimos amedrontados; temos medo de viver, de perder o emprego, da tradição, do que os vizinhos, esposa ou marido vão dizer, medo da morte. A maioria de nós sofre de algum tipo de medo, e onde existe medo não há inteligência. E não será possível para todos nós, ainda na juventude, viver não em um ambiente onde exista medo, e sim em uma atmosfera de liberdade, não somente para fazer o que queremos, mas para compreender todo o processo da vida? A vida é realmente muito bela, não esta coisa feia na qual a transformamos; e vocês poderão apreciar sua riqueza, sua profundidade, seu encanto extraordinário. Somente quando se revoltarem contra tudo — a religião estabelecida, a tradição, a atual sociedade apodrecida — é que poderão, como seres humanos, descobrir o que é verdadeiro. Não imitar, mas descobrir, isso é educação, não é? Ê muito fácil se conformar com o que a sociedade ou seus pais e professores dizem a vocês. É uma forma segura e fácil de existir, mas isso não é viver, porque aí existe medo, decadência, morte. Viver é descobrir por si mesmo o que é verdadeiro, e vocês só podem fazê-lo quando há liberdade, quando existe uma revolução interna contínua dentro de vocês.

Mas vocês não são encorajados a fazer isso; ninguém diz a vocês para questionar, para descobrir o que é Deus, porque, se se rebelarem, representarão um perigo para tudo o que é falso. Seus pais e a sociedade desejam que vocês vivam com segurança, e vocês também desejam viver seguros. Viver com segurança geralmente significa viver uma imitação e, portanto, no medo. Certamente, a função da educação é ajudar cada um de nós a viver livremente e sem medo, não é? E criar uma atmosfera na qual não existe medo requer de vocês muita reflexão, bem como do professor e do educador.

Vocês sabem o que isso significa, que extraordinário seria criar uma atmosfera na qual não existe medo. E nós devemos criá-la porque estamos vendo o mundo aprisionado em uma sucessão de guerras; ele é guiado pelos políticos, que estão sempre buscando o poder; é um mundo de advogados, policiais e soldados, de homens e mulheres ambiciosos, todos desejando determinada posição e lutando entre si para consegui-la. Então, temos os chamados santos, os gurus religiosos com seus seguidores; eles também desejam o poder, uma posição, aqui ou na próxima vida. É um mundo ruim, completamente confuso, no qual os comunistas lutam contra os capitalistas, o socialista resiste a ambos e todos estão contra alguém, batalhando para chegar a um lugar seguro, a uma posição de poder ou de conforto. O mundo é dilacerado por crenças conflitantes, por distinções de castas e classes, por nacionalidades separatistas, por todas as formas de estupidez e crueldade, este é o mundo no qual vocês estão sendo educados para se adaptarem. São encorajados a se ajustar à estrutura dessa sociedade desastrosa; seus pais querem que vocês façam isso, e vocês também desejam se acomodar.

Então, será função da educação apenas ajudá-los a se conformar com o padrão da ordem social apodrecida ou dar liberdade a vocês, a liberdade completa para crescer e criar uma sociedade diferente, um mundo novo? Queremos ter essa liberdade, não no futuro, mas agora, senão poderemos ser todos destruídos. Precisamos criar imediatamente uma atmosfera de liberdade para que vocês possam viver e descobrir o que consideram verdadeiro, para que se tornem inteligentes e sejam capazes de encarar o mundo e compreendê-lo. Não somente se conformar, mas permanecer interna, profunda e psicologicamente em constante revolta; porque são somente aqueles que estão em constante revolta que descobrem o que é verdadeiro, não o homem que se conforma, que segue alguma tradição. Será somente quando estiverem em questionamento, observação, aprendizado contínuos que descobrirão a verdade, Deus, o amor. E vocês não podem questionar, observar, aprender, não poderão estar profundamente conscientes se estiverem com medo. Portanto, a função da educação é certamente erradicar, tanto no interior como no exterior, o medo que destrói o pensamento, o relacionamento humano e o amor.

FRASES DE KRISHNAMURTI PARA REFLETIR:

Este pensador indiano deixou-nos um importante legado de reflexões. Homem universal não reconhecia qualquer nacionalidade, religião, classe social ou raça. Seu pensamento era a favor da paz e da eliminação de todo tipo de limites. Ele recebeu da ONU a Medalha da Paz em 1984. Krishnamurti faleceu aos noventa anos, mas o seu trabalho continua sendo traduzido para vários idiomas com grande sucesso.

A seguir mostraremos algumas de suas frases mais importantes; vale a pena refletir sobre elas!:

“Entre duas soluções, opte sempre pela mais generosa”.

– “Só quem escuta consegue aprender. Escutar é um ato de silêncio, só uma mente serena, mas extremamente ativa, pode aprender”.

– “Somente o indivíduo que não está preso aos preceitos da sociedade pode influenciá-la de maneira fundamental”.

– “Você já reparou que a inspiração chega quando não a estamos buscando? Ela chega quando toda expectativa acaba, quando a mente e o coração se acalmam”.

– “A liberdade é essencial para o amor; não a liberdade da revolta, não a liberdade de fazer o que quisermos, nem de ceder aberta ou secretamente aos nossos desejos, mas sim a liberdade que vem com o entendimento”.

– “O seu comportamento diário é decisivo para trazer a paz para o mundo”.

– “Cuidado com o homem que diz que sabe tudo”.

– “O medo corrompe a inteligência e é uma das causas da egolatria”.

– “Quando a mente está completamente silenciosa, tanto superficialmente como nos níveis mais profundos, o desconhecido, o imensurável pode ser revelado”.

– “Quando damos um nome a algo, podemos classificá-lo em categorias, nada mais. Acreditamos que entendemos tudo e não procuramos analisar profundamente. Mas se não lhe dermos um nome, seremos obrigados a olhar com atenção, ou seja, olharemos uma flor ou qualquer outra coisa, com uma sensação de novidade, com outra perspectiva: olhamos como se nunca a tivéssemos visto antes”.

– “Semeando o trigo uma vez, você colherá uma vez. Se plantar uma árvore, colherá dez vezes e se instruir o povo, colherá uma centena de vezes”.

– “A vida é um mistério extraordinário; não é o mistério que existe nos livros e nem mesmo o mistério do qual as pessoas falam, mas um mistério que cada um descobre por si mesmo. Por isso, é muito importante entender o pequeno, o limitado, o cotidiano e ir muito além disso tudo”.

– “Quando a pessoa está atenta a tudo, ela se torna sensível, e ser sensível é ter uma percepção interna da beleza, é ter o senso da beleza”.

– “A verdade é quem liberta, e não o esforço para ser livre”.

– “A liberdade consiste em reconhecer os limites”.

– “A sabedoria não é uma acumulação de recordações, mas uma completa vulnerabilidade ao que é verdadeiro”.

– “Ninguém pode colocá-lo em uma prisão psicológica, você já está nela”.

– “Fugir de um problema serve para deixá-lo ainda maior, e neste processo perdemos a autocompreensão e a liberdade”.

– “A inteligência é o questionamento do método”.

– “O amor brinda a si mesmo como uma flor oferece o seu perfume”.

– “Sem a meditação a vida fica desprovida de perfume e de amor“.

– “As pessoas precisam exigir dos seus professores um tipo de educação que as encorajem a pensar livremente e sem medo, que as ajude a investigar e compreender”.

– “Uma mente religiosa é aquela que é uma luz para si mesma”.

– “Não compreendemos para depois agir; quando compreendemos, essa compreensão absoluta é a própria ação.

– “Isto significa que vocês devem vigiar a si mesmos, que devem se precaver das influências que pretendem controlá-los ou vigiá-los, que nunca devem aceitar algo sem refletir, e sim questionar e investigar”.

– “Uma simples observação exige uma clareza impressionante; caso contrário, não é possível observar”.

– “Por razões políticas e industriais, a disciplina se converteu em um fator muito importante na atual estrutura social. Aceitamos e praticamos várias formas de disciplina pelo nosso desejo de ter segurança psicológica”.

– “Quando dizemos ‘não sei’, o que queremos dizer?”

UMA ESCOLA CRIADA POR KRISHNAMURTI:

A escola de Brockwood Park foi fundada em 1969 pelo filósofo e educador Jiddu Krishnamurti. É uma escola mista e internacional com regime de internato, situada na zona rural da Inglaterra, a sul de Londres. Os estudantes/alunos chegam de diferentes partes do mundo (mais de vinte diferentes nacionalidades estão aqui representadas). Esta rica diversidade proporciona a possibilidade de aprendizagem de outras línguas bem como a oportunidade de estabelecer amizades internacionais. Com cerca de 70 alunos entre os 14 e 19 anos de idade, o ambiente que aqui se vive é o de uma grande família e não o de um internato tradicional. As aulas têm um número de 7 alunos em média, de forma que os professores possam prestar-lhes atenção individualizada Os alunos da escola de Brockwood Park dispõem de uma ampla escolha em relação às matérias de estudo. Podem preparar-se para os exames de acesso a universidade (A – levels ou SAT), concentrar-se num certificado de inglês como segundo idioma (ESL) ou desenvolver, com a ajuda de um conselheiro acadêmico, os seus próprios projetos de acordo com os seus talentos e interesses particulares.

Em todos os casos, a avaliação é feita através da comunicação direta e por intermédio de relatórios escritos no fim de cada semestre em detrimento do sistema tradicional de notas.

O que diferencia Brockwood Park?:

Trata-se de uma escola única na qual, junto com a família, a educação escolar é um dos mais importantes fatores que determinam a forma como os jovens enfrentam o mundo e as dificuldades da vida adulta. Os princípios educativos fundamentais são a cooperação, o desenvolvimento pessoal, a criatividade, a integridade e a afeição. A escola encoraja a investigação de todos os aspectos da vida. Os alunos são convidados a dialogar sobre conformismo, ira, medo e relacionamentos – com o outro, com a natureza, com ideias e objetos – do mesmo modo que se exige o estudo da matemática, de ciências ou de inglês. Em Brockwood Park professores e alunos vivem, trabalham, jogam e estudam juntos, cuidando também da propriedade e dos terrenos da escola. A alimentação é vegetariana com a preocupação de que os ingredientes, muitos dos quais do próprio jardim da escola, sejam de origem orgânica.

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TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma e o fundo dos vídeo-documentários resenhados antes.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Jiddu Krishnamurti, o seu pensamento, a sua vida e a sua obra. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Tomando como base a excelente frase de Krishnamurti: “Os governos querem trabalhadores eficientes, não seres humanos. Porque seres humanos pensantes podem ser perigosos para o governo, assim como para as religiões. É por isso que o governo e as organizações religiosas procuram sempre controlar a educação”, organizamos na nossa escola ou centro de ensino um debate-papo ou tertúlia, com participação de estudantes e docentes. Podemos tirar conclusões do formoso texto do educador e pensador indiano, mesmo tendo em conta a realidade atual do nosso ensino.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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