GANDHI, DEFENSOR DA PAZ E PAI DA ÍNDIA

Documentários sobre a sua vida e obra



 

O dia 15 de agosto do presente ano cumprem-se os 70 anos da independência da Índia, do terrível e infame jugo do império britânico. Hoje este grande país asiático é a maior democracia que existe no mundo, constituído em República Federal composta por 29 estados e 7 territórios da União. Ademais de Ambedkar, pai da Constituição indiana, a pessoa fundamental relacionada com a luita pela independência indiana durante décadas foi Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como “Mahatma” (“Alma Grande”, apelativo que lhe deu Tagore). Não podia escolher eu melhor e mais adequado vulto para comemorar esta significativa data, o sexto da série que iniciei com Sócrates de aqueles de projeção mundial, que trabalharam a favor dos seres humanos. E que é muito importante que conheçam os escolares de todos os níveis do ensino.

Gandhi foi um líder pacifista indiano. Principal personalidade da independência da Índia, então colônia britânica. Ganhou destaque na luita contra os ingleses por meio de seu projeto de não violência. Além de sua luita pela independência da índia, também ficou conhecido por seus pensamentos e sua filosofia. Recorria a jejuns, marchas e à desobediência civil, ou seja, estimulava o não pagamento dos impostos e o boicote aos produtos ingleses. As rivalidades entre hindus e muçulmanos retardaram o processo de independência. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Gandhi voltou a luitar pela retirada imediata dos britânicos do seu país. Só em 1947 os ingleses reconheceram a independência da Índia. Exatamente a 15 de agosto desse ano.

Mahatma Gandhi (1869-1948) nasceu em Porbandar no estado de Gulharate, no dia 2 de outubro de 1869. Seu nome verdadeiro era Mohandas Karamchand. Seu pai era um político local. Como era costume, Gandhi teve um casamento arranjado aos 13 anos de idade. Foi para Londres estudar Direito e em 1891 voltou ao seu país para exercer a profissão. Dous anos depois, foi para a África do Sul, também colônia britânica, onde iniciou um movimento pacifista e defendeu os emigrantes indianos. Terminada a Primeira Guerra Mundial, a burguesia na Índia desenvolveu forte movimento nacionalista, formando o Partido do Congresso Nacional Indiano, tendo como líderes Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nahru. O programa pregava: a independência total da Índia, uma confederação democrática, a igualdade política para todas as raças, religiões e classes sociais (chamadas castas), as reformas socioeconômicas e administrativas e a modernização do Estado. Mahatma Gandhi destacou-se como principal personagem da luita pela independência indiana. Recorria a jejuns, marchas e a desobediência civil, incentivando o não pagamento de impostos e o não consumo de produtos ingleses. Embora usassem a violência na repressão ao movimento nacionalista da Índia, os ingleses evitavam o confronto aberto. Em 1922 uma greve contra o aumento de impostos reúne uma multidão que queima um posto policial e Gandhi é detido, julgado e condenado a seis anos de prisão. Em 1924 é libertado e em 1930 lidera a marcha para o mar, quando milhares de pessoas andam mais de 320 quilômetros, para protestar contra os impostos sobre o sal.

As rivalidades que existiam entre hindus e muçulmanos, que tinham como representante Mohammed Ali Jinnah e que defendia a criação de um Estado muçulmano, retardaram o processo de independência. Na sombra, como sempre, estavam os britânicos, que aplicaram sempre o princípio romano de “Divide e vencerás”, sendo os culpados dos problemas que ainda hoje existem na Índia (especialmente com o Paquistão), ao não terem apoiado no seu momento a unidade do território indiano, como acertadamente queria Gandhi. Se houvessem apoiado a tese de Gandhi hoje na Índia não existiria qualquer problema inter-racial e inter-religioso, e todos os indianos estariam em paz e com bom relacionamento.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, Gandhi volta à luita pela retirada imediata dos britânicos do seu país. Por fim, em 1947 os ingleses reconheceram a independência da Índia, contudo mantendo seus interesses econômicos. As divisões internas, provocadas, como comentei, na sombra pelos britânicos, levaram o governo a criar duas nações, a União Indiana, governada pelo primeiro-ministro Nehru, e o Paquistão, de população muçulmana. Essa divisão gerou violenta migração de hindus e muçulmanos em direção opostas da fronteira, que resultou em sérios conflitos. Gandhi não aceitou a divisão do país o que atraiu o ódio do sector mais fundamentalista dos nacionalistas. Um ano após conquistar a independência, em 30 de janeiro de 1948, quando se encontrava em Nova Deli, capital indiana, foi morto a tiros por um hindu fanático, que foi o braço executor dum grupo hindu ultraortodoxo, que ainda hoje em dia está criando bastantes problemas em alguns recantos do grande país, e mesmo controla o atual governo, muito identificado com o hinduísmo fundamentalista, enormemente perigoso. Suas cinzas foram jogadas no Rio Ganges, local sagrado para os hindus.

Ademais do extraordinário filme intitulado Gandhi, realizado em 1982 por Richard Attenborough, a que dediquei no seu dia um artigo da série de As Aulas (pode ver-se entrando em: http://www.pglingua.org/opiniom/as-aulas-no-cinema/4673-como-educar-para-a-paz-e-a-nao-violencia-no-filme-qgandhiq), existem vários documentários sobre a sua vida e obra, entre os que, para o presente depoimento, escolhi dous para tomar como base dos comentários.

FICHAS TÉCNICAS DOS 2 DOCUMENTÁRIOS:

  1. Mahatma Gandhi (EUA, 1997, 50 min.)gandhi-capa-dvd-1

Produtora: A&E Home Video (The History Channel / Canal de Historia).

Coleção: Grandes Biografias em DVD.

Argumento: Vida e obra do Mahatma Gandhi, que com a sua filosofia e prática pacifista pôs a seus pés uma das grandes potências mundiais. Demonstrou que a violência não é o único caminho para a mudança. Na biografia amostra-se-nos um homem pequeno que tomou o peso de uma grande nação sobre seus ombros e mudou o mundo. Foi a sua chegada ao poder, a sua valente campanha a favor da verdade, da não violência e da não cooperação com a injustiça que derrotou o Império Britânico. Os biógrafos oferecem-nos uma visão da sua surpreendente vida pessoal, enquanto que os historiadores exploram as suas extraordinárias conquistas. Escuitamos o seu neto, Arun Gandhi, e o Dalai Lama refletir sobre a incrível vida de Gandhi e o seu legado imperecedoiro. O documentário é a epopeia completa do Peregrino da Paz.

  1. Mahatma. Life of Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948). (Vida de M. K. Gandhi).

      Diretor e Roteiro: Vithalbhai K. Jhaveri (Índia, 1968, 138 min., preto e branco).

      Editora: Gandhi Films Foundation (Mumbai-Índia).
Argumento: Parte do documentário biográfico original de cinco horas e meia sobre a vida de Mohandas Karamchand Gandhi, produzido pelo Gandhi National Memorial Fund, em colaboração com a Division Films, Govt. da Índia.

Nota: Existe um documentário produzido pela BBC em 2007, da coleção “Grandes Documentários”, sob o título de Magnicídios e atentados que mudaram a história, no qual se recolhe o assassinato de Gandhi pelo fanático hindu Nathuram Godse, nos jardins de Birla House em Nova Deli, acontecido em 30 de janeiro de 1948. No mesmo documentário recolhem-se também os assassinatos de Indira e seu filho Rajiv Gandhi, dos anos 1984 e 1991 respetivamente.

Quem foi Mahatma Gandhi? Uma história para contar aos seus filhos.

    Por Andrea Alves:

    Porque o considero muito lindo e acertado tenho a bem reproduzir a seguir o depoimento da brasileira Andrea Alves, no que nos diz:

“O líder pacifista e guia espiritual Mohandas Karamchand Gandhi, foi a principal personalidade na luita pela independência da Índia, país colonizado pela Inglaterra.

    “Um longo jejum foi sua arma de resistência pacífica à dominação do império britânico. O fato comoveu o mundo e obrigou os ingleses a dar a independência aos hindus”, lembra a monja Sundari Shakti.

    A trajetória deste homem (1869-1948) pode ser compreendida em quatro períodos, segundo Lia Diskin, diretora da Associação Palas Athena, em São Paulo.

1) A Infância e a adolescência em Porbandar, cidade litorânea no noroeste da Índia – casaram-no aos 13 anos com uma menina da mesma idade com quem viveu por 62 anos;

2) Os quatro anos de estudos em Londres, onde se formou em Direito;

3) O início das lutas contra o racismo na África do Sul (também colônia britânica na época);

4) O retorno à terra natal em 1915.

    Na África do Sul, onde permaneceu por 20 anos, surgiram os primeiros sinais do que viria a ser o mais forte dos princípios defendidos por Gandhi: a não violência. Lá conduziu marchas, foi preso e viu milhares de indianos serem escravizados na prisão. Mas sempre defendendo a resistência sem luta, conquistou vitórias para a população hindu que vivia lá. De volta à Índia, ingressou no Congresso Nacional e liderou uma campanha nacional de não cooperação com o governo britânico.

    De figura tímida a respeitado líder, de sujeito teimoso e cheio de manias ao mais amoroso ser humano, Gandhi mostrou como o homem pode se transformar internamente. Viveu de maneira muito humilde – tecia suas próprias roupas -, pregando o amor aos pobres e a necessidade de diálogo entre as religiões. Por causa dessa tolerância, foi assassinado em 30 de janeiro de 1948, aos 79 anos, por um fanático religioso hindu que discordava da união entre seu povo e os muçulmanos habitantes da multirreligiosa Índia. A luita entre os dois povos continua, mas os ideais de Gandhi foram imortalizados e prosseguem levando as sementes da não-violência às mentes, palavras e ações em todas as partes do planeta.

    A luita pacifista de Gandhi foi algo tão marcante na história mundial que acredito que deveria ser ensinada às crianças desde cedo, como parte de uma educação mais ampla e focada na evolução de todos os seres. É por isso que tenho presenteado os recentes papais e mamães (muitos amigos, alunos e pacientes com bebês recém chegados ao mundo) com o livro Gandhi – O Herói da Paz, da editora Omnisciência. Os ensinamentos de Gandhi são contados de maneira lúdica para encantar e despertar os pequenos, que são nossa esperança de uma geração mais consciente e transformadora no nosso planeta. São cinco as principais lições deste líder: Não violência, equidade entre homens e mulheres, diálogo entre as religiões, simplicidade e amor à verdade, todas elas contidas no livro.

    Existem vários outros livros adultos que contam sobre a história de Gandhi. Para saber mais, leia: Autobiografia – Minha Vida e Experiências com a Verdade, Mahatama Gandhi (ed. Palas Athena), Mahatma Gandhi, de Humberto Rohden (ed. Martin Claret). E o filme: Gandhi, de Richard Attenborough. Espalhe a mensagem de paz! Namasté”.

    AS FORMOSAS PALAVRAS DE GANDHI:

    A seguir apresento uma antologia de textos e frases de Gandhi sobre temas variados.

“A alegria está na luita, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita”.

 -“A força não provém da capacidade física. Provém de uma vontade indomável”.

 -“A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível”.

 -“A vida merece algo além do aumento da sua velocidade”.

 -“Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”.

 -“As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?”

 -“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”.

 -“Creio na verdade fundamental de todas as grandes religiões do mundo. Creio que são todas concedidas por Deus e creio que eram necessárias para os povos a quem essas religiões foram reveladas. E creio que se pudéssemos todos ler as escrituras das diferentes fés, sob o ponto de vista de seus respetivos seguidores, haveríamos de descobrir que, no fundo, foram todas a mesma coisa e sempre úteis umas às outras”.

 -“O amor é a força mais sutil do mundo”.

 -“O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não”.

 -“Olho por olho, e o mundo acabará cego”.

 -“Os fracos nunca podem perdoar”.

 -“Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível”.

 -“Nunca país algum se elevou sem se ter purificado no fogo do sofrimento”.

 -“A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais viva”.

 -“Só engrandecemos o nosso direito à vida cumprindo o nosso dever de cidadãos do mundo”.

 -“Estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza”.

 -“A pureza de espírito e a ociosidade são incompatíveis”.

 -“A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos”.

 -“A verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem um rigoroso controle da gula”.

 -“Algemas de ouro são muito piores que algemas de ferro”.

 -“O mundo está farto de ódio”.

 -“A não-violência absoluta é a ausência absoluta de danos provocados a todo o ser vivo. A não-violência, na sua forma ativa, é uma boa disposição para tudo o que vive. É o amor na sua perfeição”.

 -“O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente que há no mundo”.

 -“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente”.

    TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

    Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma e o fundo dos filmes-documentários antes resenhados.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada ao Mahatma Gandhi, o seu pensamento, a sua vida e a sua obra. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. Completaremos a mesma com uma secção dedicada à Índia e a sua cultura.

Estudantes e docentes comprometemo-nos a ler alguma biografia ou autobiografia de Gandhi, ou algum livro-ensaio sobre sua figura. Podemos escolher o intitulado Gandhi, o herói da paz, ou também Minha vida e experiências com a verdade. Depois de todos ter lido o livro organizamos um Livro-fórum sobre o mesmo.

 

   

 

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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