CARTAS MEXICAS

A humanidade na era do poder em disputa



Ocidente parece ter chegado ao cimo da sua expansão: no que respeita ao poder económico global, esse pico toca na grande crise sistémica de 2007/2008. No que respeita a expansão territorial essa imersão, se produz nas fronteiras de Ucrânia – com Crimeia e o Donbass; como ponto de máxima ascensão. Respeito a extensão, pelo uso inquestionável do domínio militar, o ponto de inflexão, situa-se agora mesmo na Síria. A maiores com a crise no Reino Saudita, os problemas poderiam acrescentar-se. Dai que o novo golpe de efeito do Principie Mohammed Ben Salmane (camuflado de luta contra corrupção), que aparenta ter por finalidade não deixar em pé nenhum rival de referencia; leva como principio básico adequar seu reino aos no seus novos planos de mudança geopolítica da Administração Trump (encenada por Washington em Riad, com o discurso do 1º Mandatário Americano contra o Jihadismo). A mudança no poder teve de ser efetiva e rápida, num momento delicado, numa zona de alta variabilidade geopolítica, na qual aparenta que a “nova amizade” Putin – Trump, poderia trazer um certo equilíbrio (alojando definitivamente o fantasma da 3ª Guerra Mundial?). A pesar que a nível dos Relacionamentos Internacionais, como na ONU, a embaixatriz americana ainda siga o guião da administração anterior, de acosso e derrubo da Rússia. Por isso faz-se evidente que uma mala jogada na Arábia Saudita, trazer-ia complicações imensas ao Império Ocidental, dado que no segundo tabuleiro global: o económico, a China começa a tentar obter a supremacia, todavia em mãos do Ocidentais, graças às praças fortes bursateis de Londres – Wall Street e Tokio (muito fortemente tocadas desde a referida implosão de 2007/2008) .

Alexander Mercouris, nos adverte sobre a crise saudita: “Potencialmente pode também ter grandes implicações para a posição internacional do dólar estado-unidense. A razão chave porque o dólar continua a ser a divisa de reserva do mundo, apesar do facto de que em termos de paridade de poder de compra a economia dos EUA foi ultrapassada em dimensão pela da China, é devido a um antigo acordo entre os EUA e a monarquia saudita no sentido de que esta aceitará o pagamento do seu petróleo em dólares (…) Isso por sua vez assegura a posição do dólar como divisa de reserva mundial. Uma crise política prolongada na Arábia Saudita ou uma rutura política ali poderia por em causa o acordo, com implicações maciças para a posição global do dólar e dos EUA.” Seu homologo russoValentin Katasonov, tem a opinião mais ousada de que:“Riad agora encontra-se entre a espada e a parede. É difícil imaginar o que poderia atingir a Arábia Saudita, a partir do outro lado do Atlântico, se ela vendesse mesmo um único barril de petróleo em troca da divisa chinesa. Afinal de contas, isso seria um desafio direto ao petrodólar(…)Washington advertiu severamente Riad para que se abstenha de qualquer movimento mal considerado para substituir o dólar pelo renminbi nas suas transações com a China, temendo que outros atores do mercado de petróleo o seguissem (…). E amanhã essa epidemia de transações em divisas nacionais poderia infetar outros mercados de commodities. A propósito: este ano Pequim começará a comerciar futuros de petróleo em renminbi nos seus intercâmbios de commodities e afirma que isto é só o primeiro passo (…) O governo chinês já anunciou que está a formar um consórcio de energia e companhias financeiras, mais o fundo de riqueza soberana da China, a fim de comprar um “bloco” da companhia saudita (Saudi Aramco)… E assim adensa-se a trama dentro do triângulo de intriga Pequim-Riad-Washington”

Ásia com um terço da superfície emersa da Terra e 3/5 da população mundial, está a tornar-se no grande polo de atracão de novas inversões e realizações necessárias de infraestruturas (devido a seu atraso, em alguns casos secular). A realização do projeto chinês da “nova rota da seda” está a mexer num novo eixo geo-estratégico e comercial, duma dimensão difícil de avaliar: 68 países implicados, que significam um 40% da economia global e uma população total de 4.4 bilhões de pessoas; conexões terrestres e marítimas. Fazem supor dum desloque do centro comercial global.

Tudo no mundo parece girar sobre o eixo económico. E isso tem a ver certamente, porque a questão económica representa o verdadeiro poder, que a dia de hoje governa o mundo.

O legado cultural indiano tem dotado à humanidade dum corpus milenar, que abrange diversas áreas do saber, onde a visão dos processos de modo cíclico, holístico e perfeitamente estruturado dentro duma lei universal cósmica, que tudo o regula, contrasta maravilhosamente com a aparência caótica da sua diversa e convulsa sociedade. Ciclos maiores e ciclos menores, ciclos locais e globais, se alternam em essa cosmovisão, que ajuda a explicar a relação do todo e suas partes. Dentro desses ciclos temos 4 períodos evolutivos ou Eras, chamadas: Satya-Yuga ou Era de Ouro, Tetrã-Yuga ou Era de Prata, Dvãpara-Yuga ou Era de Bronze e Khali-Yuga ou Era de Ferro; com seus períodos maiores e menores: seus ciclos dentro de ciclos. Hoje estamos sem duvida transitando um pequeno ciclo de Era de Ferro, caracterizado pelo grande sofrimento e o confronto continuo dentro duma visão dual da realidade, onde o confronto entre os contrários prevalece. Mas este período sempre é o preludio da Idade de Ouro, que traz a superação do medo interior e exterior, e da perspetiva medrosa de visionar nossos irmãos, como concorrentes numa errada assimilação de ser necessária a luta pelos recursos para sobreviver. Nos diferentes períodos, as diferentes castas dominam, momentaneamente umas sobre as outras. Assim tivemos tempos de predomínio da Instituição Sacerdotal, da Militar e agora estamos controlados pelo Poder Comercial – na sua moderna derivação financeira, como nova elite neo-feudal, nas suas diversas versões de capital privado (Ocidente) ou estatal (Oriente).

Mas este período de domínio é condizente com o fim do ciclo de ferro, e o passo a uma nova Era de Ouro, onde os estamentos dos Servidores – a cidadania em geral, do mundo, tomará o relevo no comando. Esse marco já foi ativado, com as lutas do proletariado, da juventude (movimento “hippie” entre outros) e da mulher (sufrágio e revolução sexual) durante todo o anterior século.

Para que isso se faça efetivo e se materialize na prática, os velhos servidores do clero, dos reis e dos comerciantes, terão que evoluir ate atingir um nível de consciência, que lhes permita ultrapassar as velhas divisões (das que se aproveita o poder para seguir mantendo-se acima, em época de guerra continua) e renascer num novo ambiente de comunidade universal fraterna (como aquele que tentou na Gallaecia, o insigne Prisciliano, já no século IV). Nada disto poderá ser feito sem trabalhar as duas primeiras fases da “Tripla Libertação”: trabalho interior – ético (de equilíbrio-controle de emoções e mente individual e harmonização com a mente coletiva) e, trabalho exterior – de equilíbrio e harmonização das sociedades com a natureza (ecologismo ativo). Duas portas necessárias de cruzar, antes de concretizar a terceira fase de: Unidade dos Povos e Culturas, pelo nexo da essência comum, que veicula a toda a humanidade.

Esse despertar das conscienciosas em esse caminho de ascensão – elevação – evolução, trazer-há a definitiva libertação dupla: das cadeias do oprimido, que ligam suas correntes ao opressor. Libertando ao oprimido do medo a padecer o lado escuro do domínio, assim como libertando ao opressor do medo a perder, aquilo que pela força, adicionou como posse (Nada existe na natureza para ser possuído). Quando o ser humano se elevar a um patamar evolutivo, que permita um conhecimento mais amplo da vida, o conceito de ajuda mutua e complementaridade das formas, substituirá ao velho conceito (ainda vigente em nossos dias) de confronto continuo e luta entre os contrários.

Para preparar este caminho, as organizações sociais de todo tipo, tem de fornecer a população informação adequada, na sua área de trabalho, para elevar o nível cultural e a formação destas mesmas populações, que junto com a luta, necessária em nossos dias, para uma maior democratização e acesso a formação académica da população; junto a luta pelos direitos civis e a concretização dos planos pelos direitos humanos, ajudem a transitar este novo caminho em face da Era de Ouro.

Neste patamar ainda negro de guerra, os habitantes do planeta, pouco a pouco vão entendendo, que somente a luta pacifica poderá mudar esta situação.Assim o famoso livro de Leão Tolstoi “O reino de Deus está dentro de vós” que permitiu Gandhi,virar do belicismo ao pacifismo, tem acrescentando com a grande contribuição que outros livros e grandes personagens de anteriores séculos tem legado à humanidade, como a mesma incansável HPB (Elena Petrovna Blavatskaya), marcando a definitiva senda da Paz e confraternização da humanidade. Isto tem possibilitado que personalidades como o Rabbi Yehuda Leib HaLevi Ashlag, mais conhecido como Baal HaSulam, tenham decidido abrir o grande conhecimento da Caabala, a toda a população. Outros tenham decidido impulsar no Ocidente a flor do sufismo ou o ensino da pratica zen, tão fundamentais para a pacificação interior da mente e do conhecimento milenar que se perde na noite dos tempos. Este conhecimento e pacificação interior, atingida por qualquer caminho, dos múltiplos que tem o conhecimento, será fundamental para elevar aos antigos servidores ao patamar da humanização de toda a sociedade (mesmo dos velhos guerreiros dominadores)… Dai que a meados do século passado, todo esse conhecimento fora sintetizado no Ocidente, pela figura ímpar do brasileiro JHS (Henrique José de Souza), sabedor como era da traslado espiritual do centro oriental para o ocidente: do Ex-Oriente-Lux, para o novo Ocidente-Lux.

“Os tempos são chegados” fala nosso hino galego e, não podemos esquecer que Pondal (autor do mesmo) era um grande conhecedor da tradição milenar celta, que fornece como a mesma dignidade e Amor-sabedoria, esse velho imemorial património. Fazendo pois, o autor, do nosso hino um poema iniciático, que somente os adentrados nos mistérios mais profundos da humanidade poderão desvendar. Como falavam os cristãos gnósticos. “quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça”

Não devemos, cair nas provocações, nem na negatividade que nos transmitem os médios de comunicação que servem aos interesses dos comerciantes dominadores, com o objetivo de minar a auto-estima, e deixar-nos muito vulneráveis para serem controlados. Por um período ainda longo, permaneceremos ainda no risco da guerra e auto-destruição (os próximos três séculos serão vitais para a transformação humana). Mas se criamos redes sociais, livres do controle comercial, de base e solidarias entre os distintos povos, seres e natureza; finalmente seremos capazes de travar mesmo uma possível guerra global pela supremacia. Essa guerra comercial que é a primeira etapa da guerra material, pela que agora atravessa a humanidade, pode não ir a mais, graças a elevação global também da consciência.

Um grande passo temos dado: a maior parte das lutas pelos direitos cidadãos, se estão a dar já de modo escrupulosamente pacifico. Dai suas possibilidades de vitoria. Mesmo parecendo, em alguns casos, esses movimentos derrotados, deitam uma semente que frutifica no coração de toda à humanidade, permitindo a posterior mudança.

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
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  • José Lino

    UM C CONTRIBUTO REFLEXIVO PARA OS NOVOS TEMPOS

  • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

    As elites mundiais tenhem «total control» sobre a povoaçom mundial. A criaçom dumha realidade alternativa, coma a da «Matrix», que agocha a crueldade e criminalidade do sistema, através dos grandes média, a lavagem cerebral e «doma» que começa na infância familiar e se segura nas instituições educativas, a destruiçom acelerada das redes comunitárias por toda a parte, o ditado do fundamentalismo capitalista percebido como o «normal», a destruiçom da nossa dimensom espiritual, coa ajuda do fundamentalismo positivista (tamém percebido coma «normal») e o triunfo de mente tola e tagarela … Tudo isso só se puido conseguir cumha grande determinaçom: as ELITES, os Rokefellers, os Rumsfield, os Gates, os Soros, os Levi, a armada de sionistas que nos governam … SOM SICOPATAS. Mesmo O exército de mordomos e besuntabotas que os servem, os Macron, as Sorayas, os Trump … som do mesmo jorne …

    Nom hai, nem haverá, elevaçom da consciência, fora dumha minoria que seja quem de aceitar a morte e o sofrimento sem medo, como sempre ocorreu. Os Buda, os Jesús, os Confúcio, som umha anomalia. O ser humano está condanado. Cangamos cum karma ruim enorme, somos dispensáveis. A vida há continuar despoixas de nós. Nom tenho xenreira ao Deckhar, que nom deu acabado comigo, nem sequer ao Tyrell, que me fijo na sua imagem …