AS AULAS NO CINEMA

KARL KRAUSE E O SEU IDEAL DE HUMANIDADE

(Vários documentários)



O dia 30 de julho celebra-se o “Dia Internacional da Amizade”, uma jornada comemorativa que tem lugar em período de férias escolares, pelo que é impossível celebrá-la nas aulas com atividades educativo-didáticas adequadas. Embora sim possa ser celebrada nas brinquedotecas ou ludotecas que funcionam em períodos de férias, ou também em acampamentos de verão, que se organizam na Nossa Terra no período estival. Nos quais participam crianças, adolescentes e jovens, e nos quais um dos maiores valores está no fomento da camaradagem e da amizade entre eles. Dentro da série que estou a dedicar aos grandes vultos da humanidade, que devem conhecer os escolares, acho que o germano Karl Krause é o mais adequado para comemorar esta data, pois com a sua filosofia e o seu pensamento influiu muito em grandes personalidades, especialmente no nosso país, relacionadas com a educação e a cultura. Por isto, muito se tem estudado o “krausismo”, como o pensamento dominador na época, e os vultos krausistas mais importantes, como Sanz del Rio e Francisco Giner de los Rios, este fundador da ILE. O presente depoimento é o nº 58 da série.

karl-krause-bustoKarl Christian Friedrich KRAUSE (1781-1832), filósofo idealista alemão nasceu em Eisenberg a 4 de maio de 1781, e faleceu em Munique a 27 de setembro de 1832. Estudou na universidade de Jena, onde foi aluno de Fichte e de Schelling. De 1805 a 1814 ensinou em Dresden, de onde passou a ensinar em Berlim, em 1824 vai a Gotinga e em 1831 a Munique. Krause aspirou a elaborar um pensamento filosófico que fosse a verdadeira continuidade do kantismo, frente ao que considerou desviacionismo de Hegel, Schelling e Fichte. No seu sistema panteísta não identificava o mundo com Deus, senão que este continha aquele. A comunidade entre Deus e o mundo, segundo ele, é uma comunidade de essências, que não se reduzem a uma essência única senão que se integram. As formas da humanidade, em especial os períodos históricos, não são senão graus sucessivos da ascensão em direção a Deus que culminam na “humanidade racional”. Não aceita a teoria absolutista do Estado, destacando a importância das associações de “finalidade universal”, como a família ou a nação, frente ao que considera associações limitadas como a Igreja ou o Estado. As ideias de Krause têm grande influência no pedagogo Federico Froebel, e alcançam grande eco na Bélgica, Holanda, Espanha e Portugal. No Estado Espanhol foram introducidas por Juliám Sanz del Rio destacando entre os krausistas do nosso país Francisco Giner de los Rios, fundador da ILE (Instituição Livre do Ensino), junto com Nicolás Salmerón, Gumersindo de Azcárate, Rafael Labra, Joaquim Costa e Hermenegildo Giner de los Rios, um movimento reformador da cultura e da educação.

Juliám Sanz del Rio (1814-1869) foi o introdutor do pensamento krausista no nosso país. A sua viagem à Alemanha, entre 1843 e 1848, é considerada como decisiva na hora de introduzir uma nova filosofia no país, o idealismo germano, conhecido como “krausismo”. Baseado na recuperação da razão e da experiência, da tolerância e do liberalismo, que se opõe frontalmente ao dogmatismo clerical, ao fanatismo e ao absolutismo político. Sanz del Rio introduz no país um novo modo de pensar e de agir, uma nova forma de vida, propondo a transformação ética do indivíduo (da qual vai sair um primeiro componente da filosofia da educação da ILE), baseada num racionalismo quase que religioso e messiânico, ainda que apoiado nos pilares da filosofia e da ciência. Esta conceção do mundo, se calhar excessivamente doutrinária, é da que necessita a burguesia liberal e progressista para construir o seu projeto político renovador. Sanz del Rio, que tinha estudado em Heidelberga, foi o tradutor da obra O ideal da humanidade de Krause, do alemão para o castelhano.

FICHAS TÉCNICAS DOS VÍDEOS:

1. Karl Christian Friedrich Krause.

Duração: 9 minutos. Biografia de Krause.

2. Julián Sanz del Rio, filósofo.

Duração: 4 minutos. Comentários: Elvira Ontanhón (Fundação Giner de los Rios).

3. ¿Qué fue del krausismo em Espanha? (Qué foi do krausismo em Espanha?).

Duração: 15 minutos. Comentários: Raúl Angulo (Fundação Gustavo Bueno).

4. Krausistas y católicos ante la estética (Krausistas e católicos perante a estética).

Duração: 128 minutos. Comentários: Raúl Angulo (Fundação Gustavo Bueno). Ano 2013.

Ver em: http://www.fgbueno.es/act/efo050.htm

5. La disciplina estética em Espanha en el siglo XIX (A disciplina estética na Espanha do século XIX).

Duração: 126 minutos. Comentários: Raúl Angulo (Fundação Gustavo Bueno). Ano 2015.

Ver em: http://www.fgbueno.es/act/efo084.htm

6. Krausismo e Liberalismo. Ano 2015.

Duração: 74 min. Comunicação nas 12ª Jornadas Internacionais de Hispanismo Filosófico.

Ver em: http://gustavoyanicelli.blogspot.com/2015/05/krausismo-y-liberalismo.html

7. O krausismo e a sua projeção política.

Duração: 92 min. Com motivo do 150 aniversário da Revolução Gloriosa de 1868, e do centenário do falecimento de Gumersindo de Azcárate. Ano 2018.

Produtora: Faculdade de C.C. Políticas e Sociologia da Universidade Complutense.

PEQUENA BIOGRAFIA DE KRAUSE :

karl-krause-fotoKrause foi professor em Jena (1802), Göttingen (1823) e Munique (1831). A filosofia de Krause pretendia ser uma continuação autêntica do pensamento de Kant, contra o que ele considerava as falsas interpretações de Fichte, Schelling e Hegel. Para Krause, Deus, conhecido intuitivamente pela consciência, não é uma personalidade mas uma essência que contém o próprio universo. Mas isso não significa que Krause aceitasse a designação de panteísmo pois não identificava Deus com o universo, mas antes considerava o mundo como mundo-em-Deus.

O homem e o universo formam um todo orgânico feito à imagem de Deus e a vida do todo se desenvolveria segundo uma lei perfeita. Para Krause, haveria na humanidade a unidade do Espírito e da Natureza. A humanidade compõe-se de seres que se influenciam reciprocamente e estão vinculados a Deus. Os períodos históricos seriam etapas sucessivas da ascensão a Deus, que culminaria com uma humanidade racional. Essa conceção aplica-se sobretudo à ética e à filosofia do direito.

Krause rejeita a teoria absolutista do Estado e ressalta a importância das associações que considera de finalidade universal: a família e a nação. O ideal da humanidade não seria que um Estado dominasse os demais, mas que se constituísse uma federação das associações universais, sem prejuízo para suas peculiaridades. Através do processo federativo chegar-se-ia gradualmente ao ideal de uma humanidade unida, cujos membros poderiam participar da razão suprema e do bem. Krause desenvolveu esse conceito de “união da humanidade” (Menschheitsbund) a partir das ideias da maçonaria. Entre suas obras, pode-se destacar: Fundamento do direito natural (1803); Esboço dos sistemas da filosofia (1804) e Sistema da doutrina moral (1810)

O pensamento de Krause (o krausismo) teve sua maior difusão no Estado Espanhol, devido especialmente aos trabalhos de Sanz del Rio.

SANZ DEL RIO O DESCOBRIDOR DE KRAUSE:

A Espanha progressista deve muito ao krausismo, corrente de pensamento que aposta pela liberdade frente aos dogmatismos, insistindo no destino e o valor das pessoas. A influência desta corrente filosófica é fundamental para compreender os empenhos do regeneracionismo espanhol durante a segunda metade do século XIX. O fruto mais destacado do mesmo foi a ILE, graças ao incansável labor de Giner e Cossío. A sua aposta pela educação integral do indivíduo contribuiu para conformar umas gerações que contribuíram para melhorar culturalmente a sociedade espanhola, aspirando a tirá-la do seu atraso secular. O grande impulsionador da doutrina de Krause foi Sanz del Rio (1814-1869), conhecido como “o pensador de Illescas”, de quem Julián Marias afirmou que junto a Balmes são os nomes filosóficos mais importantes do Estado Espanhol no século XIX.

O nosso país, graças ao soriano Sanz del Rio, foi um dos europeus onde as teorias krausistas tiveram maior número de seguidores. Depois de ficar órfão foi recolhido por um tio seu, sacerdote, que o guiou no seu processo formativo, primeiro na universidade de Granada, depois em Toledo e Madrid, onde se licenciou em Direito pela Universidade Central. Durante os anos 1843-44 viajou a Alemanha, onde entrou em contacto com os seguidores de Krause e adotou, decididamente, os seus postulados. De regresso ao seu país, entre 1845 e 1854, retirou-se à localidade toledana de Illescas, onde madurou um intenso processo intelectual caraterizado pelos seguintes aspetos: conhecimento filosófico do povo espanhol, realização de trabalhos filosóficos que justifiquem perante as autoridades académicas a sua atividade na Alemanha, aprofundamento na filosofia de Krause e tradução de algumas das suas obras, programação de uma revista bibliográfica hispano-alemã e formação de um grupo inicial de discípulos, entre os quais destacaram Nicolás Salmerón, Gumersindo de Azcárate e Segismundo Moret. A influência intelectual e política dos krausistas espanhóis manteve-se durante muitos anos, não sendo exagerado afirmar que inclusive perduram até a chegada da IIª República.

O desenvolvimento do processo que Sanz del Rio refletiu em Illescas situou-o na mira dos setores tradicionalistas e reacionários. Sofreu processos para aplicação de sanções, viu alguma das suas obras incluídas no índice de livros proibidos pela igreja católica e, em 1867, foi expulso da docência universitária. Um ano depois, com o triunfo da “Gloriosa” foi readmitido e nomeado decano da Faculdade de Filosofia da Universidade Central. Aos poucos meses faleceria em Madrid. Deixou uma dotação de doze mil reais anuais para a criação e conservação de uma cátedra na universidade madrilena para a difusão da filosofia krausista.

O KRAUSISMO:

O krausismo é uma doutrina que defende a tolerância académica e a liberdade de cátedra frente ao dogmatismo. Recebe este nome porque foi o pensador após-kantiano alemão Karl Krause o inspirador deste movimento filosófico e ideológico. Esta filosofia teve grande difusão no Estado Espanhol, onde alcançou o seu máximo desenvolvimento prático, graças à obra do seu grande divulgador, Julián Sanz del Rio, e à ILE, dirigida por Giner de los Rios, ademais da contribuição de um grande jurista como Federico de Castro e Fernández. O krausismo funda-se numa conciliação entre o teísmo e o panteísmo, segundo o qual Deus, sem ser o mundo nem estar fora dele, o contém em si e dele transcende. Esta conceção é denominada como “Panenteísmo”. O teísmo é a crença em Deus, e o panteísmo é a crença de que Deus e o universo são o mesmo. Krause desenvolveu a ideia de que o mundo faz parte de Deus e se realiza a partir deste. Estabelece uma união entre religião, filosofia e ciência. O krausismo acredita que o homem deve ser educado em todos os aspetos intelectuais, para a sua completa realização. Para isso, tem que estar em contacto com a natureza (acha, portanto, que não há melhor método educativo que realizar excursões e roteiros com os estudantes), e não ter qualquer influência religiosa.

Para que uma pessoa seja considerada “krausista” deve possuir as seguintes caraterísticas:

– Deve pensar acima das mentes correntes.

– Deve definir e concluir os pensamentos alheios.

– Deve mandar, medir e ordenar os factos relativos.

– Deve observar e inspecionar subjetivamente o seu meio.

– Deve ser necessário para todos e necessitado por todos.

– Deve abarcar todos os ângulos do pensamento.

– Deve harmonizar todo o tipo de pensamentos.

– Deve ser progressivo.

– Deve refletir sobre todos os factos.

Anos depois da morte de Krause, com o fracasso na Alemanha, o krausismo chega ao Estado Espanhol, da mão de Sanz del Rio, entre outros, que promove uma doutrina política liberal, sob a aparência religiosa. Passados já alguns anos desde o ideal de krausismo de Sanz del Rio, Federico de Castro transforma o krausismo em “krausopositivismo”, substituindo as ideias religiosas de teísmo e panteísmo por posturas mais filosóficas e científicas. O exemplo mais claro é que o “Darwinismo” passa a ser um postulado fundamental no krausismo. O movimento krausista no Estado Espanhol durou até 1936, quando, com a guerra civil, os pensadores tiveram que partir para o exílio americano pelas suas ideias liberais.

Durante o período krausista fundou-se a ILE, em 1876, um formoso e famosa tentativa pedagógica realizada no nosso país inspirada no krausismo, e mais concretamente no krausopositivismo. A ILE foi criada por um grupo de catedráticos separados da Universidade Central de Madrid por defender a liberdade de cátedra e negar-se a ajustar o seu ensino a qualquer dogma oficial em matéria religiosa, política ou moral. O grupo estava integrado, entre outros, por Francisco Giner de los Ríos, discípulo de Sanz del Rio, Federico de Castro, Nicolás Salmerón e Gumersindo de Azcárate. A ILE nos seus inícios dedicava-se ao ensino superior e à secundária, e baseava-se na neutralidade religiosa e política e na independência total do estado e de toda a comunhão religiosa ou escola filosófica. A falta de recursos e a negativa do Estado a reconhecer oficialmente os estudos realizados na instituição, obrigam Giner a prescindir em 1882 do ensino superior, limitando-se a uma escola de crianças e adolescentes, e dando primazia à educação sobre o ensino. A finalidade da ILE era formar homens e a ética tinha uma importância primordial. A partir de 1885 inaugura-se a coeducação, com a criação da escola de párvulos, que hoje entendemos como escola infantil.

Independentemente da instituição, Giner e o seu discípulo Manuel Bartolomé Cossío inspiram a criação de centros estatais, que contribuíram, fundamentalmente, para a renovação da cultura espanhola. Entre eles, o Museu Pedagógico de Instrução Primária, o Instituto de Reformas Sociais, o Instituto Central Meteorológico, a Estação Marítima de Zoologia e Botânica Experimentais de Santander, a Junta para Ampliação de Estudos e Investigações Científicas, que à sua vez criou a Residência de Estudantes para homens e outra para mulheres, o Instituto-Escola de segundo ensino, o Instituto de Investigações Biológicas “Santiago Ramón y Cajal” e o de Física e Química. A Junta dava, ademais, bolsas para realizar estudos no estrangeiro. Por iniciativa de Cossío, o governo da República estabeleceu as “Missões Pedagógicas”, que percorriam as povoações do nosso país, e o ministro institucionista Fernando de los Rios fundou a Universidade Internacional de Santander. O labor pedagógico dos institucionistas estendeu-se a numerosos centros, entre os que importa destacar o Padroado para a criança delinquente, quando não existia, ainda, o Tribunal de Proteção de Menores.

A Geração de 1927 era, em certa maneira, uma emanação da ILE e obra da ILE foi, sem dúvida alguma, alcançar a sintonia cultural e científica com a Europa. A guerra civil de 1936 a 1939 obrigou a fechar os centros da ILE e suas escolas e o Estado fascista confiscou todos os seus bens, que foram devolvidos em 1978, depois de ter restabelecido a ordem nova constitucional. O livro escrito por Unamuno, sob o título de Amor e Pedagogia, amostra o método pedagógico levado a cabo pela ILE, inspirado no “krausopositivismo”, e que é aplicado por Dom Avito Carrascal para criar o génio Apolodoro, uma personagem do livro, pois na obra unamoniana a educação de Apolodoro baseia-se na ciência e na filosofia mais estritas.

O KRAUSISMO ESPANHOL E LATINO-AMERICANO:

Foi no ano de 1840 quando um grupo de juristas espanhóis, e entre eles Sanz del Rio, procuram uma doutrina política que dentro do liberalismo inicie o processo regenerador de que necessita o país e contenha em si um elemento espiritual que não se encontra na formulação doutrinária do liberalismo dominante na altura. E o encontraram quando Ruperto Navarro Zamorano, membro do grupo de amigos de Sanz del Rio, traduz em 1841 o Curso de Direito Natural, ou Filosofia do Direito, da autoria de Heinrich Ahrens, publicado em Paris em 1837, onde expõe que o fundamento do Direito consiste na “condicionalidade”: o conjunto das condições exteriores de que depende o destino racional do homem e da humanidade, que há de desenvolver-se sistematicamente como uma ordem universal de piedade, abnegação e altruísmo. Esta filosofia resume-se na fórmula do “racionalismo harmónico” ou “panenteísmo” e na obra de Karl Krause Ideal da Humanidade para a Vida (1811).

As implicações pedagógicas da filosofia krausista obrigam a pôr em contacto directo o aluno com a natureza e com qualquer objeto de conhecimento, daí a importância das aulas experimentais e das excursões e roteiros, assim como estabelecer um gradualismo desde os germolos de cada disciplina de conhecimento até a suma complicação e interconexão dos níveis superiores. Por outra parte, é fundamental no krausismo a laicidade e a crença antidogmática num deus alheio a regulamentações de nenhum tipo.

Se bem Krause teve fiéis seguidores na Bélgica (Heinrich Ahrens, Guillaume Tiberghien), na Holanda e na América Latina, foi no Estado Espanhol onde se aplicou e exerceu uma influência duradoira na vida artística e intelectual entre 1868 e 1936, data em que a guerra civil dispersou os seus membros mais destacados fundamentalmente na América Latina. Entre estes podemos destacar Mª das Dores Gómez Molheda, Blas Infante, Pablo de Azcárate, Elias Diaz, Júlio Caro Baroja, Eloy Terrón, Franco Diaz de Ceri, José Luis Abellán, Joaquín Xirau, Juan López-Morillas e Alberto Jiménez Fraud.

Alguns estudos consideram o krausismo espanhol como uma via intermédia entre a corrente alemã de pensamento e o positivismo, ou “krausopositivismo”, da segunda metade do século XIX. A partir da sua visão harmónica do Universo, o krausismo espanhol procurou ultrapassar o escolho das “duas Espanhas”, propondo um modelo organicista da sociedade humana estruturado em esferas e uma vontade de conciliação com um programa de preceitos básicos. Tal programa contempla os seguintes postulados:

– Secularização progressiva da sociedade, mais perto do panteísmo que do ateísmo, no âmbito dum “espírito moderno, liberal, de irrepreensível moralidade e de caráter reformador, frente aos tradicionais, ultramontanos neocatólicos, de tradição antiliberal”.

– Desenvolvimento do Direito como garante das condições que permitirão um modo harmónico de desenvolver-se, da convivência entre as classes e confissões reunidas no país e representadas no Estado, defendendo posições intermédias entre o individualismo e o socialismo.

– A Pedagogia como eixo da Educação, introduzindo novas abordagens, técnicas e métodos, capítulo essencial para o progresso da sociedade espanhola.

– O universalismo como opção para a superação do atraso cultural no país, provocado por regimes absolutistas monárquicos desde o século XVI, abrindo as fronteiras às correntes culturais europeias. Empresa que, através de instituições como a Junta de Ampliação de Estudos (JAE), conseguiria, em menos de um quarto de século, pôr o Estado Espanhol em primeira linha da ciência e da intelectualidade na Europa. Progressão que ficaria interrompida com a guerra civil e depois perdida com o primeiro franquismo.

Pelo que respeita ao krausismo na América Latina, devido ao idioma comum, certos latino-americanos foram exilados em Espanha, onde contactaram com as doutrinas de Krause e dos krausistas. O caso mais direto foi o do porto-riquenho Eugenio Maria de Hostos, que estudou com Sanz del Rio, e cujo romance La peregrinación de Bayoán está totalmente imbuído com uma filosofia unitária do organismo social. Manifestando-se a favor da libertação da mulher, como um direito humano e um bem maior para a coletividade e o organismo social. Outro caribenho krausista foi o cubano José Martí, o qual, depois de padecer um presídio político brutal de trabalhos forçados e grilheta, e apesar da sua juventude, conseguiu sair do presídio e exilar-se na Península. Onde, estudando Direito, se pôs em contacto com as doutrinas de Krause. Outros krausistas na América Latina foram Hipólito Yrigoyen, José Batlle e Ordóñez, Alfonso Reyes, José Enrique Rodó, Alejandro Deústua, Arturo Umberto Illia e Alejandro Korn. A influência do krausismo na maçonaria é evidente, e a franco-maçonaria foi muito importante em alguns países americanos, especialmente na Costa Rica e Cuba, onde houve influências mútuas, da maçonaria no krausismo e do krausismo na maçonaria. O qual favoreceu naqueles países a acolhida de emigrantes educadores liberais krausistas espanhóis.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Karl Krause, a sua vida, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento filosófico e social e as suas publicações. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. A citada amostra há de incluir também uma secção especial dedicada ao Krausismo espanhol, português e latino-americano, e à ILE.

Desenvolveremos um Livro-fórum em que participem todos os escolares e docentes. O livro mais adequado para ler é o intitulado Ideal de la Humanidad para la vida (Ideal da Humanidade para a vida), cuja 1ª edição em castelhano é de 1860, ao cuidado de Juliám Sanz del Rio. Poderia valer também o livro editado por Cincel El krausismo y la ILE (O krausismo e a ILE), de que é autor António Jiménez Garcia. Purificación Mayobre, professora da Faculdade de Educação de Ourense, publicou em edições de O Castro-Sada no seu dia um livro intitulado O krausismo na Galiza e Portugal. Também este livro, de grande interesse para nós, poderia servir para fazer um livro-fórum sobre ele.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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