ALDEIAS DE ORDES

Guerreiros do país das mámoas e os vidoeiros



A atual aldeia de Germar, em Cerzeda, aparece citada em vários documentos medievais do mosteiro de Soandres. No primeiro, do ano 932, a “villa Germar iuxta Ripas altas cum suo busto et cum suis villaribus” é cedida aos bieitos de Soandres polos herdeiros do mosteiro de Santa Maria de Cambre; em outro de 1032 lê-se que “villam de Germar” é desta volta doada ao mesmo mosteiro polo bispo Nuno; finalmente, em outro documento de 1404 aparece um Germar Velho que evidencia a existência de um casal antigo e outro mais novo[1].

O topónimo, rematado em –ar como as pessonagens lendárias de Pondal, remete para umha originária *(villa) Germari, de um possessor medieval que se chamava Germarus, antropónimo germânico que inclui o elemento marhs “cavalo”, também presente em um microtopónimo de Montaos: Baldomar, umha zona situada ao Sul dos Corros e ao Norte do rio Cabrom. Esta hipotética *(terra) Baldomari seria propriedade de um tal Baldemarus, nome explicável pola uniom dos dous elementos gôticos balth, “audaz”, mais o devandito marhs “cavalo”, significando Baldemaro, algo assim como “Cavalo Audaz”.

Dentro da mitologia germânica, o marhs mais célebre foi Sleipnir, corcel de oito patas cavalgado por Odim, símbolo da tempestade e da força de os ventos, que os labregos tratavam de acougar enterrando um crâneo de équido em cada um dos cantos do terreno que se dispunham a arar.

As ressonâncias míticas do topónimo Germar inflamarom a imaginaçom de Álvaro Cunqueiro quando, qual Adrián Solovio, experimentou umha sorte de epifania nacional wagneriana ao topar no Fingoi de Lugo com o mapa de Fontán: “Fue mi gran encuentro con mi país gallego […] ¿cómo no hacer de Xermar, el guerrero, un Sigfrido del país de las mámoas y los abedules?”[2].

Som de Germar os irmaos Sánchez Regueiro, família de artistas. Um deles, Alberte, assina a sua obra fotográfica com um distritoxermar, orgulhando-se de aldeia.

[1] Manuel Lucas Álvarez, San Paio de Antealtares, Soandres y Toques: res monasterios medievales gallegos, Sada, Ediciós do Castro, 2001, págs. 122, 172 e 220.

[2] Álvaro Cunqueiro, “El mapa de Fontán”, Faro de Vigo, 29 de dezembro de 1951.

Aldeia de Germar, em Cerzeda
Aldeia de Germar, em Cerzeda

Publicado em Aldeias de Ordes,  

Carlos C. Varela

Carlos C. Varela

Carlos Calvo Varela (Ordes, 1988) colaborou e colabora com diveros meios de comunicaçom, entre os quais Novas da Galiza, Praza Pública e o Portal Galego da Língua. Estudante de Antropologia e investigador, tem publicado numerosos artigos em portais web, revistas e livros, além de realizar um reconhecido labor como dinamizador social e cultural em coletivos de Compostela e Ordes.
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