Fest-AGAL n.º 8: ‘ARRIVAgaL : os tempos som chegados”



O Jornal da Associaçom Galega da Língua que se distribui no dia da Festa Nacional atingiu neste Julho de 2017 o Ano VIII. Dirigido polo Conselho da Associaçom, neste caso recebeu Colaborações de: Antia Cortizas, Betânia Cabo, Carlos Callón, Carlos Lixó, Carlos Taibo, Carlos Velasco, Eduardo Maragoto, Ernesto V. Souza, Eva Xanim, Helen Burr, João Aveledo, Joseph Ghanime, Matias G. Rodrigues, Miguel Rios Torre, Pablo Lourenço Quatra, Paula Godinho, Suso Sanmartim, Teresa Crisanta Pillado, Valentim Fagim, Violeta Santás e Wiktoria Grygierzec.

A Diagramaçom correu por conta de Carlos Quiroga.

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Com tal artefato, a nossa Associaçom realizou na jornada do 25 de julho o tradicional bombardeamento de graça (e talento, engenho, honesto estudo) repartindo gratuitamente o Fest-AGAL. Este ano pegamos num fio, como já fora prévia e amplamente divulgado nas redes, que ligou tanto as atividades presencias como os conteúdos da revista: “Arrival, os tempos som chegados”. Centenas de pessoas que nesse dia visitaram Compostela, da Alameda ao percurso manifestativo, das bancas da Através no Festigal (Câmpus Sul) à Romaria dos Livros de Verão (Praça de Maçarelos), ou em volta dos diferentes atos políticos dos partidos que nesse dia celebraram o Dia Nacional, ou até nas ruas mais retiradas da festa, foram pegar das mãos do pessoal voluntário para a distribuiçom da publicaççom –“agasalhado” com irrepetíveis níquis evocatórios do filme Arrival– a novamente irrepetível publicaçom deste ano.

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Arrival: os tempos som chegados

O leitmotiv apanhado no famoso filme hollywoodiano, que desvendou para o mundo inteiro a realidade histórica acerca da língua portuguesa ter nascido no Reino da Galiza, foi levada também para as páginas do Festagal. E o valor gráfico, fonético e comunicativo do cê-cedilhado (Ç), que os enormes cefalópodes das distantes galáxias exibiram, e que vestiu peitos voluntários: a marca de água fica a ferro em todas as páginas da Revista deste ano. Com estética Olá! mas com muito a rigor, @s melhores linguistas do mundo estiveram em Compostela no 25 transferindo em mão para @s indígenas os ricos conteúdos que passamos a resumir.

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Descarregar: festagal2017

Conteúdos:

  • Capa comemorativa (estética Olá!, sim, boas-vindas até metaforicamente…!) sobre um famoso fotograma do filme, com adianto de conteúdos em cabeçalhos sintéticos, mas outra duplo aceno ilustrado para a intervençom da AGAL no 17M e o estilismo do níqui para o dia.
  • Tradicional Saudação do presidente da agal, com o texto “ARRIVAgaL – Os tempos som chegados”, de Eduardo Maragoto, que alude ao relato da História da Língua que “continua invisível nas escolas, onde se preferem valorizar outros acontecimentos, em geral posteriores à Alta Idade Média”, e, apontando para não esquecer essa “história de quase oito séculos prévia à separaçom do Condado Portugalense, logo convertido em Reino de Portugal”, vai chamar a atenção para o que aconteceu recentemente com o filme Arrival (A Chegada), “a mais sucedida produçom hollywoodiana de ficçom científica do ano 2016, que pujo na boca da sua protagonista umha frase memorável para explicar o nascimento da nossa língua”.
  • Artigo de Wiktoria Grygierzec, “Arrival ou o que tem a ver a história da língua galega com os ET’s?”, precisamente sobre o tal filme dirigido por Denis Villeneuve. Wika partilha a sua perplexidade no momento de assistir à estreia, particularmente quando a protagonista da história (atriz Amy Adams), “uma professora de linguística, poliglota e tradutora de um monte de idiomas (até parece que os sabe todos)”, que depois duma sequência de cenas da sua vida privada encontramos em ação numa aula da universidade proferindo a famosa frase que já mencionava Eduardo MAragoto na sua saudação:

“Hoje vamos falar sobre o português e de por que soa tão diferente em relação a outras línguas românicas. A história do português teve o seu início no Reino da Galiza na Idade Média. Daquela a língua considerava-se uma expressão artística.”

  • João Aveledo, em “Atlas Audiovisual Galego – ou que logo não digam que não se dizia”, apresenta e explica o ambicioso projeto de recolher num site gravações e filmagens que registem a pluralidade de fenómenos dialetais que enriquecem as nossas falas. Este site, codirigido por Alva Pico e por ele próprio, receberá o nome de Atlas Audiovisual Galego e vai acarretar a recuperação e atualização do velho Topogal, pois cada registo dialetal estará geolocalizado num mapa interativo. Na futura web, as diversas formas dialetais vão estar estruturadas por categorias para facilitar a procura de dados e o site vai operar, ademais, a diferentes escalas de aproximação, permitindo a incorporação de informações microtoponímicas, etnográficas e históricas. “Na Galiza, cada velho que morre é uma biblioteca que se queima”, a famosa frase do africano Amadou Hampaté Bâ em 1960, que Aveledo aqui invoca como um mantra sábio a guiar o propósito.
  • Valentim Fagim, em “Tés crianças, tés alternativas”, acomete a questão de garantir a transmissão linguística de pais para filhos, e pergunta-se por que as crianças falam a língua que falam. “Em termos gerais, a melhor forma de facilitar que os miúdos conservem a língua com que foram educados polos pais é existir uma envolvente em galego, por outros palavras, um ambiente que, maioritariamente, se expresse na língua da Galiza”, assegura. E um dos espaços imprescindíveis são as escolas e os infantários, onde na atualidade este serviço é abordado polas escolas sementes nalgumas cidades e nas áreas rurais, nem todas, por muitos centros onde o galego é hegemónico entre as turmas. Outra área que acha relevante, se atendemos ao número de horas e a influência que têm nas vidas dos miúdos, são os desenhos animados, e aí –confrontando a influência maciça dos dous canais 24 horas de programação infantil em castelhano, com as desenhos que todos querem ver, e a TVG que não oferece nada que se lhe poda comparar– proõe sermos desobedientes e viver o galego como uma língua internacional (como o castelhano, enfim): “Então o mapa muda e aparecem mil possibilidades trocando a TV polo computador/Internet de onde se podem obter as mesmas sérias que oferece a TV espanhola”. A Doutora Brinquedos ou Dora, a aventureira falam galego, e Fagim tira do capítulo Peixe fora d´água, da versão brasileira de Dora, a aventureira, como a nossa criança poderá ouvir encher, buracos, balde, rocha vermelha, caranguejo, polvo, tartarugas, golfinhos, no lugar do que a versão que nos oferece o sistema cultural espanhol lhe permitiria ouvir, llenar, agujeros, cubo, roca roja, cangrejo, pulpo, tortugas, delfines. “Onde queremos estar? Onde queremos que estejam os nossos filhos?”, encerra o autor.
  • “Ortografia Galega Moderna confluente com o português no mundo” é um artigo resumo da entrevista (PGL, abril 2017) a Joseph Ghanime e Eduardo Maragoto, membros da Comissom Linguística da AGAL que assumírom maior peso neste trabalho, realizado por mandato assemblear. A aprovação definitiva da Ortografia Galega Moderna verificou-se na assembleia de 3/12/2016. Este trabalho é umha das novidades da Através Editora e nela atualizam-se obras anteriores da AGAL, nomeadamente o Estudo Crítico, o Guia Prático de Verbos Conjugados e o Prontuário Ortográfico, que viram a luz na década de 80.
  • A página 9 deste Festagal está dedicado a “4 Sementes”, que desde Vigo (Gabriela e Diana), Compostela (Badu), Ferrol (Rosália) e Lugo (Maria Vila Verde), respondem estas três perguntas:

a) Observando o projeto desde os seus começos, as expetativas ficaram colmatadas?

b) Em que medida a Semente vai ser fator importante na biografia dos miúdos e miúdas que passem por ela?

c) Imagina a Semente em 2025. Que visualizas?

As respostas são diversas segundo as experiências várias, mas todos e todas parecem coincidir em imaginar que “Se continuamos a somar, umha grande árvore com raízes firmes, um projeto de qualidade, um lugar de referência para a língua e a pedagogia”, pode engalanar o nosso quintal proximamente.

  • Suso Samartim em “#AGALbus a #Eurovisão2018” observa como no mesmo dia em que Portugal comemorava o Centenário das Aparições de Fátima, o Benfica proclamava-se campeão da Primeira Liga e Salvador Sobral vencia em Kiev o Festival Eurovisão da Canção, para de algum modo os nossos irmãos viverem “um revival dos 3 F’s do Salazarismo: Fado, Fátima e Futebol”. E lança o desafio de que “na AGAL estamos a considerar seriamente a possibilidade de alugarmos um autocarro ou ônibus para (junt@s como irmã(o)s, membr@s dum Fã Clube) irmos em maio do ano que vem até lá”.
  • Na página 13 um antigo e conhecido presidente da MESA, Carlos Callón, é entrevistado por Antia Cortizas. A atual política linguística na Galiza, os seus livros, a experiência de leccionar galego e português num liceu de Caldas de Reis, a sua visñao da a ILP_Valentín Paz-Andrade, entre outras questões, são abordadas neste texto.
  • As páginas centrais da revista ficam consagradas a dar conta da “Vida Social Agálica”, neste caso voltando-se para duas das polaridades ou eventos fundamentais mais recentes no percurso da Associaçom: 1) a Agal na Manife do 17-M, Centenário das Aparições, a mãe de todas as manifestações; 2) a Assembleia e Banquete-Homenagem em Ourense. Generosamente ilustradas a cores e com umas equilibradas doses de humor.
  • Na página 17 explica-se “A Agal por dentro”, um texto para ignorante saber o que fazemos. As linhas de trabalho da AGAL (Formaçom linguística e cultural / Difundir a estratégia internacional para a língua galega), a estrutura da sua Área de formaçom (cursos aPorto, os Ops ou Oficinas de 100 minutos, os Cursos on-line falarmos, o Twiter em galego, o Youtube em galego, e a Wiki-faq do reintegracionismo), da Área editorial da Agália e da Através Editora (nascida em 2010, inclui hoje quatro coleções centradas em ensaio geral, ensaio linguístico, literatura e ensaio de temática galega, editando umha média de 11 livros ao ano e somando já 80 edições), da Área de Internet e comunicaçom (com a estrela do PGL), da Área audiovisual (com vários documentários de destaque produzidos, como Porta para o Exterior no último ano), Comissom Linguística ou área de Identidade… Uma (boa) e trabalhada melodia –que convida a ser partilhada.
  • Espaço também para noticiar e exibir bem um livro, o “Atlas das Nações sem Estado”, novidade Através, que pretende resgatar muitas realidades subterrâneas, as próprias das ‘nações sem Estado’, que desenham uma Europa muito diferente e revelam uma história premeditadamente oculta, como adverte Carlos Taibo no texto do Prefácio.
  • Uma dupla página dá conta precisamente das oito mais frescas estreias editoriais do nosso selo, com a catalogação e características (também de preço), assim como uma resenha breve de cada uma delas.
  • Noutra entrevista, guiada esta vez pelo diretor do PGL, Ernesto V. Souza, a conhecida antropóloga portuguesa Paula Godinho, que editou com a Através Editora e Letra Livre um livro focado no mundo rural galego e português (O Futuro é para Sempre), explica tanto motivações desse seu texto em concreto, e até de toda a sua obra em geral, quanto à evidência da Galiza como foco recorrente das suas pesquisas e interesses.
  • Espaço ainda para um “Passa-Palavra”, no caso sobre Línguas europeias (com estado próprio, com estado propício ou sem estado propício), na proposta lúdica outra vez de Valentim Fagim.
  • Um artigo de Miguel Rios Torre, professor no IES Rosalia de Castro, que com “Uma questão prática” torce para o alunado adolescente comprovar ao vivo e em direto para quanto é que o galego serve. A questão prática refere-se a atividades como os aPorto Júnior, uma possibilidade da nossa rapaziada interagir com outros seus pares dos liceus portugueses, para eles experimentarem individualmente e em equipa a dimensão internacional da língua galega: “É o melhor laboratório de classes práticas de galego para jovens que devemos impulsionar”.
  • Elaboramos para este número um Mapa de centros onde já se ensina português no ensino secundário, 2016/2017. Quer dizer, levamos para uma iamgem a seguinte lista: IES de Melide, IES Félix Muriel, IES Plurilingüe Maruxa Mallo, IES Alfredo Brañas, IES Xulián Magariños, IES Arcebispo Xelmírez II, IES Canido, IES Rosalía de Castro, IES Fernando Blanco, IES Nº1, IES Arcebispo Xelmírez I, IES de Cacheiras, IES Terra de Soneira, IES Agra de Leborís, IES S. Clemente, IES Antonio Fraguas Fraguas, IES de Arzúa, IES Fernando Esquío, IES Terra de Trasancos, IES de Ribadeo Dionisio Gamallo, IES Nosa Sra. dos Ollos Grandes, IES de Foz, IES Poeta Díaz Castro, IES Perdouro, IES Ánxel Fole, EPAPU Albeiros, IES Lama das Quendas, IES Xesús Taboada Chivite, IES 12 de Outubro, IES Aquis Querquernis, IES O Couto, IES de Allariz, IES Martaguisela, IES Cidade de Antioquía, IES O Ribeiro, IES San Paio, IES Valga, IES María Soliño, IES Indalecio Pérez Tizón, IES de Mos, IES de Ponteareas, IES Pazo da Mercé, IES Politécnico, IES Aquis Celenis, IES Valadares, IES Nº 1, IES Tomiño, IES Plurilingüe A Paralaia, IES A Sangriña, IES Álvaro Cunqueiro, IES Sánchez Cantón, IES Illa de Ons, CPI Alfonso VII, CPI Santa Lucía, CPI Aurelio Marcelino Rey García, , CPI Tomás Terrón Mendaña, CPI de Xanceda, EPAPU Eduardo Pondal (Ingabad), EPAPU Río Lérez.
  • E encerramos com 9 caras de recém-chegad@s (Agal hoje), recortando outros tantos pareceres sobre a Língua, a Associaçom, o Futuro que nomeadamente el@s estám chamados a construir. Sem querer estragar o (fantástico) visual, eis o que esta juventude agálica acha:

VIOLETA SANTÁS: “Empregar a mesma ortografia é uma enorme vantagem, derruba barreiras e reforça a língua, e empregar um sistema ortográfico alheio facilita a irrupção de termos alheios”

PABLO LOURENÇO QUATRA: “As vantagens de mudar de atitude som muito superiores que as de manter a situaçom actual”

HELEN BURR: “Os galego-falantes que conheço têm a minha admiração total – a sociedade atual não facilita a decisão de vivermos em galego”

CARLOS VELASCO: “Umha cousa é que amemos a nossa língua antes de mais nada por ser nossa. Outra, que nom aproveitemos as enormes possibilidades que o galego internacional oferece”

BETÂNIA CABO: “As duas normas deveriam conviver em igualdade de possibilidades”

TERESA CRISANTA PILLADO: “Imagino uma recuperação do idioma graças às crianças. Gostaria, mas penso que realmente é possível”

CARLOS LIXÓ: “Da associação espero que continue a trabalhar na linha atual e que se esforce o máximo possível (sabendo que não é fácil) em se mostrar como um projeto de futuro para o galego, inclusivo e positivo para o conjunto da sociedade.”

EVA XANIM: “Sou galego-falante porque lerio, sinto, rio, penso, sonho em galego. Sou reintegrata porque gosto de grafias tradicionais e internacionais, porque quero um futuro em galego”

WIKTORIA GRYGIERZEC: “Se não se fala o galego “na intimidade”, os grandes atos e declarações públicas não vão fazer muito com e por ele”

 

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