I ENCONTRO COM A LUSOFONIA

Encontro IGESIP: ‘Cultores e Cantares da Língua Galega e Portuguesa’

PONTEAREAS, 2- 3 – 4 JUNHO 2016 Dedicado a Rosalia de Castro



2e

2- 3 – 4 JUNHO 2016

DEDICADO: ROSALIA DE CASTRO.

Cultores e Cantares da Língua Galega e Portuguesa

O título “Cultores e Cantares” foi sugerido pelo Poeta e Ambientalista José Gomes Garcia, mas a conceituação dos termos Cultores e Cantares, em formato de verbete.

Foi elaborada pela prof. Lúcia Helena de Saa (Presidenta Casa Agostinho da Silva – Brasil)

Cultor (cul. tor) [ô] es. a.

1 Que cultua; 2 Que rende culto a; 3 Que professa culto a; Rosalía de Castro rendeu culto à língua. 4 Que atende ao chamado de alguma coisa que quer ser cultuada; A língua, expressão máxima de um povo, foi motivo de culto para Rosalía de Castro que inaugurou propriamente a literatura moderna de sua língua. 5 Que faz uso de; Rosalía fez uso da língua “de las viudas de los vivos y de las viudas de los muertos”. 6 Que aprimora alguma coisa que é sempre aprimorada; Rosalía de Castro, poetisa galega, aprimorou a língua que metaforiza linguagens. sm. 7 Aquele que presta reverência e faz acontecer pensamentos, coisas, atitudes, intenções, ações, expressões ou tudo aquilo que lhe seja de motivo de veneração dos e para os Cantares (d)a Língua, d(a) Música e (d)a Arte; Rosalía de Castro foi cultora do lirismo mágico-trágico porque era poetisa “en tiempo menesteroso” cujas distintas vozes rosalianas eram cultoras dos estratos essenciais do ser humano e davam com a língua na Língua. 8 Aquele que promove a ancoragem histórica da língua; Os Cantares de Rosalía de Castro pela palavra deixaram no tempo registrado a língua do espírito: o fatalismo dos tristes, a fusão do amor e da dor, a sombra e o pessimismo, a palavra densa e intensa, a meditação religiosa, a prospecção ontológica, a denúncia social. 9 Aquele que cultiva o corpo e o espírito; Rosalía colocou em prática poiético-vivencial o cultivo simultâneo do seu espírito corporificado e do seu corpo espiritualizado. 10 Aquele para quem a Cultura é tudo o que o trabalho do homem foi capaz de acrescentar, recriando, ao que é dado pela natureza à sua volta; A lavra rosaliana debulhou o trigo, o canto das feridas históricas de seu País, e a mesma lavra fez o milagre da alethopoíesis que efabula a reveladora voz feminina que ainda não havia aparecido em língua hispânica até o século XIX. Fig. O nomeador, fonte de proveniências; Pelas diferentes palavras de som, de luz ou de cor — a trilogia vibratória do Universo — os Cultores deixam no tempo registrado a Língua do Espírito de um povo e assim o fez Rosalía de Castro a revelar expressão, signo e símbolo de poder e sensualismo, cultura, riqueza e modernidade. [F.: Do lat. Cultu +or+ es.]

Cantar (can. tar) es. v.

1 Dizer ou exprimir e ouvir por meio de canto; Os cantares de amor de Rosalía de Castro exprimem saudades da língua — erotismo e sensualismo. 2 Celebrar em poesia, comemorar em música; Os cantares da poesia rosaliana festejam a Língua na língua “vertiendo sus amores”. 3 Dizer com certa entonação e cadência de voz; Os cantares da língua de Rosalía de Castro cadenciam a palavra do Verbo. 4 Gerir, cantando; O ser-poiético rosaliano sabe gerir o seu canto aos cantares da vida lida. 5 Formar, emitir com a voz sons ritmados e musicados; Os falares da língua galega foram efabulados por Rosalía de Castro que cantou os amores, a liberdade e a restauração de seu País. 6 Produzir sons melodiosos ou cadenciados; À boca livre, Rosalía cantou a língua de seu povo que canta a saga da liberdade. sm. 7 Expressão de múltipla linguagem para toda ordem do fazer; Os cantares das gentes galegas tornam aquilo que permanece obscuro, no caótico, pleno de sonoridade. 8 Expansão da língua para além da própria onda sonora; No cantar rosaliano, foi efabulado o povo galego e pelo cantar todas as gentes existentes, mas os cantares da língua galega é música de sons harmônicos. 9 Anunciação dos cultores; Depois da colheita, a esperança galega é distribuir livremente o canto rosaliano a todos os povos irmãos. 10 Ação de cultuar ou resultado do cultivar; Na Galiza, lavrar a terra é uma forma de canto, semear a semente é um novo cantar e colher é cantar novamente sonhos da reintegração. 11 Composição poética em culto à língua e em cultivo do corpo e do espírito; É ciência subir os Himalaias/ e criar matemática sem fim/ mas é cultura vê-la poesia/ e ter os Himalaias dentro em mim. (Agostinho da Silva. Quadras inéditas, 1997, p. 38) Fig. O alvorecer, o eclodir da existência; A Galiza vibra de acordo com os cantares de Rosalía de Castro: una dicha sin fin, sonora lira vibrando por uma nueva gloria.

 

PROGRAMA

PONTEAREAS 2-3-4-5 JUNHO 2016

Quinta-feira, 2 de Junho

13,00 .- Início das Jornadas –

Convocatória de Imprensa – E Inauguração Exposição Fotográfica “Cultura que Une”

Intervém: Concelheira de Cultura – Presidente do IGESIP –

13,30 h Luís Risco Apresentação “Projeto Cultura que Une”

Sexta – Feira 3 de Junho

Local AUDITÓRIO Salão Nobre do Concelho.

Primeiro Bloco – A Língua que Une.

19,30 IGESIP – “Uma visão Lusófona e Internacional dentro da Paz”

Orador: Artur Alonso (Presidente IGESIP – Instituto Galego de Estudos Internacionais e da Paz)

Leitura do Texto: “ Da alethopoiésis de Rosalía de Castro” da Dra. Lúcia Helena Alves de Sá – Presidenta da Casa Agostinho da Silva (Brasilia – Brasil)

20,00h Concerto Isabel Rei

(Estrada, 1973) é professora de Guitarra no Conservatório Profissional de Música de Santiago de Compostela.

Atualmente cultiva o repertório galego e lusófono para guitarra clássica e acaba a sua tese de doutoramento intitulada A Guitarra na Galiza. Tem gravado o disco A Viola no século XIX: Música de Salão na Madeira (Funchal, 2014). Toca habitualmente em Portugal e Galiza.

Programa:

Música madeirense:

Tema com Explicações

Bolero sevilhano

Rondino

Música galega:

Prelúdio de R. Gutierrez-Parada

Longe da Terrinha de J. Montes / Santos Sequeiros

Lenda do Beijo de R. Soutulho / Santos Sequeiros

Fado de L. E. Santos Sequeiros

Trémolo a Conchita de L. E. Santos Sequeiros

Música brasileira:

Mimoso de J. Teixeira Guimarães

Se ela perguntar de D. Reis

Inspiração de A. A. Sardinha

Pinheirada de A. Neves

(aprox. 30 min.)

20,30 .- Apresentação Livro de Carlos Quiroga “A imagem de Portugal na Galiza”

A ediçao deste livro procede originalmente de um convite colocado ao autor em 2013, desde a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, para o Projeto Portugal segundo os Países e Nações da Lusofonia. Um quase Dicionário. Foram convocados diferentes investigadores dos países lusófonos que deviam elaborar uma investigação sobre este assunto. A Galiza não só foi honrada com a sua inclusão no Projeto como se lhe concedeu um espaço superior às entradas maiores previstas. Na escolha de Carlos Quiroga, entre outros factores, e para além da sua atividade de professor universitário, buscava-se uma estilística da escrita algo diferente do puramente académico e tinha-se em conta o seu papel constante de intermediação com a literatura e cultura lusófonas, nomeadamente de Portugal.

Carlos Quiroga nasceu no Savinhao, província de Lugo. Licenciado em Filologia Galego-Portuguesa e em Filologia Hispânica, doutorou-se na Universidade de Santiago, onde atualmente é professor titular. Publicou vários livros, entre os quais G.O.N.G. –mais de vinte poemas globais e um prefácio esperançado, Periferias, O Castelo da Lagoa de Antela, Venezianas ou Inxalá. Fundou e dirigiu várias revistas, realizou experiências no campo visual, e está representado nalgumas antologias e publicações da Galiza, Brasil, Portugal, Alemanha ou Itália.

21,15 h Recitado Poético – Círculo aberto

Local Café Onde Sempre

Participam entre outras e outros, as poetas; Isabel Blanco, Rosa Negro, Cruz Martinez, Manuel Blanco Rivas, Alexandre Insua, Artur Alonso.

Guitarra: Andrés Fernández Rodríguez.

 

Sábado 4 Junho

Local AUDITORIO “Reberiano Soutullo”

Segundo Bloco – Literatura que Une

18,30 h Guerra da Cal – Primeira Ponte Literária.

Palestra do Jornalista e Dr. Joel Gomes.

“Ernesto Guerra Da Cal, de refugiado político em Nova Iorque a internacionalizador das culturas galega e portuguesa”

Joel R. Gômez, profissional do jornalismo, é também doutor em Filología pela Universidade de Santiago de Compostela, com uma pesquisa sobre a trajetória de Ernesto Guerra Da Cal. Publicou os livros de investigação Ernesto Guerra Da Cal, do exílio a Galego universal (2015) e Fazer(-se) um nome. Eça de Queirós-Guerra Da Cal: um duplo processo de canonicidade literária na segunda metade do século XX (2002), para além de volumes de produção literária, pelos quais ganhou prémios como o Manuel Murguía de narrativa, ou os de Teatro Breve da Escola Dramática Galega e o de Teatro Infantil O Facho

19,00h. Rosalia de Castro – mulher universal dentro da literatura galego – portuguesa

Palestra da poeta Iolanda Aldrei: “O bem comum em Rosalia de Castro.”

Iolanda R. Aldrei (Compostela, 1968), Licenciada em Filologia Hispânica pola USC e em Filologia Galego-Portuguesa pola UDC, realizou o Curso de Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa. É escritora, docente de Língua e Literatura no ensino secundário e directora de teatro escolar. Tem publicado diversas obras poéticas, narrativas e ensaísticas em livros individuais e colectivos. Entre as suas obras destacam A Palavra no Ar, Memória de Nove Luas e O Grimório Azul de Samaná. Dinamizadora cultural, comprometida com a sua Terra e o seu Tempo

Terceiro Bloco – Sociedade Unida

 – Sinarquia Novo modelo social Lusófono e universal.

Engenheiro de projetos de Aeronáutica e da defesa. Mestre Qualificação em Engenharia Mecânica. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP)
• Qualificação Licenciado em Ciências de Engenharia.

Quarto Bloco – A MULHER NA CULTURA GALEGA E PORTUGUESA.

19,30 h .- Conversa Literária.

Moderadora: Iolanda Aldrei

Participam as escritoras: Concha Roussia e Iolanda Aldrei.

21,30 h. Concerto

Grupo de Fados – Os Teimosos.

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