Joam Paz (John): “Pessimista com a inteligência, mas otimista com a vontade”



No dia de hoje conhecíamos a morte do amigo Joam Paz (“John”), veterano ativista independentista, sócio da AGAL e de muitos outros projetos e associações reintegracionistas.

Pelo seu interesse, reproduzimos hoje novamente a entrevista de João Aveledo com que inaugurávamos a Seção do PGL AGAL- De ontem para amanhã.

Também reproduzimos, pelo seu emotivo simbolismo o comunicado da Fundaçom Artábria, entidade à que estava fortemente vinculado e à que se re-incorporara nos últimos tempos desde a sua volta a Galiza.

Do PGL fazemos nossa a emoção e a dor de tantos companheiros e da família, compartilhando essas merecidas palavras e reconhecimento.

Que a Nossa Terra, alguma dia verdadeiramente Nossa como tu querias, che seja leve, camarada.

 

joan-paz_artabriaTEXTO na íntegra da Fundação Artábria:

Quando umha entidade fai anos, ela vai inevitavelmente perdendo companheiros e companheiras por diversas causas, incluído o incontornável fim da nossa existência como pessoas individuais.

A ausência de alguns deles, que dedicárom boa parte do melhor das suas vidas a todo aquilo que nos une, magoa-nos especialmente. Esse é o caso do Joám Paz: o nosso John.

Membro fundador da Associaçom Reintegracionista Artábria, a inícios dos anos 90, e da Fundaçom Artábria, a finais dessa década, ocupou postos de responsabilidade durante anos, até se ver forçado à emigraçom em Espanha. Nunca abandonou a sua participaçom na Artábria, reincorporando-se nos últimos anos, já de regresso ao nosso país.

Reintegracionista convencido desde a juventude, foi também sócio da AGAL e da AEG até o seu derradeiro dia de vida.

Politicamente, era comunista, ateu e independentista. Como tal, foi militante de NÓS-Unidade Popular durante os anos de existência dessa organizaçom da esquerda independentista galega.

Amante da cultura e da Galiza, o John foi um ativista permenente em defesa da língua e dos direitos nacionais do nosso país. Era também um firme defensor da ciência desmercantilizada e ao serviço da humanidade, inimigo de toda forma de pensamento mágico.

A Fundaçom Artábria quer, nestes momentos de profunda tristeza, render pública homenagem ao nosso companheiro de tantos anos de luita, de entrega militante e de alegria de viver polo bem coletivo do povo galego, com umha posiçom inequivocamente de classe.

Para além do dito, o John era umha boa pessoa, um ser humano excecional. Um de tantos que trabalham sem mais interesse que servir ao seu povo, sem que a maioria dele chegue nem sequer a saber que existírom. Por isso achamos tam necessário este reconhecimento público.

Nom exageramos ao afirmarmos que a de hoje foi umha grande perda nom só para a Fundaçom Artábria, mas também para a Galiza.

O amigo, o companheiro John fica para sempre na nossa lembrança e despedimo-lo com umha sentença de António Gramsci de que ele tanto gostava e que tam bem difine a sua trajetória vital: “O pessimismo da razom, o otimismo da vontade”.

Ferrol, Galiza, 23 de junho de 2017

 

 

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Entrevista de João Aveledo. Publicada no PGL o 12 de maio de 2017

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Joám Paz: “Sou pessimista com a inteligência, mas otimista com a vontade”

Joám Francisco Paz Lopes (“John”), nasceu em Woking, Surrey, Inglaterra, 1967, veterano ativista do reintegracionismo, foi um dos fundadores da Assembleia Reintegracionista “Bonaval” e de Artábria, participou também ativamente da Coordenadora Reintegracionista, depois transformada em Movimento Defesa da Língua.

Trabalhador em organismos institucionais de gestão de rios, foi durante anos, outra vez, emigrante em Badajoz e  Valhadolide; nos últimos anos retornou a Galiza, onde se reincorporou à atividade social. Atualmente é sócio da AGAL e da AEG.

Inauguramos com ele, formalmente, a nova seção de entrevistas: “AGAL – De ontem para amanhã”, que em paralelo com a de AGAL-Hoje porá em destaque a diversidade do conjunto humano que conforma o rico tecido da AGAL.

 

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Conheci ao John em Compostela em 1985, ele estudava Químicas e eu Ciências Biológicas, com ele e com o Gonçalo Grandal “Çalo”, de mãos dadas, avançamos polo caminho de recuperação da língua do País e dos pais. E o monolinguismo social, foi acompanhado do reintegracionismo linguístico…

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Tu pertences ao grupo dos que tivemos por língua materna o castelhano, ainda que a língua das nossas mães era o galego, como foi esse processo de recuperação pessoal da língua?

Foi um processo que demorou algum tempo. Eu, como muitas pessoas, tivem aulas em espanhol desde os 7 anos e isso nom mudou nem na própria universidade. Evidentemente também falava espanhol (“à ferrolana” e com algumha aportaçom do inglês que a minha família tinha (mal)aprendido nos seus doze anos de emigraçom. Som desses que se atiravam polo “resbalillo” (escorregador) e deviam atirar os papéis no “rubbish” (lixo).

Digamos que essa mescla era algo que eu sabia que era preciso depurar. E num princípio eu procurei falar um castelhano que naquela altura eu achava mais correto. Logo comprendim que a “correçom” tinha componentes filológicas, mas também políticas. E que nom havia um modelo único e imutável de nengumha língua.

Em qualquer caso, houvo um momento -já em Compostela- em que tomei a decisom de falar em galego. E demorou um tempo. Primeiro foi com a gente que conhecia menos ou nom tinha conhecido antes, depois coa família e por último com a gente que conhecia de mais tempo (fundamentalmente da escola mas que nessa altura já só via ocasionalmente).

E nisso – como em tantas outras cousas – fum radical, isto é, aprofundei até a raiz do “problema”

 

E, quase em paralelo, a tua adesão ao reintegracionismo. Que razões te levaram a dar o passo?

Como já comentei, fum à raiz. Os argumentos de quem defendia a norma ILG-RAG iam desde o mais simplório (o povo nom entendia, devia-se “simplificar”, etc.) até a mentira mais evidente (o reintegracionismo era um “invento” recente, era imperialismo lisboeta, nom ajudaria à língua e que sei eu…).

Eu já ouvira falar da normativa reintegracionista antes de chegar à universidade mas naquela altura eu nem tinha o conhecimento nem a motivaçom que tivem depois.

Primeiro, comprovei, que o galego falado pola minha família (de Muras) nom era o mesmo da gente com a que eu morava (de Cambados e Ogrobe), mas era evidente que falávamos a mesma língua por diferentes que foram os sotaques ou mesmo os pequenos rasgos dialetais.

Depois olhamos como gente com tanto conhecimento como Carvalho Calero -quem estava ainda vivo e víamos na cidade- era plenamente favorável às teses reintegracionistas.

E, por último, aprendemos como era algo que desde finais do século XVIII (Padre Feijó -naquela altura nom sabíamos que alguém com o mesmo apelido seria um dos enterradores da língua mais entregues-, Padre Sarmiento, etc.) era debatido entre os proto-galeguistas.

Assim foi como a razom e a lógica me enveredaram polo caminho do reintegracionismo.

 

Em 1991 participas em Compostela na fundação da Assembleia Reintegracionista “Bonaval”? Nela exerceste funções de tesoureiro e maquetista, que lembranças tens daquela experiência associativa?

Foi a minha “iniciaçom” no caminho do ativismo lingüístico. E aprendim muito (o que era bem simples porque eu quase nada sabia). Visto com os anos é óbvio que se cometeram erros, que carecíamos da formaçom precisa e que agíamos mais em funçom das nossas possibilidades, que em planos de algum tipo.

Em todo o caso destacaria que aquilo também serviu como prolegómeno do que posteriormente foi a Artábria.

 

Também em 1991, nasce em Ferrol Artábria, projeto associativo de base em que colaboraste desde o princípio e do que ainda hoje fazes parte. Artábria transformou-se anos depois na atual Fundaçom Artábria, nesse complexo processo burocrático foste essencial, mas, como sempre, desde a sombra e a discrição. Surpreende a tua fidelidade aos projetos e a tua capacidade para estar por cima das dissensões. Podias-nos comentar algo.

Artábria, primeiro como Associaçom e depois como Fundaçom é o projeto mais velho, mais importante e do que me sinto mais orgulhoso de todos os que participei ou participo. Valorizo a sua importáncia, porque de ser Associaçom, foi quem de transformar-se em 1998 no primeiro centro social do país a desenvolver as suas atividades seguindo as normas da AGAL. E 18 anos depois, aí continua. Com todas as dificuldades, tensons, e mesmo abandonos, segue tendo umha atividade cultural -modesta, mas em nengum caso desprezível- na Terra de Trasancos.

Até se realizou durante 14 anos um Festival da Terra e da Língua, com diferentes temáticas cada ano e polo que passaram grupos e artistas de muitos lugares, tanto nacionais como estrangeiros.

Infelizmente o festival leva uns anos sem se celebrar, mas foi um fito inesquecível.

 

Durante anos, por razões de trabalho, moraste nas cidades de Badajoz, primeiro, é de Valhadolide depois, qual foi a tua experiência vital nessas duas cidades espanholas? Padeceste de saudade? Como vias a Galiza desde a distância que dá a emigração?

Primeiro gostaria de aclarar que nom era a primeira vez que eu estava emigrado. De facto, eu nascim na Inglaterra e morei lá até os seis anos e quando chego à Galiza incorporo-me diretamente, depois de fazer umhas provas internas na escola, ao que naquela altura se chamava 2º de “Educaçom Geral Básica”.

Portanto, de algum jeito, eu já tinha umha experiência prévia do que significava a emigraçom, mas era algo que acontecera havia muitos anos e neste caso eu simplesmente ia como empregado público e em condiçons que em nada tinham a ver com as que a minha família tivo que “sofrer” na década de 60.

Em qualquer caso, o relevante era emigrar com 36 anos, com umha ideologia assente e diametralmente oposta à que poderia topar.

Mas apesar dos piores prognósticos e da inevitável morrinha, aprendim várias cousas.

Umha, que já intuía, como era que em todas partes hai gente boa e má, sendo a primeira muito mais numerosa do que a segunda; e outra, que me chocou mais num princípio, é que era que as mais afins, ideologicamente, eram muitas vezes piores das que eram candidatas a ser bem piores.

Por outra parte,  tanto em Badajoz como em Valhadolide, eu estava em organismos que gestionavam rios compartilhados com Portugal, nomeadamente, o Guadiana e o Douro, e nunca cheguei a sentir-me asfixiado por estar lá. Sempre procurei buscar o lado bom e aprender.

Outra cousa era a impotência ao ver que na Galiza seguíamos sendo incapazes de articular discursos e práticas influentes nas massas. Continuávamos a sachar cada um na sua leira, ou mesmo movíamo-nos os marcos sem importar-nos de quem era a leira, que evidentemente, nom era nossa. Lamentavelmente continua acontecendo…

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Também fizeste parte da Coordenadora Reintegracionista, depois transformada em Movimento Defesa da Língua, mais um projeto que não conseguiu perdurar. Qual é o problema do reintegracionismo de base? Por quê não consegue manter organizações estáveis com escassíssimas exceções?

Primeiro haveria que dizer que nom é um problema que só afete ao reintegracionismo. É um problema social. É ao meu ver a conseqüência do “liberalismo” que impregna, e mesmo chega a destruir, o tecido social. Fomentam-se as “saídas” individuais frente às saídas coletivas precisamente para impedir qualquer movimento que se saia do que espera o status quo realmente imperante.

E focalizando-o num movimento tam pequeno como segue a ser o reintegracionismo acho que deveríamos fazer auto-crítica. Pretender manter estabilidade nas organizaçons quando se renuncia a formas de atuaçom que se defenderam com energia até nom fai tanto tempo leva à desorientaçom e ao desánimo.

 

Manifestaste abertamente em contra da chamada Confluência Normativa da AGAL, mas ainda assim continuas associado a ela. Quais as tuas razões?

Primeiro devo dizer que eu nom som filólogo, nem a minha formaçom tem a ver com o mundo da lingüística.

E isto é importante dizê-lo precisamente porque eu acho que do que se trata com esta “Confluência Normativa” nom é um assunto tanto filológico, quanto um movimento meramente tático dentro de umha das pólas do reintegracionismo.

A discussom em que poderia haver mais relevo filológico foi no debate estratégico que se deu nas décadas de 70 e 80 entre o que depois se acabou denominando Isolacionismo e o que se chamou de Reintegracionismo. Mas ainda com ser os anos em que a discussom tinha mais componentes filológicas, nom é menos certo que a visom nacional, isto é, política, era -e segue a ser- parte importante do debate.

É já no final desse debate -a finais de 80- quando eu chego ao galego; nessa altura já cada quem tinha, mais ou menos, escolhido o seu campo de jogo dentro do que era, e continua a ser, umha batalha contra o espanhol.

Uns, desde o isolacionismo, que contaram com todo o peso das leis, da Universidade, e mesmo, ainda que fosse só de forma implícita, dos partidos que governavam na Junta: primeiro a “Unión de Centro Democrático (UCD)” e logo “Alianza Popular (AP)”. Mas havia mesmo quem de posiçons de esquerdas e mesmo nacionalistas, defendia as NOMIGA (“Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego”, elaboradas polo ILG-RAG), como quem acabou por ser presidente da Real Academia Galega, Xosé Luis Méndez Ferrín.

E ao lado, juntos, mas nunca mesclados, estávamos os reintegracionistas que éramos olhados com ódio por quem nos considerava uns elitistas ou com comiseraçom por quem acreditava que ainda que tivéssemos razom éramos umha causa perdida. E para ser justos temos que dizer que todo indicava naqueles anos que fóramos claramente derrotados.

E as derrotas nunca som fáceis de assumir. E menos quando morre em 1990 quem aglutinava a quase totalidade do reintegracionismo ao seu redor e que nom era outro que Ricardo Carvalho Calero. Se bem é certo que já havia movimentos para orientar a AGAL cara a umha norma ainda mais próxima do padrom português, ainda eram minoritários dentro da, por sua vez, minoria reintegracionista.

E aqui chegamos ao momento que eu definiria como batalhas táticas dentro do campo reintegracionista.

Por um lado estava a AGAL, que se mantinha fiel às suas propostas, e que mesmo incluíam um ponto como a «consecuçom de um Acordo Ortográfico entre os países da nossa área lingüística e cultural, incluído o País Galego», mas que nom marcava um tempo. Era um lugar ao que chegar num “hipotético” futuro; era mais um desejo que algo a formalizar em breve.

E por outro estavam aquelas pessoas que pensavam que os tempos do acordo já tinham chegado. E aí o campo reintegracionista acaba rompendo.

Rompe, mas cada quem continua a trabalhar no lugar que prefere e mesmo se colabora em momentos determinados, sem que haja mais problemas dos que houve até chegar à ruptura. Era um equilíbrio precário, mas estável. Ninguém pretendia convencer ninguém. Éramos reintegracionistas e já estava.

E quando o que realmente nos preocupava era a deriva espanholizadora que nos sufocava -e nos sufoca- cada dia, a atual direçom da AGAL propom essa “Confluência Normativa”, mesmo depois de saber que a Comissom Lingüística da própria AGAL se opunha. Nesta recentíssima entrevista Eduardo Maragoto e Joseph Ganime reconhecem e cito textualmente:

mas a maioria dos membros desta Comissom defendeu sempre a sua postura contrária à confluência”.

O caso é que na Assembleia – à que eu nem cheguei a ir – quem defendia a Confluência ganhou com ampla maioria. Isso som os factos.

E ao meu ver foi um erro porque dalgumha forma pretendia-se ampliar a base social da AGAL reincorporando a quem já tinha marchado uns anos atrás -quem por outra parte seguem sem falar de voltar-  e o único que se logrou foi perder umha parte da AGAL, pequena em número mas com certa releváncia a nível interno, e que criaram mais umha associaçom (Associaçom de Estudos Galegos).

Poderia-se utilizar um termo do que eu, como ateu que som, nom gosto por ter reminiscências católicas, mas que  já se tornou de uso comum: “aggiornamento”. Pretendeu-se “atualizar” o reintegracionismo e só se conseguiu mais outra fratura.

Em qualquer caso continuo a ser sócio, porque talvez as espectativas da atual diretiva da AGAL sejam as corretas e eu esteja enganado. Quem sabe…

E agora som sócio das duas organizaçons (AGAL e AEG). Até que seja expulso de algumha por dupla militância, hahahaha!

 

És um velho militante da esquerda independentista. Como vês a Galiza atual? Existe futuro para uma Galiza soberana?

De “velho militante” só tenho o primeiro: velho! De facto nunca fum militante strictu sensu. Só pagava as quotas de Nós-UP. Todo o mais podia assistir a algumha manifestaçom. E agora nem existimos…

Quanto à tua pergunta sobre se existe futuro para umha Galiza soberana, tenho que dizer que isso ninguém sabe, mas eu tenho claro que esse é o objectivo que qualquer pessoa que se chame de galega tem que alvejar. E quando falamos de soberania falamos de um estado independente, que ademais seja um estado socialista e nom patriarcal. Mas a isso nom se chega, no melhor dos casos, sem um longo trabalho detrás. Requer anos de trabalho e mobilizaçom. E podemos dar um repasso ao mundo e ver como a Escócia, o Quebeque, a Catalunha, o Saara, a Bretanha ou a Córsega ainda nom som independentes.

E no nosso caso vai ser tam difícil, ou mais, do que é em todos esses países sem estado que mencionei ou o de outros muitos que hai.

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E o movimento nacionalista galego?

A análise anterior serviria perfeitamente para isso que tu chamas de “movimento nacionalista galego” mas imagino que estás a pensar no galeguismo institucional, isto é, àquele que  bem através do BNG, ou das Marés (ANOVA, FPG, etc.) tem (ou tivo) representaçom na Junta de Galiza ou nas “Cortes do Estado Espanhol”.

Com todo o respeito acho que aqui, como na língua, só cabem duas posturas. Ou se é abertamente independentista (ainda nom sendo nem sequer de esquerdas) ou do contrário, antes ou depois, acaba-se jogando no campo espanhol, propositada ou mesmo inconscientemente. E o que acaba por acontecer é que se reforça o discurso do colonizador, neste caso o discurso espanhol.

Obviamente cada quem é livre de escolher, mas logo quando nom sejamos respeitados deveremos ser conscientes de que as escolhas foram equivocadas.

 

E o mundo atual?

Se eu tivesse a chave que explicasse todo o que se passa e o que se vai passar no mundo nos próximos anos, seria o primeiro em pensar que estava errado, porque disso nem seria capaz um mágico como Gandalf.

Do meu ponto de vista o único que podemos (e devemos) fazer é analisar a sociedade, mergulhar-nos na história, na economia, na política e, por cima de tudo, trabalhar para melhorar as condiçons de vida do ser humano.

Poderíamos dizer que devemos estudar o problema polo miúdo e fazer muitos experimentos antes de encontrar com a soluçom. E mesmo poderia suceder que fosse irresolúvel segundo as circunstáncias. Mas nesse caso devemos buscar a melhor aproximaçom.

E devo insistir em que isso nom vai suceder amanhá, nem dentro dum ano. Pode demorar anos e anos…

 

E a esquerda? Há esperança?

Nen som sociólogo, nem som um gurú, nem tenho umha lámpada como a de Aladim. Mas sendo hoje 27 de Abril de 2017, isto é o 80 aniversário da morte de Antonio Gramsci, poderia acabar com umha frase sua escrita numha carta desde o cárcere em 1929: “sou pessimista com a inteligência, mas otimista com a vontade. Em cada circunstância, penso na hipótese pior, para pôr em movimento todas as reservas de vontade e ser capaz de abater o obstáculo.”

Infelizmente a minha vontade nom é como a de Gramsci (nem a minha inteligência!), mas eu sempre fum um “pessimista construtivo”.

 


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  • abanhos

    Grande pessoa o Joam Paz, galego exemplar e dando exemplo em toda parte, solidário sem pedir contas.
    Que a terra te seja leve e que o teu espirito nos acompanhe e ilumine…Quanto te vamos achar a falta