GIANNI RODARI E A MAGIA DOS CONTOS E DAS FÁBULAS

Vários documentários e curta-metragens de seus contos



O dia internacional do livro infantil celebra-se em todo o mundo o dia 2 de abril. Infelizmente somos ainda poucos os que damos a devida importância à leitura na infância. Quão importante é que as crianças amem os livros e a leitura! Meninos e meninas que gostam de ler desde que adquirem a aprendizagem leitora, vão ter sucesso depois e felicidade nas suas vidas. Em primeiro lugar vão ter bons resultados académicos e vão ter bons ofícios, ocupando lugares destacados na nossa sociedade. Vão aprender a ocupar de forma adequada o seu tempo de lazer, e isso há ser bom para eles e para o seu meio. Vão ter curiosidade pelas cousas, pela sociedade, pela vida e pelos seus semelhantes. Vão desenvolver a sua imaginação e a sua criatividade. Vão adquirir valores humanos positivos. Porque os livros são como os bons amigos. A amizade com os livros há que fomentá-la já nas crianças desde que nascem. Sentando-os mamã e papá no seu colo para ler-lhes contos e lendas, pequenos poemas e quartetos, lengalengas, adivinhas e ditos populares infantis. Porque as crianças aprendem muito do que veem e do que vivem. Existem uns livros de plástico muito interessantes que podem meter-se na banheira junto com as crianças. Desde pequenos devem acostumar-se a conviver com os livros. Mesmo a dormir rodeados de livros na sua cama. Os melhores presentes para as crianças têm que ser livros. Para que adquiram carinho e apreço por eles e pela sua leitura. Sabendo escolher bem quais são mais ajeitados. Com muitas imagens quando as crianças são pequenas. Aumentando os textos literários à medida que as crianças vão medrando. Motivando também para a leitura dos mesmos. Com estratégias de dinamização leitora. Nas quais não podem faltar os conta-contos, as dramatizações, os trabalhos manuais, a música, as cantigas… Em referência aos conteúdos dos livros. Nos quais têm que aparecer os temas mais apreçados na infância. A natureza e o que esta contém: árvores, flores, frutos, animais… Isto já o tinham muito claro na antiguidade. Quintiliano na época romana. Que se adiantou séculos à educação moderna, dizendo que a melhor maneira para que as crianças aprendam é jogando. Mais tarde, na Renascença, Coménio inventou o livro do mundo sensível em imagens que denominou Orbis Sensualium Pictus. Depois foram Pestalozzi, Decroly e Maria Montessori. A grande pedagoga da escola infantil, junto com Rosa e Carolina Agazzi.

O passado ano dediquei o meu depoimento a um excelgianni-rodari-660x607ente criador de literatura para crianças, Roald Dahl. Desta vez, dentro da série iniciada com Sócrates, que estou a dedicar aos grandes vultos da humanidade, escolhi um criador e dinamizador de literatura infantil ainda mais importante, chamado Gianni Rodari. O qual, ademais do seu excelente livro Gramática da fantasia, escreveu muitos e formosos livros para a leitura das crianças, alguns verdadeiramente fantásticos para fomentar a leitura na infância. Ademais, pertenceu ao MCE italiano (Movimento de Cooperazioni Educativa) de Bruno Ciari e Mario Lodi, e dos, felizmente vivos, Fiorenzo Alfieri e Francesco Tonucci. Com ele completo o número 41 da série dedicada a grandes personalidades mundiais que devem conhecer todos os estudantes.

Gianni Rodari nasceu em Omegna (Piemonte-Verbano) a 23 de outubro de 1920, e faleceu em Roma o 14 de abril de1980. Ainda que a sua vida tenha decorrido alheia à música, a sua vocação frustrada, muito poucas pessoas como Rodari souberam destacar-se em tantas áreas como aquelas a que este renovador da literatura infantil e juvenil esteve ligado. Político, jornalista, pedagogo e escritor, logrou com esta última o Prémio Andersen em 1970. Diplomou-se pelo Magistério e começou a dar aulas particulares. Pela sua vinculação ao Partido Comunista Italiano, colaborou com vários jornais, dirigiu “L’Ordine Nuovo” e, depois da sua incorporação no diário milanês “L’Unitá”, começou a cultivar a sua paixão pela Literatura Infantil. A partir daí foi-se forjando o talento daquele que se viria a converter na pedra angular deste género literário. Autor de uma vasta obra, conheceu o sucesso com títulos como Favole al telefono, Il romanzo di Cipollino ou Novelle fatte a macchinna, que são também algumas das suas obras-primas, portadoras de um novo paradigma que renova a literatura tradicional e demonstra que a brevidade também pode ser sinónimo de boas narrativas, e que pode, inclusivamente, deixar ao leitor a decisão de como a história irá terminar. Muitos dos seus belos livros foram publicados na nossa língua, a maioria no Brasil, mas também em Portugal. É considerado um dos melhores escritores de literatura infantil da Itália. Suas histórias, contos e poesia contribuíram para renovar a literatura destinada às crianças. E as crianças acabam entrando no livro para brincar com as palavras e descobrir sentidos que elas ainda não conheciam.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS E CURTA-METRAGENS:

A. Documentários:

1. Gianni Rodari. Duração: 4 minutos.

2. Gianni Rodari. Duração: 3 minutos.

3. Promemoria Gianni Rodari. Duração: 1 minuto.

4. Reportagem sobre Gianni Rodari. Duração: 6 minutos.

5. Rodari lê Rodari. Duração: 2 minutos.

6. Biografia de Gianni Rodari. Duração: 10 minutos.

Autor: Ernesto Vasquez.

7. Gianni Rodari: A gramática da fantasia. Duração: 6 minutos.

Tema: A Gramática da Fantasia: Vídeo criado para a disciplina de Psicologia da Educação: O Jogo I, ministrada pela professora Tânia Ramos Fortuna, que esboça conceitos e ideias desvendadas a partir da leitura da obra de Gianni Rodari.

8. Gianni Rodari: La vita. Duração: 3 minutos.

B. Curta-metragens de seus contos:

1. Chipollino. Filme baseado no conto Cipollino.

Diretora: Tamara Lisitsian (Rússia, 1972).

2. Chipollino. Duração: 1 minuto.

Desenhos animados, em russo com legendas em inglês (1961).

Diretor: Boris Dezhkin.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=SlJsqUk-k1k

Versão em inglês de 40 minutos para ver em:

http://www.dailymotion.com/video/x27zpd2

Outra versão de 3 minutos para ver em:

https://www.youtube.com/watch?v=eeD–fwl3BY

3. Chipollino the Onion Boy (em inglês). Duração: 10 minutos

Desenhos animados.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=DCnrMRmiQ5Y

4. Cipollino. Em italiano. Duração: 60 minutos. Filme russo de 1972.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=HNAP_Hsr-4I

5. Per ricordare Gianni Rodari.

Ver em: https://www.youtube.com/embed/Jqk96Il6LU8?rel=0

GRAMÁTICA DA FANTASIA:

O seu livro Gramática da Fantasia é um magnífico manual didático que todos os docentes deveriam conhecer, pois apresenta inovadoras propostas para desenvolver a criatividade literária dos escolares, com numerosas alternativas e exemplos para levar à prática nas aulas. No livro, transformando o leitor em aprendiz de feiticeiro, Rodari apresenta várias técnicas e exercícios para o desenvolvimento da imaginação e da criatividade, com propostas práticas e simples que podem resultar na produção de narrativas orais ou escritas. A partir da ideia-chave de um binômio fantástico, isto é, de duas palavras que se unem por acaso, como «cão» e «armário», o autor demonstra como criar uma história em que um homem, ao voltar para a casa e abrir o guarda-roupa para pegar o roupão, se depara com um cãozinho. Desenvolvendo essa ideia, Rodari chega a outras propostas como a união de uma personagem conhecida com um elemento inusitado, «Chapeuzinha Vermelha» e um «helicóptero», ou ainda propõe que se produza uma «salada de fábulas». O que não falta ao livro são exemplos, retirados das muitas experiências que o autor desenvolveu ao longo de sua carreira, visitando escolas e interagindo com as crianças nas suas aulas. Trata-se, vale repetir, de propostas práticas, facilmente aplicáveis em sala de aula, que transformam a obra num instrumento precioso e eficaz para todos os que acreditam que a imaginação deve ter um papel importante na educação, para os que apostam na criatividade infantil, para aqueles que conhecem o valor de liberação que a palavra pode ter. Melhor, escrito por um inventor de histórias e fábulas e um grande comunicador, este livro de Rodari é uma leitura acessível e agradável, um daqueles livros que o leitor não consegue deixar antes de chegar ao fim.gianni-rodari-cartaz

Desde sempre preocupado com a formação cultural e linguística de crianças e adolescentes, o italiano publicou, em 1974, este pequeno livro chamado Gramática da fantasia. Mais do que um livro teórico, é um apanhado de experiências, exemplos e exercícios propostos com a finalidade de inserir a imaginação na educação, especialmente no ensino de línguas e literaturas. André Breton chegou a dizer: “Vivemos de fato a nossa fantasia quando estamos lá”. Esta frase parece ter sido decisiva para que Rodari, inclinado à educação infantil, afirmasse que a imaginação deve ser considerada tão importante quanto a atenção e a memória. No ensino tradicional, é exigido da criança que ela se concentre nas aulas e saiba guardar as informações dadas pelos seus professores. Sem questionar a importância do aprendizado em sala de aula, e levando em consideração o princípio básico de que aprender requer mesmo interesse, Rodari propõe adicionar ao interesse do aluno pela matéria o uso de sua imaginação para que possa se tornar mais interessado e para que a experiência com aquela matéria seja mais profunda.

Nasce daí a necessidade de ver o professor como um animador, um promotor da criatividade. Essa figura central em sala de aula não pode mais ter o papel de transmitir um saber pronto, mas estar aberto aos erros criativos e às observações dos alunos, mesmo que à primeira vista essas observações possam parecer equivocadas. Errar uma conta de matemáticas, por exemplo, não pode significar uma mera repreensão, mas um caminho aberto a novas explicações e a um universo em que o aluno sinta prazer em errar, jogar com esse erro e aprender. Como diz Gianni Rodari, o professor “não é um adestrador de cavalinhos”. Educar é também um jogo, uma brincadeira a ser determinada pelos alunos e professores. Brincar com a criança também nos faz conhecê-la melhor. A relação com a criança não pode ser somente adulta. Tal como também pensava acertadamente Robindronath Tagore.

Um dos maiores ensinamentos do livro Gramática da fantasia é aceitar o erro como parte do aprendizado. “Muitos dos erros das crianças não são erros, são criações autônomas das quais se servem para assimilar uma realidade desconhecida”. Mais uma vez, a fantasia passa a residir no dia a dia do professor e do aluno. Nas aulas de redação, o erro é como uma chave para uma nova narrativa. Se o aluno escreve que sofre de uma “obseção”, ao invés de uma obsessão, o professor pode, a partir daí, criar uma repartição pública cheia de seções estranhas, como a obseção (uma seção obstruída), a deseção (uma seção destruída) e a antisseção (uma seção contra seções). Em cada erro existe a possibilidade de uma história. E mesmo os erros de física, geografia ou matemáticas podem ser aproveitados para imaginar novas leis, lugares ou fórmulas que levem os alunos a entender melhor as respectivas matérias. Como escreve Rodari, “errando é que se aprende, diz o velho ditado. O novo ditado poderia dizer que errando é que se inventa”. Através do conceito de erro criativo, podem-se subverter as histórias conhecidas. Adicionar às fábulas, por exemplo, modernidade, ou inverter papéis das suas personagens. Para crianças mais novas, isso representa uma maneira de lidar com os medos e desafios apresentados nas fábulas. Um Lobo Mau que use o Google Mapas para localizar a casa da Vovozinha, ou uma Branca de Neve que se negue a fazer o trabalho doméstico porque prefere trabalhar nas minas com os anões são mudanças que aproximam as crianças da história e geram um espaço lúdico em que novas questões vão ser trabalhadas.

As fábulas são material permanente na teoria de Gianni Rodari. Sabendo que o núcleo mais antigo das fábulas deriva quase sempre de rituais de iniciação usados nas sociedades primitivas, o escritor italiano se utiliza mais uma vez da desconstrução. “Na estrutura da fábula se repete a estrutura do rito”, afirma ele, e segue: “a fábula passa a existir como tal quando o rito antigo desaparece, deixando de si apenas sua narrativa”. As fábulas são a dessacralização do rito, o fim do caminho do mundo sacro para o laico. Desconstruir o sagrado para que o ser humano possa fazer parte dessa experiência é a premissa para que se permita a interpretação e manipulação da fábula. Das fábulas se depreende uma introdução à relação com o mundo, ou seja, com a alteridade, e consigo mesmo. Ler a fábula é como um jogo, em que as apostas são feitas através das forças criativas de quem narra e de quem escuta. Se deixarmos a criança participar na elaboração da fábula que está sendo contada, temos um interessante jogo de construir uma história, em que concorrem as forças criativas-narrativas. Como as fábulas reproduzem a experiência infantil (e humana, por extensão), sendo essa experiência uma eterna sucessão de desafios, de provas e prováveis desilusões, a interpretação de uma fábula é em si um aprendizado.

Gianni Rodari parte das fábulas para estudar a criação e a repercussão de qualquer tipo de narrativa. Oferece exercícios para criação de histórias, mas não se esquece do ouvinte, do receptor dessa história. De acordo com ele, a satisfação do ouvinte depende de formação lógico-formal tanto quanto da formação moral da história. Como escreveu Rodari, sobre uma história, sua “solução final foi sugerida pela mente matemática e pelo coração”. Estética e ética se equilibram na importância de uma narrativa.

O livro, como já foi dito, é também um compêndio de exercícios propostos para incentivar o uso da imaginação e da fantasia, tanto dos alunos como dos professores. 

Imaginação e fantasia são palavras sinónimas se considerarmos o termo criatividade como significado comum entre elas. Para Rodari, criatividade é o mesmo que “pensamento divergente”, isto é, a capacidade de romper continuamente os esquemas da experiência. E é também fundamental a cultura para se poder criar. Ler, ouvir, procurar, ter curiosidade. Consumir para criar. Consumir com crítica, com capacidade interpretativa e, por isso, mais um fundamento: a educação. Quando se diz que “ler é importante”, a frase parece de efeito, esvaziada de conteúdo. Mas essa trilogia, educação, curiosidade cultural e criatividade, é a base preconizada por Rodari para um desenvolvimento saudável do pensamento.

HISTÓRIAS PARA BRINCAR:

Outro dos livros mais formosos e atrativos de Rodari é o intitulado Histórias para brincar. Trata-se duma coletânea de vinte histórias curtas, imaginativas e cheias de humor, que são um excelente exemplo de como ele criava e funcionam como um jogo de cartas. Cada história parece se embaralhar, do meio para o fim, propondo para o leitor três finais inusitados, diferentes e divertidos. Alguns finais são mais lógicos, outros mais surpreendentes. Deste modo, o leitor se vê às voltas com uma chuva de chapéus, um cãozinho que pia e deseja aprender a latir, um tambor mágico que afasta ladrões, fantasmas desacreditados, casas feitas de moedas de cinco continentes, uma cidade que fica sem automóveis que são encantados por um flautista e tantas outras histórias.

Ler este livro é uma ótima leitura que serve como modelo para criação de redações em prosa ou mesmo poesia em sala de aula. Uma obra para ser lida em voz alta ou mesmo para ser dramatizada nas aulas da nossa língua do ensino básico.

Rodari escreveu um amplo número de livros de literatura infantil e juvenil. Felizmente, muitos encontram-se publicados na nossa língua internacional, pelo que não é difícil poder tê-los nas nossas bibliotecas escolares, para lê-los nas aulas, e mesmo para levá-los para as casas dos escolares, pelo sistema de empréstimo bibliotecário.

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TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos todos os documentários e curta-metragens citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Gianni Rodari, o seu pensamento literário, as suas ideias, a sua vida, a sua obra e a sua ampla produção de obras de literatura infantil e juvenil. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. Seria interessante dedicar um espaço em esta amostra para expor a sua ampla bibliografia de literatura infantil, dos seus livros publicados na nossa língua, especialmente no Brasil e Portugal.

Com a participação de estudantes e docentes, organizamos sobre alguma obra de Rodari um Livro-fórum. Entre todos acordamos por consenso qual livro ler, escolhido entre a listagem de obras de Rodari de literatura infantil e juvenil, que existem publicadas na nossa língua. Entre elas, podem valer Gramática da Fantasia ou Histórias para brincar, embora existam outras muitas de grande interesse.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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