EDUCAR ATRAVÉS DA MÚSICA

Filmes: O submarino amarelo, Woodstock e Pink Floyd em Pompeia



 

dia-europeu-da-musica-cartaz2-jpeg  O Dia Europeu da Música celebra-se a 21 de junho. Foi o escolhido o dia tradicional do solstício de verão com o objetivo de trazer os músicos para a rua. A primeira comemoração celebrou-se em 1982 na França, por iniciativa do ministro francês da cultura Jack Lang. Em 1983 reuniram-se 200 000 músicos, atolando ruas, praças e parques, tendo crescido a iniciativa de ano para ano pela Europa fora.

Por considerá-los muito interessantes, tomo como base para este meu depoimento os escritos em vários artigos pelo educador musical brasileiro Leonardo Júnior. Que é ademais o criador do projeto “Música Plena”. Platão disse uma vez: “Educar através da música é mais soberano, porque mais do que qualquer outra cousa, o ritmo, a harmonia terá influência no ser humano, nas mais diversas possibilidades do dia a dia. A ideia de educação musical é muito boa. Poucos dirão que não querem que seus filhos saibam algo sobre música”. É necessário que as escolas ensinem a educação musical de forma enriquecedora, transmitindo a cultura musical do país e do mundo, levando ao aluno à escuta, à apreciação, a socialização e outros. A existência da música nos currículos escolares é de suma importância para manter as humanidades verdadeiramente humanizantes e verdadeiramente libertadora. Os educadores musicais devem aceitar o desafio de educar o público. Educar os pais de nossos filhos. O valor da educação musical é igualmente importante para o outro educando que fazemos na sala de aula.

Utilizando a música na aula e na educação logramos os seguintes objetivos:

-A música contribui para o ambiente escolar e da comunidade, aumentando a qualidade de vida.

-A música ajuda a preparar os alunos para uma carreira e para ter afições positivas.

-A música faz o dia mais vivo e interessante, que por sua vez leva a mais aprendizagem.

-A música combina comportamentos para promover uma ordem superior de habilidades de pensamento.

-Ela fornece uma maneira de imagem e criação, contribuindo para a autoexpressão e criatividade.

-É uma forma de compreender nossa herança cultural, bem como outras culturas do passado e do presente.

-Desempenho, consumo e composição, são atividades satisfatórias e gratificantes.

-A música contribui para a sensibilidade.

-A educação musical fornece desenvolvimento perceptual motor.

-Incentiva o trabalho em equipa e de coesão.

-Estimula a criatividade e individualidade.

-Contribui para a autoestima dos participantes.

-Promove a educação musical como disciplina e empenho.

-É uma importante fonte de alegria e realização.

-Proporciona modos únicos e distintos de aprendizagem.

-É uma tomada terapêutica para os seres humanos.

-É um preditor de sucesso da vida.

-Desenvolve a inteligência em outras áreas.

-Proporciona o sucesso para alguns alunos que têm dificuldade com outros aspectos do currículo escolar.

-Ajuda o aluno a perceber que nem todos os aspectos da quantificáveis e que é importante para lidar com o subjetivo.

Dado que em depoimentos anteriores relacionados com o Dia europeu da música, apresentamos filmes sobre compositores de música clássica (Bach, Mozart, Marin Marais, etc.), esta vez pensamos em filmes de música mais popular e mais atual, que também podem servir perfeitamente para sensibilizar os escolares sobre a arte musical, para que queiram aprender música e cantares, ou para aprender a tocar algum instrumento musical. Curiosamente, as bandas e cantores que aparecem nestes filmes e documentários, estão a cumprir nesta altura os 50 anos do seu grande sucesso na década dos 60-70.

FICHAS TÉCNICAS DOS 3 FILMES MUSICAIS:

  1 O submarino amarelo (Yellow Submarine). Reino Unido, 1968, 90 min., cor.musica-submarino-amarelo-cartaz1

Diretor: George Dunning. Roteiro: Lee Minoff, Erich Segal, Al Brodax e Jack Mendelsohn.

Música: The Beatles. Produtora: Apple Corps.

Atores: George Harrison, John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr.

Argumento: No auge de sua popularidade, o grupo britânico The Beatles fez este desenho sobre uma terra dominada pelos malvados Blue Meanies. Eles são recrutados para devolver a alegria e a música para o mundo fantasioso, partindo em uma viagem incrível.

Um filme de animação psicodélica que abusa das cores e de canções famosos da banda. John, Paul, George e Ringo enfrentam em seu Submarino Amarelo o exército de Blue Meanies que chegaram a Pepperland para acabar com toda a música, paz e amor que lá reinavam.

Nota: Pode ver-se completo em português entrando em:

 

2 Woodstock, 3 dias de paz e música (3 Days of Peace & Music).musica-woodstock-cartaz0

Diretor e Roteiro: Michael Wadleigh (EUA, 1970. 184 min., cor). Produtora: Warner Bros.

Fotografia: Malcolm Hart, Don Lenzer, Michael Margetts e David Myers.

Música e Atores: Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Who, Joe Cocker, Joan Baez, Crosby Stills and Nash, Richie Havens, Ten Years After, John Sebastian, Sly Stone, Sha-na-na e Carlos Santana, entre outros.

Argumento: Documentário realizado durante os três dias do mais importante festival de rock de todos os tempos e, segundo muitos, o melhor filme de sempre sobre um concerto, ao conseguir ilustrar a forma como decorreu o lendário festival de 1969. O evento reuniu dezenas de milhares de pessoas em uma fazenda nos arredores de Nova Iorque. O famoso festival de Woodstock teve lugar em Bethel, NY. Em agosto de 1969, 450.000 pessoas assistiram ao maior festival de música rock até a data. “Woodstock” conseguiu o Óscar da Academia e foi um acontecimento que deu nome a uma geração e marcou toda uma época. Um jovem Martin Scorsese foi assistente do diretor e ajudou na montagem deste aclamado e histórico documentário.musica-woodstock-cartaz2

Pode-se ver o documentário:

3 Pink Floyd em Pompéia (Pink Floyd à Pompéi). Coprodução: Fr.-Bélgica-Alemanha.musica-pink-floyd-pompeia-capa-dvd

Diretor e Roteiro: Adrian Maben (França, 1972, 92 min., cor).

Fotografia: Willy Kurant e Gábor Pogány. Música: Banda britânica Pink Floyd.

Atores: David Gilmour, Nick Mason, Roger Waters e Richard Wright.

Argumento: O filme apresenta os Pink Floyd atuando num velho anfiteatro em ruínas em Pompeia, Itália, assim como gravações em estúdio e entrevistas à banda, quando da gravação do álbum The dark side of the moon. O “concerto” foi gravado em 4 e 7 de Outubro de 1971 e apresenta a particularidade de não haver audiência. A música de Pink Floyd adapta-se muito bem à criação visual. No anfiteatro e nas ruínas da antiga cidade de Pompéia, a banda Pink Floyd leva o público a uma extraordinária experiência audiovisual.

 

Com filmagens no local e sessões em estúdio durante a gravação do mítico álbum The Dark Side of the Moon. O filme foi gravado na arena durante o dia e nas fantásticas paisagens de vulcões em erupção à noite, numa perfeita transição do áudio para o vídeo. As canções começam e terminam com a música Echoes, do álbum Meddle e inclui também as seguintes músicas: Echoes; Careful With That Axe Eugene; A Saucerful of Secrets; Us and Them; One of These Days; Mademoiselle Nobs; Brain Damage; Set The Controls for the Heart of the Sun; Echoes.musica-pink-floyd-pompeia-foto1

Nota: Pode ver-se aqui.

 

 

MÚSICA NAS AULAS COMO FERRAMENTA DIDÁTICA:

    A música é uma poderosa aliada educacional e um estímulo para o aprendizado. Os grandes educadores descobriram que têm condições de criar materiais de alta qualidade para seus alunos e não apenas de transmitir o que encontram nos livros, e a música é uma dessas descobertas. Embora, infelizmente, para muitos, a música na escola só sirva para acalmar e disciplinar uma turma desatenta e desobediente, ou para preencher espaços em entretenimentos realizados pela escola. É constatado que a música na escola facilita o aprendizado, colabora no desenvolvimento cognitivo, estimula potencialidades dos circuitos cerebrais, contribui para a compreensão da linguagem e para o desenvolvimento da comunicação, para a percepção de sons sutis e para o aprimoramento de outras habilidades.

 

No método Suzuki de música, são trabalhados os dous hemisférios do cérebro. O lado esquerdo que é mais lógico e sequencial e o direito que é o holístico, intuitivo e criativo. Pesquisas realizadas com o intuito de provar essa caraterística de estímulo cerebral da música amostram que, depois de meses de aula de piano e canto, crianças mostraram melhores resultados na cópia de desenhos geométricos, na percepção espacial e no jogo de quebra-cabeças do que as que não tiveram aulas de música.

Por sorte, no nosso sistema educativo, depois da transição, foi incorporada a educação musical na educação primária, que antes não o estava, mas sim nos sistemas educativos europeus. O objetivo não é formar músicos, mas desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a integração dos alunos, embora estejamos distantes de uma realidade estrutural, apesar do qual é importante iniciar, mesmo sabendo dos possíveis percalços que irão acontecer. De acordo ainda com Suzuki, pior do que não trabalhar a música nas escolas, é enxergá-la somente sob o ponto de vista estético. “Musicalizar é muito mais que isso. O educador precisa acompanhar e fazer intervenções para que haja um sentido. Tem que haver um objetivo como, por exemplo, trabalhar a integração, as diferenças, etc.”, afirma. “Ao acompanhar essas atividades o educador vai limitar essa vivência através de intervenções, por isso a musicalidade em sala de aula tem que ser aplicada por pessoas habilitadas e qualificadas, como profissionais de Educação Musical ou Musicoterapeutas. A música sob esse ponto de vista tem um poder inestimável”, conclui.

Ao falar sobre aprendizagem não podemos esquecer-nos de mencionar sobre os conhecimentos prévios das crianças, autoestima, motivação, bem-estar, assimilação, significação e sentido. Podemos dizer que estes pontos estão relacionados a fatores que possibilitam a aquisição de um bom aprendizado, pois diante deles a criança compreenderá melhor os conteúdos em geral. A aprendizagem pode ser mecânica ou significativa, no que segundo Bock (1999), a aprendizagem mecânica tem como base um novo conhecimento que é transmitido, mas que não necessariamente foi assimilado, diante dos conceitos já existentes na estrutura cognitivas da criança, já a aprendizagem significativa é retratada por um novo conceito, sendo ele compreendido por um processo de assimilação dos conceitos anteriores da estrutura cognitiva. Por meio disso é visto a importância de levarmos em consideração os conhecimentos prévios das crianças, pois diante deles se pode aprimorar os saberes de maneira significativa, possibilitando que elas atribuam sentido no que está sendo transmitido.

Mediante isto pode dizer-se que a música pode ser considerada como suporte para a aquisição desta aprendizagem satisfatória, pois a partir da musicalidade as crianças se sentem motivadas e constantemente bem consigo mesma e além disso pode-se dizer que ela está relacionada como um dos saberes próprios das mesmas, pelo fato da música corresponder a um elemento que sempre esteve em contado com os indivíduos.

Jeandot (2002) retrata que as crianças até mesmo, antes do seu nascimento já tem o contato com o mundo sonoro, a partir da pulsação do coração da mãe, à medida que a criança nasce o mundo propicia a ela outros meios sonoros, no que por estas razões faz com que ao passar do tempo a criança começa a ter o prazer dela mesma descobrir os diferentes sons que estão ao seu redor, por meio do contado com os objetos. Diante desta afirmação, podemos observar que a música pode contribuir para o aprendizado dos indivíduos, favorecendo a compreensão dos conteúdos e para com sua própria autoestima.

De acordo com Montovani (2006), crianças que adquirem criatividade, motivação e um bom desempenho referente ao desenvolvimento psicomotor são normalmente crianças que obtém um contato maior com a música. Além destes pontos mencionados Gordon (2000) afirma que a música pode contribuir na fase da alfabetização, perante a escuta, ou seja, através do escutar a criança consegue assimilar melhor os fonemas de cada palavra, proporcionando o aprimoramento da escrita.

É visto a importância de inserir a música como ferramenta didática, pois diante dela podemos observar os inúmeros benefícios em relação ao processo de ensino-aprendizagem.

 

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

    Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos três filmes musicais antes resenhados.

Seria muito interessante criar nos nossos estabelecimentos de ensino uma espécie de Clube de Canto e Música Popular. Fundamentalmente, no mesmo, os escolares poderiam aprender cantares populares galegos (letra e música), aprendê-los a cantar, e mesmo inventar canções sobre temas da nossa natureza e cultura. Paralelamente também poderiam aprender a cantar canções populares portuguesas, brasileiras e do resto de países lusófonos.

Podemos organizar nas nossas escolas audições musicais de canções lusófonas, utilizando CDs e discos de cantores e bandas galegas, portuguesas, brasileiras, cabo-verdianas, angolanos, goeses, etc. Entre eles, Fuxan os Ventos, A Roda, A Quenlha, Maio Moço, Colheita Alegre, Suso Vaamonde, Chico Buarque, Caetano Veloso, Elba Ramalho, Roberto Carlos, Martinho da Vila, Gal Costa, Elis Regina, Leonardo, Bonga, Cesária Évora, Paulino Vieira, José Afonso, etc.

 

 

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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