Gentalha do Pichel – Festa do 17 de maio que se fai o 12



Mais um ano a A. C. A Gentalha do Pichel organiza umha jornada lúdico-reivindicativa o sábado 12 de maio com motivo do 17 de maio, a festa da língua.

Baixo a legenda Umha língua para todas este ano o colectivo quer pôr o foco na necessidade de nomear e por tanto reconhecer umha sociedade inclusiva, diversa, transformadora com umha clara mensagem de género, contra a transmissom patriarcal em palavras e factos de situaçons que perpetuam umha dinámica machista da nossa sociedade.

O programa de atividades para esse dia seria o seguinte:

cartaz-festaPrograma:

SÁBADO 12 DE MAIO

→10.30 Alborada e cabeç[email protected] polas ruas de Compostela
Feira de criadoras na Praça do Pam
→12.30 “Com Martina na tina”, atividade para crianças, na praça 8 de Março
→13.00 Sessom vermute com LÉVEDO. Um projecto de Bouba e A máquina de malhar, na praça 8 de Março
→14.30 Jantar popular com opçom onívora ou vegana na praça 8 de Março
→17.30 Foliada dos cursos co alunado de Itaca. Asociación xuvenil e cultural , A. C. A Gentalha do Pichel e Semente Compostela na Praça do Pam
→ 21.30 CONCERTOS NA PRAÇA 8 DE MARÇO
→GRUPO GANHADOR DO II Certame de múscias emergentes ECLOSOM: NUADA
→ EZETAERRE
→ THE TETAS’ VAN
→ PICADISCOS FERROMONA
DOMINGO 13
→ 17.00 Roteiro: Que som essas letras? A palavra escrita no espaço público, com André Seoane

Mais um ano A Gentalha do Pichel aposta por visibilizar na rua o trabalho que durante todo o ano desenvolve de forma autogerida a associaçom cultural no C. S. O Pichel arredor da defesa e conhecimento da língua, da cultura galega, ecologismo e história da Galiza. Agradecem o apoio económico de entidades, colectivos, cooperativas e empresas que colaborarom nesta ediçom da festa com a publicidade que vai inserida no cadernos dos programas e difundidos via redes sociais.

Este ano o cartaz foi desenhado pola artista Elga Fernández Lamas e na festa seram utilizados ecocopos que podem ser adquiridos na prória festa mas que também podem ser levados de casa com o objectivo de reduzir o lixo gerado neste tipo de festas.

A Gentalha do Pichel é umha associaçom cultural que desde hai 14 anos vem dinamizando a vida social e cultural da cidade compostelana oferecendo e reivindicando um lacer alternativo e em galego dumha focagem reintegracionista. Entre os diferentes propósitos deste colectivo está o de ensinar, difundir e desfrutar da cultura tradicional galega assi como o de fomentar o conhecimento de novas produçons culturais da Galiza em particular e da Lusofonia em geral; valorizar o património histórico,cultural e linguístico ou conhecer o meio natural e denunciar às agressons que sofre.

Para mais informaçom podedes passar polo CS O Pichel de 18h00 a 23h00 segundas, terças e quintas, quartas de 18h00 a 21h00, sexta de 19h00 a 01.00 e sábados de 19h00 a 12h00; consultar o facebook da Gentalha do pichel ou o blogue deste colectivo gentalha.org ou enviar-nos um correio a [email protected]

 

Comunicado da Gentalha do Pichel

Umha língua para todas. Festa do 17 de maio que se fai o 12.

A realidade nom existe como tal, o que existe é a nossa visom da realidade mediatizada pola linguagem que usamos para falar dela: as nossas mentes imaginam a realidade através da linguagem

María Reimóndez Meilán

Umha língua para todas remete para a necessidade de nomear e por tanto reconhecer umha sociedade inclusiva, diversa, transformadora. Nom quer significar aquela que homogeneiza ou que se contenta com o consenso do políticamente correto, que aceita a dualidade puramente formal ‘os/as’ numha duplicidade que é apenas umha lavagem de cara esvaziada de significado se nom leva umha transformaçom de fundo e um olhar novo.

Há um consenso social a respeito de feminismo que transmitem os mídia. Quem afirma estar contra da igualdade de género? Quem se reconhece machista? Os discursos enchem-se de termos vazios, sem conteúdo e sem praxe real embora as violências e a objectualizaçom da mulher continuam onipresentes. Nom nos conformamos com os começos dos discursos institucionais ‘bom dia a todos e todas’ a modo de captatio benevolentiae que logo esquece o que essa visibilizaçom deveria significar para, no entanto: naturalizar livros de texto que estudam a formaçom do feminino a partir do masculino; utilizar home como sinónimo de humanidade (mesmo que ao longo da história só estivesse a pensar efectivamente nos homens), esclarecer na burocracia o nosso estado civil com um senhora ou senhorita, saber que fulano e fulana nom só mudam o morfema flexivo mas também o significado semántico, que o apelido paterno continua a ser a primeira herança habitual e um longo etc

Ao falarmos podemos reproduzir a perspectiva sexista, cada vez que usamos a linguagem proposta polas academias que representam o statu quo, contribuindo a perpetuar a exclusom social das mulheres, ou bem subverter o sexismo lingüístico fornecendo novas construçons liberadoras dos papeis de género.

Aliás, o q nom se nomea nom existe e de invisibilizaçom também conhecemos as mulheres e o reintegracionismo, excluí[email protected] sistematicamente da história oficial.

É possível umha língua para todas quando o poder exclue sistematicamente a diferença quando nom gosta dela ? Achamos que si, é por isso que o cartaz da festa deste ano, desenhado por Elga Fernández Lamas, inspira-se nestas reivindicaçons e lembra a “Liberdade guiando ao povo”. As mulheres portamos as letras porque esse é também um espaço de luta, as letras também nos pertencem e caminhando juntas, desde a resistência e desde abaixo construímos povo.

Se alguém quer visibilizar as mulheres deve ser porque tem consciência de género, e essa percepção deveria impregnar mais espaços do que uns cumprimentos onde o feminino é apenas uma fórmula que não custa nada colocar, e que também não compromete a nada.”

Teresa Moure Pereiro

Umha língua para todas quer ser grito das diversas, das despossuidas, das galego falantes, das migrantes, das independentistas… Quer pôr o foco na necessidade de agir e fazer-se com o controlo das palavras para renomear. Quer recordar que radical significa de raiz, o contrário da maquilhagem superficial da realidade que se apodera das palavras e dos termos.

A linguagem inclusiva deve ser um instrumento crítico e útil para varrer os preconceitos que umha sociedade pode criar: por razom de identidade, idade, etnia, grupo social. Compartilhando algumha das ideias que Teresa Moure expremia em Polìticamente incorreta, achamos que assumirmos umha actitude crítica na linguagem e no pensamento deveria implicar umha luta contra o capital, contra o estado, contra o patriarcado, contra o imperialismo, contra a exploraçom, contra a discriminaçom étnica, contra o abuso na natureza, contra toda a estrutura de poder que legitime a relaçom dominante/[email protected] Entendemos que o feminismo nom deve limitar-se a colocar as mulheres em esferas de dominaçom (exércitos, cárceres, FMI…) pois o mundo seria igual de capitalista, agressivo, dominante. O feminismo tem que envolver umha crítica frontal a um modelo social.

Nom há espaços inocuos às reinvindicaçons feministas porque tudo responde à lógica patriarcal. Temos moitos motivos para estarmos cheias de raiba mas, a alegria tem também um poder revolucionário imenso. Porque se nom podemos dançar, nom é a nossa revoluçom.

Quando uso uma palavra, significa o que tenho vontade que signifique. Nem mais nem menos. O problema -disse Alicia- é se se pode fazer que as palavras signifiquem tantas coisas diferentes.

O problema-disse Humpty Dumpty- é o de saber quem manda. Isso é tudo.

Lewis Carroll, Alicia no país das maravilhas

O toxifemismo é definido como um eufemismo nom utilizado para atenuar verdades duras senom para ocultar açons censuráveis a fim de manipular a realidade retorcendo os termos para lhes fazer dizer o contrário do que significam .

Liberdade, democracia e feminismo viveram esse processo de resemantizaçom ao servizo do poder. Reclamar as urnas no referendum do 1 de outubro em Catalunya renomeou-se irónicamente como ‘ataque a democracia e golpe de estado’ e virou delito, a arte na sua funçom de crítica e denuncia social renomeou-se como ‘delito de ódio’, festejar o entroido irreverente renomeou-se como ‘atentado a honra’ e virou delito, defender os dereitos humanos e resgatar vidas nas águas do mediterráneo renomeou-se como ‘tráfico de persoas’ e virou delito… Quando os midia falam de ‘mortas’ e nom ‘assassinadas’ polo terrorismo machista continuam a perpetuar aquela visom de ‘crime paixonal’ que nom reconhece a responsabilidade dum sistema patriarcal cúmplice, e aqui por tanto suaviza-se o delito. E assim fomos perdendo ademais dos significados das palavras os dereitos inseridos nelas e vemos como o poder lixa-as, apropria-se delas para desativá-las numha estratégia bem trabalhada pelo marketing e acaba por fazer o que sempre figeram as ditaduras, controlar as sociedades com o domínio dum exército e das palavras.

No caso do galego a ‘toxicidade’ aparece subtil, atua aos poucos, começa na preferência por parte das autoridades filológicas dum modelo de língua que prefere os espanholismos a olhar para a tradiçom histórica e continua por umha vontade política de relegar o galego a um papel inútil e fóssil.

Ao interiorizar essa visom da realidade criada polo poder os grupos dominados viram cúmplices dos dominadores, ainda que seja involuntariamente porque o poder simbólico deriva a sua efetividade da aprendizagem e interiorizaçom precoz. Recolhendo as verbas do filólogo Viktor Klemperer: “e se a a língua culta formou-se a partir de elementos tóxicos ou converteu-se em portadora de substâncias tóxicas? As palavras podem atuar como doses mínimas de arsénico: engolimo-las sem reparar nelas, parecem nom surtir efeito algum, e ao cabo de um tempo se produz o efeito tóxico”. Daí a dificuldade das palavras significarem aquilo que nós queremos que signifiquem.

É por isso que urge romper com umha linguagem que reproduze moldes e aceita os comportamentos segundo etiquetas pré-fixadas. A mudança lingüística é, de facto, umha ameaza contra a ordem estabelecida. A língua pode e deve ser revolucionária.

Compostela, abril 2018

 


PUBLICIDADE