Doação a ‘A.C. Vagalume’ de direitos de autor do ‘Seique’



A mim não me aconteceu isso de fazer doação dos ganhos que me gerasse o seique. Não porque eu não seja solidária e amigha de causas perdidas, mas porque nunca antes obtivem dinheiros com o que escrevim.

Foi a minha própria editora, a Através, carimbo da AGAL, ambas entidades sem ânimo de lucro e com uma cheia de ativistas a entregar o seu tempo e o seu saber para que os projetos caminhem, quem me propôs a possibilidade de entregar os ganhos a quem quiser (mesmo a mim própria, privadamente).

E não duvidei. O seique tem colaboradoras necessárias (o que se diz cúmplices) para a sua existência: todas as estudiosas, historiadoras, arquivistas, pesquisadoras, luitadoras, que antes que mim mergulharam na repressão franquista. E decidim que se o seique ganhava algo, havia de ser para elas continuar o seu trabalho.

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Não me foi complicado escolher coletivo: eu crescim lendo os trabalhos de X.C. Garrido Couceiro e de Dionisio Pereira na zona de Taveirós e Terra de Montes. Através deles conhecim a história local que não era outra que a nossa, a efervescência republicana no rural estradense, as escolas das emigradas a querer mudar o mundo, as luitas agraristas a pôr o germe da defesa dos direitos das labregas, o furor do golpe e a vaga assassina de 36. E eles, junto com outras pessoas, por meio da A.C. Vagalumes e do coletivo O Sinhor Afranio, mantêm uma web, Tabeirós Montes, em que estão a disponibilizar para consulta e uso público toda a memória, toda a justiça, toda a verdade, que levam anos pesquisando.

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Para continuar com esse trabalho divulgador vai o dinheiro do seique. Do seique, não da autora, porque por trás do livro está também o labor de todas as colaboradoras da Através que revisam, editam, desenham e diagramam de balde. Por agora, fizemos entrega de 620 €. Servirão para o mantimento e difusão do web, e para a organização de atividades relacionadas com a Memória Histórica.

De nós para todas, verdade, justiça, reparação.

Web TabeirósMontes.

Susana Sánchez Arins

Susana Sánchez Arins

nascim em 1974 a atender de esguelho se do sul vinha uma aireja purificadora para o norte. nada. isso condiciou-me o olhar poético, ainda que fui lenta no amassado e cozimento da minha voz. publiquei quatro obras, [de]construçom, aquiltadas, a noiva e o navio e seique, ademais de textos voandeiros em coletâneas e revistas. ponho escola en cúntis e activismo feminista na Plataforma de Crítica Literaria A Sega.
Susana Sánchez Arins

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  • Joám Lopes Facal

    Susana, um livro memorável pedia um gesto condizente

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Muito bem, cara!

  • Manuel Meixide Fernandes

    Ainda não li o livro, presente que me fizeram cá na Estrada. Tenho na casa pra o ler. Li alguns anacos e do que li gostei muito. Mas ainda após acabar o livro, acho que seguirei a gostar mais desta doação. Precisamos de muita generosidade e de muito altruismo para mudar esta sociedade individualista. O galeguismo também é generosidade, ou se não é generosidade, não é tal.

    Parabéns para a Susana