Galiza: da língua espanholizada à língua galega no mundo



Esta comunicação não pretende ser académica pois os amores e os sentimentos não se podem dissecar num laboratório. A minha ligação à Galiza parece datar de 988 AD, segundo me contou a minha avó paterna que era brasileira carioca, de sangue minhoto e galego. Fui a Celanova em 1960 ver o sítio onde tudo começou, regressei várias vezes depois disso, e levei lá o meu filho mais novo para que ele conhecesse as origens. Aprendi com os aborígenes australianos a preservar na oralidade a história tal como eles o fizeram ao longo de mais de 65 mil anos.

Gostei de imaginar-me ali num passado longínquo, coevo de Dom Nuno de Cellanova, senhor do condado e alferes de Raimundo de Borgonha que casou com D. Sancha de quem teve D. Sancho Nunes de Cellanova ou de Barbosa (1070 -1130). Este casou por duas vezes, a primeira com D. Sancha Henriques (1097 – 1163), infanta de Portugal, filha de Teresa de Leão e do Conde D. Henrique de Borgonha, conde de Portucale. O segundo matrimónio foi com D. Teresa Mendes, filha de D. Urraca Mendes, senhora da Casa de Barbosa, e de Mem Nunes de Riba Douro. É deste segundo matrimónio que descendemos.[1]

Regressando ao século 21, conheci em 2002, no 1º colóquio, no Porto, um jovem empresário que sonhava com uma Galiza lusófona. Foi ele, Ângelo Cristóvão, o meu guia da história que não aprendemos. Portugal e Galiza são povos irmãos que vivem de costas voltadas, como se tivessem um imenso mar a separá-los. O desconhecimento mútuo é generalizado e aumenta à medida que a ignorância dos mais jovens se solidifica em resumos da História que deveriam estudar em detalhe e minúcia. Na escola falam-nos da variante galega como quem fala das guerras entre Esparta e Atenas, num passado demasiado longínquo, nesta portuguesa mania de desvalorizar a história, que fez de todos nós o que somos hoje. O problema começa por ser político e sensível, de difícil resolução e menos vontade política de o abordar. Só os poetas e os sonhadores utópicos, essa elite que pode mover nações e gerar a diferença entre a vida e morte das civilizações, acreditam que o futuro da Galiza passa pela unificação da língua escrita através do Acordo Ortográfico de 1990, esse vital instrumento a brandir contra o status quo da imutabilidade histórica dos reinos.

A história sempre se fez de guerras e de casamentos entre as tribos, hoje faz-se pela globalização económica que desconhece as fronteiras marcadas em tempos imemoriais pelos homens e é aí que a língua comum assume um papel vital de moeda de troca entre os povos. Mesmo os que sempre se insurgiram contra a Lusofonia surgem agora vocais e aparentes paladinos da mesma, para a captação de um mercado de mais de 240 milhões de almas. Se a guerra dos afetos entre povos irmãos parecia exclusiva da coutada dos poetas, agora desponta o interesse económico nessa cruzada da língua comum, como motor capaz de inverter políticas centralistas e nacionalistas de séculos. Nisso reside a grande arma que devemos utilizar, neste nosso longo caminho de sobreviver através da língua e cultura comuns, em vez de ficarmos marginalizados em variantes e dialetos redutores da enorme identidade global que é a Lusofonia sem distinção de nações, credos ou etnias. Não queremos um Quinto Império para reviver glórias de outrora, pretendemos apenas dar voz a todos os que se expressam e trabalham nessa língua a que chamamos nossa.

Em 2014 aprovou-se, por unanimidade no Parlamento Autónomo da Galiza, a chamada “Lei Paz-Andrade”, para a inclusão do ensino da língua portuguesa nos centros escolares do ensino primário e secundário, a promoção de conteúdos em português nos meios de comunicação social públicos, e a inserção das instituições públicas galegas nos organismos internacionais do espaço de língua portuguesa.

Em 2015, o Instituto Camões assinou um Memorando de Entendimento com o Governo Autónomo Galego, visando formar professores e estabelecer critérios de avaliação para o ensino da língua portuguesa. Ainda em 2015, a Presidência da República outorgou a Medalha de Ouro do Infante D. Henrique ao Presidente do Governo Regional, Alberto Núñez Feijóo, o que nos surpreendeu pois não reconhecemos a esse líder qualquer empenho na defesa da língua. Em 13 de julho 2017 a Galiza decidiu homenagear Cavaco e Silva com a Medalha de Ouro.

Chegam-nos, porém, notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se registam, colaborações esporádicas, como ocasionalmente já acontecia.

Entretanto, fomos confrontados com a aprovação da candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Sabemos todos como esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), pelo que não faz sentido aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, a menos que esta se alie a uma AGLP rumo à convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono.

A nossa perplexidade é hoje tanto maior porquanto, em 2011, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP. Vejamos como tudo se passou: no XIII colóquio anual da lusofonia “AÇORIANÓPOLIS” em Santa Catarina, Brasil em abril 2010, os Colóquios da Lusofonia lançaram o repto[2] à Academia Brasileira de Letras, à Academia das Ciências de Lisboa e a todas as entidades para apoiarem a imediata inclusão da AGLP com o estatuto de observador na CPLP, e comprometeram-se a envidar todos os esforços para a consecução de tal desiderato[3].

 

Em 22 de julho 2016, a CPLP anunciou a admissão da AGLP sob proposta do país anfitrião (Angola). A mesma, surpreendentemente, foi retirada da página oficial da CPLP umas horas depois sem qualquer explicação, pelo que as celebrações de júbilo na Galiza e no resto do mundo duraram apenas oito horas. Veio, posteriormente a saber-se que fora Portugal que sempre apoiara a proposta da AGLP integrar a CPLP com o estatuto de observador quem vetara no último momento, quando o MNE Paulo Portas se ausentou para que a votação não fosse aprovada unanimemente.

Em Vila do Porto em 5 out 2011, o XVI Colóquio da Lusofonia aprovou (citamos)

[…] uma declaração de repúdio pela atitude de Portugál olvidando séculos de história comum da língua, ao excluir a Galiza – representada pela AGLP – do seio das comunidades de fala lusófona. A Galiza esteve sempre representada desde 1986 em todas as reuniões relativas ao novo acordo ortográfico e o seu léxico está já integrado em vários dicionários e corretores ortográficos. A sua exclusão à última hora do seio da CPLP representa um grave erro histórico, político e linguístico que urge corrigir urgentementeA AICL entende que não faz sentido aceitar como observadores países sem afinidades diretas ou indiretas à Lusofonia, a Portugal e sua língua e deixar de fora a região onde nasceu a língua portuguesa há mais de dez séculos. É um crime de lesa língua de todos nós.

A Língua que se fala na Galiza é uma variante do Português como a do Brasil, Angola, Moçambique e tantas outras, com a peculiaridade de ter sido o berço da mesma língua comum, e jamais houve exclusão por parte da CPLP das regiões lusofalantes do mundo. Trata-se de uma medida obviamente ditada por preconceitos políticos e contra a qual a AICL se manifesta veementemente não só apoiando a subscrição da Petição como encorajando todos os seus associados e participantes nas suas iniciativas a protestarem publicamente contra esta injustiça feita à língua portuguesa e à AGLP. Iremos manifestar o nosso desacordo de todas as formas possíveis e ao nosso alcance até ver reposta a equidade da proposta de admissão da Galiza através da AGLP no seio da CPLP. Chrys Chrystello, Presidente da Direção da AICL (fim de citação)

Como pais putativos da AGLP sempre entendemos que esta deveria ser o interlocutor privilegiado com a CPLP, ao contrário do entendimento do ex-Instituto Camões e de outras entidades. Foi isso que levou o 18º colóquio em 2012 à Galiza onde regressaremos para o 29º colóquio em 2018. Queremos fortalecer o que nos une e que é património imaterial de tantos e, por isso, foi, com natural e redobrada alegria que em 21 de julho 2017 assistimos ao anúncio em Brasília, de que, finalmente, a AGLP tinha sido admitida como Observadora no seio da CPLP. Só a perseverança, a diplomacia silenciosa e o engenho de Ângelo Cristóvão e outros poderiam antever este desfecho feliz.

 

Afinal como vai a língua portuguesa no mundo? E as suas derivadas ainda sobrevivem?

Hoje fala-se mais Português em Angola do que no tempo da colonização apesar da forte competição das línguas nativas. Em Goa existe um recrudescimento do interesse pela língua portuguesa e novos livros têm surgido mais de 50 anos após a extinção da presença lusófona. Em Malaca, na Malásia, cerca de 1.000 pessoas falam um crioulo tal como 80 % dos antigos habitantes falava Papiá Kristang, que também é falado atualmente em Singapura e Kuala Lumpur, sendo muito parecido com o malaio local na sua estrutura gramatical, mas 95% do seu vocabulário deriva do português.

Até há pouco tempo o português também era falado em Pulau Tikus (Penang), mas hoje considera-se extinto. A comunidade eurasiana tem 12.000 membros na Península Malaia. Ativos estão o MPEA (Malacca Portuguese Eurasian Association) e SPEMA (Secretariat of the Portuguese/Eurasian Malaysian Associations) com 7 associações dos seus membros em Alor Star, Penang, Perak, Malaca (MPEA), Kuala Lumpur, Seremban e Johor Baru. Há também em Singapura uma associação eurasiática. Lembremo-nos que Malaca se separou do domínio português em 1641, há 376 anos.

Cerca de um terço dos eurasianos de Singapura têm sobrenomes portugueses. Curiosamente um jovem singapurino, Kevin Martins Wong, recentemente redescobriu a língua dos seus avoengos e está a ter sucesso na sua revitalização em Singapura onde apenas restavam cem falantes. Desenvolveu um currículo de dez aulas de duas horas cada, e atualmente ensina Kristang a duas centenas de pessoas. Tendo obtido fundos elaborou um plano de revitalização do idioma a desenvolver nas próximas décadas e conta lançar um dicionário e um livro didático já em 2019. Em 2004 fora publicado o Eurasian Heritage Dictionary em inglês por Valery Scully e Catherine Zuzarte com 1500 palavras de Papiá Kristang) e provérbios dos quais retiro apenas quatro exemplos:

Pinchah pedra, skundeh mang (atira a pedra, esconde a mão)

Nunteng kabesa, nunteng rabu, (sem pés nem cabeça)

Albi grandi, fruta pekeninu (árvore grande, fruta pequenina)

Nunteng agu, nunteng sal (sem água e sem sal)

De mais de 200 étimos portugueses selecionei kereta (carreta, “carro”), sekolah (escola), bendera (bandeira), mentega (manteiga), keju (queijo), meja (mesa) e nenas (ananás), sepatu (sapato), mulheh, maridu, bonitu e soldadu. Poucas pessoas sabem que quando Sir Thomas Stamford Raffles refundou Singapura em 1819 havia apenas uma centena de habitantes e foi um português que serviu às suas ordens quem se encarregou de a povoar com portugueses de Malaca, Macau e Hong Kong.

Passemos agora a Korlai na Índia, perto de Chaul, onde 900 pessoas falam o crioulo português numa comunidade cuja igreja se chama de “Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Chaul separou-se do domínio português em 1740, há 277 anos.

Em Goa, o idioma português está a desaparecer rapidamente sendo falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas. Apenas 3 a 5% da população continua a falar Português (menos de 40 mil pessoas). Goa assiste a uma neocolonização demográfica com 35% da população sendo imigrante de outros estados indianos. Nas escolas da Índia a língua portuguesa é ensinada como terceira língua (não-obrigatória). Existe um Departamento de Português na Universidade de Goa e a “Fundação do Oriente” e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa estão em funcionamento. O último jornal em língua portuguesa foi publicado na década de 1980. Em Panaji ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos muitos cartazes em português. Em Diu, na Índia, o crioulo português está quase extinto. Em Damão na Índia: (Damão Grande ou Praça, Campo dos Remédios, Jumprim, Damão da Cima) apenas 2000 pessoas falam um crioulo português.

Goa, Damão, Diu e outros enclaves deixaram de fazer parte do domínio português em dezembro de 1961, há 56 anos.

Os Burgueses Portugueses do Ceilão existem em Batticaloa (Koolavaddy, Mamangam, Uppodai, Dutch Bar, Akkaraipattu); Trincomalee (Palayuttu); nas comunidades Kaffir de Mannar e Puttalam]. Muitos séculos antes da chegada dos portugueses à ilha de Ceilão, que hoje se chama Sri Lanka, esta era conhecida sob o nome de Taprobana. O Português foi apenas usado entre as 250 famílias (burgueses portugueses) em suas casas em Batticaloa até 1984. Muitos emigraram para a Austrália. Ainda há 100 famílias em Batticaloa e Trincomalee e cerca de 80 famílias afro-cingalesas (Kaffir) em Puttalam. Uma língua quase extinta.

Há uma pequena comunidade de descendentes portugueses na aldeia de Waha Kotte (circa 7°42’N. – 80°36’E no centro do Sri Lanka, a seis quilómetros de Galewala, estrada entre Galewala e Matale), sendo todos católicos romanos, mas desde há cerca de duas gerações que o crioulo português deixou de ser falado.  Tem relação com outros dialetos indo-portugueses que floresceram outrora no litoral da Índia. O indo-português também tem relação com o crioulo português de Malaca e também com o crioulo português de Macau e há uma semelhança linguística subjacente entre os crioulos portugueses da Ásia que foi muito útil no comércio. No Sri Lanka, por cerca de 350 anos, a língua de comércio internacional era o indo-português. Ceilão separou-se do domínio português em 1658, há 359 anos.

Em Macau há cerca de 2.000 pessoas que falam português como sua primeira língua e perto de 12 mil como sua segunda língua. Um reduzido grupo de idosos ainda fala o macaense ou Dóci Papiaçam di Macau, um crioulo português. Em 20 de dezembro de 1999 Macau voltou a fazer parte da China. A língua portuguesa é hoje mais falada e estudada do que quando os portugueses lá estavam e quando lá vivi entre 1976 e 1982.

Em Hong Kong centenas de pessoas falam o macaense. Quase todas são emigrantes de Macau. Nunca foi colónia portuguesa. Os “tons-tons” como são chamados, são quase todos descendentes de Macau e das pequenas colónias de Portugueses da China (Cantão) e mantêm nomes e alguns rudimentos de papiá e de Português.

Timor-Leste: os que falavam o português em 1950 não ultrapassavam 10.000 pessoas e em 1974 dos 700.000 habitantes, um décimo sabia ler e escrever em português e 140.000 podiam falar e entender esta língua. Até 1981, o português foi a língua da Igreja Católica de Timor, quando foi substituído pelo tétum. Entretanto é comummente usado como idioma de negócios na cidade de Díli. O português permaneceu como língua da resistência anti-indonésia e de comunicação externa da Igreja Católica. O português crioulo (português de Bidau) hoje está praticamente extinto. Era falado em Díli, Lifau e Bidau. Timor-Leste tornou-se um estado independente a 20 de maio de 2002 com duas línguas oficiais: português e tétum. Em Timor como segunda língua oficial já há 25% de falantes de Português quando há dez anos nem a 5% chegava esse número. Lembro a importância da língua portuguesa em contextos hostis como no caso de Timor-Leste onde sob a ocupação neocolonial indonésia, as novas gerações impedidas de falar Português começaram a usar esta língua como língua de resistência.

Na ilha das Flores na Indonésia em Larantuka e Sikka o português sobrevive nas tradições religiosas e na comunidade Topasse (os descendentes dos portugueses com as mulheres nativas) utilizam-no nas suas preces. Aos sábados, as mulheres de Larantuka rezam o rosário numa forma corrompida de português. Na área de Sikka, no Leste de Flores, muitas pessoas são descendentes de portugueses e ainda há quem use esta língua. Existe uma Confraria chamada “Reinja Rosari”. Portugal retirou-se em 1859.

ATÉ POUCOS ANOS ATRÁS, COMUNIDADES QUE FALAVAM O PORTUGUÊS EXISTIAM EM:

Cochim na Índia: (Vypeen) mas desapareceu nos últimos 20 anos. A comunidade portuguesa / hindu de cerca de 2 mil pessoas frequenta ainda a antiga Igreja de Nossa Senhora da Esperança. Portugal retirou-se de Cochim em 1663, há 354 anos.

Em Bombaim: Baçaim, Salcete, Thana, Chevai, Mahim, Tecelaria, Dadar, Parel, Cavel, Bandora-Badra, Govai, Morol, Andheri, Versova, Malvan, Manori, Mazagão. Em 1906 este crioulo foi, depois do Ceilão, o dialeto indo-português mais importante e existiam 5 mil pessoas que falavam o crioulo português como língua materna e 2 mil estavam em Bombaim e Mahim, mil em Bandora, 500 em Thana, 100 em Curla, 50 em Baçaim e mil nas outras vilas. Não existiam à época escolas em crioulo português e as classes mais ricas substituíram-no pelo inglês.

Em Coramandel na Índia: Meliapore, Madrasta, Tuticorin, Cuddalore, Karikal, Pondicherry, Tranquebar, Manapar, Negapatam. Nesta costa, os descendentes dos portugueses eram também conhecidos como “topasses”, sendo católicos e falando o crioulo português. Com o domínio britânico começaram a falar inglês em lugar do português e anglicizaram seus nomes. Fazem parte da comunidade eurasiana. Em Negapatam em 1883 ainda existiam 20 famílias a falar o indo-português.

No Ceilão (Sri Lanka) o crioulo português era falado até pela comunidade burguesa holandesa até ao início do século XX. Depois da Segunda Guerra Mundial, os católicos em Colombo, capital do Sri Lanka reuniam-se nas missas faladas em português (na Igreja de Santo António em Dematagoda). Após a segunda metade do século, uma parte destes católicos velhos começaram a frequentar missas em grupos cada vez menores nas igrejas católicas nas cidades de Dematagoda, Hulftsdorp, Kotahena, Kotte, Nugegoda e Wellawatte. Embora fosse uma língua falada, o português perdia rapidamente a sua importância original nos serviços religiosos nas igrejas católicas, sendo substituído pelo inglês mais moderno e mais procurado.

Já na Indonésia em Jacarta, no subúrbio de Tugu, até ao início do século XX uma espécie de português corrompido era falada pela população cristã. O último habitante que falava crioulo morreu em 1978. Ainda hoje cantam e dançam em português arcaico. Jacarta nunca esteve sob domínio direto de Portugal.

 

DESAPARECEU JÁ HÁ MUITOS ANOS:

Na índia em Mangalore e em Cannanore e nas costas da Índia existiam cerca de 44 comunidades, onde o português era falado.

Em Bengala no Bangladesh: (Balasore, Pipli, Chandernagore, Chittagong, Midnapore, Hugli……) a língua portuguesa foi, nos séculos XVII e XVIII, a “lingua franca”. Após 1811, o português era usado em todas as igrejas cristãs (católicas e protestantes) de Calcutá. No início do século XX, poucas famílias falavam uma forma corrompida de português misturada com muitas palavras da língua inglesa.

Em Solor e em Adonara na Indonésia: Solor, Adonara (Vure)

Na Ilha de Java na Indonésia: na comunidade holandesa de Batávia. Os Mardijkers são os descendentes dos antigos escravos de Malaca, Bengala, Coramandel, e Malabar, que foram convertidos ao Protestantismo quando libertados. Falavam uma espécie de crioulo português e eram o ramo principal da comunidade portuguesa de Batávia. Depois da conquista holandesa de Malaca e do Ceilão eles cresceram consideravelmente. Em 1673 foi construída uma igreja protestante para a comunidade portuguesa de Batávia e depois no século XVII uma segunda igreja foi construída. Em 1713 esta comunidade tinha cerca de 4.000 membros. Até 1750 o português foi a primeira língua de Batávia, porém, depois o malaio passou a dominar. Em 1808, o reverendo Engelbrecht celebrou a última missa em português. Em 1816, a comunidade portuguesa foi incorporada na comunidade malaia. Também entre as famílias holandesas de Batávia a língua portuguesa foi intensamente usada até 1750, apesar dos esforços do Governo Holandês contra o seu uso.

Nas ilhas Molucas na Indonésia: em Ternate, Ambon, Banda, Macassar falava-se Ternateno, um crioulo português das ilhas de Ternate e Halmahera, mas atualmente extinto. Em Ambon, o português sobrevive na língua atualmente falada: o Malayu-Ambom, e que contém cerca de 350 termos de origem portuguesa.

Vários idiomas da Tailândia, Malásia, Índia e Indonésia têm palavras portuguesas ou galegas. A própria língua japonesa tem várias como: arukoru (álcool), pan (pão), veludo, jaqueta, bolo, bola, botão, frasco, irmão, jouro (jarro), capa, capitão, candeia, castela (bolo de pão-de-ló), copo, biidoro (vidro), tempura (tempero), tabako (tabaco), sabão, sábado, choro, tasca, biombo etc.

Em resumo, em qualquer destes locais ao longo desta curta digressão pelo Oriente, portugueses e galegos falam com estas gentes sem dificuldades de maior, mas na Europa torna-se imperioso ressuscitar o galego. É fundamental que ele seja atual e não-castrapo. Os povos só evoluem bem intelectualmente quando se expressam bem na sua língua materna e não numa língua estrangeira colonizada.

É nossa vontade e desígnio que na Galiza se proceda à reintegração total da língua na Lusofonia como a História o manda e, por isso, apoiamos desde a primeira hora a criação da AGLP. A dimensão real das diferenças entre o galego e o português resultam sobremodo da colonização linguística pelo castelhano. No restante é um português arcaico como é ainda o falar das ilhas dos Açores.

Na Galiza a questão da ortografia é meramente política, sendo um grave erro estratégico não afirmar perentoriamente que “galego e português são a mesma língua”. Tem faltado construir pontes pois os políticos portugueses estão sempre temerosos de ofender a vizinha Espanha e os políticos galegos temem que depois da autonomia cultural venham outras.

No Reino de Espanha há quem fale português como língua de resistência ao domínio cultural que faz sujeitar a escrita do galego às normas ortográficas castelhanas tentando obviar à preservação da identidade cultural do velho reino da Galiza. E a língua galega é sob todos os aspetos (históricos, filológicos e paleolinguisticos) português. Não se consegue expressar bem com um idioma do passado com adulterações neocolonialistas castelhanizadas como o recentemente inventado “portunhol” para impor a uma Nação milenária como é a galega. Pelo contrário, o galego atual será o reencontro dos galegos com as suas origens em que simultaneamente ganham um poderoso meio de comunicação quer a nível cultural quer comercial, que ajudará a crescer a Nação Galega neste mundo globalizado. Por outro lado, na Extremadura espanhola, onde nunca houve uma língua comum, também o Português é ensinado a milhares de pessoas, em número superior ao dos alunos de Português na Galiza. Em Olivença seis centenas de pessoas readquiriram recentemente a nacionalidade portuguesa e revive-se o falar oliventino.

A língua não é só um meio de comunicação nem uma arma económica, ela expressa o sentimento dos povos, permite a preservação das lendas e narrativas, recria as baladas dos bardos, favorece a leitura dos clássicos, aproxima povos e perpetua o ADN nacional.

EGDC (Ernesto Guerra da Cal) deixou escrito em Nova Iorque em dezembro de 1953: «Portugal era o desenvolvimento cultural, pleno, da minha Galiza natal. Era o que a Galiza deveria ter sido se as vicissitudes e os caprichos da História não a tivessem transviado do seu destino natural, deturpando a sua fisionomia espiritual, quebrando a sua tradição, impondo-lhe formas culturais alheias, estranhas ao seu caráter. EGDC, coerente, publica em 1959 «lua de além-mar» e em 1963 «rio de sonho e tempo» proclamando o «emprego da ortografia portuguesa porque é a nossa, a da nossa secular tradição e porque é inadiável mergulhar-nos no âmbito português-brasileiro; seguindo o conselho venerável do patriarca Murguia que já recomendou a unificação linguística com Portugál. tudo representava uma insurgência doutrinal, uma bandeira desfraldada contra a imposição da cultura e ortografia espanholas. representava, também, a necessidade de reorientar a nossa consciência de nacionalidade no sentido de reatamento dos laços de identidade linguística – e não só: DE IDENTIDADE NACIONAL. Mais de meio século depois continua sendo necessário o conselho venerável do patriarca Murguia

 

Escrever galego/português dentro da norma lusófona dá-lhe uma dimensão mundial e é a única forma de salvá-lo da morte. O português/galego não é um idioma de propriedade de Portugal, mas dos países que o adotaram como oficial além da Região Autónoma Especial de Macau na China. Recordemos que o próprio rei Afonso X, rei castelhano, trovou em galego-português por ser uma língua melódica e é essa melódica língua que quero que os meus netos ouçam falar na Galiza.

 

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Silva Rego, Padre António da. 1998. “Dialeto Português de Malaca e outros escritos” 304 pp. (Cadernos Ásia) CNCDP, Lisboa, Portugal. Dialeto Português de Malaca; A Comunidade Luso-Malaia de Malaca e Singapura; A cultura portuguesa na Malaia e em Singapura.
Smith, N. 1987. The Genesis of the Creole Languages of Surinam. Dissertação de doutoramento.
Teixeira, Pe. Manuel. 1962. “The Influence of Portuguese on the Malay Language” In: “Journal of the Malayan Branch of the Royal Asiatic Society”, vol. XXXV (Pt. 1).
Theban, L. 1985. “Situação e Perspetivas do Português e dos Crioulos de Origem Portuguesa na Índia e no Sri Lanka”. Atas do Congresso sobre a Situação Atual da Língua Portuguesa no Mundo. vol. 1. Lisboa: ICALP. 269-285.
Thomaz, L. F. 1985. “A Língua Portuguesa em Timor”. Atas do Congresso sobre a Situação Atual da Língua Portuguesa no Mundo. VOL. 1. Lisboa. ICALP: 313-339.
Tomás, M. Isabel & Dulce Pereira (sel. e notas). 1999. Os Espaços do Crioulo. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.
Tomás, M. Isabel. 1992. Os Crioulos Portugueses do Oriente – Uma Bibliografia. Macau: Instituto Cultural de Macau.
Tomás, M. Isabel. 1995. ”Os Crioulos Portugueses do Oriente Revisitados”. Revista Internacional de Língua Portuguesa, 14.

 

NOTAS:

[1] Houve um segundo filho D. Gomes Nunes de Pombeiro (m. depois de 1141) casou antes de 1104 com Elvira Peres de Trava filha de Pedro Froilaz de Trava, conde de Trava e de Maior “Gontrodo” Rodrigues

[2] Concha Rousia comprometeu-se a enviar à CPLP os objetivos da Academia Galega para fundamentar o seu pedido de adesão com o apoio da sociedade civil aqui representada pelos Colóquios da Lusofonia, salientando que Goa e Galiza fazem falta à CPLP e que seria profícuo vir a criar um canal de televisão lusófono abrangendo todos os países, mas que seria necessária muita vontade política para tal se concretizar.

[3] Este ponto foi reiterado nas conclusões do XIV colóquio anual da lusofonia de Bragança nesse ano em outubro 2010. Pareciam bem encaminhadas as negociações resultantes do repto que os Colóquios da Lusofonia lançaram à Academia Brasileira de Letras e a todas as outras entidades para apoiarem a imediata inclusão da ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA com o estatuto de observador na CPLP. A AICL, em concertação com o MIL Movimento Internacional Lusófono, de que faz parte, tomou algumas medidas sendo a mais visível uma Petição ao Ministro dos Estrangeiros de Portugal de então, Dr Paulo Portas

 

J. Chrys Chrystello

J. Chrys Chrystello

J. Chrys CHRYSTELLO (n. 1949-) é um cidadão australiano que não só acredita em multiculturalismo, como é um exemplo vivo do mesmo. Nasceu no seio duma família mesclada de Alemão, Galego-Português (942 AD), Brasileiro (carioca) do lado paterno e Português e marrano do materno.
Publicou aos 23 anos o livro “Crónicas do Quotidiano Inútil, vol. 1” (poesia).
O exército colonial português levou-o a viver em Timor (set.º 1973- junho 1975) onde foi Editor-chefe do jornal local (A Voz de Timor, Díli) antes de ir à Austrália e decidir adotá-la como pátria.
Começou a interessar-se pela linguística ao ser confrontado com mais de 30 dialetos em Timor.
De 1967 a 1996 dedicou-se sempre ao jornalismo (rádio, televisão e imprensa).
Durante décadas escreveu sobre o drama de Timor Leste enquanto o mundo se recusava a ver essa saga.
De 1976 a 1982 desempenhou funções executivas na Companhia de Eletricidade de Macau. Ali, também foi Redator, Apresentador e Produtor de Programas para a ERM/ Rádio 7/Rádio Macau/TDM e RTP Macau e jornalista para a TVB - Hong Kong. Depois, radicar-se-ia em Sydney (e, mais tarde, em Melbourne).
Durante os anos na Austrália esteve envolvido nas instâncias oficiais que definiram a política multicultural daquele país.
Foi Jornalista no Ministério Federal do Emprego, Educação e Formação Profissional e no Ministério Federal da Saúde, Habitação e Serviços Comunitários; tendo sido Tradutor e Intérprete no Ministério Estadual da Imigração e no Ministério de Saúde (Nova Gales do Sul).
Divulgou a descoberta na Austrália de vestígios da chegada dos Portugueses (1521-1525, mais de 250 anos antes do capitão Cook) e difundiu a existência de tribos aborígenes falando Crioulo Português (há quatro séculos).
Membro Fundador do AUSIT (Australian Institute for Translators & Interpreters), Chrys lecionou em Sidney na Universidade UTS, Linguística e Estudos Multiculturais a candidatos a tradutores e intérpretes. Durante mais de vinte anos foi responsável pelos exames dos candidatos a Tradutores e Interpretes na Austrália (NAATI National Authority for the Accreditation of Translators & Interpreters).
Foi Assessor de Literatura Portuguesa do Australia Council, na UTS Universidade de Tecnologia de Sidney (1999-2005),
Em 1999, publicou a sua tese de MA, o Ensaio Político “Timor Leste: o dossiê secreto 1973-1975”, esgotado ao fim de três dias. Em 2000 publicou (e-book) a 1ª edição da monografia "Crónicas Austrais 1976-1996". Em 2005 publicou o "Cancioneiro Transmontano 2005" e publicou (e-book DVD) outro volume dos seus contributos para a história "Timor-Leste vol. 2: 1983-1992, Historiografia de um Repórter" (> 2600 pp., edição de autor CD).
Entre 2006 e 2010, traduziu, entre outras, as obras de autores açorianos para Inglês, nomeadamente de Daniel de Sá (Santa Maria ilha-mãe, O Pastor das Casas Mortas) e de Manuel Serpa (As Vinhas do Pico), Victor Rui Dores "Ilhas do Triângulo, coração dos Açores (numa viagem com Jacques Brel)"; "São Miguel: A Ilha esculpida" e a "Ilha Terceira, Terra de Bravos" também de Daniel de Sá. Em 2011 traduziu a Antologia de Autores Açorianos Contemporâneos para inglês e em 2012 completou a tradução de Caetano Valadão Serpa “Uma pessoa só é pouca gente, o sexo e o divino.” Nestes anos traduziu vários excertos de obras de dezenas de escritores açorianos integrados em projetos dos Colóquios da Lusofonia.
Organiza desde 2001-2002, Colóquios Anuais da Lusofonia [Porto, Bragança, Seia, Fundão, Montalegre e Belmonte), nos Açores na Lagoa, Ribeira Grande, Maia, Moinhos de Porto Formoso, Lomba da Maia (São Miguel) e Vila do Porto (Santa Maria, Açores), e ainda no Brasil, Galiza e Macau] num total de 28 edições (2 por ano).
Foi (2000-2012) Mentor dos finalistas de Literatura da ACL (Association for Computational Linguistics, Information Technology Research Institute) da University of Brighton no Reino Unido
Foi Revisor (Translation Studies Department) da Universidade de Helsínquia (2005-2012).
Foi Consultor do Programa REMA da Universidade dos Açores. (2008 a 2012)
Considera marcante a Palestra proferida na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS em 29 de março de 2010 juntamente com Malaca Casteleiro, Evanildo Bechara e Concha Rousia, presidida pelo então Presidente da ABL, Marcos Vilaça e ter sido admitido a 5 de outubro 2012 como ACADÉMICO CORRESPONDENTE DA AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa).
É Editor dos CADERNOS (DE ESTUDOS) AÇORIANOS, publicação online, da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia, http://www.lusofonias.net/conteudo/estudos-acorianos/ e continua a presidir à Direção da AICL – Colóquios da Lusofonia.
J. Chrys Chrystello

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  • Pedro Lopes

    O autor faz uma crítica velada como se os portugueses fossem culpados da actual situação da Galiza, a história geralmente não assaca culpados, mas sim vencedores e vencidos, os portugueses escolheram o lado vencedor, escolheram o seu próprio destino arriscando mais e lutando mais, os galegos escolheram arriscar menos e lutar menos ficando sob o antigo reino de Leão, as duas escolhas antagónicas selaram para sempre o destinos dos dois povos a norte e a sul do Minho, este facto não invalida que Portugal não deva ter um papel no sentido de defender a autodeterminação da Galiza, devemos chamar os bois pelos nomes, o problema da Galiza é um problema de autodeterminação e é assim que deve ser enquadrado mesmo politicamente falando.
    Mas esse apoio português deverá ter sempre em linha de conta que Portugal não faz só fronteira a norte com Galiza, tem aliás a sua maior parte de fronteira com outras três regiões das quais também fazem de um estado soberano chamado Espanha, e portanto não deve arranjar problemas onde eles não existem, para isso já basta um problema que já tem barbas, a questão de Olivença e outros problemas com as centrais nucleares bem próximas das nossas fronteiras e os rios internacionais, a meu ver já serão problemas de sobra com Espanha e se juntarmos a isso um apoio descompensado à Galiza mesmo sabendo que seria um tiro no escuro convenhamos que não é sensato nem lógico.
    Portanto o apoio português deve estar em proporção com o chamado “feedback” galego, e actualmente há sinais que nos podem dar a noção dessa reacção galega, primeiramente o estado do ensino de português nas escolas galegas, creio que ainda está muito atrasado e também a Junta da Galiza parece não estar muito preocupado com isso, forças políticas capazes de empreender uma mudança efectiva no panorama galego para uma maior autodeterminação, creio que o BNG poderia empreender essa tarefa mas a sua força é demasiado incipiente no panorama político galego, e por último a Galiza creio que é a região espanhola onde o Partido Popular assume altas taxas de votação o que denota que a grande maioria da sua população está de acordo com a sua actual situação, o de ser um apêndice regional dentro de Espanha e para isso convenhamos que a ida de galegos para as lideranças políticas nacionais ajuda e de que maneira a manter essa linha de apoio.
    Mas como tudo na vida o bolso na maioria das vezes fala mais alto, e em países onde a sua unidade nacional não esteja bem consolidada como é o caso de Espanha esse facto pode ser de grande importância, e me lembro de uma conversa que tive com um galego justamente há uns anos, ele me dizia que enquanto os ordenados em Portugal se mantivessem mais baixos em média que em Espanha, os galegos seguiriam como estão, mas se o contrário acontecesse só esse facto seria motivo para haver imediatamente uma cisão na sociedade galega, como o ordenado mínimo em Portugal até 2019 chegará aos 600€, quer dizer que não faltará muito para que aconteça algo inusitado na realidade galega.
    Mas a questão pertinente que se coloca é será que os portugueses nessa altura não acharão que os galegos não passam de uns interesseiros, eis a questão, mas claro tudo isto são conjecturas mas creio que não andaremos longe verdade pois em 2020 até 2030 Portugal terá também neste capítulo passado a Espanha.

    • Ernesto V. Souza

      Prezado senhor, aprovei manualmente este seu comentário e outros dos seus que encontrei na pasta de SPAM. Não sei a causa, talvez o tamanho, alguma palavra incorreta para o sistema, talvez que alguém o tenha denunciado alhures como Spammer e o disqus o tenha em observação.

      Reitero as nossas desculpas e confirmo-lhe que não há qualquer vontade de censura nesta casa.

      • Pedro Lopes

        Pedido de desculpas aceite, por momentos pensei que estaria equivocado e que a transição democrática em Espanha não se teria processado na sua plenitude também neste portal, o que seria extremamente grave para a sua credibilização, que será do desejo dos seus proponentes e autores, o ser o mais transversal e que chegue ao maior público possível para a divulgação da vossa causa, apraz-me verificar que foi apenas um equívoco.

        • Ernesto V. Souza

          Sem problemas.

          Vemos que é um problema da sua conta com o Disqus.

          Recomendo verificar a sua conta, ou acesso. E caso volva acontecer, não duvide em encaminhar um correio a [email protected]

          • Pedro Lopes

            Obrigado pela informação.

    • abanhos

      Da situação da Galiza há um culpado
      A) Castela/espanha que nos submete, esmaga e apaga. Primeiro a sangue e fogo, depois pola forca “pacífica” da imposição do estado e a lei ao seu modo.
      B) Os galegos e galegas, melhor dito as suas elites dirigentes e classes dominantes, que em vez da liderança da resistência libertadora, e da firmeza, adoptaram a tatica de -Deus é bom e o Demo não é mau-, e se polo caminho apanhamos um caldo na tigela e um ordenado e umas receitas na faltriqueira…foda-se pá o povo desilustrado, desmemoriado e bem analfabetizado pola escola nacional, nacionalizadora.

      Portugal de 1640 a 1985 deixou de estar na nossa contorna, construiu o seu mundo afastado de nós, acho que em grande medida para bem de Portugal e a Lusofonia, pois orbitabamos noutras latitudes.
      Mas no 1985 isso acabou para nós e para Portugal, e para um Portugal de sucesso e futuro não pode ser indiferente o que cá se passar, somos um grandissimo meteorito no seu mesmo roteiro e latitude. Podemos ser o seu frente de avanço e persistência de futuro, ou a frente de Castela deglutindo um Portugal, no que agora, como em 1580, há muita elite e direcção portuguesa, sobre todo dos mais abastados, que andam prendidos de fascínio por espanha -Castela/espanha-.

      • Pedro Lopes

        Portugal nunca deixou estar na sua “contorna”, mesmo no período filipino era um reino independente dos demais reinos peninsulares, aquilo que teve em comum por 60 anos e que acabou em 1640, foi a mesma coroa e casa real, que por sinal era uma espécie de multinacional da realeza europeia, os Habsburgos.
        Até ao franquismo havia convivência entre os dois lados do rio Minho, mas a guerra civil e as suas consequências vieram de facto a colocar um muro bem alto entre Portugal e Espanha e que só se derrubou pela a entrada dos dois países para a CEE.
        Portugal acolheu muitos galegos republicanos que fugiram dos falangistas durante esse período. indo grande parte deles fixarem-se na região de Lisboa o que confere a essa cidade a maior comunidade galega da Diáspora, é um facto muito pouco aproveitado pela Junta da Galiza quando se fala em maior aproximação entre os dois povos, talvez isso traga à tona uma história que não interesse divulgar na Galiza, a enorme vaga de refugiados galegos em Portugal em mais concretamente em Lisboa em consequência das prosseguições de Franco.
        Por exemplo não conheço qualquer actividade da casa da Galiza em Lisboa, e penso que se deve começar por aí até porque não há nenhuma comunidade galega no Minho ou na região metropolitana do Porto de relevo, e portanto a melhor maneira da Galiza captar melhor atenção por parte dos portugueses para a sua autodeterminação é justamente ter uma acção mais visível na capital portuguesa, mas claro é apenas a minha opinião.

        • Venâncio

          Na Casa da Galiza em Lisboa, predominam as actividades folclóricas. E uma das mais em destaque é o ensino… de danças sevilhanas.

          Eu venho dizendo aqui, desde há muitos anos, que, se os reintegracionistas desejam algum verdadeiro e efectivo apoio em Portugal, devem procurá-lo na Opinião, nos meios de comunicação.

          Todo o resto de contactos que os reintegracionistas vêm mantendo é ritual, é conversa de salão e não atinge a Opinião que importaria atingir.

          • Venâncio

            Acrescento que as maiores e melhores bibliotecas galegas em Lisboa são as dos Centros de Estudos Galegos nas universidades (a de Lisboa e a Nova de Lisboa), o Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e… o Instituto Cervantes, que nos recebe sempre muito bem, mesmo quando o nosso interesse é todo galego.

          • Pedro Lopes

            Todo o cuidado é pouco quando tomamos a iniciativa de divulgarmos ideias em meios de comunicação, o que neste caso em particular será de fugir de todo o meio de comunicação em Portugal controlado pelo grupo PRISA, mas se atendermos ao facto de que o canal de televisão privado TVI vai ser vendido por esse grupo à operadora de telecomunicações portuguesa que é detida por um grupo francês Altice, menos mal que podereis começar por aí, pode ser que os franceses sejam sensíveis a essa divulgação, relativamente à SIC outra televisão privada nem pensar até porque o presidente do grupo que detém esse meio de comunicação é amigo de Juan Carlos desde os tempos do Estoril, amigos de infância portanto.:)
            Resta a televisão pública portuguesa RTP que eventualmente poderá dar alguma “ajuda”, creio que até há intercâmbios com a televisão galega, isto claro no plano do audiovisual.
            Relativamente à imprensa escrita e digital a norma de exclusão deverá ser a mesma, imprensa detida pelo grupo PRISA e alguma alinhada com interesses espanhóis, mas isso claro deverá ser um espécie de “trabalho de casa” que invariavelmente terá que ser feito para implementar essa estratégia que aponta na Opinião.
            Isso implica também saber como se move o tal “interesse espanhol” nos média em Portugal, e poderei dar um exemplo concreto, todas as quintas feiras há um programa que passa na rádio pública Antena 1 às 19:00h com a duração de uma hora, onde é repassada toda a actualidade nacional e internacional de relevo por três jornalistas correspondentes e que residem há vários anos em Portugal, um italiano, um brasileiro e uma espanhola que creio que é do El Mundo, é um programa que qualquer um pode ouvir em Portugal e eu geralmente oiço porque coincide que vou em viagem no carro, não deixa de ser curioso a forma como a correspondente espanhola consegue contornar o assunto catalão que volta meia volta é abordado por razões óbvias de estar nas agências noticiosas internacionais, o seu incómodo é deveras evidente e não deixa de ser interessante como os correspondentes brasileiro e italiano defendem acerrimamente a legitimação do referendo na Catalunha confrontando directamente a correspondente espanhola, o próprio correspondente brasileiro a talho de foice já por diversas vezes aproveitou esse facto para se referir à Galiza e País Basco, há que começar por algum lado mas como tudo, começar bem é sempre uma grande vantagem.

          • Venâncio

            Caro Pedro Lopes,

            Quando sugiro contactos com a “Opinião” em Portugal, penso sobretudo na imprensa escrita, e não no mundo audiovisual, muito mais controlado, porque envolvendo muito mais dinheiro. É bem mais praticável o aliciar de jornalistas ou de ‘opinion makers’, os quais têm um espaço de intervenção mais garantido.

          • abanhos

            São gentes de Feijó e a sua moda

        • abanhos

          Pedro, isso pode-se dizer de todos os reinos peninsulares…de facto esses reinos juridicamente seguiram existindo até 1833.
          Pega no testamento de Filipe Ii e já verás ai todos os reinos sem Portugal ter nenhuma particularidade.
          http://bibliotecadigital.jcyl.es/es/consulta/registro.cmd?id=13012
          O que sim não acharás é o titulo de rei da espanha…Isso é algo da segunda metade do seculo xix para cá

      • Venâncio

        Ah, Alexandre, e se a isso juntarmos que os maiores propagandistas em Portugal da Lusofonia e do Acordo Ortográfico de 1990 (João Malaca Casteleiro, Carlos Reis, Ana Paula Laborinho, outros também) são grandes amigos de Espanha, ah então percebe-se com quem sempre andastes metidos ideológica e fisicamente.

        Para eles, sereis sempre espanhóis, por mais que vos digais galegos. Tendes em Portugal os amigos errados. E não foi por falta de aviso. Mas pronto: tendes o que sempre procurastes.

        • Ernesto Vazquez Souza

          Mas Fernando, para quem somos e o que somos, muita gente em Portugal nos atende.

          Gente na nossa órbita de margens…

          O problema é que não nos atendendo na Galiza, na casa… Ou vê por cá nalgum momento gente de algum peso no mundo academico, político, ou intelectual galego? Enxerga, mesmo nas proximidades algum isolacionista desses que tem peso e ouvido nos seus pares brasileiros e portugueses??

          É provável que o dia que na Galiza comecem a dar ouvidos ao reintegracionismo, a reação seja fulminante em Portugal.

          Mas também pode ser que na Galiza estejam á espera de sucedermos em Portugal.

        • abanhos

          Por esses que tu citas fomos bem atendidos e atencionados, e ajudados em muita maior medida do que se possa pensar.
          Assim que sobre isso fica tranquilo que estamos bem pagos.

          • Venâncio

            Ah!

  • Ângelo Cristóvão

    Obrigado, Chrys. O futuro está aberto. Precisa-se coragem e trabalho contínuo nesta tarefa em que já ninguém é imprescindível. O Movimento Lusófono Galego começou a ver alguns resultados e, com ajuda dos amigos, chegaremos mais longe.

  • abanhos

    Que beleza e maravilha de texto, escrito por um dos mais firmes galegos que no mundo há.
    Ele é tão galego, que no seu bilhete de identidade põe português.
    Mas como o Chrys bem sabe, se ser português, e se ser do -porto dos galegos- (calecos), do portus cale, -do refúgio, que isso é, o que um porto é- onde só a nossa, de todos, galeguidade, vai poder sobreviver e escrever o seu futuro com segurança.
    Muito obrigado(s) mais uma vez.

  • Concha Rousia

    Fantástico, Chrys! A luta continua…!
    Algum dia cantaremos a liberdade da nossa língua.
    Estará ela ferida e cansada, mas continuaremos
    Pois a eternidade fica pela frente!

    Obrigada por permanecer.
    Abraços

  • Ernesto Vazquez Souza

    Obrigado Chrys, bom texto para refletirmos estes momentos.