Foi notícia no PGL: nova secçom para (re)descobrirmos o nosso passado mais recente



Segundo o e-Estraviz, uma hemeroteca é um «lugar onde se guardam ordenadamente e à disposição dos leitores jornais e coleções de publicações periódicas». Precisamente, a falta de ordem é o que carateriza enormemente a rede de redes, o ciberespaço, a internet; temos mais acesso do que nunca à informaçom, mas cada vez é mais difícil separar o grão da palha, selecionar o relevante. Um dos efeitos secundários desta sobredose de informaçom costuma ser o esquecimento.

Ligado com o anterior, a consulta freqüente de hemerotecas costuma ser enorme fonte de surpresas, quer seja por descobrir factos que nos eram desconhecidos, quer seja por lembrar outros cuja existência já apágarmos das nossas mentes, quer seja pola constataçom de que algumas cousas nunca mudam… ou quer seja por todo o contrário, porque algumas cousas sim mudárom (e até é possível que para melhor!).

Na nova secçom «Foi Notícia» iremos (re)descobrindo assuntos que no seu dia fôrom notícia no Portal Galego da Língua. Entrevistas, crónicas, artigos de opiniom… Uma olhada ao nosso passado mais recente.

1º Colóquio Anual da Lusofonia: Galiza no Porto (14 de outubro de 2002)

De mãos do professor Isaac Estraviz, a Fundaçom Meendinho entregou este verão o seu prémio à Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia, entidade que organiza os sobejamente conhecidos Colóquios da Lusofonia. A entrega da premiaçom coincidiu com a ediçom XXII do colóquio, cujas origens encontramos doze anos atrás na primeira ediçom, a qual decorreu no Porto.

O PGL informou até o momento das diferentes edições do colóquio e preocupou-se sempre por enfatizar a presença galega no evento. Cumpre salientar, ademais, que a preocupaçom pola Galiza já estava presente na organizaçom deste primeiro Colóquio, no ano 2002, como pudemos ler no Portal:

Originalmente, o colóquio deveria promover a aproximação entre Portugal e a Galiza – onde existe um debate intenso e alguma movimentação no sentido de aproximar o galego do português –, mas houve quem considerasse que, assim, o tema não seria abrangente. A solução “de compromisso” é um assunto recorrente nestas lides linguísticas – a Lusofonia no mundo. Assim, a temática do 1º Colóquio Anual da Lusofonia da Sociedade de Língua Portuguesa no Porto é: “Repensar a Lusofonia como instrumento de promoção e aproximação de culturas.”

Mas a ligação à Galiza não foi totalmente colocada de parte. Entre a 20 comunicações que serão apresentadas – seleccionadas entre cem propostas – existem duas de estudiosos galegos. Aliás, os elos entre as línguas galega e a portuguesa, devem ser “incentivados”, na opinião de Chrystello, já que os falantes de português nunca serão de menos. E aqui fala-se de falantes de português porque na Galiza há um movimento muito forte, sobretudo a nível académico, para que o galego deixe de ter um estatuto de sublíngua ou falar dialectal (como o catalão, por exemplo) e faça uma colagem ao português. Se a nível político, “dificilmente isso se conseguirá”, porque, justifica Chrystello, “o castelhano é uma língua imperialista”, em termos académicos o projecto já parece mais viável.

PontoGZ (8 de outubro de 2005)

O 25 de Julho do 2014, o PGL foi um dos meios pioneiros na Galiza no uso do domínio .gal, que identifica a Galiza e a cultura galega na internet. Quase nove anos antes, a Catalunha fazia tremer os setores mais nacionalistas espanhóis após lograr a aprovaçom por parte da ICANN do domínio .cat, atualmente assumido com normalidade até para quem na altura denunciava uma vitória do independentismo. Aprovado o .cat, era a hora de trabalhar por um dómínio de duas letras, isto é, um domínio de nível superior. Nesse 2005, uma das pessoas que na altura formavam parte da redaçom do PGL, Miguel Penas, escrevia:

domínio ponto galEm breve, os internautas utentes da língua catalã poderám utilizar o domínio .cat e assim afirmar a existência da sua cultura a nível mundial. Este domínio será o primeiro em representar umha comunidade lingüística. Um sucesso atingido desde o óptimo trabalho da Associació puntCAT . Mais umha mostra do potencial de mobilizaçom da sociedade dos Países Catalães. […]

Desde a Galiza só nós resta perguntar: para quando o nosso domínio próprio? A nossa língua e cultura já está representada por Estados fortes como Portugal (.pt) e o Brasil (.br). É por isso que nós necessitamos um “Top Level Domain”, o que para Catalunha seria o .ct e para nós tem de ser o .gz certamente. Para isto só teríamos de estar reconhecidos na lista ISO 3166. Umha lista na que figuram muitos territórios que nom som estados independentes como: Samoa Americana (.as), Macau (.mo), Nova Caledónia (.nc), Ilha de Jersey (.je),… entre muitos outros.[…]

Desde a sociedade civil galega deveríamos marcar o caminho certo e criar desde já umha plataforma pontoGZ. Um lugar comum de todos os que defendemos a dignidade para a língua e cultura próprias da Galiza.

 

AGLP já caminha… com parabéns e críticas (7 de outubro de 2008)

Sessão inaugural da AGLP (2008)

Sessão inaugural da AGLP (2008)

Um dos factos mais novidosos destes doze primeiros anos do PGL foi o nascimento da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), sem a qual seria difícil perceber sucessos como a aprovaçom da Lei Paz-Andrade e a mudança de paradigma que se está a produzir (tal como relata o seu secretário, Ângelo Cristóvão).

Na manhã de 7 de outubor de 2008, na Sala de Conferências do Centro Galego de Arte Contemporânea (CGAC), foi constituída «uma mesa em que se encontravam brasileiros, galegos, portugueses e moçambicanos, falou para um auditório que, aos poucos minutos de começar, estava composto por mais de cem pessoas», relatou António Carvalho na crónica publicada polo PGL. Foi o antecipo do que viria depois:

As palavras de Malaca Casteleiro bateram o ponto na reintegraçom do galego; os pensamentos do Agostinho da Silva foram resgatados do esquecimento pelo professor Artur Anselmo; Carlos Reis deixou-nos um discurso cristalino e convincente, salientando a lembrança do professor Ernesto Guerra da Cal; a defesa do Acordo Ortográfico para o português foi proferida pelo professor Evanildo Bechara; e o representante da Junta, Pérez-Lema, surpreendeu com um discurso nada ambíguo em que afirmou que o Governo da Galiza tem muito claro as vantagens da Lusofonia para a Galiza e a sua aposta -cultural e economicamente, vai nesse caminho, embora a questão normativa não fosse nomeada explicitamente.

[…]

José-Martinho Montero Santalha discursou duplamente, para agradecder os apoios, manifestar as intenções da nova Academia, fazer um percurso histórico que legitima claramente a criação da nova instituição e, finalmente, dar leitura aos nomes dos académicos e académicas fundadoras, além de apresentar pubicamente o primeiro número do Boletim da AGLP.

Supressão do Galego no Bacharelato no Instituto “Europa” de Ponferrada (15 de outubro de 2013)

A associação berciana Fala Ceive volveu ser protagonista estes dias nos meios de comunicaçom após denunciar a supressom do ensino do galego-português na Escola Oficial de Idiomas de Ponferrada, única da comarca. Precisamente, o ensino da língua portuguesa começara no curso académico 2009-2010, como também anunciara o PGL. Os cortes económicos parecem estar por trás da decisom, muito similar à adoptada há um ano para suprimir a ensinança do galego num instituto do Berzo.

Uraitz Soubies e Ruben Sánchez: «Um ‘arlote’ é um aldeão na cidade, uma moça no mundo laboral, um basco ou um galego errante» (16 de outubro de 2013)

Há um ano iniciou no PGL a publicaçom em exclusivo dos dez capítulos do seriado de animaçom basco The Arlotes com legendas ao galego-português:

The Arlotes é um seriado de desenhos animados em língua basca que se disponibiliza gratuitamente através da internet graças ao apoio popular, que permitiu financiar o projeto. Após o chamamento público divulgado no PGL, o seriado tem agora versom em galego reintegrado e será emitido no Portal cada segunda-feira. Com motivo disto entrevistámos os criadores de The Arlotes, Subén Sánchez e Uraitz Soubies.

The Arlotes


PUBLICIDADE

  • Ernesto V. Souza

    que bom…