AS AULAS NO CINEMA

H.G. WELLS, SOCIALISTA PACIFISTA A FAVOR DO PROGRESSO DO MUNDO

(Documentários e filmografia baseada nos seus livros)



Com o número 77 da série que estou a dedicar a grandes vultos da humanidade, que os escolares dos diferentes níveis devem conhecer, e que iniciei com Sócrates, desta vez escolhi a figura de um grande escritor britânico chamado Herbert George Wells (1866-1946). Ademais o depoimento pode servir também para comemorar o “Dia Internacional dos Direitos Humanos”, que se celebra em muitos países no dia 10 de dezembro. E que é muito importante que nas aulas dos diferentes níveis do ensino se organizem sobre esta jornada atividades variadas de tipo educativo-didático, artísticas, lúdicas, literárias, informativas, etc.

PEQUENA BIOGRAFIA:

    A brasileira Thaciane Rallemberg Ramos, graduada em Letras, Literatura e Língua Portuguesa, escreveu em 2015 uma pequena e interessante biografia de Wells, que tenho por bem reproduzir a seguir.

 h-g-wells-foto-5Herbert George Wells, mais conhecido como H. G. Wells, nasceu num distrito da grande Londres, a 21 de Setembro de 1866. Na juventude foi aprendiz de negociante de panos, porém esta experiência só foi bem sucedida no sentido de colher experiências para uma de suas futuras obras. Em 1883 começou a lecionar na Midhurst Grammar School, até conseguir uma bolsa para estudar biologia com T. H. Huxley, na Escola Normal de Ciências em Londres.

Wells tornou-se conhecido por seus “romances de ficção”, carregados de suas visões políticas e que antecipavam inúmeras situações vividas pela sociedade posteriormente. Mesmo escrevendo sobre outros tempos, lugares, e até mesmo formas de vida, jamais deixou de se referir à própria realidade. Escreveu sobre luita de classes, questionou a ética da ciência, e anteviu bombardeios.

by Elliott & Fry, sepia half-tone reproduction of a photograph, 1901

by Elliott & Fry, sepia half-tone reproduction of a photograph, 1901

Em seus romances que não possuíam cunho científico, menos conhecidos pelo grande público, fazia críticas sociais ainda mais consistentes. Os costumes, dilemas e a ruína da baixa burguesia vitoriana, por exemplo, estiveram em várias de suas obras. Chegou a escrever, até mesmo, sobre os direitos das mulheres. Suas narrativas abordavam, com fascínio e desconfiança, a aplicação de tecnologias, sejam elas do futuro real ou ficcional. Alguns estudiosos atribuem a qualidade científica de suas ficções aos oito anos em que foi professor de ciências e zoologia. Sua carreira de escritor teve início com artigos científicos, que na realidade não alcançaram tanta repercussão. Fez parte da Sociedade Fabiana, que tinha como propósito transformar, de forma gradual, a sociedade da Inglaterra, orientada pelas ideias socialistas. Passa, então, a enxergar o nacionalismo como causa principal das catástrofes que acometiam a humanidade. Acaba por deixar a sociedade, e passa a dedicar-se a ideia de um Estado Universal, descrito em uma de suas obras.

Com o avançar da idade, seu pessimismo em relação ao futuro da humanidade foi aumentando, e esse sentimento pode ser claramente identificado em seu último livro, onde mais do que contar uma história, Wells pregava acontecimentos posteriores. Não mais utilizava de sua inicial capacidade inventiva, apenas fazia constatações sobre um futuro não muito distante. H. G. Wells faleceu no dia 13 de Agosto de 1946, em Londres.

CINCO IMPORTANTES FATOS SOBRE SUA VIDA:

    Na revista brasileira Galileu foi publicado no seu dia um pequeno texto sobre a figura e pensamento de Wells, que a seguir sintetizo.

    Na véspera do dia das bruxas de 1938, o pânico se espalhou pela costa leste dos Estados Unidos, quando a rede de rádio Columbia Broadcasting System (CBS) interrompeu sua programação para noticiar uma invasão de marcianos. Com seus raios poderosos e máquinas assassinas, os invasores chegaram a uma pequena cidade no interior de Nova Jersey. Em pânico, os cerca de 3 milhões de ouvintes tentaram fugir às pressas do suposto ataque. Suposto, porque tudo não passava de um rádio teatro da Guerra dos Mundos, um dos livros mais famosos do escritor inglês Herbert George Wells, mais conhecido como H. G. Wells, nascido em 21 de setembro de 1866.
A adaptação é uma das mais memoráveis do romance de ficção científica, que anos mais tarde também ganhou versões para o cinema. Além dele, Wells escreveu A Máquina do Tempo e O Homem Invisível, outros clássicos da literatura de ficção científica. Sua especialidade era uma mistura de imaginação fantástica e especulação social. Considerado um dos escritores mais influentes de seu tempo, Wells viveu até os 79 anos. Relembramos alguns fatos sobre sua vida.

Ele nasceu pobre. Wells era filho de empregados domésticos que se tornaram donos de pequenas lojas. Até os 14 anos, recebeu educação inadequada, somente complementada pelo seu hábito de ler. Ele chegou a trabalhar com tecidos, mas deu um jeito de escapar para se dedicar aos estudos. E se tornou, de fato, um cientista. Aos 18 anos, ele recebeu uma bolsa para estudar biologia na Escola Normal de Ciência (mais tarde, o Royal College of Science), em Londres. Ninguém menos que Thomas Henry Huxley, contemporâneo e defensor de Charles Darwin (ficou carinhosamente conhecido como o “bulldog” de Darwin).

Os primeiros livros que ele publicou eram didáticos. Wells começou a carreira na escrita como jornalista, colaborando com a revista Nature. Antes de publicar seu primeiro romance, A Máquina do Tempo, em 1895, Wells escreveu o Textbook of Biology (Livro Didático de Biologia, em tradução livre), em 1893. Os seus livros eram “proféticos”. Já naquela época, Wells fazia descrições dos triunfos e riscos da tecnologia, além de previsões bastante sombrias, e que se tornaram realidade, de guerras com tanques, bombardeios aéreos e guerras nucleares. Mas havia espaço para um pouco de otimismo na imaginação de Wells. Ele talvez tenha sido um dos primeiros a criar a Wikipedia: em um de seus artigos, ele escreveu sobre a ideia para uma enciclopédia mundial que, conforme sua descrição “deveria ser viva, crescendo e mudando constantemente sob revisão, extensão e substituição pelos pensadores originais em todos os cantos do mundo”.

Ele era socialista. Em 1920, Wells publicou The Outline of History (traduzido no Brasil na década de 1950 com o título História Universal), em que deixou claras suas inclinações para uma espécie de socialismo global. Ele chegou a ser um candidato ao Parlamento pelo Partido Trabalhista, mas perdeu.

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS E FILMES:

  1. Documentários:
  2. Biografia de H. G. Wells.

     Duração: 46 minutos.

  1. H. G. Wells (O país dos cegos).

     Duração: 73 minutos.

  1. Futuro tenso. A história de H. G. Wells.

Duração: 29 minutos. Documentário da BBC.

  1. Entrevista a H. G. Wells.

Duração: 2 minutos. Da Pathé britânica.

  1. Wells e o seu mundo de Ficção Científica.

Duração: 13 minutos.

  1. Wells (O homem invisível).

Duração: 268 minutos.

  1. Wells na sua própria voz.

Duração: 14 minutos. Ano 1937.

  1. Filmes baseados em suas obras:
  2. A Vida Futura.

     Duração: 90 minutos. Ano 1936.

  1. Viagem à Lua (Curta-metragem).

Realizador: Georges Méliès (França,1901, 16 min.).

  1. O Homem Invisível.

     Realizador: James Whale (EUA, 1933, 71 min.).

  1. Daqui a Cem anos.

Realizador: W. Cameron Menzies (RU, 1936, 90 min.).

  1. Na Solidão da Noite.

Realizadores: Robert Hamer e Alberto Cavalcanti (RU, 1945, 95 min.).

  1. A História de uma mulher.

    Realizador: David Lean (RU, 1949, 91 min.).

  1. A Guerra dos Mundos.

     Realizador: Byron Haskin (EUA, 1953, 85 min.).

  1. A Máquina do Tempo.

Realizador: George Pal (EUA, 1961, 103 min.).

  1. Os Primeiros Homens na Lua.

Realizador: Nathan Juran (RU, 1964, 103 min.).

  1. A Cidade dos Gigantes.

Realizador: Bert I. Gordon (EUA, 1965, 81 min.).

  1. O Império das Formigas.

Realizador: Bert I. Gordon (EUA, 1977, 89 min.).

  1. A Ilha do Dr. Moreau.

Realizadores: John Frankheimer e Paul Rubell (EUA, 1996, 95 min.).

  1. A Máquina do Tempo.

Realizador: Simon Wells (EUA, 2002, 95 min.).

  1. Guerra dos Mundos.

Realizador: Steven Spielberg (EUA, 2005, 112 min.).

 

Nota: Esta filmografia baseada nas suas obras não é exaustiva.

 

DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS:

O Dia Internacional dos Direitos Humanos é celebrado anualmente a 10 de dezembro. A data visa homenagear o empenho e dedicação de todos os cidadãos defensores dos direitos humanos e colocar um ponto final a todos os tipos de discriminação, promovendo a igualdade entre todos os cidadãos. A celebração da data foi escolhida para honrar o dia em que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, a 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Esta declaração foi assinada por 58 estados e teve como objetivo promover a paz e a preservação da humanidade após os conflitos da 2ª Guerra Mundial que vitimaram milhões de pessoas. A Declaração Universal dos Direitos do Homem enumera os direitos humanos básicos que devem assistir a todos os cidadãos. Este dia é um dos pontos altos na agenda das Nações Unidas, decorrendo várias iniciativas a nível mundial de promoção e defesa dos direitos do homem. O dia 10 de dezembro é também marcado pelo entrega do Prémio Nobel da Paz.

    UMA ESCOLHA DAS FAMOSAS FRASES DE WELLS:

    Realizamh-g-wells-foto-1os uma seleção das suas mais famosas frases, para entender melhor o seu pensamento.

  -“A grandeza de homem pode ser medida por aquilo que ele deixa para crescer, e se ele introduziu uma nova mentalidade com um vigor que perdurou após ele. A julgar por este teste, Jesus ocupa o primeiro lugar”.

  -“É inútil ficar sentado em meio a todas essas cousas desconhecidas, tentando resolver um enigma. Você acabará monomaníaco. Encare este mundo. Aprenda-lhe os costumes, observe-o, não tire conclusões apressadas. No fim você acabará encontrando todas as despostas”.

 -“Toda vez que vejo um adulto em uma bicicleta, eu já não me desespero quanto ao futuro da raça humana”.

 -“Adapta-se ou desaparece: é o ditame inexorável da natureza, hoje como ontem”.

 -“O vigor é um produto da necessidade; a segurança é um convite ao enfraquecimento”.

 -“A indignação moral é a inveja com uma auréola”.

 -“Se você caiu ontem, fique de pé hoje”.

 -“Estamos saindo a cada instante do momento presente. Nossa existência mental, que é imaterial e não tem dimensões, desloca-se ao longo da Dimensão-Tempo com uma velocidade uniforme, do berço ao túmulo. Da mesma forma que viajaríamos para baixo se começássemos nossa existência cinquenta milhas acima da superfície da terra”.

Nota: Podem ler-se mais entrando na ligação: https://citacoes.in/autores/herbert-george-wells/

E na https://kdfrases.com/autor/herbert-george-wells

 

    TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Olhamos os documentários e filmes citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a H. G. Wells, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento e. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, lendo antes todos, estudantes e docentes, um dos livros escrito por Wells. Dentre eles podemos escolher o intitulado A Guerra dos Mundos, editado pela Alfaguara do Brasil em 2016. Poderia valer também o livro A Máquina do Tempo, editado pela Lebooks Editora em 2017. Existem bastantes romances de Wells editados na nossa língua no Brasil e Portugal.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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