O galego perseguido e acurralado na Xunta de Galiza



“Ojala vuelva Franco!! e Soy facha, facha, facha!! Observações das funcionárias de desportos da Xunta de Galiza em Lugo. Identificam o galego com ser do Bloque e o castelhano com ser Facha, facha, facha. Tudo muito ilustrativo.

Funcionarias implicadas:

  • Pilar Rocha Díaz Habilitada em Servizo de Deportes.
  • Mercedes Moreno Varela Xefa de negociado Servizo de Deportes

Xunta de Galiza Delegacion de Lugo.

 

Vou referir o que me aconteceu hoje na Xunta de Galiza. Essa que é paga entre todas /os administrados/as. Funcionárias exemplares:

Os feitos aconteceram no dia 26 de fevereiro de 2018. Polas 14 horas.

Dirigim-me a Dona Mercedes, requerendo unha informação acerca dos estatutos dos “Clubes de Montañismo”. Eu falava em galego e ela sempre respostava em castelám. Posso acrescentar que com um ar bastante soberbo. Educadamente pedi para ser atendida em galego. As minhas palavras foram:

-Perdoe, eu estou a falar em galego, estou na Galiza, nas dependências dum organismo oficial, poderia ser atendida em galego, por favor?

Resposta: No me da la gana!! Yo soy funcionaria y puedo escoger el idioma. Tengo dos (Isto dizia-o posta em pé, com sua mão levantada contra mim com dous dedos Indice e coração ergueitos) y puedo escoger el que yo quiera.

Batia sua mão ameaçadoramente na minha direção.

-Bem pois se vostede tem essa dificuldade idiomática, alguém pode atender-me em galego, por favor? Eu sei que tenho o direito de ser atendida no meu idioma, em Galiza.

Ah!! Dices Galiza!! (Neste momento ela já estava inclinada para mim apoiando uma mão na mesa e a outra na minha direção. Agora era seu dedo índice direito que me sinalava acusadoramente). Es Galicia el nombre oficial!. Ya estoy harta de estas Bloqueiras!! (Posta em pé com aceno ameazante e marcando bem todas as silabas de “ estoy harta”)

– Que lhe faz pensar que eu sou dalgum partido político? Porque identifica o meu idioma com a política?.

A tal Mercedes levantou-se de seu assento e dirigiu-se a mim arrodeando a mesa em atitude agressiva.

Sem perder a minha calma dirigim-me a outra funcionária que estava sentada no escritório a carão do dela. (Pilar Rocha Díaz).

-Pode-me atender em galego?

– Nom me dá la gana!!. Yo solo hablo en castellano!.

– Mas vocês têm obriga de conhecer o galego. Por terem passado um exame para funcionárias da Xunta.

Si tenemos superada la prueba pero a mi no me dá la gana de hablar en gallego.

Resposta minha:

– Que pena. Som vocês dignas herdeiras da Seccion Femenina. E, estando em deportes…

De la seccion femenina parece usted. Por la pinta (idade, creio que queria dizer. Nom me aclararam se tinha eu algum estigma que me marcasse como da Seccion Femenina de Falange)

Aclaração de Pilar Rocha:

Yo si que fui de la Sección femenina de Falange. Y bien orgullosa que estoy de haber sido de la Seccion Femenina. Trabajé em Madrid en la casa del Paseo de la Castellana. Debajo del Escudo del yugo y las flechas!.( Aqui ela também se levantou de seu assento e dirigiu-se cara a mim)

-De Franco? ( perguntei eu algo assombrada. Mas sem levantar a voz. Elas estavam totalmente alporiçadas).

-Pues si de Franco! Ojalá volviese Franco. Buena falta hacia!

Mercedes passou polo meu lado e cruzou o estreito corredor para uma dependência aberta com um letreiro que punha Servicios Xurídicos. Ali falou cum grupo de pessoas que estavam escutando esta conversa (suponho eu porque olhavam cara a nós). Algo perguntou e voltou para a sua mesa.

Pilar fora de sim, gritou:

-Si, soy facha, facha, facha.!!

E algo mais do que já nem me lembro dentro de todo aquele despropósito de simulacro de conversa. Digo simulacro ou pseudo conversa, porque nom me deixavam falar. Só falavam elas.

Mercedes dizia:

Es que usted no escucha!! Puedo escoger el idioma que quiera para expresarme. Usted me está hablando en gallego y yo le contesto en castellano.

– Sim eu falo-lhe em galego. Seria de boa educação que, se sabe falar meu idioma, estando na Galiza e sendo funcionária, me respostasse em galego. Seica nom é de aqui? Eu sou uma administrada, sou galega e nom quero que minha língua se perda.

Não creio que isto todo o escutaram porque as duas falavam a muitas palavras por segundo. Ainda, algo deveu de lhes ficar porque a tal Mercedes disse:

Pues si se pierde mejor!! Ni gallego ni catalan. Con el castellano solo mucho mejor!

– Eliminamos a Xunta logo? Vocês são empregadas da Xunta.

Pues si. Ni Xunta ni nada. Com España nos llega bien.

Si volviese Franco seria mejor!( Voltou a dizer Pilar).

– Terei que formular uma queixa.

Pues vaya , entreguela por registro y llevese sus papeles. Ya no tengo mas informacion que darle.

No registo expliquei o que me acontecera. Para pedir os papeis da reclamación pertinentes. Ali me disseram (A Xefa de Seccion) que as funcionárias tinham obriga de me dar o seu nome e o posto que ocupavam, Polo que voltei onda elas com este requerimento.

Pilar puxo-se a escrever no ordenador. Dixo-me que naquele momento nom podia dar-me esse dado. Que estava a fazer uns cáculos muito delicados e nom se podia confundir. Necessitava toda a sua concentração.

Mercedes colheu o telefone e pus a conversar, dizendo em voz alta:

Tengo aqui a una que se queja porque no la atiendo en gallego. Dice que estoy hablando por teléfono en lugar de trabajar. Tentava fazer burla de mim. Estam acostumadas a humilhar a gente. O idioma é, para elas, mais um instrumento de marcar a hierarquia.

Sem me dar ainda seu nome indicou-me que se eu era uma ignorante que só falava galego.

Respostei que eu era uma mulher muito culta que não só falava galego, mas também inglês, francês, português, e outras línguas. Olhei a sua cara que evidenciou um aceno de assombro.

Sentei-me a espera.

-Sou jubilada. Tenho tempo para defender o meu país.

Pues levantese de esa silla. Tan cerca de mi me molesta. Me desconcentra (para falar a vontade polo telefone. Fazia gestos de desprezo, por se com isso me fosse intimidar. Só molesta quem puder não quem querer).

Fui procurar o xefe de serviço. No Registo me disseram que se elas se negassem a darem seus nomes, o Xefe de Serviço tinha a obriga de o fazer. O seu despacho estava valeiro e ele nom aparecia por parte nenhuma.

Esperei noutra cadeira do outro lado do corredor. (Mais confortável do que a que estava a carão da mesa da tal Mercedes).

Mercedes mandou a Pilar na procura de alguém. Eu já pensei que seria um guarda ou algo assim.

Veio um “ Xefe” que me conhecia. Tentou explicar a aquelas duas mulheres que eu era… que vinha sendo de…

Mas cortei.

-Nom se trata de quem sou. Nem de quem venho sendo. Mas de ser corretamente atendida como administrada. E de nom fazer apologia do Franquismo nem de ser facha.

Ele falou e falou. Eu tentava explicar-me. Até que teve que lhe dizer que estava a fazer o mesmo que as suas subordinadas. Só falava e não escutava o que eu tinha para dizer.

Expliquei que para alem dos direitos que temos como administradas, existe algo como a boa educação. Que nos permite tratar-nos com cortesia mesmo que nom pensemos o mesmo.

Ele deu-me o nome das duas funcionárias e o rango que ocupavam na Xunta. Também empenhou-se em contar-me que de pequeno, na sua casa falava galego, porque era a língua da família. Que era duma aldeia de Cospeito, mas que ao ir ao colégio tivera que deixar porque lhe pegavam se falava em galego.

Aproveitei para dizer que , mais ou menos como a mim. Porque eu fui agredida moralmente e verbalmente. Que se ele tinha experimentado essa humilhaçom e essa injustiça deveria ser o primeiro em defender a língua de seus pais. Mas duvido que ouvisse porque só fazia falar e falar.

Senti pena por ele. Suponho que esta pena fica mitigada cada fim de mês quando receba seu ordenado, porque ao ser funcionário de “Libre Designación” seguro que tem um bom complemento.

Vou fazer denuncia a todos os estamentos pertinentes. Por apologia do Franquismo feita por uma funcionária num lugar público. Também por não ser atendida na minha língua no meu País. Mas penso que o importante não é isso. É importante o desprezo e a soberba com que umas pessoas que são funcionárias, polo tanto ao serviço do povo, tratam ao público e tratam ao país no que comem. Penso com muita tristura em esta sociedade que , tendo uma língua de seu, formosíssima, riquíssima, antiga e culta, nom a defende como compre. Penso também na identificação entre política e língua . Penso com pena nos trinta e tantos anos perdidos de esforços e de lutas.

Algo haverá que fazer. Mas temos que ser assertivas, pragmáticas e seguir na defesa da GALIZA com dignidade e perseverança.

Adela Figueroa Panisse

Adela Figueroa Panisse

Adela Clorinda Figueroa Panisse é de Lugo (Galiza), fazedora de versos, observadora do mundo e cuidadora de amizades. Trabalhadora no ambientalismo e na criatividade da palavra. Foi professora e lutadora pela recuperação da dignidade da Galiza e, ainda, pela solidariedade entre os seres humanos e a sua reconciliação com a terra. Gosta de rir, cantar e de contar contos. Também de escutar histórias, de preferência ternas e de humor.
Adela Figueroa Panisse

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  • Ernesto V. Souza

    Que nojo tudo. E que gentinha… ânimo!!

    Mas há que ver o bem que fizeram o casting para Funcionário Público… melhor não podiam escolher.

  • estralampa

    Graças, Adela, pela afouteza de teres resistido em situação tão agressiva, des-humanizadora, paralisante… eu mesmo tenho reclamado coma ti. Nunca topei resistência nem atitudes tão miseráveis e ainda assim nunca foi uma experiência satisfatória pelo fundo sofrimento espiritual que impõe… Parabéns.

  • Nicolau

    Reitero o apoio e o ánimo dos outros comentaristas.

    O facherio todo encontrou atualmente o ambiente propício para tirar a carouta. Antes ainda falava às costas; agora, espeta as cousas à cara. Isto é especialmente problemático para as famílias galegofalantes. Falo por mim e por mais gente que conheço. Temos que aturar -crianças incluídas- asneiras de todo o tipo (a de “parecedes catalães”, por aquilo de nom falarmos castelhano, já cheira, decerto). E mesmo gentinha que nem opinava a respeito, agora junta-se ao lume que mais aquece e vai de espanholeira acarom dos ranços. Transmitir o galego às seguintes gerações implica também transmitir a capacidade de fazerem ouvidos xordos.

    Desculpem se pareço vitimista. Nom é o meu discurso habitual.

    Somos superiores. Conhecemos duas línguas e eles nom. Que metam o monolingüismo no c…

  • Helena Villar Janeiro

    Que despropósito, Adela. Graciñas pola defensa da lingua e por toda canta acción legal poidas exercer. Eu son igualmente esixente, pero teño máis sorte, polo que vexo. Moita tristeza, amiga.

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Bravíssima pela tua tranquilidade e correção! É assim como se ganham as batalhas. Magnífico final com essa promessa de denúncia. E quanta mulher parva criou o franquismo, por todos os dianhos.

  • Joám Lopes Facal

    Pilar Rocha Díaz, Mercedes Moreno Varela: caia a vergonha sobre elas!
    Os seus pais, os dos “gritos de ritual” e emprego assegurado por serviços prestados, soiam dizer: “Para eso hicimos la guerra?”
    A cortês firmeza democrática é o melhor desprezo ante o fachario irredento.
    Bravo, Curra!