Dez visões pessoais sobre a política linguística



Entre o dia 26 de abril e 11 de maio ocorreram na Universidade da Corunha (UDC) três palestras sobre política linguística. Os títulos destas três palestras foram:

-A política linguística vista desde a Universidade (26 de abril)

-A política linguística vista desde o associacionismo (3 de maio)

-A política linguística vista desde o Parlamento (11 de maio)

Cada uma destas conferências (salvo a última) tinha presentes a três conferencistas, com um turno de exposição e um turno de perguntas do público e respostas.

tres-palestras

-A política linguística vista desde a Universidade

Os três conferencistas a debater foram; na ordem de exposição:

Celso Álvarez Cáccamo: Professor na UDC. Começou sua exposição analisando do seu ponto de vista a situação do galego. A perda do idioma está relacionada com o “capitalismo linguístico”, que consiste na atribuição aos idiomas dum “valor”. Define-se o processo de perda do galego como um processo de classe, que se entende pela ilusão de ascenso de classe através da língua. Para combater este “capitalismo linguístico”, é preciso “recuperar” o “valor comunal da língua”, é dizer, a língua como bem comum. Para conseguir isto é necessário desmercantilizar, desvalorizar este valor mercantil, que podemos entender como “descapitalizar” e atingir a independência política. O reintegracionismo, na sua opinião, pode ser definido como uma “norma escrita comum para as palavras comuns duma língua comum”.

María Pilar García Negro: Professora honorária da UDC. Começou com uma anedota pessoal, que consistiu na resposta da professora a uma multa onde notificava que só aceitaria a sanção se lhe era comunicada a multa em galego. A administração respondeu com uma nota onde aclarava que tentariam começar a implantar o galego no sistema de multas. Para García Negro, isto simboliza a situação atual, onde a cidadania tem que lembrar às autoridades os seus compromissos com a língua. Ante isto, García Negro alerta da necessidade de a cidadania conhecer a base legal para poder reclamar. Ainda assim, a conferencista considera que as leis atuais ajudam a promoção do galego. O motivo pelo que estas leis foram feitas foi devido a um movimento popular que teve que confrontar tanto a direita como a esquerda espanholas durante a Transição. Como exemplo deste espanholismo de esquerda, García Negro cita os gritos de “Unidad” com os que o estudantado de esquerdas tentou fazer calar a uma estudante que falou em galego numa palestra da Universidade de Santiago, a finais do Franquismo.

Fernando Ramallo: Não se deveria falar tanto de política linguística como de linguística política. Ramallo, único conferencista que não é da UDC, já que é professor na Universidade de Vigo, começa desta maneira a sua intervenção. Segundo Ramallo, devido à estreita relação entre política e língua, toda planificação deve ser consensualizada. Para isto é preciso orientar a política linguística para todas as ideologias, com vistas a “despartizar” a língua. Ainda assim, sempre haverá insatisfeitos por “políticas linguísticas emancipadoras”. Nestes casos, Ramallo aconselha pensar antes no que é melhor para a gente que no que a gente quer.

A segunda ronda estivo marcada pelo debate entre os conferencistas, o primeiro ocasionado por uma assistente ao perguntar se era conveniente “superar” o “discurso” do conflito linguístico. Todos estiveram de acordo que o conflito linguístico é um facto, não um discurso que se poda superar, ainda que diferenças na retórica levaram a um debate entre os três. Este debate começou quando na resposta de García Negro incluiu comentários ao exposto pelos outros dois conferencistas. Considerou que era incorreto dizer que as línguas estavam-se a perder por culpa do “capitalismo”, como indicava Cáccamo, já que casos como o catalão e o basco demonstram que não se precisa sair do capitalismo para fazer política linguística. Ademais, também disse a Ramallo que a política linguística foi consensualizada graças ao movimento que estivo detrás da normalização do galego, já que de não ser por eles, seguiria-se com a política de “Gallego para quien lo pida”. Cáccamo assinalou que esta política continua a estar vigente.

A segunda pergunta foi formulada pelo professor Roberto Samartim, dirigida exclusivamente ao professor Cáccamo, perguntando quais eram as alternativas ao capitalismo linguístico e “onde se encontram”. Cáccamo só respondeu à primeira parte, formulando soluções já anteriormente expostas, como a eliminação do livro como mercadoria, eliminação do ensino de línguas como negócio, eliminação de certames literários baseados na classificação por “qualidade”, entre outras. Mas, a pergunta “onde estão?”, que também podemos interpretar por “quem está detrás delas?” ficou no ar.

Por último, García Negro e Ramallo matizaram declarações anteriores. García Negro indicou que era preciso o respeito às leis atuais, não para mantê-las, mas para termos uma base legal que permita fazer novas num futuro, já que para a normalização linguística ter efeito ainda faltava acabar com a “espanholada” e o “capitalismo vil”. Ramallo, em alusão às propostas de Cáccamo, mostrou que estava a favor das suas ideias, mas que a realidade atual era o sistema capitalista.

 

-A política linguística vista desde o associacionismo

Os três conferencistas a expor são, seguindo a ordem de exposição e acompanhando o nome com a associação da qual formam parte:

Marcos Maceira (Mesa pola Normalización Lingüística): Começou a exposição falando do défice legal mais importante para o galego, a inexistência da obriga de conhecê-lo idioma. Este défice explica que a desigualdade entre galego e espanhol não é subjetiva, já que está recolhida até nos textos legais. Esta desigualdade na prática se traduz por sanções a professores que utilizam o galego nas aulas baixo a ideia de que os seus estudantes não têm que saber falar galego. Ainda assim, esta desigualdade não é no conjunto do Estado espanhol, mas só no caso galego, já que catalães e bascos não têm uma discriminação social tão marcada. Muitas das políticas em favor do galego, ademais, não têm realização na prática, como a Carta Europeia das Línguas Minoritárias. Na atualidade, as instituições já abandonaram uma língua que consideram perdida, e esta situação só se pode reverter a partir da mobilização social. Aqui é onde entra o papel da MNL. A Mesa pola Normalización Linguística atualmente tem 4000 membros, de multitude de posturas ideológicas e com o galego como base política. A MNL até agora sobre todo protestou fronte às discriminações contra o galego, já que o principal problema para a MNL é que agora mesmo não temos os direitos que deveríamos ter como falantes de galego.

Eduardo Sanches Maragoto (Associaçom Galega da Língua): Destacou o papel da AGAL, organização com o objetivo de “criar um consenso social de entender o galego e o português como a mesma língua e diluir as suas fronteiras”. Com fronteiras, não só entendendo as barreiras linguísticas, mas económicas, políticas e de qualquer tipo. As instituições que estão a fazer as políticas linguísticas, se bem vão orientadas do jeito correto, estão a fracassar. O fracasso do galego, segundo Maragoto, está unido à condição do galego como uma língua sem nação, não ser língua nacional, o que provoca que o castelhano continua a ser a língua institucional e pela que acedemos ao mundo. Citou o debate em Portugal a raiz do Acordo Ortográfico de 1990, onde os defensores do AO assinalaram que no mundo moderno uma língua já não só tem que ser nacional, senão mundial, com presença em vários continentes. Também reivindicou o papel das Escolas Semente, como instituições educativas onde o galego é língua veicular. Por último, assinalou que é preciso saber português, se não como parte da nossa língua, pelo menos como língua estrangeira.

Anxos Sobriño (Coordinadora de Traballadores/as de Normalización Linguística): A CTNL é uma organização centrada no trabalho com a administração local e através de Internet para compensarem a falta de formação em galego e sócio-linguística dos empregados públicos e outros agentes institucionais. A CTNL está organizada como uma rede de colaboração entre os normalizadores, um ponto de encontro onde debater ideias e formar projetos. Na opinião de Anxos, as ajudas institucionais não são suficientes, senão que há que fazer consciente o público através de campanhas (“Gústame o galego”) e promover o uso do idioma em âmbitos formais, como os clubes de debate. As campanhas de promoção devem levar discursos novos, já que os velhos são inúteis, e é preciso um processo coerente de normalização por parte dos poderes públicos.

Na segunda ronda, a primeira pergunta, ou mais bem primeiras perguntas foram formuladas por um assistente. Estas, que foram várias, podem ser resumidas em três:

-Quais são as causas de desaparição do galego?

-Há o mesmo problema em outros sítios da Espanha?

-Tendência da “globalização” na população: é uma influência no processo?

Estas perguntas tiveram uma só resposta por cada um dos conferencistas:

Marcos Maceira: A população relaciona a ideia de língua superior com a de povo superior. Assinala que houve 150 casos onde o galego foi desprezado institucionalmente nos últimos anos e que, por exemplo, em âmbitos judiciais ou policiais, o processo administrativo tarda mais em galego que em espanhol.

-Sanches Maragoto: A globalização pode ver-se graças a que o espanhol é uma língua internacionalmente muito forte, o que leva aos falantes a considerar a língua própria “prescindível” e a substitui-la pela mais forte. Volta a marcar a importância do galego se converter numa língua estatal (independência política), e mesmo falou que tampouco uma língua estatal vive plenamente, como mostra o uso do inglês em âmbitos científicos e técnicos.

Anxos Sobriño: Não podemos sair do mundo globalizado. O melhor é utilizar argumentos de pertença ou de estima para tentar gerar um discurso que possibilite o futuro do galego. Também assinala que os tópicos no caso do galego, sobre todo o do galego como língua rural, não se conseguem tirar da sociedade.

Por último, um assistente perguntou se para evitar a queda de falantes do galego não seria bom utilizar o sistema basco de recuperação do euskara como modelo a seguir. A respostas dos três conferencistas foram bem similares, e pelo tanto eu acho que se podem resumir na seguinte conclusão:

-A política de imersão linguística no caso basco, um modelo a seguir.

-Realçar o papel das “Escolas Semente” como uma via privada para estabelecer centros de ensino em galego.

-Não deveria ser que a via privada fosse a solução a este défice, mas que o modelo educativo em si mesmo tem que ser renovado.

 

-A política linguística desde o Parlamento

Foi a única conferência a ter quatro conferencistas, no lugar de três, já que representavam aos partidos políticos atuais no parlamento galego:

Olalla Rodil (Bloque Nacionalista Galego): Expôs primeiro as políticas linguísticas até o momento, onde fez uma periodização baseada no partido no poder: o período 1981-2005 (Primeiros anos e governo de Fraga Iribarne), o de 2005-2009 (Bipartido PSOE-BNG) e por último o 2009-atualidade (Governo de Alberto Núñez Feijoo).

-Período 1981-2005: Normativização do idioma, incorporação do galego na escola, formação de profissionais.

-Período 2005-2009: Distanciar estereótipos e tópicos, planificação baseada em públicos diferenciados. Galescolas: Centros educativos com o galego como língua veicular.

-Período 2009-atualidade: Decreto do plurilinguísmo, 33% do ensino em galego com a escusa da introdução do inglês.

A partir disto, Rodil considera que uma política linguística eficiente deve partir de três eixos:

-Formação: Saber galego. Derrogar a lei do plurilinguísmo.

-Regulação: Regular o galego na sociedade e nos meios.

-Sensibilizar: Comunicação institucional.

Manuel Díaz (PSdG), suprindo a Concepción Burgo: A política linguística alcançou o equilíbrio durante o Bipartido, devido a um consenso maioritário arredor das políticas linguísticas. Díaz alude à Carta Europeia das Línguas Minoritárias para assinalar que o galego é património cultural não só galego, mas também europeu, e que é o dever não só dos Estados europeus, mas também das Regiões europeias, o defender esse acervo cultural. Também mencionou a importância do galego nas relações europeias por “seu parecido” com o português, já que de termos em conta que o 17% das exportações europeias vão a países de língua portuguesa, o galego não só tem um valor cultural, mas também comercial e económico.

Ánxeles Cuña Bóveda (En Marea): Começou a exposição mencionando que Carvalho Calero deveria ter sido o premiado o Dia das Letras Galegas. Mencionou, ao igual que os anteriores conferencistas, a necessidade de derrocar o Decreto do Plurilinguísmo e aumentar a presença do galego nas instituições. Falou de que a situação atual era devida a um “assédio” contra o galego. Matizou as declarações de Manuel Díaz ao dizer que o galego não era língua minoritária senão língua menorizada (ao que Díaz respondeu que simplesmente mencionou o nome oficial da Carta Europeia). Por último, disse que a atitude da Xunta e do Partido Popular sobre o galego era como se considerarem ao idioma “língua de segunda”.

César Fernández Gil (Partido Popular): Partiu já com o défice de ser o alvo das críticas dos anteriores conferencistas, ao que denominou eufemisticamente como “debate enriquecedor”. Do seu ponto de vista, galego-falante de família onde o galego é língua maioritária mas militante do Partido Popular, não podemos entrar num debate maniqueo sobre quem ama mais à língua. Não existem nem partidos que apoiem mais nem menos ao galego. O Partido Popular manteve o plano geral de política linguística do 2004, só alterado pelo Decreto do Plurilinguísmo, que, ao seu parecer, não é daninho para o galego, já que o número de horas que já não se dão em galego não vão para o castelhano, mas para o inglês, criando um sistema trilingue. Ademais disso, os partidos políticos não deixam de ser um reflexo da sociedade, e o partido político maioritário é o Partido Popular, partido que ademais ajudou a promocionar a Lei Valentin Paz Andrade, lei graças à qual o número de alunos de português nos institutos galegos subiu de 800 a 1800.

Esta primeira ronda de exposição acabou com a intervenção do professor Álvarez Cáccamo, que neste caso era assistente à palestra. Cáccamo, numa intervenção que era mais uma ingerência externa que uma pergunta, criticou que todos os assistentes utilizaram um discurso baseado no “valor” das línguas, e que muitos dos partidos políticos falassem de voltar à política de galego-castelhano a meias (50/50) do Bipartido quando a política a promocionar seria o Galego-português como única língua veicular. Segundo Cáccamo, a perda do galego supõe a perda da dignidade das classes trabalhadoras.

A reação a esta intervenção foi, num princípio, de silêncio. Depois sucedeu uma polémica entre o próprio Cáccamo e César Fernández, onde o galego e o inglês se misturaram ao igual que o debate linguístico e o político.

O professor Roberto Samartim perguntou sobre se algum dos partidos pressentes pensava alguma alternativa legal que eliminasse a atual situação de subalternatividade legal do galego (o espanhol é uma obriga, o galego um direito). A isto Olalla Rodil respondeu que era preciso plantejar uma alternativa quanto antes, já que o feito de poder, legalmente, não saber galego é mau para a sociedade. Manuel Díaz, pelo contrário, respondeu que o PSdG não tem nenhuma alternativa apresentada a este respeito, se bem realçou que o PSdG sempre foi um partido galeguista.

Ánxeles Cuña também respondeu, mas à intervenção do professor Cáccamo, ao afirmar que partilha a ideia de que o neoliberalismo dana a nossa existência e que a cultura não é só mercadoria.

Nestas intervenções também houve críticas a César Fernández, por parte de Cuña, que mencionou que ele não fala pelo partido ou coletivo que representa, mas está a falar do ponto de vista pessoal; e Díaz, que afirmou que por ter o Partido Popular a maioria no parlamento, as suas políticas não eram consensuadas.

César Fernández pôs fim ao debate, respondendo às críticas argumentando que não se pode chamar ao povo galego de ignorante só por votar pelo Partido Popular.

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Faculdade de Filologia UdC

Opinião Pessoal

Para o leitor só interessado numa descrição mais ou menos detalhada do acontecido, acho que este resumo é suficiente à hora de entender as principais ideias dos conferencistas. Se recolhi alguma das ideias de diferente maneira a como verdadeiramente foi, ou mesmo eliminei parte do conteúdo das palestras, defendo-me com a precisão de abreviar em pouco espaço mais de três horas de exposições e debates, aparte de basear-me nos apontamentos que fui tomando no tempo das exposições, que pode que ficaram incompletos ou incorretos.

Agora bem, gostaria de dar a minha opinião pessoal sobre estas três palestras. O único apontamento que posso fazer contra é o título, que pode levar a malinterpretações. Um título mais fiel à realidade poderia ser “Dez opiniões sobre a política linguística” ou “Dez visões pessoais sobre a política linguística”. Por que isto? Porque acho que muito do exposto nas palestras foram mais a opinião pessoal dos próprios conferencistas mais que as associações que diziam representar. Quem esteja a ler este artigo ordenadamente pode que tenha mais pressente o exemplo de César Fernández, que defendeu o feito de ser ele membro do Partido Popular galego-falante para reivindicar que o Partido Popular tem “o mesmo amor pelo galego que o resto de partidos”. Para saber se o Partido Popular ama ou não ao galego não temos que mirar quantos dos seus militantes falam galego, mas os comentários pronunciados pela Conselleria de Educación à hora de avaliar o censo do ano 2011, no qual positivamente se avaliou o incremento do Bilinguismo quando o número de galegos que falavam o idioma “Sempre” caia um 13% em dez anos.

Um exemplo melhor seria a primeira palestra, “A política linguística vista desde a Universidade”. O único que os conferencistas tinham em comum é o feito de serem professores universitários, mas em toda a palestra não se mencionou apenas nem a Universidade, nem o Ensino Universitário nem a presença do galego neste.

Também sucedeu um certo problema de incoerência na segunda palestra, onde Eduardo Maragoto, presidente do Conselho da AGAL e que aparece como representante da associação, assinala em duas ocasiões que a solução para situação do galego passa pela conversão do galego em língua nacional: a independência política da Galiza. Porém, quando eu investiguei acerca da AGAL antes de voltar-me associado, encontrei a seguinte explicação num documento interno:
“O reintegracionismo é umha filosofia lingüística e cultural, nom política, sendo compatível com qualquer ideologia que respeite a identidade própria da Galiza. Assim, há reintegracionistas de quase qualquer quadrante político. Porém, nom se pode negar que a maioria das pessoas mais preocupadas polo futuro do idioma, as que mais refletem sobre ele, se encontram no nacionalismo, como em épocas passadas se encontrárom no galeguismo, e é deste grupo de gente que se nutre em maior medida o reintegracionismo.”

Se bem é verdade que o reintegracionismo e a AGAL mudaram muito a respeito do ano 2013, no que este documento se fez, eu acho que este fragmento do ideal fica intacto.

Não quero que esta opinião se considere uma crítica nem a Eduardo Maragoto nem ao seu ideário, mas que uma pessoa alheia, que não conheça o reintegracionismo mas que o associe com a AGAL pode ter a ideia equivocada que a principal associação reintegracionista é exclusivamente independentista. Da mesma forma também que o anterior não é uma crítica a César Fernández nem aos conferencistas da primeira das palestras, mas gostaria de pontoalizar que outro título ficaria mais apropriado.

Em geral, descontando determinados momentos onde a discussão de ideias foi por encima do mero diálogo, as palestras foram bastante produtivas para informar um público não-informado ou mesmo informado sobre as atuais posturas arredor da política linguística sobre o galego, que agora mesmo é um debate fundamental para conseguir alcançar um consenso e uma estratégia comum para poder “reativar” o idioma.

Fontes

http://praza.gal/movementos-sociais/8017/o-galego-deixa-de-ser-a-lingua-habitual-da-maioria-da-poboacion/

http://agal-gz.org/faq/doku.php?id=pt_agal:o_reintegracionismo_e_os_movimentos_politicos

 

Alberto Paz Félix

Alberto Paz Félix

Alberto Paz Félix (Corunha, 1997) é estudante de Galego-Português na Universidade da Corunha (UDC). Criou-se na Costa da Morte, mas ao mudar a Corunha mudou de idioma ao castelhano, que falou durante parte da sua vida, recuperou o galego e a continuação começou a escrevê-lo na sua grafia internacional. Tenta conhecer cada vez mais de cultura portuguesa, brasileira e da África lusófona.
Alberto Paz Félix

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  • http://pgl.gal Valentim R. Fagim

    Obrigado pola reportagem, Alberto.

  • Ângelo Cristóvão

    Interessante. Sempre há aspectos complementares, ou diversos, sobre o mesmo problema da língua. E cada orador escolhe um ponto do seu interesse, ou aquele que exemplifica a política do seu grupo político ou associação. Parece que o aspecto internacional vai ganhando espaço nestes discursos. Em último termo, e nalgum momento deste tipo de debates, expõe-se no dilema “ser ou não ser” a mesma língua que o português. E reconhecer que é a mesma língua implica uma mudança de paradigma, também em termos políticos internacionais. No quadro da União Europeia o tratamento de língua de estado tem uma dinâmica bem diferente das “langues moins répadues” https://fr.wikipedia.org/wiki/Bureau_europ%C3%A9en_pour_les_langues_moins_r%C3%A9pandues
    A verdadeira mudança no discurso do galego, portanto, consistiria em perceber isto e aplicá-lo a sério. No caminho pode falar-se e discutir-se de ortografias, normas nacionais e o que quisermos, mas o determinante seria deixar de fazer o jogo ao discurso do galego “lingua autonómica”, do galego como assunto exclusivamente interno da Espanha.

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    hahahahaha

    QUE BOM!!!! 😀

  • Celso Alvarez Cáccamo

    Obrigado pola crónica.

    A respeito da primeira das sessões, “A política linguística vista da universidade”, a focagem não era sobre a presença da língua no ensino ou na universidade, mas três visões de pessoas que têm escrito sobre o tema do ponto de vista do campo “académico”/universitário (as outras mesas-redondas eram do campo do ativismo da língua, e do campo da política institucional).

    • Alberto Paz Félix

      Obrigado pela resposta.

      O comentário final, a minha opinião pessoal, simplesmente é para indicar que o título não é de todo preciso, não é crítica nenhuma. Como tu disseste, a palestra queria indicar “Pessoas relacionadas com o campo universitário”, não que a palestra era sobre “A política linguística na Universidade”. Só é uma precisão, nada mais.

      Sinto-o se as minhas palavras podem levar a más interpretações.

      • Celso Alvarez Cáccamo

        Alberto: Bom, o título deveria ter sido A política linguística vista da universidade, não “desde a” 😉 . Isso sim 😉 .

        Mas, à margem dessa correção estilística (não substancial: o objetivo da mesa redonda era clara no título), repito, tu dizes:

        “O único [sic] que os conferencistas tinham em comum é o feito de serem professores universitários, mas [sic] em toda a palestra não se mencionou apenas nem a Universidade, nem o Ensino Universitário nem a presença do galego neste.”

        Bom, não se mencionou nada disso porque não era o objetivo 😉 .

        Outra cousa teria sido “A política linguística NA universidade”, ou “O uso da língua NA universidade”.

        Saúde!

  • Raimundo Serantes

    Acho que há, Alberto, umha má interpretaçom das minhas palavras, talvez porque o explicasse mal. Falei, efetivamente, de que o galego deve deixar de fazer parte das línguas consideradas minorizadas para passar a fazer parte do grupo das estatais, das que contam com Estados, porque som as que têm garantida a sobrevivência. Porém, com isso nom estou a defender a independência da Galiza, apenas que o galego deve assumir a sua pertença ao mundo lusófono, porque os 8 Estados que este mundo possui som a nossa melhor arma de futuro. Seja como for, obrigado pola tua crónica.

    Eduardo Maragoto

    • Venâncio

      Caro Eduardo,

      Dos 8 estados, só em dois (Brasil e Portugal) o Português é língua materna. Nos restantes, é só oficial. Nestes, e tirando Cabo Verde, o número de falantes de Português como língua materna vai de minoritário a residual. Cuidado com o triunfalismo lusófono e petrolífero.

      O Reintegracionismo galego tem pouca escolha. Ou luta pelo bi-normativismo (AGAL e RAG) ou luta pela independência nacional. O resto é ou demagogia, ou exibicionismo ou tentativa de enlouquecer os que vos querem bem.

      Um abraço amigo.

      • Venâncio

        P.S.

        Já vo-lo disse e tenho de vo-lo lembrar. Os maiores propagandistas portugueses da “Lusofonia” (na realidade, os seus inventores) são grandes amigos e admiradores de Espanha e de “todo lo español”.

        Mas quem consegue convencer-vos disso?

      • Galego da área mindoniense

        E pra que misturas política coa língua? É certo que som duas cousas bastante emparentadas, ainda que nom deveriam… Mais, ainda assim, falas do reintegracionismo como um movimento que caminha nũa soa direçom; cando a realidade é que á pessoas reintegracionistas de tôdolos gostos, de tôdalas cores e de tôdalas ideologias.
        E, segundo, o número de falantes do galego está a aumentar n´Angola, Moçambique e Timor-Leste. N´Angola já é a língua maioritária da populaçom. Òs outros dous países ainda lhe faltam, mais vam polo mesmo carreiro.

        • Venâncio

          Galego Mindoniense,

          Ignoro em que língua existe “N’Angola”, mas suponho que só em cabo-verdiano.

          Escreves que, nesse país, o português “já é a língua maioritária da populaçom. Claro, como o inglês é “a língua maioritária” no Parlamento Europeu. 😉 O português é, em Angola, uma língua franca, mas não é a “língua materna” de maioria nenhuma. Segundo o escritor José Eduardo Agualusa, o português é, supõe-se, «a segunda língua materna mais falada em Angola, logo depois do umbundo».

          Dizes também que o Reintegracionismo galego não é «um movimento que caminha nũa soa direçom». E eu digo-te que ando há anos perguntando-vos em que direcção se move o Reintregracionismo: que cenário linguístico será o duma Galiza reintegracionista.

          Nunca jamais obtive uma resposta.

          • Galego da área mindoniense

            Isso é como perguntares que aconteceria se a Alemanha ganhasse a Segunda Guerra Mundial, se a Espanha ainda fosse franquista ou se Portugal pasasse a ser um país comunistas. Podes dar moitas ipóteses, mais nengũa certeza.
            No reintegracionismo, é algo semelhante. Praticamente cada reintegracionista tem ũa visom distinta de como seria isse esceário. Idem prá forma d´atingi-lo.
            Eu posso responder por mim, nom polos demais reintegracionistas. Nom sei cal é a visom do resto dos reintegratas, que che respondam iles; se puiderem.
            Pessoalmente, acho que o esceário seria bem parecido ò atual. Existem prejuízos sobre o galego, que se vam perdendo coas novas gerações. Mais, por influência dos velhos, istas ainda os mantêm; seja de forma consciente ou inconsciente. Por exemplo, que o galego é ũa língua que nom serve pra nada, que é difícil, que é ũa trapalhada, que é ũa língua inventada, um dialeto do castelão… Usala ortografia medieval (usada em Portugal e no Brasil oje em dia) permitiria, com efeito; eliminar algũas dissas eivas e fazer velo galego como ũa língua importante e de cultura. E que? Existem mais prejuízos contra o portugês e Portugal ca contra a Galiza. Som parvadas e moitos diles nom têm explicaçom, mais é-che o que á. Tamém se vam perdendo nas novas gerações e provavelmente veriam com melhores olhos um galego que fosse ũa variante das falas de Portugal e do Brasil. Peró, mesmo assim, isso nom vai freala perda de falantes. É mais, pode que num primeiro momento a acelere. Quiçais (sendo otimistas), ũus anos após ter estabelecida a nova normativa, o galego poderia começar a ganhar terreio. Mais teríamos perdido moitas caraterísticas de nosso.
            A conclusom à que chego é que o galego, co modelo da RAG, está condeado à extinçom nũus décadas. Diria que apenas lhe ficam ũa ou duas gerações antes de converter-se num irlandês ou aragonês. No entanto, o galego internacional tampouco é a soluçom e, de nom fazer-se as cousas bem, poderia pioralas cousas. Averia que trabalhar moi bem o discurso pra ganhar falantes ou, polo menos, deixar de perdelos. Mais isto tamém o pode fazer perfeitamente o galego da RAG. Peró acho que, ultimamente, estám a ser demasiado desleixados. Estám transformando a questom da língua nũa cousa política, que depende da cor do partido e isso nom beneficia ò galego; mais bem, todo o contrário.
            O galego internacional teria mais recursos e possibilidades, issa é a vantagem que tem respeito ò galego isolacionista. Peró averia que ver se sabem explotar issas vantagens de forma adequada e se o povo poderia chegar a comprendê-lo. Duvido-o. Se o reintegracionismo fosse quem d´imponher-se na Galiza, mantendo as estratégias atuais que regem a AGAL; simplesmente, seria a fim do galego. Dificilmente averiam mais falantes do galego e moitos dos que outrora o falavam e se orgulavam disso, passariam ò castelão. Ao final, poucos aceitariam falar um lisboeta. Co modelo da AEG ou que estou a usar nistes comentários, a situaçom nom seria tam pessimista. Mais tem os mesmo defeitos cá AGAL: coas estratégias atuais duvido que a situaçom possa melhorar. Isso da utilidade e istoricidade está moi bem; peró, por issa regra de três, o alemám da Alsácia e Lorena deveria gozar de boa saúde. E, na realidade, ocorre todo o contrário, mesmo sendo o francês ũa língua igual d´importante internacionalmente có alemám. Idem pro galego, ò que lhe averia que somar que; coa ortografia reintegracionista, ganharia visibilidade internacional; mais nom superaria ò seu inimigo, o castelão. Seguiria tendo arredor da metade ou um terço dos falantes dissa língua. Oficializar galego internacional e depois deixar que as cousas sigam o seu curso, significaria inevitalmente dala vitória ò castelão. E isse é o probrema que vejo que tem a atual estratégia reintegracionista: pidem que se oficialize a sua ortografia. Moi bem, oficializámola. E depois? Que têm pensado fazer depois? Velaí o probrema.
            E, respeito ò esceário político, concordo co dito polo Alexandre Abanhos no seu artigo da istoricidade do termo Hespanha. Eu gostaria de ver ũa Espanha confederal dividida em catro nações (Castela, Euskadi, Aragón e a Galiza), com catro capitais (os políticos teriam de passar três meses em cada capital) e seguindo um modelo de convivência coma o da Suíça e, se fosse possível, superando-o. Mais isso, atualmente, nom passa dũa utopia. Mais as utopia á que procurá-las. Em príncipio, a batalha parece perdida. Ainda se lhe pode mudala situaçom, mais a cada minuto que passa; no sendeiro de volta nom param de medrar atrancos. Cantos falantes perdimos na Galiza dende a Segunda República? E isso nũús oitenta anos. Soma-lhe outros oitenta, estaremos a finais diste século e princípios do seguinte. As crianças d´oje serám os anciãos disse época e moitos já nom estariam niste mundo. Refiro-me a que teriam morrido, nom a que teriam marchado pra Marte; porque 80 anos daria pra issa situaçom. Primeiro, apenas um 10% dos candengues falam galego. Obviamente, cando os outros cativos castelão-falantes medrarem e tiverem filhos, nom lhe vam ensinalo galego òs seus filhos e falarám castelão. Respeito ò 10% que si fala galego, isso nom asseguraria que os seus filhos fossem falalo galego e moitos optariam polo castelão; ò sela língua maioritária e case exclusiva dos seus amigos, mídia…
            Que moitos reintegracionistas continuem no seu sonho vendo as cousas com otimismo, porque a diles será a derradeira geraçom maioritariamente galegofalante; de continuala tendência atual. E mudala nom vai ser tam doado como pretendem. Seria um trabalho moi custoso, em tôdolos sentidos.
            Mais, bom; sempre é melhor viver ũa vida feliz, sem preocupações. Os demais, o futuro… a quem lhe importará isso, né?

          • Venâncio

            Galego Mindoniense,

            Agradeço sinceramente a tua resposta, a que hei-de reagir.

            Mas quero já comentar esta tua afirmação:

            «Usala ortografia medieval (usada em Portugal e no Brasil oje em dia)».

            O Português jamais teve uma “ortografia” até 1911. Nunca existiu uma “ortografia medieval” do Português.

          • Venâncio

            Um dos motivos por que o Castelhano exerceu, durante séculos, um enorme fascínio sobre o utente português foi o regularidade da sua grafia. Posso dar-te dezenas de exemplos, quase todos espectaculares. Mas dou só um.

            Entre 1200 e 1500, a grafia castelhana de HERMANO era em 95% dos casos hermano, hermanos e em 5% ermano, ermanos.

            No mesmo período, a grafia de IRMÃO tomou as seguintes formas

            hirmaão, irmãao, irmão, jrmaão
            ermááo
            hirmááo, hirmãão
            hyrmaão, hyrmaãõ, hyrmááo
            irmaao, irmaão, irmãão, irmaaom,
            jrmaao, jrmãao, jrmãão, jrmaaom, jrmão
            yrmaao, yrmaão, yrmááo, yrmãao, yrmãão

            hirmãaos, irmãos, yrmãos
            hermaos, hirmaaos, hirmããos, hirmãos
            hyrmaaos, hyrmãaos, hyrmaos
            irmaaos, irmaãos, irmãaos, irmãaõs, irmããos
            jrmaaos, jrmaãos, jrmãaos, jrmããos
            yrmaãos, yrmaos

          • Nicolau

            Reduzir todas essas formas a umha só é mais umha amostra do processo de desgaleguizaçom do Português, neste caso bem sucedido e proveitoso. Os galaicos nom nos pomos de acordo nem na cor da m*rd*. Mas esse gene galaico ainda sobrevive em Portugal (e no Brasil, como nom). O AO de 1990 foi implementado em… 2011!!! Isso som 21 anos de dicussões às que, aliás, se somárom observadores galegos. Como nos presta discutir! Vai nos genes. Ainda bem, de tantas e tantas formas para umha palavra passamos a discutir apenas duas ou três (bem, quatro se se quer), caso de recepção/receção/recepçom/receçom. Algo melhoramos, ou?

          • Venâncio

            Nicolau,

            O processo de “desgaleguização” do Português foi deveras intenso. Mas. felizmente, só num caso foi grave: o da proliferação do ditongo ÃO nos finais da Idade Média. Esse ditongo continua a criar problemas de aprendizagem da formação dos plurais, e o habitual recurso ao Espanhol (“Vejam como faz o espanhol!”) é tão eficaz quanto absurdo.

            Sobre o AO90: não sou contra Acordos Ortográficos (eu mesmo propus um em 1984), mas este é um produto profundamente deficiente, como podemos observar a cada dia que passa. Não veio resolver problema nenhum, não veio trazer vantagem nenhuma. Nenhum dos seus defensores é capaz de apontar uma única vantagem. E gastaram-se com ele já rios de dinheiro.

            Não está nos genes, Nicolau. Está na incrível parvoíce humana.

          • Galego da área mindoniense

            Sim, aí tens razom. Com ortografia medieval, referia-me às cantigas medievais, a lírica galega: Martim Códax, Airas Nunes, Mendinho, Johan de Cangas, Johã Soares de Paiva… Ainda que é certo que istas nom eram uniformes, na sua época d´esplendor e livres de calquer imposiçom castelã, si que avia ũa tendência mais ou menos dominante. Isso tamém se aplica pro portugês até o 1911. Nom ouve ortografia oficial até issa altura, mais tôdalas épocas anteriores contárom cũa tendência mais ou menos clara; nas linhas gerais. Por exemplo, o sua dos dígrafos “nh”, lh”; o cê cedilhado, o til… Mesmo sem existir nengũa ortografia co significado que oje entendemos por isso, issas grafemas sempre (ou case sempre) se mantivérom dende os tempos do dom Dinis.
            O “ũa” e o “ũu” fôrom usados na Idade Média, mais depois caírom em desuso em Portugal. Ò Brasil, nom sei nem se chegaria…
            Bom, a issas me refiro com “ortografia medieval”. Tamém poderia ter usado “grafemas medievais” que englobaria mais especificamente òs dígrafos, ò cê cedilhado e outras poucas miudezas.

            PD: Cantas grafias diferentes tivérom os trovadores que citei ò princípio diste comentário? Nem nos nomes avia omogeneidade…

          • Galego da área mindoniense

            N´Angola = Em Angola
            Isse é um apóstrofo, caraterístico doutras línguas e do galego doutras épocas. Por isse fato, acho que tamém se deveria usar agora; já que as novas gerações pronunciam “em Angola” e “de ouro” em vez de “n´Angola” e “d´ouro”.

          • Galego da área mindoniense

            E cantas línguas tem Angola? Se o galego, nisse país, está na segunda posiçom; nom está tam mal a situaçom lá. Veremos canto tarda o galego n´ultrapassar ò umbundo.

      • Galego da área mindoniense

        “e tirando Cabo Verde”
        Como que tirando Cabo Verde? Nom se supõe que em Cabo Verde o que se fala é um crioulo? Que diferenças (importantes, as gerais) apresenta iste co galego da Galiza e co de Portugal?

        • Alberto Paz Félix

          Cá mando a canção Tchinchirote de Cesária Évora, de Cabo Verde. Passo link com a letra em crioulo e em português de Portugal.

          https://www.youtube.com/watch?v=MDqGex-GPHI

          https://genius.com/Cesaria-evora-tchintchirote-lyrics

          • Galego da área mindoniense

            Nom me parece tam diferente. A letra semelha coma as representações que por vezes se fam das falas lisboetas ou dalgũas brasileiras.
            Eu acho que é um dialeto da nossa língua. Mais, seja como for, parece ũa fala alegre. Gostei. Beiçom pola cançom.

          • Alberto Paz Félix

            Gosto de que gostes da canção. Na verdade, tudo o meu conhecimento sobre os PALOP é graças a Cesária Évora (Cabo Verde) e José Luandino Vieira (Angola). Deste último aconselho leres a sua novela “Nós, os do Makulusu”.

            Ademais, encontrei na Wikipédia uma comparação entre os diferentes crioulos das ilhas cabo-verdianas, por se alguém estar interessado.

            https://pt.wikipedia.org/wiki/Crioulo_cabo-verdiano

          • Galego da área mindoniense

            Aponto a novela pro vrão, que aí terei bem tempo. Ainda que já tenho ũa boa lista de leituras… Bom, logo atopo um oco.

          • Galego da área mindoniense

            “Por se alguém estar” ou “por se alguém estiver”?

          • Galego da área mindoniense

            Achei um fato “curioso”:

            […] Um pequeno inquérito estudantil levado a cabo em 2000 a alunos do 12.º ano de quatro escolas secundárias públicas de São Vicente e de Santo Antão revelou pouca receptividade ao uso do crioulo na sala de aulas. A razão principal é que o crioulo é uma língua de uso privado na vida quotidiana. Mas, assim que uma conversa se torna formal ou oficial, a língua portuguesa é sempre a preferida. […]

            Isto é, no mínimo, interessante e bem curioso.

          • Galego da área mindoniense

            Aindo que nom estou moi a favor da criaçom de crioulos, por consideralas variantes vulgares da língua ou deformações (visom pessoal), merecem todo o meu respeito.

            Por exemplo, na página da Wikipédia do crioulo de Flores; di que iste praticamente já nom existe, que apenas existem resquícios. Logo citam algũus distes resquícios, antre os que estám os dias por feiras! Iles utilizam um sistema que os galegos nom fomos quem de preservar!

            Outro dado curioso foi o “mamonti”. Iles até têm um termo específico pra definir um simples prato cheio! Definitivamente, têm todo o meu respeito. Deveríamos importar isse termo prá Galiza e fomentalo uso dos dias por feiras. Polo d´agora, incorporo o “mamonti” ò meu vocabulário escrito. Na oralidade… coido que nom.

        • Venâncio

          Exprimi-me mal. É verdade que também em Cabo Verde o Português é, como língua materna, minoritária, sendo a primeira o Cabo Verdiano, um idioma derivado do galego de Portugal… 😉 Mas, depois do Brasil e de Portugal, Cabo Verde é o país em que percentualmente se domina e se fala mais português.

    • Alberto Paz Félix

      Sinto muito ouvir isso. Não tive intenção de má interpretar as tuas palavras, mas acho que todo foi um erro meu de interpretar a terminologia.

      À hora de resumir a ideia, eu durante a palestra apontei a ideia como “Passar o galego de língua minorizada a língua nacional”. Eu achei que isto queria referir-se ao estatuto do galego na Galiza, já que uma língua pode ser nacional num lugar, mas ser minorizada noutro: o espanhol é língua nacional em muitos Estados, mas nos Estados Unidos é uma língua minorizada.

      Eu achei que esta ideia era relativa ao estatuto do galego na Galiza, e a partir de aqui foi um cruze de ideias: Se o galego tem que ser língua nacional, como isto pode ser? Pela independência política (a não ser que agora o galego seja língua nacional da Espanha ou que a Galiza passe a ser território português/brasileiro, coisas as duas muito improváveis).

      Obrigado por informares-me do problema e sinto muito qualquer erro que cometi na análise das palestras.

      • Galego da área mindoniense

        Se a Galiza pasasse a ser território portugês, averia ũa imposiçom do estândar lisboeta. Isso nom seria aceitado pola populaçom galego, que iria pedir que se oficializasse o idioma… CASTELÃO.
        Moitos reintegracionistas dizedes que o estândar nom é o mesmo cá fala, que som dous conceitos bem diferentes… issa visom valerá prá outros logares, mais nom prá Galiza atual. Na Galiza, tem-se ũa visom de que a escrita deve representar fielmente a fala; canto mais fiel for, melhor. Isse discurso nom calharia bem antre a populaçom, já podedes ir procurando outro.

        • Alberto Paz Félix

          “Muitos reintegracionistas dizedes que o estândar nom é o mesmo cá fala, que som dous conceitos bem diferentes”

          Com respeito, mas isso não é um conceito reintegracionista, é um conceito universal. O espanhol é chamado do idioma “mais fiel à fala”, e em certo sentido pode ser verdade, mas ainda assim um andaluz escreve “facultad”, e diz “facultá”, e não por isso considera-se falante de “andaluz” e não espanhol.

          “Issa visom valerá prá outros logares, mais nom prá Galiza atual. Na Galiza tem-se ũa visom de que a escrita deve representar fielmente a fala”.

          Desde o meu ponto de vista, isto não é mais que uma escusa. Os galegos podem escrever uma coisa e dizer outra. O inglês, um dos idiomas mais afastados da fala, é aprendido nas nossas escolas sem dificuldade. O problema é outro. Se Portugal fosse Alemanha, o debate reintegracionista já se teria resolvido há muito tempo.

          • Galego da área mindoniense

            Duyufolholaaaaaaaaaaaaavaaaaaaaaaa.
            Lava = love? Sem dificuldade, eh?

          • Galego da área mindoniense

            Portugal nom é a Alemanha. E a Alemanha, por moita “Alemanha” que seja; nom vejo que consiga que usem o seu estândar na Suíça, Áustria ou Países Baixos.

          • Alberto Paz Félix

            Sinto-o muito, mas acho que sim. Na Suíça, acho que o considerado standard é o Alemão oficial, da Alemanha, ao igual que se faz na zona alemã da Bélgica. Da Áustria não tenho informações, e em quanto aos Países Baixos, se do que estás a falar é do holandês, o idioma está já numa situação tal de prestígio linguístico e económico, mesmo sendo também o idioma de prestígio na África do Sul (Afrikáner) e ademais sendo considerado o holandês standard por encima do flamenco (nas aulas de língua holandesa em Flandes, o holandês “correto” é o do norte, dos Países Baixos).

            O mesmo passa com o francês, que internacionalmente só se aprende a pronúncia “normativa”, que é a do norte da França (Ille de France) e se desprezam as pronúncias da Suíça francesa, da Valónia e do Quebec.

            Eu pelo menos é o que tenho ouvido, mais o que li no livro “O galego (im)possível” de Valentim Fagim, mas penso que a maioria do que disse é certo. Agora, se alguém sabe mais das situações linguísticas nestes países, por favor me informe.

          • Galego da área mindoniense

            Os estândares poderiam ter sucesso nissas regiões que apontache. Mais, na Galiza, nom se aceitaria o estândar lisboeta. Os outros países terám a sua tradiçom, mais na Galiza isse modelo nom é aplicável. Pergunta òs falantes do castelão e do isolacionismo pra saberes que modelo de reintegracionismo preferem. Iles nom gostam do reintegracionismo nadinha, mais optariam por um padrom coma o da AEG ou o que estou a usar eu agora antes ca polo lisboeta. Disso podes certeza.
            De fato, polas suas diferenças linguísticas, os neerlandeses tamém poderiam usalo alemám “estândar” e os ocitãos e aragoneses o catalám “estândar”. Porque nom? E, por poder, tamém poderíamos estar tôdolos falantes de línguas romances a usalo latim na escrita como um estândar culto e o resto seriam dialetos que se usariam na França, Espanha, Itália, România… O latim está algo afastado da fala, mais bem se entende. Porque nom escrevermos diretamente no latim? Isse é o modelo que seguem os árabes. Se os árabes puidérom, nós nom imos ser menos; nom si?
            E respeito ò alemám “estândar”… cantas vegadas viche tu que se usasse o eszett (ß) na Suíça?

          • Venâncio

            Escreves;

            «Os neerlandeses tamém poderiam usalo alemám “estândar”» .

            Acredita: o Galego está mais próximo do Italiano que o Neerlandês está do Alemão.

            E que tal começares a usar o… Italiano?

          • Galego da área mindoniense

            Pois é. O italião nom está tam afastado, eu bem os posso comprender.

            Usámolo latim como estândar pros galegos, castelãos, catalães, portugeses, italiãos, franceses, romaneses… e pronto, probrema solucionado. Após tudo, isso é o que se fai na Arábia e na África do norte. Porque nom? Isse é o esceário que visam istes “reintegracionistas”?

          • Venâncio

            Caro Alberto,

            No respeitante ao Neerlandês (língua da Holanda e da Flandres), pode ler um artigo meu no primeiro volume de “Quem fala a minha língua?”, organizado por Valentim Fagim, na Através Editora. 2013. Verá que a situação é um tanto mais complexa do que (sem desrespeito) Vc exprime acima.

            Anoto aqui, só, que o Neerlandês foi “elaborado” no século XVII com base em dialectos também flamengos.

          • Alberto Paz Félix

            Desculpe pela pouca precisão. Editarei o meu comentário anterior para eliminar qualquer menção ao neerlandês, pelo menos até que eu tenha uma melhor ideia do idioma.

      • Raimundo Serantes

        Nom fai mal, esclarecido 😉

  • Venâncio

    Galego Mindoniense,

    O teu texto longo de há umas horas é uma jóia de lucidez. Quem dera que todos tivéssemos essa tua disponibilidade mental.

    Perguntei qual o futuro linguístico para a Galiza que o Reintegracionismo quer construir. Não perguntei por hipóteses, por cenários alternativos, como pareceste julgar. É uma pergunta que de há muito me faço, vos faço, e que me fazem quando em Portugal atiram: «Mas diz lá, o que é que aqueles galegos querem exactamente?»

    A resposta canónica («O Reintegracionismo visa integrar a língua da Galiza no seu contexto natural») só gera mais perguntas ainda. Quem vai definir, e depois gerir, essa tarefa? Não seria esse «contexto natural» intrínseco à própria Galiza, já que o idioma aí se criou e desenvolveu? Como realizar tal tarefa vencendo as fortes resistências internas e externas que o Castelhano opõe? Que “Galego internacional” se desenvolverá num contexto bilingue, de que não houve, até hoje, nenhuma experiência bem sucedida?

    São perguntas que não têm a ver com a “normativa”, nem directamente com a perda de falantes. Ou, em certo sentido, têm. Isto, porque os reintegracionistas afirmam que o “Galego internacional” (através dum suposto inerente prestígio) faria reverter esse processo de perda. É, concedo, uma conjectura interessante, mas só isso; uma conjectura. E é curioso ver-te afirmar (elogio a tua coragem!) que o resultado pode ser exactamente o contrário.

    Não sei se estas questões vos ocupam a mente. Mas podeis estar certos de que ocupam a de muitos que vivemos fora.

    Um abraço.

    • Galego da área mindoniense

      Eu apenas che posso respondela última pergunta. Isse galego internacional estaria escrito cũa ortografia internacional (seja cal for) e inçado de castelanismos, em tôdolos campos, nom só no léxico. E as estruturas enxebres do galego, mal se usariam. Isto, sendo otimista. Sendo pessimista, o infinitivo conjugado e o futuro do conjuntivo desapareceriam (bom, iste último, praticamente já desapareceu), uso de verbos compostos com haver, nada de dias por feiras nem cousas desfasadas coma “adeus” ou “capela”… Acho que já tiveche algũa experiência disso, né?
      Averia ũa elite que nom se veria tam afetada polo castelão, mais a maioria da populaçom bem que se veria. É lógico, dado que mais do 95% dos mídia consumidos polos galegos som castelãos. É, ainda por riba, a maioria do entorno das pessoas galegofalantes som de fala castelã. Á exceções, mais falo da maioria. Que outra cousa se poderia agardar? O único jeito seria diminuila mídia em castelão. Diretamente, nom poderia chegar até acô; porque, de continuar chegando, a situaçom nom iria mudar.
      Basicamente, o galego seguiria parecendo um dialeto do castelão; tanto na escrita como na fala. A ortografia internacional seria um bom disfarce. Mais apenas isso: um disfarce.
      Que a ortografia internacional poderia ajudar a recuperar estruturas enxebres. Poderia, enquanto nom divergam moito do castelão. Quiçais se poderia recuperalo infinitivo conjugado e o futuro do conjuntivo, por nom ser moi discordantes do castelão. Até se poderiam recuperar cousas coma “avoa” ou “capela”. Mais, mesmo sendo ensinado na escola, poucos se ponheriam a dizelos dias por feiras. Por exemplo, eu uso os dias por feiras; na escrita. Na fala, uso luns, martes… Quem caralho me vai entender se lhes digo “terça feira”? Olhariam-me coma um bicho raro. Os reintegracionistas podem dizelo que quigerem, mais a realidade é issa. Iles poderám dizer que teria de ter paciência e explicar-lhe òs meus amigos o que significam os dias por feiras e mostrar-lhelo valor do galego internacional; coma um apóstolo do século I. Cantos galegos achas que se ponher a fazer isso? Dirám “martes” e pronto. Solucionado o probrema e a imagem intacta.

    • Galego da área mindoniense

      Tenho de dizer que eu nom sou ũa pessoa de cidade. Nom á moitas zonas urbãs na área mindoniense, pra ser sincero…
      Eu posso dizer que o portugês e Portugal nom é moi bem visto na aldeia. Portugal é visto como um país de pobres, gente que só vale prá madeira e o portugês nom é vista como ũa língua de moito prestígio. Como digem, a sua imagem nom é melhor có galego da RAG. Na gente nova, istes prejuízos som menores; mais ainda se mantêm algũus, ainda que seja inconscientemente. Nom se podem eliminar estereótipos dũa geraçom a outra. Isto na aldeia, nom sei na cidade. Mais, cais som os logares u o galego está mais vivo? Cal é a franja d´idade que mais o uso? Nom é preciso ser moi espelido pra decatar-se de que, d´admitir-se a ortografia portugesa ou medieval como ũa representaçom lídima das falas da Galiza, o resultado seria catastrófico. Polo menos, num primeiro momento e ainda seria boa cousa se se amanhasse depois. Porque os velhos, com isse fato, vai-lhes parecer um insulto e dirám algo como: Estám chamando-nos portugeses? Mais que pensam que nós somos ũus mortos de fame ou que? Ista gente nom pretenderá unir-se a Portugal, a issa trapalhada de país.
      Algũus novos o verám com melhores olhos, sobretudo os mais castelão-falantes. O resto nom é pra botar foguetes… num primeiro momento, se estranhariam nissa relaçom da sua fala co portugês. Mesmo admitindo ista relaçom, nom gostariam moito diste fato; já que complicaria o galego, ainda mais do que é. Se a ortografia da RAG deixasse de ser oficial e se trocasse por ista, case todos optariam por escrever diretamente no castelão. Algũus até se ponheriam a falalo. E os pais nom estariam moi convencidos de que os seus filhos falem galego. Moitos já nom aceitam isso arestora; mais, cũa ortografia d´inclinaçom portugesa, a tolerância diminuiria. Polo tanto, os falantes cairiam mais rapidamente. Porque os velhos morreriam nũus anos e nom averia cativos galegofalantes. Fim do galego e fim do choio. Co galego da RAG, ainda se pode manter daquela maneira. Mais ainda se pode manter algũas gerações mais. Co galego internacional, pouco á durar; a nom ser que se implante moi bem e com moito coidado.
      Pode que na cidade nom tenham istes prejuízos. Porque? Bom, é que na cidade diretamente nom falam galego. Que prejuízos vam ter? Os madrilenhos tampouco têm tantos prejuízos contra o portugês.
      No entanto, na aldeia si que os á. E, nas aldeias, ainda se mantém o galego; é o único logar u se mantém. Por isso, coa ortografia portugesa, mataria-se o galego; porque na aldeia se deixaria de falar galego. E, como nas cidades ninguém o fala, rematou-se. Game over! Ò morrerem os velhos, já nom averia mais galego na Galiza. Co galego isolacionista, a situaçom tampouco é moito melhor; mais polo menos, ainda iria tirando. Seria ũa morte devagarinha, em definitiva. Mais com possibilidade de recuperaçom. Co galego internacional; a morte seria iminente, bem rápida.
      Que estou a ser demasiado pessimista? Tomara. Mais eu acredito que nom.
      Como já comentei, sem um plano bem elaborado; o reintegracionismo nom tem capacidade pra recuperalo galego. O poder de persuasom do que tanto presumem, nom é tanto. Só pode convencer òs que tenham propensom cara isso. Co resto, até teria um efeito contrário.
      Pra implantalo galego na versom internacional, primeiro á que agardar a que morram os velhos. Segundo, á que eliminalos prejuízos do galegos. E, terceiro, aumentalo número de galegofalantes e de mídia em versom internacional. Feito isto e bem executado, poderia implantar-se a versom internacional.
      Quem sabe como seria? Ninguém o pode saber com certeza. Gostaria de ter espranza e que o galego sobreviva, mais nom o acabo de ver. O galego da RAG está mal feito e está a matalo galego. O galego internacional, com todo o seu potencial, daria-lhe ũa morte mais rápida. Bom, sempre existe a espranza de que restaure a língua nas cidades. Mais, nom sendo falada por ninguém e lecionada como ũa língua estrangeira na escola… a nom ser que fales coas paredes…
      Conclusom: Na Galiza, seguiriam a aver falantes de galego; sim. Mais os falantes do inglês seriam maiores. Cos turistas que temos… Moitos nom serám, mais aginha superam a um galego n´agonia. Issa situaçom tardaria mais em chegar co galego da RAG ca co galego internacional, repito.

      • Venâncio

        É todo o contrário da léria contentinha e do exibicionismo paroquial.

        Obrigado por esta lição inesperada.

    • Ernesto V. Souza

      Os catalães de 1905 a 36 foram quem de criar um par de gerações inteiras de nenos urbanos neollengues e de começar um processo de re-cultiturização do rural em paralelo a um de modernização da língua (muito intenso) sem precedentes e que retomaram nos 70 e imparáveis nos 80…

      E os bascos de 1975 até hoje deram a volta ao marcador criando não apenas uma neo-língua quanto uma verdadeira comunidade de falantes…

      E nós, com mais falantes, maior homogeneidade social, mais facilidade e tendo aí o Português… não imos poder fazer…?

      Caso que tivéssemos um mínimo de orçamento e propaganda, isto é tendo o governo da Junta… fazia-se em pouco tempo… campanhas de alfabetizaçao maciças, propaganda acompanhada de outra série de projetos de oredenação económica do rural e vertebração dos transportes, banca, pública, investimentos culturais em sanidade, educação…. em 8 anos prestigiava-se o português da Galiza como ne-língua. Em 15 era a língua de poder e prestígio da população.

      • Venâncio

        Caro Ernesto,

        “Tendo o governo da Junta”: eis a frase-chave do teu comentário. Se eu fosse cínico (e não quero sê-lo), parava aqui.

        Como linguista, só comento: os vossos planos de futuro passam (implicitamente, pois jamais o formulastes assim!) por uma comunidade galega bilingue de Português e Espanhol . Digo-o assim, pois não quero sequer supor que viseis para a Galiza uma comunidade monolingue em Português…

        E eu pergunto: como funcionaria linguisticamente uma tal comunidade bilingue num território do Estado Espanhol?

        A minha tese (que conhecerás) diz que podem existir, e existem, indivíduos bilingues de Português e Espanhol, mas que uma comunidade teoricamente bilingue seria, até do simples ponto de vista da semântica (e esqueçamos todo o resto, e esqueçamos o Estado Espanhol…), um perfeito caos.

        Sabes o que é a chatice? É que vós nunca falais disto. Assim, é fácil sonhar.

        • Venâncio

          P.S.

          Numa comunidade bilingue semanticamente disfuncional, um individuo nunca tem a certeza de se o interlocutor usou a semântica correcta da Língua A ou a semântica incorrecta da Língua B.

        • Ernesto V. Souza

          Mas que bilingual nem que nabo… o único caminho é o monolinguismo Galego e logicamente a independência…

          Para a independência é preciso acumular massa crítica, capital humano, institucional… dinheiro, poder e caso ser preciso armas…

          E vou-lhe dizer uma cousa muito e bem clara: o fracasso do modelo ILG-RAG não é qualquer questão linguística, técnica ou social é que CARECEU de um apoio POLÍTICO e ECONÓMICO. É dizer o fracasso do Modelo ILG RAG é correlato do fracasso Político (induzido) do NACIONALISMO GALEGO.

          É mais se tivesse governado na Galiza como na Catalunha e no país Basco o nacionalismo já com um Partido ou em coligações o modelo ILG RAG teria sido uma fase nos 80 e hoje estariamos já num modelo AGAL avançado ou no Português.

          • Venâncio

            «O único caminho é o monolinguismo Galego e logicamente a independência…»

            Aleluia! Alvíssaras, meu capitão! Arre, que custou.

          • Ernesto V. Souza

            e de que val dizer…? se a cousa é fazer…

          • Venâncio

            Quando não se tem (como vós nunca tivestes) objectivos claros a perseguir, passa-se à… acção. Vai plantar nabos, amigo.

          • Ernesto V. Souza

            objetivos sobram… o que falta é poder e dinheiro… falta força política…

            Eu plantar plantava se tivesse algo de labrego, como tenho mais de artesão vou fazendo outras pequenas cousas… porque pouco mais eu poderia fazer.

          • Venâncio

            Não, Ernesto,

            O Reintegracionismo galego (seja AGAL, seja AEG, seja AGLP, seja “Freixeiro Mato & Companhia”) não tem, e nunca teve, objectivos claros e explícitos, linhas de acção a eles ligadas, busca de aliados estratégicos, planos de contingência, tudo aquilo, enfim, que pudesse responder à pergunta: o que quer autenticamente o Reintegracionismo conseguir na Galiza que existe.

            Mas transbordais de entusiasmo e generosidade, isso ssim.

          • Ernesto V. Souza

            Eu falo unicamente por mim amigo… nem tenho um coletivo detrás, nem sou porta-voz de nenhum movimento, contribuo onde considero e onde penso faço menos mal …

          • Venâncio

            Compreendo, Ernesto. Muitas pessoas houvesse lúcidas como tu… Mas poderia supor-se que um “projecto colectivo” tivesse mais forma e consistência.

          • Ernesto V. Souza

            Mas não tem… se tivesse o PGL seria um jornal a sério e a Através uma grande editora, a AGAL seria um coletivo influente…

            Será no futuro? acho que para isso trabalhamos… mas hoje por hoje, simplesmente há que ir fazendo… onde se pode, com quem se pode, quando se pode…

          • Galego da área mindoniense

            Pois já o podedes ir aplicando. Em vez de tentardes convencer òs “esquerdistas”, que parecem ter certa propensom cara ò reintegracionismo e iles próprios nom am tardar em dalo passo; deveríades tentar convencer òs de direita e á maioria do povo. Planificar algo a sério, realístico e realizável. E deixar de misturala língua e política, polos dous bandos. Ou vos centrades na linguística ou bem vos concentrades na política; mais as dous cousas, nom. Isso só fai prejudicala vossa imagem.
            Atualmente, nom ides a nengures. Estades a caminhar sem rumo, sem um futuro planificado. Simplesmente, colhedes por um lado e até u cheguedes. Isso é o que se pode melhorar, Ernesto; e isso é o que deve rematar. Do contrário, ninguém vos irá tomar a sério; como, mais ou menos, esteve e está a ocorrer até agora. Procurade um projeto pro galego realizável na Galiza, com verdadeiras chances de sucesso. Com chances “reais”.
            Porque, isso da confluência normativa, pra mim nom passa dum eufemismo pra dizer “o fanatismo lisboeta ganhou. O lisboeta é superior, e tôdolos galegos o devemos usar”. Porque razom o lisboeta é superior? Polo que vejo o vosso pensar se reduz somente a: porque se usa em Portugal e no Brasil!
            Os membros da antiga Comissom Linguística da AGAL nom rejeitárom a vossa “proposta” por acaso ou por parvoíce. Tinham motivos de sobra, e mais lógicos cos vossos.
            Vós justificáchede-lo dizendo que, enquanto o reintegracionismo nom for um movimento de relevância social, nom se deve centrar em questões como a de que normativa se deve priorizar. Com isse fato, renunciáchedes a calquer possível pretensom pro reintegracionismo atingilos seus objetivos “aparentes”.
            Alá vós. Seguide por aí, que avedes chegar bem longe. Abofé que sim… Perdede coidado, porque os vossos atos am fazer que consigades o que realmente queredes.

          • Galego da área mindoniense

            Primeiro a que passar à açom. Logo, já se planificará a linha seguir. Até telo poder e dinheiro, nom se podem pensar nissas miudezas.
            Vês como o reintegracionismo só pioraria as cousas na Galiza. Seguindo por isse caminho, é o único que se pode agardar.

          • Ernesto V. Souza

            p.s e precisamente o exemplo desse fracasso é que as cousas há que as fazer de zero e de fora do aparato institucional académico… mas com toda a força e energia de que se disponha… agora é pouca, mas no futuro veremos… eis o caminho do reintegracionismo…

          • Galego da área mindoniense

            Independência… velaí o erro do reintegracionismo: seguilo jogo de politizala língua.
            Se o reintegracionismo quiger vencer, teria de tentar convencer ò PP de que issa é a melhor opçom. Iles podem logralo necessário apoio de Castela. Mais, com istas caralhadas…

          • Galego da área mindoniense

            Tivesse governado, teria sido, estaríamos… O passado é o que á, Ernesto. Isso nom se pode mudar. Ora bem, o futuro si que depende de nós, de todos nós. Nisso é no que á que concentrar-se.

          • Galego da área mindoniense

            Modelo AGAL avançado? Explica-te. Que entendemos por “avançado”?

        • Galego da área mindoniense

          Por sorte pros reintegracionistas, no mundo já tivemos e temos ũa experiência de comunidades bilingues no galego e no castelão. Norte d´Uruguai, Olivença… soa-vos d´algo? Modelo a seguir, com certeza.
          A Galiza nom diferiria bastante disses logares. Se o galego puido preservalo seu léxico e particularidades até o século XXI, é porque durante séculos era falado por gente pobre e desconhecedora do castelão. No entanto, as gerações futuras dominam a perfeiçom o castelão. Que achades que vai ocorrer?
          Como dige o Venâncio, á indivíduos que podem dominar totalmente (ou case) à perfeiçom duas línguas. Prũa comunidade, impossível. Isto exigiria que todo o mundo se interessasse em coidala sua língua, algo moi longe d´acontecer. A gente tem-vos cousas melhores que fazer!

      • Galego da área mindoniense

        Prestígio nom significa uso. Nom vejo que òs galegos lhe dêm por falar no inglês.

        A questom é que nós nom temos isse mínimo de propaganda. Á 50 anos, nom avia os mídia d´oje. A tarefa era mais singela. Coa maioria da populaçom vendo meios de comunicaçom no castelão, moitos nem sequer sabem que existe um reintegracionismo. E tampouco saberiam disse suposto novo prestígio.
        E o governo da Junta… podemos ser um poucos realistas? Enquanto estiver o Feijoo, o PP vai seguir ganhando as eleições. Como moito, pode que nom consiga a maioria absoluta; mais acho que isso nom vai suceder. E, sem o Feijoo, o PP perderia votantes mais continuaria sendo a primeira força. Issa é a realidade da Galiza. A gente vota pola pessoa, nom polo partido. E, enquanto nom ouver alguém competente na oposiçom, o PP seguirá ganhando indefinidamente. E, mesmo nom estando o PP, que pretendedes conseguir? Nom vai ser moito melhor…

  • Ernesto V. Souza

    Obrigadíssimo Alberto pelo esforço e pelo tempo. Um grande sucesso de leitores e mesmo de atenção.

    A tua exposição pessoal, limpa e clara, teve a capacidade de fazer refletir a vários dos protagonistas e movimentar debate, cousa sempre de agradecer.

    Eu pergunto-me ultimamente se na realidade o reintegracionismo, não estará a desempenhar no galeguismo como projeto político, social e cultural, o mesmo papel que os “modernistas” e “noucentistas” fizeram na Catalunha há cem anos… as polêmicas, as acusações de traição contra a língua clássica quanto as estratégias e o discurso têm muitos paralelos… mas onde a Catalunha precisou de imprensa e de importantes desenvolvimentos económicos de mecenas e de estrturas políticas… cá estamos a resolver com uma maior diversidade e via redes sociais e internet.

    Enfim que o reintegracionismo é um modernismo.

    • Galego da área mindoniense

      Vou resumila situaçom do galego e do reintegracionismo cũa comparaçom.
      Imagina que tens ũa casa velha, de moitos anos. Ila irá deteriorando-se devagar, aos poucos; pro final cair por completo (galego da RAG). Pra amanhares isso, tu contratas a 50 obreiros pra fazerem ũa reforma. No entanto, se os obreiros forem maus no seu trabalho e tu nom lhes das instruções do que queres; o resultado será pior do inicial e a casa cairá moito mais rápido ca antes (galego internacional mal implementado). Porém, se forem ũus obreiros competentes e tu lhes das as instruções certas; o resultado será ũa casinha bem bonito, moito melhor ca antes e que durará séculos (galego internacional bem implementado).
      O probrema é que o reintegracionismo pode-se ponher como quiger, mais nom tem os meios pra implantar nengum discurso. E, com isso, o galego internacional nom teria sucesso.
      Digem antes que os mídia consumidas polos galegos som 95% castelão-falantes. Se consomem um 5% em galego, ainda é. E do galego internacional, melhor nem falar; isso é insignificante. Consome-se mais inglês (anúncios, música…) có galego em versom internacional. Como se solucionaria isso? Pois proibindo e quitando tôdolos mídia no castelão e substituindo-os por versões no galego internacional. A gente averia estar bem contenta, sim senhor! O efeito conseguido seria a perda das seguintes eleições e ũa aceleraçom da perda de falantes. Nom, perda; mais simplesmente que nom averia ganância.
      É impossível convencer á gente das vantagens do galego internacional, nom avendo meios pra isso. Melhor dito, se a gente nem os vê.
      O ensino poderia ser ũa ferramenta de propaganda, mais sem a colaboraçom dos pais nom seria efetiva. Averia algũus (poucos) rapazes ilhados que, ò chegarem à adolescência, trocariam o castelão do galego. O resto das pessoas que levariam toda a vida falando castelão, continuarám toda a vida a falalo castelão. No PGL, fazedes entrevistas a neofalantes que passárom pro galego na adolescência e parecedes entusiasmados com isso. Peró eu pergunto: canta gente do seu entorno deu isse mesmo passo? Nom servirá de moito, se apenas issa pessoa dá o pessoa. Som simples ações individuais. Os demais achariam isso coma um imigrante que fala na sua língua natal. Por moito que ile fale na sua língua d´origem e por moi bem que se leve cos seus amigos, nom se vam ponher a falar isse idioma. Seguirám co castelão.
      O galego nom tem moitas opções. Falades d´independência, mais isso apenas é um sonho. Nom é real. Poucos galegos apoiam a independência. Nom querem separar-se do resto da Espanha. E isto tamém o digo por mim. É certo que nom gosto da atual imposiçom de Castela, mais a independência nom é a soluçom. Por sorte, poucos galegos vos votam.
      Á ũa esprança pro galego internacional. E issa seria que os próprios meios castelãos lhe dessem por prestigiala versom internacional do galego. Istes si que têm os meios pra convencer à gente. Mais, de verdade o achas possível? Após séculos menosprezando o galego e olhando-o polo baixo, vam-o prestigiar? Conta com isso…
      Sinto-o moito, mais o galego morreu. Ou isso parece. A situaçom atual do galego é coma a da Alemanha a finais do 1944. O galego internacional parece selo último recurso, coma a batalha das Ardenas. A outra alternativa já demonstrou o seu fracasso, averá que provar outra. Nom se tem nada a perder e moito a ganhar, né? Na teoria, parece que todo tem de sair bem; que ista visom fará que o galego ganhe prestígio, falantes… tudo. Tamém a batalha das Ardenas parecia moi bonita, na teoria. Mais a prática é algo bem diferente. Ò igual cá batalha das Ardenas, e visto os meios do que dispõe o reintegracionismo e o galego (em geral), isso seria um suicídio. Perderia-se tudo mais rápido.
      Os reintegratas podedes seguir no vosso Matrix particular todo tempo que quigerdes. A realidade é bem distinta.

  • Venâncio

    Galego Mindoniense,

    Escreveste: «Como dige o Venâncio, á indivíduos que podem dominar totalmente (ou case) à perfeiçom duas línguas. Prũa comunidade, impossível».

    Não afirmei exactamente isso. Existem, mesmo, comunidades de falantes em que se utilizam três idiomas.

    O que eu escrevi foi que uma comunidade bilingue de Português e Espanhol não funciona devido às numerosas e importantes descoincidências semânticas (e, insisti, mesmo esquecendo todos os outros pontos problemáticos, e esquecendo o Estado Espanhol…).

    Exemplos simples: “Não é certo” não é “No es cierto”, “Agora mesmo” não é “Ahora mismo”, “Em seguida” não é “En seguida” e, como estes, dezenas e dezenas de casos.

    Como escrevi acima:

    Numa comunidade bilingue semanticamente disfuncional, um individuo nunca tem a certeza de se o interlocutor usou a semântica correcta da Língua A ou a semântica incorrecta da Língua B.

    • Galego da área mindoniense

      Entendo que te referes à frustraçom do mais fraco. O mais forte estaria bem contento, niste caso, o castelão.
      E em cantos logares convivem pacificamente três idiomas? No Val d´Aran leciona-se o castelão, catalám e a variante aranesa do ocitão. Mais, o de convivência pacífica… Ou Alguer; co catalám, sardo e italião. Outro exemplo: o Südtirol; co alemám, francês e ladino.

      • Venâncio

        Sim, oficializar o Português numa Galiza espanhola seria dar uma grande alegria a Madrid.

        Os galegos aprenderam, ao longo de decénios e séculos, a neutralizar as diferenças semânticas de Galego e Espanhol, ou a reduzi-las a um mínimo. Mas com o Português (mais uma vez: socialmente) iria iniciar-se na Galiza uma nova “convivência”, e tu já sabes quem seria o perdedor.

        • Galego da área mindoniense

          O perdedor seria a Galiza e a sua fala. Bom, a sua fala até issa altura.
          Respeito ò terceiro parágrafo, pode-se começar por isse: castelhanismo. Eu já tentei razoar cos reintegracionistas sobre que a introduçom disses castelanismos na Galiza é completamente desnecessária, mais o fanatismo lusófono disses caras parece nom ter limites. Nalgũus casos, acho que a maioria tem juízo crítico; mais as suas vozes som seençadas ou, diretamente, escapam da AGAL; fogem dile. Os que dirigem atualmente a AGAL som totalmente lusistas, nom reintegracionistas. Nom só os que dirigem, mais tamém os assistentes à assembleia. Com ista nova deriva que está tomala AGAL, dificilmente logrará algum mínimo apoio dos galegos. Por isso, a RAG tem bastante bem assegurada a sua continuidade e o reintegracionismo nom lhe represente nengũa ameaça; já que mal existe. Actualmente, lo que se lleva es el lusismo puro y duro. E isso nom é tomado a sério por ninguém. Mais, niste mundo no que até a ultradireita pode ganhalas eleições; é melhor nom falarmos moi alto. Peró, em circunstâncias “normais”, dificilmente o lusismo galego (vai contradiçom, nom?) sairá da situaçom na que está arestora.
          A RAG é um modelo mau. O reintegracionismo é o pior. Mais o lusista… isse si que nom tem competência possível.

          • Venâncio

            Sabes uma coisa boa? Tu és tolerado aqui. Noutros tempos serias escorraçado, depois de seres declarado “troll”. Ou muito me engano, ou a direcção desta pagina está a mostrar-se especialmente esclarecida.

          • Galego da área mindoniense

            Já fum advertido ũa vegada (http://pgl.gal/galiza-reintegracionismo-senso-comum-historico/. Ainda que pode que issa vez tamém fosse algo culpa minha. Na verdade, nom estivem moi atinado.
            Mais, bom, polo d´agora nunca me ocorreu nada. Sigo a ser tolerado e assim agardo que continue. Iste é um meio que tem criticado a censura franquista. Seria irônico que iles figessem justo o que estám a criticar, nom che parece?
            Nom sei canta censura averia no PGL, mais acho que pouca ou nengũa. O certo é que ista página é moi tolerante. Nada que ver co Sermos Galiza, que me têm removido algũus comentários.

    • Galego da área mindoniense

      Á algum sítio no que possa consultar issas dezenas e dezenas de casos? Viria-me moi bem pra tentar fugir da pressom do castelão. Suponho que o senhor já se decataria de que uso algũus decalques do castelão. Se nom conheço as alternativas que existem na nossa língua, nom posso fazer rem. Por issa razom, nom me viria nada mal algũa fonte na que possa conhecelas alternativas existentes no nosso idioma.

      • Venâncio

        Existem livros, sobretudo edições brasileiras, com listas imensas de “falsos amigos” lexicais entre Português e Espanhol. Se procurares na Net, encontras algumas listas úteis. Mas não conheço nenhuma obra sobre idiomatismos e fraseologia entre as duas línguas. Julgo que um contacto muito persistente a aturado, e muita sistemática desconfiança, hão-de ajudar.

        Eu conheço espanhóis desde a adolescência e tive mais tarde matérias dadas por professores espanhóis. Fui prestando atenção. Vi também muita televisão espanhola. Acredita que, ainda não havia televisão em Portugal, e eu via a espanhola em férias aqui em Mértola (sim, vivo pertinho da Andaluzia). Lembro-me de “El Santo” com Roger Moore, dobrado, claro, em espanhol.

        Tenho a dizer que, naquilo que escreves, vejo muito poucos “decalques do castelão”, se algum houver. Suponho-te utente de galego desde a infância, e isso fará toda a diferença.

        Conserva e desenvolve esse teu galego tão sadio. Aproveita o português no que precisares, mas com critério e criticamente. Escreve-o como melhor achares. Quem realmente acredita no nosso idioma, não tem medo de vê-lo escrito de mais de uma maneira.

        Até os que escrevem em normativa RAG escrevem no meu idioma, embora não no saibam. E os reintegracionistas ortodoxos recusam-se a admiti-lo. Uns são cegos, outros cegos são. Eis, amigo, numa casca de noz, todo o drama linguistico da Galiza.