Do Apalpador, a ignoráncia e os enes-agás



Umha manhá qualquer na Fundaçom Artábria. Toca o telefone. Atendo.

– Fundaçom Artábria, di-me

– Hola, buenos dias. Soy la directora del CEIP ********, llamaba para comunicar que hemos recibido la propaganda del concurso del Apalpador. Es una buena iniciativa. Nosotros llevamos años trabajando con esta figura en la navidad, pero siento deciros que no vamos a participar, ya que desde el colegio no vamos a dar difusión a una actividad que promueve el gallego lusista. Lo sentimos mucho. Pero creo que editar propaganda así es tirar el dinero.

Fico em “shock”

– Ah oka, que tenha bom dia

Comento o que acabou de acontecer com @s [email protected] que estavam no café-bar nesse momento. Como nom respondim?

Tenho que agir, pego no telefone e carrego no botom de rechamada.

– Olá bom dia, é a diretora do CEIP *********?

– Si soy yo.

– Olá, sou da Fundaçom Artábria, acabamos de falar agora mesmo. A verdade é que fiquei um pouco em shock e nom che respondim.

Nom vou entrar em debates lingüísticos, a Fundaçom Artábria tem essa escolha de norma e pronto. Eu nom entro a avaliar que tu como diretora de um colégio público galego estejas a falar-me em espanhol.

– No tengo ninguna obligación, solo en las comunicaciones escritas (sic). Y te iba a hablar en gallego, pero ya que me dices eso, ya no.

– Olha, nom é a minha intençom discutir contigo. Só quero manifestar que por umha decisom sectária da direçom do colégio, as nenas e nenos nom devem ficar sem expressar artisticamente como vem o Apalpador. É a quarta ediçom do concurso, onde levam participado dúzias de colégios de Ferrol e comarca e doutras partes da Galiza, e nunca nengum colégio manifestou que a normativa escolhida no texto das bases fosse um problema. Além disso, vimos colaborando com várias escolas da zona com as visitas do Apalpador, e insisto, NUNCA tivemos problemas.

– Ya, pero nosotros no vamos a pegar ese cartel en lusista.

– Olha, nom estou a pedir-che que o coles, só que difundas a informaçom e as crianças podam participar.

– Se lo pasaré a normalización y que decidan ellos.

– Oka, olha, há 3 anos editamos em pdf umha unidade didática para difundir a figura do Apalpador e a Coordenadora de Equipas de Normalizaçom Lingüística participou dessa difusom…

Mais nada, que tenha bom dia…

Já na casa, dou voltas ao que aconteceu, à situaçom da nossa língua na Galiza e concretamente na nossa cidade. Penso no alarmente último informe publicado pola Mesa há umhas semanas sobre o ensino em galego nas escolas de Ferrol. E nom acredito.

O problema é que um cartaz leve um “nh” e um “ç”.

E pergunto a mim próprio:

Saberá esta senhora, diretora dum centro de ensino público galego, casualmente sediado num dos bairros de Ferrol onde mais galego se fala (e nom é muito) de onde procede o documento etnográfico que facilitou a recuperaçom da figura do Apalpador?

Saberá que o seu autor é reintegracionista?

Saberá que foi a Gentalha do Pichel, Centro Social “lusista” que começou a recuperar e socializar a figura do gigante carvoeiro do Caurel? Saberá mesmo que o primeiro Apalpador que saiu às ruas de Compostela era ancestro do ex-presidente da AGAL?

Nom, nom saberá, porque está cheia de preconceitos. Porque com certeza nom se deu ao trabalho de sabê-lo, e seguramente também lhe importe pouco.

E assim estamos, deixando o galego morrer e com as elites políticas difundindo a língua “franca”, isso sim, sempre desde a “pluralidade”.

É-che o que há!

Bruno Lopes Teixeiro

Bruno Lopes Teixeiro

Independentista, desenhador gráfico e pai de umha nena. Na atualidade, ativista da Fundaçom Artábria.
Bruno Lopes Teixeiro

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  • Xoán Valladares

    Bruno,

    o q poderiades fazer é ir à escola essa e colar maciçamente cartazes, se não se pode dentro pelas ruas dos arredores. ficar à saida das aulas e entregar às crianças todas as informações que precisem.

    saudações em estado de “shock”.

  • Ernesto V. Souza

    O que deveria é a Gentalha ter registrado o produto Apalpador, desse jeito a resposta era simples: OIha, o produto é nosso, se queredes usar tendes de usar em reintegrata e para além pagar o cânone.

  • Heitor Rodal

    Eu do que mais gosto é do argumentário dos “teloiba”s (“te lo iba a hablar el gallego, pero como me lo impones/obligas/etc, etc, etc… ya no te lo hablo”), porque reflete muito bem a mentalidade desta gentinha, que viria ser mais ou menos: “ia rebaixar-me a falar contigo em galego, mas como tu o falas sem seres aldeão, nem pedires permissão, nem te desculpares e isso faz com que eu, urbanita educado mais ou menos coma ti, fique em ridículo pola minha incapacidade real para fiar quatro palavras em galego a direito, castigo-te a ti e ao galego sem falá-lo. Ala”.

    Penso que os galegófonos deveríamos começar a retrucar na mesma linha com a estratégia “Iachofalar”: “ia-cho falar [o castelhano], mas como te puseste farruco/a, já não o vou falar”.

    Para cosmopolitas e poliglotas, nós!

  • http://pgl.gal Valentim R. Fagim

    Alguém que liga, sem ter sido antes contactada, para dizer que não vai usar um material denota a sua natureza. Fai parte desse pequeno % de que pouco se pode esperar, não apenas em língua como em muitas esferas mais. Costuma ir ligado.

    Beijinhos para a tua nena, Bruno.

  • Celso Alvarez Cáccamo

    Essa mulher, além de ignorante (não só não sabe de normas, mas nem sequer fala galego), é, como diz Valentim, agressiva. Chamou para criar conflito e demonstrar o seu supremacismo espanholista. Não são etiquetas panfletárias as que estou a utilizar: são descrições neutrais da ideologia que nutre pessoas assim. E o estado español não só admite essas condutas de servidores/as públicos/as pagos com dinheiro público, mas as promove. O “teloiba” 😉 é apenas uma escusa (muito infantiloide) para procurar demonstrar a superioridade de classe e nacional.

    • Heitor Rodal

      Com efeito, Celso. Isso é o que queria exprimir. Porque afinal há uma estratégia supremacista e minimizadora do outro implícita nos “teloiba”s, e outros argumentos afins, que é preciso reverter já.

      Saúde.

      • Celso Alvarez Cáccamo

        Absolutamente, Heitor, já o disseras tu, sim.

        Está bem isso do teloibisimo. Emprega-se para outras cousas não linguísticas, e o mecanismo é o mesmo: rabia rabiña, que tengo una piña.

        • Ernesto V. Souza

          XD XD rabia rabinha havia anos que não escutava…

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Quem liga para dizer isso está enviando uma mensagem clara: não deixa fugir a ocasião de causar dano. Essa senhora é GaBiosa pelo menos. Ou Farlopeira, que para o caso vem sendo o mesmo. Isto tem de rematar.