LUSOPATIA

Falso amigo: grifo



A mitologia sempre me deu uma sensação ampla de liberdade. Depois da pizza com ananás, as melhores misturas (ou as maiores bizarrices) já foram feitas na época clássica: centauros, sereias, minotauros, sátiros…olhem o que lhes foi dar aos gregos e romanos! Não sei se em crianças partiram alguma vez uma boneca ou boneco e tentaram criar algum engendro com outras peças.
Olhem que a coisa não é assim tão fácil. O mix and match pede talento! Hoje estou cá para vos falar dos grifos, porque por acaso foi um erro que corrigi ontem montes de vezes. Tentei desenhar na folha de exame dos meus alunos e alunas a tal criatura e não sei se consegui explicar graficamente com sucesso. Portanto, trago dados e fotografias.

Os grifos são animais mitológicos que apareceram em muitas mitologias (até não sei se no Harry Potter), mas foi na mitologia grega onde mais vezes foi descrito de maneira literária. Contudo, as suas origens são ainda mais antigas. Surgiu no Oriente Médio, pois aparece lá pela primeira vez em pinturas e esculturas de persas, assírios e babilónios. E como é que eles são? é uma mixórdia bem interessante: possuem cabeça de águia, têm asas e penas no dorso, mas o corpo é de leão. As patas dianteiras são de águia e as traseiras de leão. Ok, se isto for muita informação e muito Frankenstein, vejam as imagens a seguir.

Estas criaturinhas eram usadas pelos deuses não como animais de estimação, mas para assustarem e protegerem tesouros. Outros hábitos que eles tinham eram: construirem ninhos de ouro, acasalarem com éguas e terem “hipogrifos” e também lutarem contra basiliscos. Os grifos…ai! esses é que viviam em berços de ouro, amigas! Pronto, e como todas as coisas têm uma explicação mais ou menos lógica.

Li na net que a origem dos grifos pode estar numa confusão com fósseis de Protoceratops, dinossauros ceratopsídeos que viviam na Mongólia. Talvez não saibam que…sim! os grifos existem no mundo real. Também é chamado de grifo o abutre-fouveiro, ave que podem ver no Parque Natural do Douro Internacional.
 
Carme Saborido

Carme Saborido

Carme Saborido é uma ativista sociocultural e professora. Nasceu em Padrom em 1982 e licenciou-se em Filologia Galega na USC. Atualmente frequenta o grau de Língua e Literaturas Modernas na mesma universidade.

O seu blogue, Lusopatia , quer ser uma janela aberta ao mundo que permita ver os vastos horizontes e dinamismo da nossa comunidade linguística.
Carme Saborido

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  • Diego Bernal

    Bom artigo, Carme! Lembrei-me de que, para além do grifo dos parques portugueses, no Brasil temos a harpia, ave enorme e assustadora cujo nome também tem origem na mitologia grega. Beijos!

  • Ernesto V. Souza

    E também está aquilo de Grifo nosso (em destaque, em itálicas)… que acho tem a ver não com as animalias fantásticas quanto com a não menos mágica arte da velha imprensa: 😉

    http://tipografos.net/historia/griffo.html